Capítulo 10.


Nathan

Gabriel se levantou e pediu para que ficássemos ali, enquanto ele iria averiguar o que estava acontecendo. Daniel se apoiou na parede para levantar e Richard me ajudou com um puxão nada gentil pelos braços.

Gabriel sumiu pelo corredor, escutamos a voz de Luke e a de Dylan, então caminhamos em direção a eles, as vozes aumentaram, ouvimos tiros, alguns gritos e gemidos, o corredor era bem extenso, não me lembrava de ter corrido por toda aquela extensão minutos mais cedo.

No hall principal Gabriel encurralava uma caçadora com uma arma e Luke segurava outra pelos braços. Dois caçadores estavam lado a lado, próximo de um que estava apagado no chão.

— Onde estão os outros? — Dylan questionou impaciente para a ruiva. — Por que eles não dão as caras? — Ele esbravejou socando a parede do lado dela. Richard e Michael passaram por mim e se aproximaram deles.

Reagrupamos-nos como o combinado, numa circunferência de cento e oitenta graus, Daniel caminhou com a garota para trás de nós e o mesmo fez Luke com a menina ruiva, o braço dele sangrava, mas o mesmo não parecia se importar. Anthony estava com a camiseta encharcada de sangue e ainda assim carregava o corpo de Noah no ombro esquerdo e segurava Frederick pela cintura, a gente precisava sair dali logo, precisávamos encontrar Matthew e dar o fora dali, antes que mais alguém se machucasse. O caçador que estava no chão se levantou vagarosamente e tomou sua posição, Kaya e Uriah apareceram também, caminharam cuidadosamente até nós, Kaya correu para ajudar Anthony com os dois feridos e Uriah se posicionou ao meu lado.

Mais quatro caçadores surgiram do topo da escada, eles desceram os degraus lentamente, uma menina, um menino que aparentava ser mais novo que eu e dois senhores, um deles tinha o cabelo bem grisalho, o outro tinha uma feição séria, acredito que ele era o chefe, usava uma camiseta social branca e tinha um olhar ameaçador, daqueles que diz que você não pode com ele.

Outro cronômetro disparou, os caçadores se entreolharam confusos, e nós fizemos o mesmo, o som vinha do canto próximo à escada.

— Eu vou ver o que é isso — Uriah, que estava mais próximo caminhou hesitante até os primeiros degraus, depois olhou atentamente para o chão abaixo da escada e sua feição mudou drasticamente.

— Para fora! — Ele voltou correndo, puxando Dylan e James pelo braço. — É uma bomba, anda vamos.

Merda! Como assim uma bomba?! Aqueles caras eram suicidas?!

Tudo aconteceu muito rápido enquanto os últimos segundos do cronômetro ecoava colericamente na minha cabeça, corremos aos tropeços para o lado de fora, o saguão era bem grande, dando espaço para sairmos com segurança sem que alguém ficasse para trás, James me empurrou para trás da enorme estátua na entrada, eu e ele nos abaixamos quando a explosão veio, o barulho dela fez nossos reflexos sumirem e a nuvem de fumaça cobriu todo o ar e, mais uma vez naquele dia alguém salvou minha vida, enquanto ficávamos ali a mercê da poeira podíamos ouvir gritos e vozes ao longe, talvez pessoas do nosso grupo que se esconderam na floresta antes de adentrarmos o galpão.

Meu corpo se retesou para trás enquanto uma silhueta se aproximava, James se pôs ao meu lado esperando a figura feminina que se aproximava, estávamos pronto para atacar, mas conseguimos enxergar Hanna, ela me puxou para cima rapidamente e, logo atrás dela algumas pessoas da nossa turma apareceram. Ela me puxou para longe dali, onde a fumaça estava em menor quantidade, Luke veio ao meu encontro, sua feição preocupada me fez ficar enjoado.

— Você está bem? — Questionou aflito, avaliando-me rapidamente antes de se acalmar. — Mas que merda aconteceu lá dentro?

— Uma bomba, parece que não eram deles — informei vendo sua feição ficar ainda mais confuso. — Cadê todo mundo?

— Se dispersaram, procurando outra entrada para encontrar Matthew, dois Métis estão na floresta, caíram em armadilhas, tem alguns de nós espalhados procurando por reforços deles.

