ENCORE: TWO

[Boa noite.]

Harry é uma pessoa difícil de agradar.

|Estávamos sozinhos no estúdio e eu estava agüentando uma de suas cruéis sessões. Harry estava sentado com uma perna cruzada sobre a outra, comendo trufas de chocolate que ganhou de um dos bailarinos de apoio. Ele era banhado de presentes e comidinhas todos os dias. Todos na companhia tentavam ser seus favoritos.

EU estava em uma posição única. Como seu amante, eu já tinha seu favoritismo. Quando ele me levava ao limite, eu o trazia junto.

"De novo." Ele mandou. "Você tá contraindo suas escapulas quando faz o sous-sus."

Limpei o suor de minha testa. "Não to não!"

"Você tá sim."

Executei a variação mais uma vez.

"Seus braços deveriam estar em quinta depois do passe." Ele disse, mordendo outra trufa. "Oh, e estender sua perna para trás."

Fiz de novo, estendendo a perna para trás.

"Não desse tanto! Foco, Louis."

Chutei o chão de vinil em frustração. "Eu não to entendendo o que você tá dizendo!"

"Porque você não tá prestando atenção!"

"Você não tá explicando direito!" Resmunguei. "Pode vir aqui e me mostrar?"

"Oh, tá certo." Resmungou, limpando os farelos de suas calças.

Ficou de pé e marcou a coreografia. O imitei. Quando cometia um de meus erros, Harry me segurava pela cintura e me corrigia.

"Isso, é isso aí." Disse.

Joguei meus braços ao redor de seu pescoço e o beijei.

"Louis, por favor, a gente tá trabalhando."

"Eu preciso de um intervalo." Choraminguei, desafrouxando sua gravata.

"A gente já falou sobre isso centenas de vezes. Não podemos deixar nosso relacionamento pessoal interferir no profissional."

"E daí?"

"E daí que é antiprofissional." Ele disse, exasperado.

Brigamos sobre isso com freqüência. Eu não conseguia só desligar meus sentimentos por ele quando estávamos no estúdio.

Peguei uma de suas trufas e a passei o chocolate cremoso por sue lábio inferior.

Harry cedeu e abriu a boca. Dei-o a trufa e ele fechou os olhos enquanto o chocolate derretia em sua língua.

"Okay." Suspirou. "Talvez um intervalo de dez."

Deitamo-nos no chão do estúdio, nossas pernas entrelaçadas, dando trufas um ao outro entre trocas de beijos. Ele comeu cada trufa inteira enquanto eu dava pequenas mordidas. Eu o mordi por acidente e ele riu. "Ai!"

Beijei seu dedo indicador. "Desculpa." Então o coloquei em minha boca e escorreguei meus lábios até os nós de seus dedos. Arrastei meus lábios de volta e lambi o chocolate na ponta.

Seus olhos seguiam minha boca.

"Doce." Comentei.

"Tenho uma coisa muito mais doce pra você colocar na boca." Me cutucou.

"Tem mesmo? Na verdade, eu preciso voltar ao trabalho, já que sou um profissional focado, como já deve saber."

"Louis!"

Pulei nele, soltando um grunhido. Ele agarrou minhas coxas, que estavam doloridas depois de tudo que ele me fez passar no ensaio. Tirei sua camisa de dentro de suas calças com os dentes e lentamente desafivelei seu cinto, morrendo para sentir seu gosto, quando repentinamente a bengala de Liam bateu no chão ao nosso lado.

Harry me empurrou para longe de si. Cambaleou ao ficar de pé e arrumou duas calças. "Não é o que tá parecendo."

"Mesmo? Porque está parecendo que seu bailarino principal está deitado e coberto de chocolate."

Coloquei minha mão sob minha cabeça e o mandei uma piscadela.

"Harry, quando me disse que Louis precisava de todos esses ensaios privados presumi que os dois fossem trabalhar."

"A gente está! A gente estava. Ele me distraiu. Ele é um pentelho. É por isso que precisava das aulas extras."

Liam veio até nós, balançando sua bengala como um pêndulo, seus olhos escuros transbordando preocupação. Deveríamos performar A Bela Adormecida no início da próxima temporada, mas Harry convenceu o conselho a deixar que ele apresentasse seu ballet original. É uma história sem narrativa, sem história e sem personagens - uma escolha que surpreendeu a todos dado que Harry é um dramaturgo tão habilidoso. Ele o nomeou Ballet Não Intitulado No. 1. Liam não achava que Harry estivesse pronto para montar um ballet completo, mas perdeu na votação. O conselho ouviu a proposta de Harry e concluíram que seu ballet seria uma adição que valeria à pena ser feita ao repertorio da companhia. Já estando preocupado com aquela decisão, nos ver desperdiçando tempo dos ensaios confirmava a apreensão de Liam.

