ATO I: CAPÍTULO SETE

LOUIS/PRESENTE

Estávamos ensaiando a primeira cena, onde o personagem de Harry, Von Rothbart, aparece. Na cena, eu, Príncipe Siegfried, tento matar o malvado feiticeiro Von Rothbart ao lado do lago encantado. Eu estava polindo minha besta quando Harry entrou no estúdio.

Ele estava de moletom e uma regata de malhação com um elástico de cabelo pendurado na boca enquanto puxava seus cabelos em um coque. Ele deixou alguns fios no início de seu pescoço. Seu cabelo não estava tão cacheado desse tamanho, mas aqueles cabelinhos em seu pescoço me lembravam de o quão cacheado e macios seus cabelos eram...

"Você tá escutando, Louis?" Maurice cantarolou. "Eu disse que estamos prontos para você."

Levantei.

Maurice era um homem com formato de ovo, com pequeninos olhos negros e um branco topete. Ele era grande com um ar dramático, mas também sensível e com vontade de agradar. Ele tratava dançarinos como seus enteados a quem ele estava desesperado para conquistar.

Harry estava abraçando Gigi no canto do estúdio, tendo uma conversa baixinha a qual não fui convidado para participar. Enfim, eu precisava me alongar de qualquer jeito. Não tinha tempo para fofoquinhas.

Coloquei a besta a minha frente e minha perna para trás. O pianista começou a tocar a cena de caça de Tchaikovsky, um arranjo de oito notas em fá sustenido - a trágica melodia que tocava nas caixinha de músicas de garotinhas ao redor do mundo. Ela simbolizava medo e maldição e inocência perdida ou roubada.

Harry pulou até mim, voando pelo estúdio em um Grand jette, seguido por um série de piruetas. Von Rothbart tomou a forma de uma coruja nessa cena e Harry movimentava seu braços poderosamente como asas. Ele estava fazendo os movimentos com força, mas a contagem e suas expressões estavam descompassadas.

Maurice o interrompeu, em seu pesado sotaque suíço que o fazia soar como se tivesse a boca cheia de algodão, instruiu Harry a seguir a contagem e endurecer suas expressões.

"Eu discordo." Harry disse finalmente.

Meu deus, pensei, aqui vamos nós nessa merda.

Gigi alongou seus braços para trás de sua cabeça e me deu um olhar que dizia merda!

Maurice deve ter pensado que ouve alguma falha na comunicação por causa da barreira entre as linguagens. De bom grado, ele explicou. "Ele é malvado, Harry, então sua expressão precisa ser má, e você entra na minha contagem na música, não contra ela. Certo?"

Harry estava fazendo seus passos, se observando cuidadosamente no espelho em vez de falar diretamente com o coreógrafo.

"Nós não sabemos se ele é mau."

Eu comecei a rir de verdade.

Maurice estava chateado. "Ele é um feiticeiro do mal! É o que ele é!"

Aquela discussão era tão ridícula que eu tive me interferir. "Harold, você sabe que estamos fazendo Lagos dos Cisnes, certo? Seu personagem literalmente joga feitiços do mal sobre várias mulheres e transforma elas em cisnes. É meio que o foco de todo o ballet."

Ele tomou Gigi em seus braços e praticou um arabesque, com o qual ele não tinha problema nenhum agora. Em seus braços, ela era leve como uma boneca.

"É claro." Disse distraído. "Mas nós não sabemos por qual motivo ele fez isso. Ninguém sabe quem escrever a estória do Lago dos Cisnes ou o que ela significa. A razão das maldições de Von Rothbart sobre Odette sempre foi um mistério."

Olhei simpaticamente para Maurice, que estava tirando sua alegre scarf, que estava amarrada com um nó.

Cruzei meus braços. "Ele é mau. Mistério resolvido."

"As pessoas não são simplesmente más."

"Ele não é uma pessoa. Ele é a porra de uma coruja!"

Os figurinistas deram a Harry dois pedaços de tecido para servirem como asas de ensaio então ele se acostumaria com o tamanho e forma delas enquanto se movimentava. Ele as vestiu. "A coruja é o símbolo de Atena, a deusa da sabedoria. Corujas têm a habilidade de ver no escuro. Talvez Von Rothbart veja algo que Odette não consiga. Talvez ele esteja protegendo ela."