Caminhamos na direção de onde vozes alteradas vinham, o senhor mais velho esbravejava contra Gabriel e Anthony, Uriah segurava a caçadora que Luke estava de olho e, Gabriel ainda mantinha a arma apontada para cabeça da loira. Michael segurava o pulso de uma, enquanto os outros homens estavam a postos ao lado dos chefes provavelmente.

— Não vou falar de novo — Gabe engatilhou a arma e apontou para mais perto da cabeça dela, ele estava blefando, não tiraria a vida de uma pessoa. — Abaixem as armas e entregue nosso amigo. Sei que para você ela é só mais um soldado, se eu a matar ou não, tanto faz para você, não é?

Dava para ouvir os batimentos cardíacos irregulares da mulher, seu corpo tremia levemente, ela estava tentando manter o controle, provavelmente ainda era uma novata.

— Quem são vocês? Para quem trabalham? — O velho perguntou com a voz cheia de autoritarismo.

— É melhor fazer o que ele pede John — O outro senhor sussurrou para ele, seu rosto era familiar, mas não lembro de onde. — Não estamos com toda nossa gente aqui — Ele sussurrou, mesmo sabendo que estávamos ouvindo. — E são um bando de crianças, não estamos atrás deles.

Estavam atrás de quem então? A curiosidade assolou minha mente, um pouco longe dali vi Frederick e Noah junto de Lori, acenei discretamente com a cabeça para eles.

Não vi Dylan e ninguém da laia dele, se aqueles filhos da puta nos abandonaram eu mesmo acabaria com a raça deles.

Os caçadores conversavam entre si, a mesma ladainha, se abaixavam a guarda ou não, o menino que estava com eles nos encarava copiosamente, os olhos verdes frios, como se já tivesse vivido uma vida inteira de miséria.

Eles colocaram as armas no chão cuidadosamente e se afastaram para trás, Gabriel soltou a garota, mas manteve a arma apontada para ela, ela caminhou hesitante até o chefe, Uriah fez o mesmo com a outra garota e Michael também.

— Não queremos problemas com vocês, ok? — O caçador loiro deu alguns passos para frente. — Vamos entregar seu amigo, ele está bem — Ele meneou a cabeça rapidamente para garota a seu lado, ela baixou o olhar apressadamente para o chão. Questionei-me mentalmente se ele estava falando a verdade.

— Onde ele está? — James questionou alto, com a feição de poucos amigos.

— Quem é o líder de vocês? — O senhor mais velho perguntou de forma curiosa.

— Não temos líder — Richard quem respondeu, sem paciência também. Estava todo mundo perdendo a cabeça.

Nós tínhamos que andar logo com aquilo, já estávamos há muito tempo ali, estávamos muito expostos, alguém poderia dar falta de nós e a Matriz ficaria sabendo.

— Tudo bem — O loiro jogou as mãos para o alto. — Eu sei como as regras de vocês funcionam — Ele se moveu há pouquíssimos metros para frente, seus olhos passearam por cada um de nós rapidamente, a sensação que eu o conhecia me fez ter arrepios.

O menino mais novo tinha seu olhar focado em Hanna, a loba estava muito desatenta tentando manter a guarda que nem reparou, mas eu não queria deixar passar nada.

— Vocês mataram um dos meus homens ontem — ele começou, sua feição era séria e triste. — Vocês invadiram minha propriedade e mataram um dos meus guardas — ele esbravejou pondo as mãos no quadril. — A Matriz vai saber disso, eu mesmo irei reportar para o Nolan, o que será que ele vai fazer quando descobrir tudo isso? Quando descobrir que o neto dele quase foi morto?

Ele sabia sobre o Nolan! Merda! Eles eram mais espertos do que a gente pensava.

O senhor mais velho atendeu o celular, ele deu alguns passos para trás, mas parou rapidamente quando Michael lançou-lhe um olhar mortal.

— A gente tá muito ferrado — Hanna fechou as mãos em punho ao meu lado.

— O que você quer? — James caminhou até ele em passos rápidos, os homens dele se colocaram rapidamente a sua frente e pegaram as armas.

Porra! Era naquele momento que as coisas iriam pro buraco!

Unimos-nos também atrás e ao lado de James, um dos homens tinha uma flecha apontada na direção certeira de Luke, e seu olhar para este era mortal.

— Quero algumas informações e nem tente passar a perna em mim — ele levantou uma das mãos para que seus guardas abaixassem as armas, o senhor mais velho se aproximou novamente, como uma feição mais irritada do que a princípio.