"Vocês dois me desapontam." Disse. "Mas não é por isso que vim aqui."

Sentei e limpei o chocolate de minhas bochechas.

"Não recebemos doações suficientes como esperávamos no último jantar com os patronos."

Harry e eu trocamos olhares de confusão.

"E por que não?" Perguntei.

Liam olhou para sua bengala. "Vejamos... Talvez pelo fato de os grandes bailarino e coreógrafo da companhia terem passado a noite toda se alisando em vez de confraternizar com os doadores. Essas pessoas não pagam cinco mil libras por pra assistirem vocês dois se agarrarem.

Virei para Harry. "Ele tem razão. A gente deveria cobrar bem mais que isso."

Liam franziu as sobrancelhas, não achando graça naquilo.

"Normalmente a gente consegue bater a meta, mas as idéias de Harry para seu ballet original são caras. Muito caras. Então a companhia vai dar uma festa de arrecadação de fundos."

Grunhimos.

E ele continuou. "Vai ser uma festa à fantasia no Halloween."

"Tem como ser mais americano que isso?" Murmurei.

Liam apontou sua bengala para nós dois. "Vocês dois não podem se falar por toda a duração da festa. Vou colocá-los em mesas diferentes." Fez uma pausa. "Em lados opostos do salão."

Liam nos deixou e Harry se sentou no chão do estúdio. Pulei, ficando de pé, e comecei a me alongar. Beijar Harry sempre me deixava extremamente bem descansado.

"Outra arrecadação de fundos. Acho que vou ter que ativar o bom e velho e charmoso Tomlinson."

Harry deixou sua cabeça cair. "Você quer dizer Styles."

"Você não acha mesmo que consegue mais doações que moi, né?" Falei, me alongando em frente ao espelho.

"Quer apostar?"

Sorri. "Uma aposta de cavalheiros."

Ele se arrastou pelo chão e estendeu sua mão. "Se eu ganhar, você se comporta no estúdio."

"E se eu ganhar?"

Pressionou seus lábios contra minha orelha. "Eu me comporto no quarto."

"Trato!"

Trocamos um aperto de mãos.

Depois do ensaio fomos andando para casa, no chão um mosaico de folhas caídas sob nossos pés. Já estava escuro. No meio do caminho começou a chuviscar. Mesmo que o clima fosse horrível eu ainda amava aquela época do ano, pois foi a estação em que conheci Harry.

Tomei sua mão e balancei nossos braços para frente e para trás. Ele falava animado sobre a festa à fantasia. Eu não entendia. Esses eventos são entediantes. Esse era ainda mais entediante, pois nós não poderíamos usar ternos. Eu teria que mergulhar em alguma pilha de roupas na Safeway e encontrar alguma roupa de super-herói que parece mais ser um pijama.

Harry não é grade fã de coisas que não envolvam trabalho ou sexo. Me perguntava o que estava o deixando tão animado com a festa.

Então lembrei.

Harry não é mais um bailarino, o que quer dizer que ele não se fantasiava mais. Ele sente falta.

Apertei sua mão um pouco mais forte.

Viramos na esquina para nosso apartamento e acenamos para Helen, a inquilina no andar de cima, que empurrava um carrinho com seu filho dentro. Tomamos o elevador por conta da dor no joelho de Harry que estava começando a dar sinal. Sempre doía quando estava úmido lá fora.

Uma vez em nosso apartamento, Harry acendeu o abajur. Gostávamos de deixas as luzes baixas à noite para podermos ver as luzes da cidade. As janelas que vão do chão ao teto que cobriam toda a parede do apartamento faziam o horizonte londrino parecer um enorme cartão postal.

Tirei o casaco de suas costas e beijei sua nuca. Seu cabelo molhado estava pesado como grama recém cortada, a umidade acentuava essência floral em seu perfume. Joguei meus braços ao redor de sua cintura estreita, descansando meu queixo sobre seu ombro. "Vamos subir?" Murmurei.

"O que? Louis, você escutou alguma palavra que eu disse o caminho todo até aqui?" Saiu de meus braços. "tenho que começar a desenhar nossas fantasias."