Eu apontei minha besta para ele. "Permissão para atirar, senhor."

"Tirem cinco minutos de intervalo."

Fui ao corredor para encher minha garrafa d'água no filtro quando esbarrei em Liam, que vestia um terno azul marinho com uma animada gravata amarela. Ele segurava uma prancheta contra o peito e ia em direção ao Estúdio A para encontrar com os dançarinos de fundo do ballet. Estava úmido lá fora, o que fazia suas juntas doerem então ele usava uma bengala.

"Como está indo?" Perguntou hesitante.

"Oh, você sabe. O de sempre. Harry acha que transformar mulheres em cisnes é algo perfeitamente sensível de se fazer e que Von Rothbart é, na verdade, um herói feminista!"

Liam coçou a barba. "Interessante. Isso poderia funcionar."

"É uma blasfêmia! Maurice parece que está prestes a ir embora. Eu não o culpo."

Liam deu uma olhada pela janela do estúdio. Eu entendi o motivo pelo qual todos estavam tentando acomodar Harry - eles achavam que ele era o Baryshnikov da Inglaterra. Isso era um exagero, então, mais uma vez, eu não tinha que me preocupar com a venda dos ingresso e ir até a borda toda noite como Liam e Kenneth faziam. O que eu não podia entender era como ele podiam colocar a reputação de toda a companhia na linha de fogo por causa de um bailarino. Ele era realmente tão bom assim? Alguém era tão bom assim?

Liam cutucou minha perna com sua bengala. "Quer sair para jantar mais tarde? Eu tô morrendo para experimentar aquele novo restaurante haitiano em Camden."

Molhei minhas mãos e puxei meus cabelos para trás, pressionando a palma fria na base de meu pescoço. "Não posso. Tenho um encontro."

"Um encontro! Você não namora niguém há eras."

"Hey, não faz tanto tempo assim. Eu achei que poderia dar para aquele Jeremy, dos bailarinos de fundo, uma chance."

"Você quer dizer Jeffrey."

"Não foi o que eu disse?"

Liam pressionou os lábios para prender um sorriso. "Esse interesse repentino em sair com alguém não teria nada a ver com Harry se juntando à companhia, teria?"

"O que? Você tá louco. As pessoas querem me namorar, Liam. Não posso evitar. Eu sou um belo partido."

Seguimos nossos caminho juntos até o estúdio. Harry estava trabalhando em seu solo, Maurice gritando com ele sobre a música.

"Pare de tocar!" Maurice disse ao pianista.

"Continue tocando!" Harry exigiu. Ele estava suado agora e tirou sua camisa.

Me encostei na barra ao lado de Gigi, que assistia a cena se desenrolar como um acidente de carro.

"Ele é um monstro ou um gênio." Suspirou.

Maurice parou ao lado de Harry para fisicamente parar o ensaio.

"Saia!" Harry o empurrou e continuou dançando, pulando mais alto e mais rápido do que antes.

"Monstro." Disse à Gigi. "Definitivamente um monstro."

Peguei a besta, pegando de qualquer jeito pelo cabo.

Harry dava dramáticos passos largos em um círculo ao redor do estúdio - a extensão de suas pernas , a distância coberta com tanta graça e velocidade era de tirar o fôlego, como um passado sobrevoando a superfície de um lago. Sem esforço nenhum, ele ia ao ar tão rápido e alto que eu suspirei e sem querer apertei o gatinho, atirando uma flecha de plástico bem em suas costas. Ele caiu no chão com um baque alto.

O estúdio ficou quieto por um momento, Gigi horrorizada, Maurice atônito.

Harry esfregou seu joelho machucado, então levantou e veio até mim.

Ergui minhas mãos. "Foi um acidente, eu juro!"

"Você fez isso de propósito, Tomlinson! Você tá apontando essa coisa pra mim desde que cheguei!"

"Eu estava tentando entrar no personagem!" Gritei, empurrando minhas mãos contra seu peito, que parecia uma parede.

"Porra nenhuma!" Ele agarrou meu ombros e me bateu com força contra o espelho.