— Era Jacob — ele disse dramaticamente. — Eles estão lá — sua voz era irritada o suficiente para sabermos que eles estavam em apuros.

O loiro fechou os olhos com força e exclamou um palavrão baixo, bom, se algo estava dando errado para eles, queria dizer que nós tínhamos algo a nosso favor.

— Nos deixem ir com nosso amigo que viemos buscar — Richard pediu com seu tom mais educado possível. — Vocês devem ter problemas mais sérios do que ficar aqui falando com um bando de crianças.

— Meu nome é George — Ele estendeu as mãos ao lado da cabeça em rendição. — Sim, temos coisas mais importantes, porém...

O outro senhor interveio deixando-o irritado.

— Vocês mataram um homem nosso, invadiram nossa propriedade e ainda roubaram uma coisa.

— Não roubamos nada — James esbravejou cerrando o maxilar. Desviei meu olhar para longe a fim de não parecer culpado.

O que eu ia fazer? Daniel não estava ali, Anthony me fitou e estreitou os olhos.

Droga! O que ele queria dizer com aquilo, a gente contava a verdade ou não?

— Vamos trazer seu amigo — George voltou a falar. — Abaixem a guarda, não precisam machucar ninguém — ele fez um gesto com a mão e seu pessoal deu alguns passos para trás, bom, nem todos, o guarda mais alto ainda se mantinha na antiga posição e, ainda tinha Luke na sua mira. James se afastou para trás também e o acompanhamos, tentei puxar Luke pelo ombro, mas ele nem se moveu.

— Luke?

— Luke, a gente precisa pegar Matthew e dar o fora daqui logo — Richard sussurrou irritado para ele. — Já ficamos aqui tempo demais, precisamos fazer um acordo com eles e ir embora.

— É claro que tinha que ser um Wainer, eles sempre fodem com a missão — Michael tagarelou do outro lado e Gabriel o fuzilou com os olhos. — Dá um jeito naquele pirralho Gabe — ele disse cinicamente, com a voz melodiosa. — É seu irmãozinho, se não consegue lidar com isso deixa que eu ajudo.

— Levy — George chamou seu soldado. — Abaixe essa besta.

— Não, foi ele! — O homem disse com a voz furiosa, seus olhos tremiam na direção de Luke, por que ele estava tão obcecado com ele, Luke era até bonitinho, mas nem tanto. — Ele matou Cannon, ele matou meu irmão — sua voz vacilou e uma lágrima desceu por sua bochecha.

Os olhos de Luke ficaram trêmulos e ele deu alguns passos para trás, eu sentia que algo de ruim iria acontecer ali naquele dia.

— Ele é só uma criança, Levy — George se moveu na direção dele. — Você não sabe quantos deles há por aí, qual a chance de você sair vivo?

— Não me importo — ele declarou amargurado e subiu a flecha até ela ficar na direção do peito de Luke. — Ele tirou a vida de um inocente, nada mais justo do que pagar com a dele — ele puxou um revólver preto pequeno do quadril e mirou na cabeça de Luke.

Porra! Eu já imaginava que as coisas sairiam do nosso controle, mas não imaginei que seria algo assim.

Gabriel caminhou para próximo do irmão, as batidas do coração dele estavam rápidas demais, sua feição estava contorcida numa careta de pânico, Hanna fez menção de se mover até Luke também, mas a segurei pelo pulso, não sabíamos o que iria acontecer, não sabíamos o que Luke estava tramando, ele andava muito descontrolado ultimamente e seu cheiro estava terrivelmente forte.

— Levy, abaixe suas armas agora, é uma ordem — George deu um passo cauteloso na direção dele. O soldado desviou sua atenção de Luke para ele e, no mesmo momento Luke caminhou em sua direção, Gabriel tentou alcançá-lo com o braço, mas sua mão escorregou pelo braço do irmão e no instante seguinte, o lobo branco surgiu. Tudo aconteceu muito rápido, Levy disparou várias vezes a arma, mas por sorte nenhum tiro pegou em Luke, nossa turma se dispersou, Michael foi o primeiro a fugir, maldito medroso!

Eu e Hanna usamos algumas madeiras empilhadas como barricada, o monte não era tão alto então eu e ela tivemos que manter nossa cabeça abaixada.

— Eu preciso ir lá — ela tentou se soltar de meus braços, mas eu usei toda minha força para prendê-la, trancei nossas pernas e apertei seus braços ao lado de seu corpo, ela se sacudiu e me xingou de tudo que era nome.