Tirei meu casaco. "Nossas fantasias? Eu ia pegar uma máscara na Safeway."

Harry levou a mão ao peito. "Mas é claro que não. Vou montar uma fantasia de casal para nós." Disse naquele tom ríspido que geralmente é usado no estúdio. "Vou pedir que Penélope os costure."

Penélope é a costureira da companhia, responsável pelas fantasias. "Ela já não está cheia de trabalho com os seus desenhos pra o Ballet Não Intitulado No. 1?"

"Duas peças mais não vão fazer mal." Disse, revirando a correspondência antes de ir para sua mesa no canto. Abriu seu notebook e estralou os dedos.

"Não vamos nos sentar ou dançar juntos. Ninguém vai nem notar que nossas fantasias são um par."

"Eu vou saber."

***

Harry trabalhou em nossas fantasias todas as noites quando chegávamos do estúdio. Ele trabalhava até tarde na maioria das vezes, tanto que muitas vezes eu dormia sozinho. Eu colocava uma mão sobre seu travesseiro frio sentindo sua falta. Era bobagem sentir sua falta quando eu conseguia ouvir o barulho que ele fazia ao digitar lá embaixo. Mas até mesmo estar há metros de distância de Harry era longe demais para meu coração.

Então, uma noite quando eu estava no sofá assistindo televisão ele caiu de joelhos a minha frente.

"Tire suas calças."

Ele não precisou falar duas vezes. Fiquei de pé em um pulo, rapidamente desabotoei meus jeans e os joguei ao chão. Harry me ajudou a tirá-los de meus tornozelos, um de cada vez.

Eu estava prestes a tirar minhas boxers quando ele me parou e puxou uma fita métrica.

"Preciso tirar suas medidas."

Mais dessa loucura de fantasia.

Ele pressionou a fita contra a parte interna de minha coxa com uma mão e a esticou pelo comprimento de minha perna com a outra. Esboçou os números em um pedaço de papel borrão.

Sentir suas mãos quentes entre minhas pernas me deixou duro n mesma hora. Grunhi.

Em seguida, ele rondou minha cintura com a fita e franziu suas sobrancelhas. "Eu não consigo tirar suas medidas direito quando você tá..."

"Me ajuda?" Pedi.

Ele beijou a elevação sob o tecido. "Tudo bem, deixa comigo." Notou o número e foi de volta para sua mesa.

Puxei minhas calças de volta, irritado. "Você me paga por isso, Styles! Quando eu vencer a aposta, você não vai conseguir sair da cama por uma semana."

Harry não tirou os olhos da tela. "Uma pena que você não vai ganhar."

Os tecidos chegaram na semana seguinte. Harry os mandou serem entregue no apartamento. Ele ia para todo canto com pedaços de seda e veludo como os camundongos da Cinderela.

Penélope veio ao apartamento para os costurar. Isso é segredo de estado. Já que Liam controlava cada centavo gasto pela companhia, as fantasias não poderiam ser feitas nos horárias da companhia ou seus recursos. Penélope trabalhava rápido, seus cachos vermelhos fugindo para fora de seu coque enquanto a máquina de costura zumbia sob suas mãos.

Eu assisti enquanto as fantasias tomavam forma. Meu sobretudo de veludo era azul turquesa e o de Harry verde esmeralda com milhares de botões porque, não importa a época, Harry sempre é atraído pelas peças de roupa mais complicadas. Era basicamente uma camisa de força refinada. Eu não sabia com entrar sozinho naquilo, muito menos como sair. Penélope fez calças iguais, meias brancas e camisas de seda branca.

Vi nossos reflexos na janela.

Demétrius e Lysander.

Harry me ajudou a vestir o casaco e Penélope colocou alfinetes nas mangas para fazer os ajustes. Eu nunca consegui entender como ela conseguia segurar tantos alfinetes sem se furar.

"Já que eu nunca vou ter a chance de dançar o papel de Lysander, achei que essa pode ser a segunda melhor alternativa..." Harry analisava sua camisa de seda sob o casaco. "Você, é claro, ainda pode realizar seu sonho de dançar o papel de Demétrius."

"Eu nunca faria isso!"

Sequer imaginar ter que dançar o papel sem ele ao meu lado estava fora de questão. Todos os meus sentimentos por aquele ballet estão estritamente ligados a Harry.