Gigi tentou entrar entre nós, mas Harry tinha muita força. E a ignorou e me jogou no chão. Eu estava tão chocado que apenas fiquei lá deitado por um segundo enquanto ele me batia. Com força. Seu punho parecia um tijolo. Segurei seu punho para evitar que me batesse, mas ele não desistiria. Ele se libertou e continuou me batendo. Eu conseguia sentir o choque desaparecendo e minha raiva borbulhando. Eu o joguei para o lado e me posicionei sobre seu peito, prendendo seu punhos no chão. "Mas que merda tem de errado com você, Harry?" Respirei em seu rosto vermelho. "Você perdeu sua cabeça?"

Ele resmungou e se mexeu selvagem sob mim. Apertei minhas coxas ao redor de seu peito suado e ele parou. Nos encaramos, pálidos. Então seu punho escorregou de meu aperto e ele subiu em mim novamente. Eu o peguei em um mata leão quando ele tropeçava no chão. Repentinamente senti uma dor aguda em minhas costelas. Gritei. Estava sangrando e minha camiseta estava marcada.

A imagem de sangue deu a Maurice a coragem de intervir e fez Harry se dar conta de que foi longe demais.

"Eu não quis..."

Maurice colocou seus braços ao meu redor protetoramente. "Como você ousa colocar suas mãos em outro bailarino?"

Enquanto sangue escorria pelo tecido de minha camisa manchada Gigi pegou o kit de primeiros socorros.

"Eu não sei como..." Harry olhou para suas mãos.

"Sua pulseira." Disse Gigi. "A fivela cortou ela."

Esse fato deixou Maurice ultrajado, ele que já não aguentava mais. "Apetrechos não são permitidos no estúdio!"

"Eu nunca tiro." Harry ergueu-se de seus joelhos e levantou. Ele examinou a pulseira para se assegurar de que a fivela não tinha quebrado.

Eu reconheci a pulseira instantaneamente. Era a pulseira de couro que o dei quando estávamos na escola. Ele ainda a tem depois de todo esse tempo?

Quando eu já estava cheio de bandagens, Maurice me beijou em ambas as bochechas, ignorando Harry, e saiu do estúdio com pressa. Gigi o seguiu, tentando desesperadamente o reafirmar de que aquilo nunca mais aconteceria. Ela nos deu um olhar de ameaça . Eu sabia que se não arrumássemos nossa cena, ela traria uma besta de verdade da próxima vez.

Harry fechou o zíper de seu casaco sobre seu tronco nu e enfiou sua camisa na mochila.

Tirei minha camisa, toda suja de sangue, e a joguei no lixo.

"Eu vou comprar outra." Ele disse sem me olhar.

Eu não conseguia parar de olhar a pulseira em seu braço, relembrando o que ele disse a Maurice: eu nunca tiro.

Ele tirou o iPod da bolsa e desenrolou os fones. Segurei seu punho, gentilmente dessa vez, embora ele ainda estivesse vermelho onde eu apertei antes.

"Harry..."

Seus olhos dolorosos se ergueram para encontrar os meus. "Louis..."

Então eu ouvi a voz não tão masculina de Jeremy ou Jeffrey ou qualquer que fosse seu nome. "Pronto para irmos, Louis?"

Harry se separou de mim.

"Oh jesus." O loiro disse quando viu o curativo ao longo de minhas costelas. "O que aconteceu?"

"Nada. Foi um acidente."

Ele colocou uma mão sobre o curativo. "Dói?" Eu sabia que aquele garoto americano do Nebraska ou tanto faz, estava tentando ser útil, mas eu não tinha paciência para suas tentativas de cavalheirismo, não quando eu estava tentando ter um conversa adequada com Harry.

"Não se preocupe." Ele disse, suas mãos repentinamente em minha bunda. "Eu vou dar beijinhos de melhora nele hoje à noite... vamos lá."

Harry rapidamente colocou seu fones e começou a treinar seus giros e saltos, resmungando em cada pouso.

Ele não precisava praticar. O que ele precisava era descansar.

"Harry." Gritei. "Vá para casa! Você tá no estúdio o dia todo. Não é bom para seu joelho. Seu corpo precisa de uma pausa."

Ele aumentou o volume em seu iPod e me olhou sem emoção através do espelho, continuando a punir seu corpo cansado.

Não tinha nada que eu pudesse fazer que não irembora, deixando Harry sozinho e com dor.

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