— Você não pode fazer nada, Hanna! — Esclareci vendo a gritar e torcer seu corpo, meus braços ficaram vermelho pela força, ela era tão forte quanto eu, nossa natureza beneficiava nossos gêneros igualmente.

— Seu maldito filho da puta! Se algo acontecer com eles a culpa é sua — ela berrou cuspindo as palavras na minha cara, escutei um grito feminino e um grunhido de dor.

— Luke — Gabriel sussurrou, sua voz estava fraca demais. — Pare com isso!

Eu soltei Hanna e ela se rastejou pelo chão até sairmos detrás das madeiras, Gabriel estava ajoelhado no chão, sua perna estava sangrando na altura da coxa, ele levou um tiro, merda! Luke ainda estava na forma lupina e mantinha Levy deitado no chão entre suas patas dianteiras, o braço esquerdo do caçador estava sangrando também. George e o outro senhor tinha uma feição impassível para tudo o que estava acontecendo, eles eram profissionais, assassinos sem coração. Só tinha a menina ruiva ali, a garota que estava com George e o menino também sumiram, talvez se esconderam para se proteger, não os julgava.

— Que merda! — Hanna disse analisando a perna de Gabe. — Vamos sair daqui, precisamos ir embora agora. Nathan me ajuda! — Ela gritou irritada na minha direção, sua roupa toda suja de terra e grama aderiu sangue também naquele momento.

— Pai, ele não está lá dentro — o menino surgiu junto da garota, saindo dos escombros que antes era o saguão principal.

— O alarme foi desligado — a garota informou aflita. — As câmeras, tudo — ela falava com a respiração entre cortada.

Andrew! Tinha que ser aquele filho da puta, não precisávamos de mais confusão. Tirei Gabriel do chão e segurei Hanna pelo pulso para ela não ir atrás de Luke.

— Não podemos deixá-lo aqui — ela esbravejou.

— Ela tem razão Nathan, temos que levá-lo — Gabriel disse entre uma careta e outra.

— Ele está fora de si, não vai nos escutar, você levou um tiro, Anthony está machucado por aí.

Gabriel mordeu o lábio e chacoalhou a cabeça, Hanna gritou para Luke incansavelmente, os caçadores mantinham a mesma posição, mas com as armas nas mãos na direção do lobo branco.

— Luke! — Gabriel gritou a todos pulmões, ele tentou ficar em pé sozinho e deu passos arrastados na direção do irmão. Eu e Hanna não nos movemos, olhei ao nosso redor, mas não tinha sinal algum da nossa turma, eu não podia culpá-los, esse era o acordo, se as coisas saíssem da linha, cada um por si, na verdade, foi Michael quem disse isso, mas o recado por trás era para se esconderem.

Hanna correu até ele, mas o garoto caçador a interviu, mesmo George o segurando pelos ombros, ele conseguiu se soltar e correu na direção da loba, ele a segurou pela cintura e a derrubou no chão, Hanna estava aflita, irritada com tudo o que estava acontecendo, sua guarda estava baixa, ele não teria feito aquilo com tanta facilidade se fosse em outras circunstâncias. Corri até eles, mas não consegui intervir, eles rolaram pelo chão feito cão e gato.

— Era você aquele dia — ele disse tentando dar um soco nela, mas ela desviou ligeiramente. — Eu vi você no jipe.

Do que ele estava falando? Hanna fez uma feição confusa e desferiu um soco no rosto dele, ele caiu de joelhos, como ela tomou controle da situação, eu só fiquei ali observando, os outros caçadores mais velhos fizeram o mesmo, sabiam que o menino agiu de forma idiota, então talvez estivessem deixando ele aprender a lição.

— Eu não sei do que está falando, eu nem te conheço — ela se levantou e deixou um belo chute em suas costelas antes de deixá-lo para trás. Não foi um chute tão forte, ele apenas rolou pelo chão gemendo de dor, mas logo se levantou.

Eu voltei minha atenção para Gabriel quando nos afastamos do menino metido a besta, ele parou ao lado de Luke, nunca tínhamos o visto assim, ele tinha muita dificuldade para manter o controle, mas ele estava melhorando, e isso era totalmente estranho naquele momento, pois parecia que ele estava perdendo a consciência toda, transformando-se completamente num lobo real.