Ele riu. "E se a companhia decidir produzir Sonhos de uma Noite de Verão?"

"Eu faço o papel do Puck."

"Você é leal demais para o seu próprio bem, Louis Tomlinson." Colocou suas mãos sobre meus ombros e beijou minha testa.

***

A Crush Room tinha sido transformada em uma mansão assombrada com teias de aranha falsas, velas pingando e vidros quebrados. Liam pegou aquele feriado tipicamente americano e o elevado ao último nível. A única coisa que faltava eram crianças nos importunando em troca de doces.

Quando entramos no salão nos encontramos com Niall e Eleanor. Ela era uma bruxa sexy, o que significa que ela estava vestida como sempre, só que com um chapéu pontudo na cabeça. Niall era uma múmia, mas parecia mais um filhote de cachorro que tinha se enrolado em papel higiênico. Então Gigi e Zayn se juntaram a nós. Assim como Harry e eu, eles também vestiam fantasias de casal. Frankenstein e sua Noiva.

Eleanor analisou minha fantasia. "Ei, por que você e Harry estão vestidos como amantes na era Elisabetana e a gente tá vestido de monstro?"

"Porque eu e Harry não nos prestaríamos a esse papel, é por isso." Respondi esnobe.

Ninguém precisa saber que sim, eu me prestaria a esse papel se Harry não tivesse me convencido do contrário.

Pegamos os cartões com o mapa de onde nos sentaríamos. Eu estava na mesma mesa de Gigi e Zayn. É injusto demais que eles possam sentar juntos enquanto eu e Harry éramos separados como se ainda estivéssemos na escola.

"Se anima, Tomlinson." Gigi falou, os olhos azuis como gelo destacados pelo delineador preto. "Estamos aqui para conseguir doações."

"Sabe, antigamente Primma Ballerinas também eram cortesãs."

"Bom, os tempos mudaram."

"É melhor você me ajudar."

"Eu vou te arranjar o melhor doador."

Eu esperava que sim. Eu preciso ganhar do Harry, que é uma visão divina em veludo - uma mecha de cabelo caindo romanticamente sobre seu olho, as meias acentuando as curvas de suas panturrilhas... Eu sempre achei engraçado como elisabetanos ficavam excitados ao ver as panturrilhas de alguém. Quando olhei para as de Harry tudo fez o mais perfeito sentido.

Harry não se importava com sua beleza, mas isso não significa que ela lhe era desconhecida. Quando ele queria, ele usava sua sensualidade como um machado. Ninguém estava seguro.

Harry pegou seu cartão. Estava sentado do outro lado do salão com um monte de banqueiros vestidos como mafiosos. Sorri sozinho. Esse seria um desafio, até mesmo para ele.

O beijei antes de entrarmos, ele tocou nos botões de perola em meu casaco. "Mal posso esperar para vencer essa aposta. Você fica tão lindo me obedecendo."

"Não tão lindo quanto você de joelhos."

Liam se pôs entre nós, vestido de Drácula. "Chega!" Falou com suas presas de plástico. "Vão para suas mesas." Me empurrou com sua bengala. "Sem beijos, sem conversa, sem dança."

Fizemos bico ao nos afastarmos.

Eu estava sentado com um grupo de mulheres vestidas como gatos e enfermeiras. Muitas delas eu tinha encontrado em eventos passados. Uma delas, Sally Lake, era uma apalpadora de mão cheia. Ele molestou Zayn no último evento e tinha mais ou menos apalpado quase toda a companhia. Esta noite ela está vestida como uma enfermeira cirúrgica, seu uniforme branco coberto de sangue. Ela parecia pronta para me despedaçar membro a membro.

Tinha achado que sentar-me com mulheres me daria uma vantagem sobre Harry, que está cercado de homens extremamente héteros. Seus ternos quadrados com listras eram o exato oposto do sobretudo verde de veludo e camisa bufante que Harry usava. Qualquer outro homem se sentiria deslocado, mas ele gostava de brilhar mais. Quando dei as costas ele os tinha comendo da palma de sua mão, os contando de seu tempo em Moscou. Ele falava suavemente, seus lábios vermelhos como rubis iluminados pela luz das velas. Eles se inclinavam sobre Harry, encantados por ele.

Droga!

Além dos preços exorbitantes por prato, também aconteceria um leilão e uma rifa. Nosso trabalho era fazer com que os patronos dessem lances cada vez mais altos e comprar muitas rifas.