— Luke! — Gabriel tentou tocá-lo, mas o lobo se virou em sua direção com um rosnado, ele mostrou as presas e eriçou os pelos das costas.

— Gabriel! — Hanna gritou para o primo. — Saia daí — ela disse a meia voz, com a voz chorosa.

Luke rosnou novamente e moveu as patas na direção do irmão, Gabriel derramou algumas lágrimas, seus olhos azuis encaravam os olhos azuis brilhantes do irmão, eles se conectaram de alguma forma, pareciam conversar mentalmente. Gabriel caminhou de costas atraindo o lobo para si, George e o outro senhor se aproximaram do Levy.

— A gente precisa fazer alguma coisa Nathan — Hanna me chacoalhou pelos ombros, ela estava desesperada e, merda! Eu também estava, a qualquer momento Luke poderia atacar seu próprio irmão e só Ártemis lá sabe o que mais fazer!

O senhor tirou uma arma pequena de seu bolso e apontou na direção de Luke, George fez um sinal positivo com a cabeça.

— Não! — Eu gritei e corri na direção de Luke e Gabriel, o lobo branco se assustou com meu grito e correu na direção da mata, o tiro quase pegou em seu pescoço, foi questão se segundos.

— Seu idiota! — O senhor gritou com a voz ríspida e se virou na minha direção com a feição indignada. — Era um tranquilizante — seus olhos azuis me fuzilaram de longe e ele os estreitou para mim — Maldição!

Gabriel veio na nossa direção, passei o braço por sua cintura e o ajudei sair dali, Hanna se manteve atrás de nós caso eles tentassem fazer alguma coisa, os quatro continuaram lá parados assistindo-nos sair, os outros caçadores apareceram pelos escombros também, eles tentaram correr em nossa direção, mas George os parou com a apenas um gesto.

Ele nos deixou ir mesmo sabendo que havíamos roubado algo dele, o que ele estava tramando? Ele não era idiota, se aquilo realmente era importante ele iria fazer de tudo para conseguir.

Caminhamos pelo menos cem metros para longe dali, encostei Gabriel em uma pedra quando vi Andrew e Daniel correndo em nossa direção.

— Vocês estão todos bem? — Dan correu os olhos por nós rapidamente, eu chacoalhei a cabeça positivamente para ele.

— A gente precisa ir atrás dele, ele não sabe o que está fazendo — Gabe trincou o maxilar após soltar um gemido arrastado de dor.

— Eu vou atrás dele, você precisa ir até o Russell como o combinado, você está machucado — encarei Daniel para que ele me ajudasse, ele era nosso líder, tínhamos que procurar Luke e deixar Gabriel num lugar seguro.

— Eu vou com você — ele captou meu olhar preocupado e piscou os olhos lentamente. — Andrew e Hanna, vocês levam Gabriel até o ponto de encontro, Kaya e Noah foram buscar os carros no fim da floresta, levem Gabriel até Russell, assim que acharmos Luke vamos para lá também.

Hanna e Andrew acenaram positivamente e os dois ajudaram Gabriel a caminhar novamente, eu e Daniel ficamos parado vendo-os sair de nosso campo de visão antes de corrermos floresta adentro.

Hayley

Havia passado uma parte da manhã na casa de Kate naquele dia, eu fiquei embasbacada com a mansão da família Waldrich, era algo surreal, digna de ser uma casa assombrada num filme de terror, sim, isso era um elogio e dos melhores. O fato dela ter um mordomo ainda não me saía da cabeça, um mordomo! Deus! Isso era coisa de outro mundo, Bernard era um senhor de sessenta anos, Kate me disse que ele trabalhava para a família muito antes de ela nascer e, que ela e seu irmão Killian o tinham como um pai.

Eu conversei com meus pais também e minha mãe falou aos berros comigo, eles estavam muito preocupados com os assassinatos e eu era uma irresponsável por ficar saindo de casa ainda mais sem avisar, Tracy também havia conversado comigo sobre o fim de semana e, eu ainda não sabia o que iria fazer com ela ali, ela era tipo parte do meu passado, parecia totalmente errado trazê-la ali, era muito anacrônico.

— Eles estão demorando — Kate disse pela milésima vez, ela já havia amarrado o cabelo, soltado e amarrado de volta. Eu estava amassando algumas ervas para ela fazer um remédio antigo de seu coven, Russell estava na sua horta procurando todas as coisas que ela anotou em um bloquinho para ele. — Já era para terem voltado.

— Dá para você se acalmar — eu pedi delicadamente, foi muito difícil eu conseguir manter minha mente em ordem, se ela desse mais corda para o assunto minha paranoia se enforcaria. — Eles já devem estar chegando, vai dar tudo certo.

Ela coçou a cabeça e sentou de frente para mim, sua feição era preocupada e eu podia imaginar a vozinha dentro de sua cabeça mirabolando um monte de coisas ruins.

— Eles chegaram — Russell avisou pondo as ervas em cima do balcão ao meu lado, Kate se levantou num rompante em direção a porta. — Acho que se eles demorassem mais um minuto ela iria surtar — ele disse com um sorriso brincalhão e a seguiu.

Fiquei ali fazendo a única tarefa que foi destinada a mim, Kate tinha a magia, Russell a força bruta, então o que me restou foi amassar ervas. Escutei vozes alvoroçadas vindo do corredor, elas falavam ao mesmo tempo, não entendia nada.

Minhas pernas se retraíram na vontade de caminhar até eles e checar se estava tudo bem mesmo, não escutei a voz dele e isso fez meu corpo gelar brevemente, mas de alguma forma eu sentia que ele estava bem, não sabia explicar como, mas eu conseguia.

A marca em meu pulso queimou um pouco, apertei meus dedos em volta dela tentando manter a calma, quando escutei passos vindo em minha direção voltei rapidamente a meu serviço.

— Oi! — Noah colocou a chave do carro em cima do balcão e puxou uma cadeira para si. — Poderia me dar um copo d'água? — Ele pediu com seu sorriso doce.

— Ah, claro! — Parei o que estava fazendo e fui até a pia, ele estava muito calmo, então tudo tinha dado certo, um suspiro aliviado escapou dos meus lábios. — Como foi lá?

— Difícil — ele disse rapidamente, parecia saber que iria perguntar sobre. — Mas deu tudo certo.

Coloquei o copo à sua frente e voltei a amassar as ervas, senti ele me encarando, mas fingi estar focada demais em espremer matos, ele sabia o que realmente eu queria perguntar, por isso ficou apreensivo esperando a pergunta, mas eu não a fiz, não conseguia, fiquei esperando-o aparecer pela porta com sua típica feição de nada me abala, com seu sorriso de canto tentador que me fazia ceder rapidamente.

Alguém apareceu na porta, mas não era ele, Matthew tombou a cabeça para o lado e cruzou os braços na altura do peito, não consegui esconder meu sorriso, eu estava preocupada com ele, com todos na verdade, mas Matthew estava ferido e, eu o deixei sangrando, a culpa me assombrou a noite toda.

— Obrigado por me abandonar — ele disse irônico. — Você é a melhor dupla para se trabalhar — ele caminhou até o balcão. Apesar de ele estar bem e brincando sobre o que aconteceu, eu me sentia mal, ele poderia ter morrido, e a culpa seria minha.

— Desculpa — eu soltei o espremedor e o abracei, apoiei minha cabeça em seu peito e ele passou os braços gentilmente por minha cintura.

— Está tudo bem parceira, eu não morri — sua voz era carregada de humor, isso me assombrou um pouco, ele passou a noite num galpão de caçadores.

— Ainda não entendo porque eles te salvaram — Noah ajeitou os óculos analisando Matthew. — Por que eles fariam isso?

— Não sei, eles tinham médicos lá, me fizeram um monte de perguntas — Matthew gesticulou as mãos confuso, pensei em perguntar quais eram as perguntas, mas fiquei com medo de ser evasiva.

— Alguém se machucou? — Questionei finalmente, não usei o nome dele, mas pela cara deles, eles sabiam o que eu realmente queria perguntar.

— Anthony, Gabriel, dois Métis, dois Fênix — Noah contou nos dedos vagarosamente. — Não foi nada sério, tinham muitas armadilhas na floresta em volta do galpão.

— Hayley, eu preciso das ervas para fazer o elixir — Russell caminhou apressadamente até o balcão. — Estão todos bem — ele sorriu para mim. — Nada muito grave, já pode ir descansar.

Sorri de volta para ele, mas eu ainda sentia que faltava algo, onde estava Luke? Por que ninguém falava dele? Deixei Matthew e Noah na cozinha e saí da casa, como da última vez eu não era útil, então resolvi dar espaço.