Sally colocou sua mão feita em minha coxa. "Gostaria de dançar?" Seu batom vermelho expeço rachando quando falava.

"talvez mais tarde." Respondi fraco.

Gigi me beliscou.

"Definitivamente... mais tarde."

"Zayn vai dançar com você, Sra. Lake." Gigi ofereceu.

Zayn congelou de medo.

"Não." Sally disse. "Eu quero esse do maxilar afiado. Posso esperar."

O leilão começou e Gigi, apesar da sua peruca enorme, conseguiu convencer uma senhora a dar um lance em uma tiara da produção de 1961 de O Quebra Nozes. Nossa mesa estava se saindo bem, mas a mesa de Harry estava insana. Até mesmo parece que estamos na cobertura de um prédio em Nova York vendendo ações na bolsa. Ele colocou uma mão no ombro de um dos homens e sussurrou algo em seu ouvido. Ele tinha que chegar tão perto! O homem deu um lance de vinte mil libras em um par de sapatilhas de ponta usadas por Alicia Markova.

Ao fim do leilão a mesa de Harry já estava quarenta mil libras na frente. Eu recompensei uma parte da diferença com vendas de rifas. "Camarotes por toda a temporada! O presente perfeito de Natal!" Elas compraram as rifas, mas estavam mais interessadas em tocar minha fantasia e dançar comigo.

Dancei com uma gata, um fantasma, uma vampira e Cruella De Vil. Com minha visão periférica vi Harry jogando baralho e bebendo vinho. Ele não bebe! Aqueles mafiosos devem tê-lo convencido. Malditos.

Sally aproximou-se mais uma vez. É impressão minha ou a fantasia dela tinha ficado mais justa e mais sangrenta com o decorrer da noite?

"já é minha vez?"

Seus dedos passando por minhas calças. "Ei! Não, ainda não."

Uma nova música começou e eu me afastei. Sally me seguiu. Eu me esquivava pelas mesas na esperança de que ela me perdesse de vista, mas ela era como uma criança grudenta.

Ela me encurralou no bar. "O que eu tenho que fazer para conseguir uma dança?" Tirou minha franja da frente dos meus olhos. "Dobrar as doações da nossa mesa?"

"Isso seria..."

"Cem mil libras." Falou.

Isso me colocaria muito a frente da Harry. Uma vitória decisiva. Estendi meu braço para guiá-la à pista.

Ela balançou a cabeça. "Não, na próxima música lenta..."

Engoli seco e voltamos para nossa mesa.

Sobremesa estava sendo servida. Era um suflê de chocolate com chantili de Grand Marnier e biscoitos wafer em forma de abóboras.

Imagino que Harry deve estar devorando essa sobremesa decadente.

Olhei para ele. A sobremesa estava em seu prato, intocada.

Um homem mais velho juntou-se a eles. O homem estava muito atrasado e não usava uma fantasia. Ele tinha cabelos prateados e vestia um terno cinza escuro. Em suas mãos uma enorme sombrinha com cabo de madeira.

Não era Beauchamp. Ele está preso em Lá Santé Prision em Paris. Mas esse homem tem os mesmos traços patrícios e maneirismos da alta classe.

Entre bruxas e vampiras, esse homem, que nem mesmo vestia uma fantasia, estava vestido como o monstro mais assustador de todos.

Harry encarava perdido para seu prato enquanto o estranho tentava puxar conversa. Harry assentia educadamente e respondias suas perguntas, mas eu sabia por instinto que ele estava sofrendo.

Joguei meu guardanapo na mesa e me apressei até sua mesa.

"Com licença." Falei ao homem. "Será que posso roubá-lo um instante?"

Guiei Harry para fora do salão, até o quieto salão de entrada, adornado com vibrantes pinturas a óleo e candeeiros de cristal.

A mão de Harry tremia sobre a minha.

"Você tá bem?"

"Sim."

"Não, não tá."

Respirou fundo. "O homem. Ele parece... Ele tem uma sombrinha... Meu dá medo."

"Oh, Harry." O acolhi em meus braços. Seu corpo estava mais relaxado e um pouco menor desde que parou de dançar.

"Eu devo estar soando louco." Repreendeu-se.

"Nem um pouco. Tudo bem sentir medo de vez em quando."

Se encostou na parede como a pessoa retratada na pintura ao seu lado. Passei meu polegar sobre sua bochecha corada.

"Eu tomei uma taça de vinho." Falou tímido.

"Dá pra ver."

Corado depois uma única taça de vinho. Ele é fofo demais.

A música diminuiu do outro lado da porta. Ouvi Liam anunciar a última dança da noite.

Sally.

Essa é minha última chance de vencer a aposta.

"Como você soube que tinha algo acontecendo?" Harry me pergunta, curioso.

Dei uma pausa e pensei. "Você não tocou na sobremesa. É chocolate."

Me deu um sorriso de covinhas e enterrou seu rosto em meu ombro.

Por mais que eu queria vencer a aposta, eu não queria que Harry voltasse para o salão e se sentisse triste e assustado.

"Quer dançar?" perguntei.

"A gente não pode."

"Aqui fora. Só nós dois."

A música soava distante, como se estivéssemos submersos. Reconheci a música, 'Unchained Melody'. Mesmo que eu não conseguisse acompanhar as letras, as cantei em minha cabeça. As cantei para Harry.

Ele me deixou guiar. Nos balançamos de um lado para o outro, minhas mãos em sua cintura, seus braços ao redor de meu pescoço. Ele se encolheu em mim. Era bom o confortar. Eu queria tomar conta dele para sempre.

"Você venceu a aposta."

Ele estava radiante. "Venci?"

Então notei que eu também estava. Valeu à pena perder só para vê-lo feliz.

***

Tomamos um taxi. Harry estava muito afetuoso no caminho para casa. Era raro que ele deixasse suas guardas baixas. Enrolou um dedo em meus cabelos e acariciou minha bochecha com seu nariz enquanto passávamos pelos memoriais da guerra ao lado norte do rio. Quando apontei um outdoor da peça que pretendíamos ver, ele tomou minha mão e a beijou.

Em casa, ele estava preso a mim como cola. Seus braços enrolados em mim com tanta força que mal passamos pela porta. Eu tive que o empurrar para longe para conseguir trocar de roupa e escovar os dentes.

Ele pulou na cama completamente vestido, como uma criança que se recusa a tirar a fantasia na hora de dormir.

Me levou eras para conseguir sair daquelas roupas. Harry colocou uma dúzia a mais de botões do que era necessário e eles eram minúsculos! Cheguei a pensar que ficaria cego tentando desabotoar cada um. Tirei minhas roupas até ficar apenas de cueca e pendurei a fantasia com uma capa protetora atrás da porta do banheiro. Depois de escovar meus dentes voltei para o carro.

Harry estava lá, usando nada além de seu sobretudo. O veludo verde emoldurando sua pele clara como as pétalas em uma rosa branca. "Lindo." Me aproximei para tocá-lo, mas ele caiu em seus joelhos.

Acariciou minha barrica. "Louis..."

"O que é isso?"

Piscou seus olhos, submisso.

"Mas eu perdi a aposta."

"Eu estava secretamente esperando que você ganhasse."

Abaixou minha boxer e afagou o interior de minhas pernas com seu rosto. Apoiei uma mão sobre sua cabeça para conseguir me manter de pé. A sensação era tão boa que tropecei para trás. Harry segurou minha cintura e me puxou em sua direção. Ele me beijou, intimamente, seus lábios macios passeando por todos os lados. Gentilmente me tomou em sua boca. Ele não precisava se mover e sabia disso. Apenas a visão de seus lindos lábios ao meu redor era o suficiente para me fazer querer gozar.

Afaguei seus cabelos escuros. "Isso é demais."

Seus lábios percorreram todo meu membro.

"Harry." Me afastei dele.

Ele grunhiu e me tomou em sua boca mais uma vez.

"Por favor, querido." Gemi. "Deite-se pra eu poder te ter do jeito certo."

Ele me beijou e sorriu. Ficou de pé e deixou seu sobretudo ir ao chão atrás de si enquanto engatinhava sobre a cama.

Com almofadas ao seu redor, ele se deitou sobre sua barriga e dobrou seus joelhos, se expondo de forma tão pecaminosa que me fez corar. Deito-me ao seu lado, escorregando meus dedos entre as bochechas de sua bunda e o acariciando de forma circular. Seus olhos fechando.

"Tem certeza de que está a fim? Estava com medo." O lembrei.

"Eu não tenho medo de você..."

Me posicionei atrás dele e beijei sua entrada. "posso te fazer gozar usando apenas a minha boca. Vai ser gostoso e delicado."

"Não me trate como um bebê!"

"Mas você é meu bebê!"

"Eu te quero dentro de mim." Falou teimoso e enterrou seu rosto em uma das almofadas de cetim. Seu tom implorativo. "Eu preciso."

Meu peito inflou.

Eu não costumo o tomá-lo assim, de costas, mas sua bunda era tão pequena e fofa que eu não conseguia resistir.

Coloquei minha boca nele e o lambi até que senti a tensão em seu corpo se desfazer sob meus lábios. O alarguei. Com meu membro pulsando contra sua bunda, procurei pelo tubo de lubrificante no criado mudo. Aqueci o creme em minhas mãos antes de passar nele e em mim.

Harry me olhou por cima de seu ombro em antecipação. Alinhei nossas cinturas. Cuidadosamente me empurrando para dentro dele.

Ele suspirou e se abriu lindamente para mim. Ele era tão macio quanto cetim e ficava ainda mais lindo quando me tomava dentro de si. Empurrei um pouco mais para dentro, me vendo sumir dentro dele.

Não conseguia me mexer. Estava animado demais. Em vez disso, me deitei sobre ele e beijei seu ombro.

Seus cílios tremularam, sua respiração entrecortada. "Tão... bom."

Entrelacei meus dedos nos seus e mexi minha cintura.

Ele mordeu o travesseiro para abafar seu gemido.

Senti meus cabelos grudando em minhas costas, mas eu não estava tão suado quanto Harry.

Soltei suas mãos e agarrei sua cintura carnuda. Meu deus, eu amo a visão de meu membro enterrado dentro de seu pequeno traseiro acentuado, mas eu precisava olhar em seus olhos. O que eu realmente amava era ver seu rosto enquanto ele se despedaçava.

Escorreguei para fora dele e o virei de frente. Ele estava atordoado, suas bochechas vermelhas e olhos verdes brilhando em luxúria.

Coloquei uma almofada sob ele.

Ele tentou se tocar, mas segurei seu punho e o impedi. "Quero que você goze sem se tocar."

Seus olhos arregalaram. Não estava acostumado comigo sendo tão duro com ele na cama.

Abri suas pernas. Ele era tão sexy e inocente aberto daquele jeito em frente a mim que eu sequer sabia como agir.

Ele assistia maravilhado enquanto eu mais uma vez me empurrava para dentro dele.

Ele era apertado, então fui com calma, indo para dentro e para fora em compasso com sua respiração. Parei para beijar sua coxa e o senti tremer sob mim. Ele estava cada vez mais perto.

"Harry." Falei, tentando me acalmar.

Seus lábios vermelhos se abriram. Ele suspirava, ofegava. Não conseguia falar, coitado.

Sentei e o puxei para meu colo. "Venha aqui."

Tremulamente, ele se encolheu sobre mim enquanto eu o tomava por baixo. Enrolou suas pernas ao redor de minha cintura. Ele soltou todo seu peso sobre mim até que eu estivesse completamente englobado por seu calor molhado e maravilhoso.

O segurei com força enquanto nos balançávamos lentamente. Ele estava tão sensível que eu nem mesmo tinha que me mexer para lhe dar prazer. O beijei. "Meu doce garoto. Meu lindo garoto. É disso que você precisa?"

Ele repousava sua bochecha vermelha sobre meu ombro. "Sim." Suspirou alegre.

Colou sua testa na minha, perdido na sensação e me ter tão profundamente dentro de si. Seus dedos enrolados em minha nuca. "Louis." Suspirou, suas pernas cada vez mais apertadas ao me redor.

Ele rebolava em meu colo como se eu nunca pudesse me ter fundo o suficiente.

A visão dele aproveitando tudo aquilo é linda. Eu tive de fechar meus olhos por um momento ou gozaria rápido demais.

Harry também estava dolorosamente duro. Seu membro esfregando contra minha barriga. Ele estava claramente perto. Me segurou com mais força e choramingou baixinho em meu ouvido.

Meu corpo era feito de chamas e Harry era gasolina.

Ele se desfez entre nossos corpos e eu fui a loucura. O apertei pela cintura e o movimentei em meu colo.

Harry beijou meu rosto e pescoço em todas as partes. "Louis. Oh, Louis!"

Quando atingi meu limite não foi nada além de maravilhoso. Enterrei meus dedos em sua cintura e gozei com força dentro dele. Minha cabeça caindo em seu peitoral.

Ele acariciou minha nuca. Era sua vez de me acalmar. Nos beijamos e encaramos sem palavras. Um segundo ou toda a eternidade poderia ter se passado. Eu não tinha mais o conceito de tempo.

Ele tentou se levantar e me tirar de si, mas eu não estava pronto para deixá-lo ir. O quarto fica tão frio quando não tenho em meus braços.

Eventualmente ele conseguiu se soltar de mim. Ele ficou de pé ao lado da cama, meu gozo escorrendo por suas coxas.

Apanhou suas roupas do chão para pendurá-las.

Ele não entendia por que eu estava o encarando ate que se olhou no espelho.

"Oh." Ele virou envergonhado. "É melhor eu me limpar."

"Não, fica assim! Você está bonito."

Ver Harry coberto por meu gozo era melhor que qualquer fantasia.

Pulei para fora da cama e toquei sua bunda. "Pelo menos deixa eu te limpar. Eu fiz a bagunça, nada mais justo."

Entramos em nosso banheiro coberto em cerâmica azul. Harry ligou o chuveiro. O vapor atravessava a porta do box, deixando nossas peles húmidas e quentes. Entrei debaixo da ducha quente de água. Harry fez o mesmo. Ele passou xampu em meus cabelos e com a espuma os deixou em um moicano enquanto eu ensaboava seu corpo - bem, ensaboar talvez seja a palavra errada. Eu estava apertando sua bunda com minhas mãos ensaboadas.

'Você lembra de Rafael Castilla?" Perguntei.

"Não penso nele há anos."

"Ele costumava fica encarando a sua bunda no vestiário da escola. Pervertido."

Harry arqueou uma sobrancelha.

"Achei que tivesse o direito de saber."

Ele riu e enxaguou meus cabelos, tirando o xampu de meus olhos. "Obrigada por essa informação pertinente, Louis." Me beijou. "O que te fez lembrar dele?"

Suspirei. "Todos os homens na sua mesa estavam apaixonados por você."

"Eles são héteros!"

"Ainda assim estavam apaixonados por você! Todo mundo é."

Ele inclinou-se para trás, a água caindo sobre seus cabelos escuros e fazendo sou caminho por sua clavícula. "Eu estou apaixonado por uma pessoa."

"O mesmo velho mais ou menos eu."

"Isso de novo não. Você é um bailarino tão bem-sucedido quanto eu era!"

"Do que você tá falando? Você era o maior bailarino do planeta. E quando estrearmos Ballet Não Intitulado No.1 você vai ser imortal! Já estão declarando ela uma obra de arte!"

Ele desligou o chuveiro e me guiou para fora do box. Peguei uma toalha do gancho, mas ele a tomou de mim e ele mesmo enxugou meus cabelos até que estivesse seco e bagunçado. Pendurou a toalha em meus ombros.

"Se eu terminar em um livro de história, você também vai."

"Por ser seu amante. Eu vou ser uma nota de rodapé."

"Por ser minha musa. Ballet Não Intitulado No.1 é sobre você. E não vai permanecer intitulado por muito tempo, eu o nomearei Louis."

Meu coração parou. "Eu... Eu achei que era uma peça não narrativa."

"E é. Mas isso não torna ela sem sentido. Todo artista tem uma história para contar e você é a minha."

Ele pulou em nossa cama bagunçada e eu pulei animadamente em cima dele. "Se é não narrativa, então o que você está tentando dizer sobre mim?"

"Como você me faz sentir."

"E como é?"

"Não consigo colocar em palavras, eu só sei descrever através da dança."

Rolei para seu lado na cama e pensei na coreografia intrigante de Harry. Eu achava que ele estava apenas sendo ele com seu jeito impossível de lidar e me fazendo passar pela dificuldade de entendê-lo. Eu não sabia que aquilo tudo era um enorme gesto romântico. Eu deveria saber. As coisas mais importantes que ele tinha a dizer era comunicado através de seu trabalho.

"Eu vou começar a prestar atenção nos ensaios, Harry. Eu vou me esforçar ao máximo e te deixar orgulhoso."

"Eu estou muito orgulhoso." Tocou meu rosto. "Por isso criei esse ballet. Quero que todos saibam como me sinto sobre você. Quero que pessoas daqui a cem anos assistam meu ballet e saibam que e era uma vez um garoto chamado Harry que se apaixonou por um garoto chamado Louis."


[eu não corrigi nada, então desculpa pelos erros. leiam minhas fics originais. amo vocês. desculpa pela demora. é isto.]

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top