Sentei em um dos bancos de madeira no quintal do fundo, um cipreste ornamentado na figura de um urso me encarava a minha direita, fiquei por longos minutos o encarando, eu estava irritada, não sabia o motivo, mas uma raiva súbita havia tomado conta de mim, tentei relaxar, o máximo que pude, fiquei por ali por longos e longos minutos, talvez por uma hora.

Uma garota surgiu do corredor de cipreste que dava para o jardim mágico de Russell, ela era pequena, talvez menor que eu, seu cabelo era branco, não diria platinado, parecia mais natural, mas fazia parecer uma personagem de anime, ela vinha acompanhada de um cara, ele também tinha o cabelo loiro quase branco, talvez fossem irmãos, eles me olharam de relance e continuaram a caminhar, eu não os conhecia, mas Luke havia falado sobre a união das quatro alcateias.

Eles estavam quase terminando de sair do meu campo de visão quando pararam subitamente e voltaram alguns passos para trás, seus olhos assustados miravam na minha direção, mas eles não olhavam para mim.

Meu corpo se retesou quando vi o lobo branco parado a poucos metros de mim, ele era enorme. Droga! Ele era muito grande, seus olhos me analisaram e ele mexeu a cabeça lentamente para os lados como se reconhecesse, Nathan e Daniel surgiram atrás dele e eu me senti mais calma.

O lobo caminhou lentamente até mim, seus passos eram leves, como se estivesse pronto para atacar sua presa, Nathan fez um sinal para que eu permanecesse ali sentada, ele e Daniel se aproximaram lentamente.

— Luke, eu sei que pode me ouvir — ele começou, deu mais alguns passos vagarosos em nossa direção, o lobo parou a minha frente, eu podia sentir o cheiro animalesco que saía dele, sua cabeça tombou levemente para o lado quando ele me encarou nos olhos e o tom de seus olhos clareou, eu hesitei muito, mas mesmo assim estendi a mão vagarosamente até sua cabeça, ele contraiu levemente as patas como se fosse se abaixar, mas não o fez, ao invés disso sua cabeça se inclinou para baixo, como se ele quisesse que eu o tocasse.

Passei a mão delicadamente por seu pelo macio, ele fechou os olhos com o contato, escutei Nathan praguejar baixinho, ele e Daniel estavam de frente para mim, a menina e o garoto da outra alcateia se aproximaram mais, parando próximo dos dois.

— Não estamos sozinhos — o garoto disse, olhando para além dos ciprestes compridos de Russell. — Quem seguiu vocês?

Daniel e Nathan se olharam cúmplice, eu senti meu corpo retesar de medo, o lobo branco se afastou minimamente, seus olhos se mantiveram em mim, as outras pessoas também apareceram ali, Kate estava junto de Hanna, a loba estreitou os olhos para o que quer que fosse atrás de mim, Luke continuou me encarando, os gestos que ele fez com a cabeça parecia querer se comunicar comigo.

— Hayley? — Daniel me chamou. — Acho melhor você vir para cá — ele estendeu a mão.

Engoli em seco sem saber o que fazer, mas mesmo assim me levantei cautelosamente, o lobo branco deu espaço para eu passar, como se concordasse com aquilo.

Gabriel estava apoiado no pilar da varanda, ele olhou ansiosamente para o irmão, os outros lobos formaram uma barricada atrás de Luke e eu, inclusive Russell.

O que estava acontecendo? Eu não sentia cheiro, não tinha nenhum senso sensorial!

Luke se colocou à minha frente, seu corpo chegava a altura de meus ombros, o fato dele ser tão grande na forma lupina me assustava muito, escutei barulhos vindo detrás das árvores, folhas sendo esmagadas e galhos sendo quebrados, o lobo branco inclinou as patas dianteiras como se fosse atacar a qualquer momento, suas presas estavam a mostra e ele rosnou para algo à sua frente.

Num piscar de olhos alguns lobos surgiram à nossa frente, eles pararam há uns seis metros de Luke e eu, formando um semicírculo, eu dei alguns passos para trás, o mesmo fez Luke.

Eram pelo menos nove lobos, eles eram diferentes das quatros alcateias que Luke havia me dito, eles não tinham uma cor predominante, a pelagem deles era mesclada.

O lobo preto e marrom do centro deu dois passos para frente, ele abaixou minimamente, e fez um gesto totalmente estranho, como se fosse uma reverência ele abaixou a cabeça até as patas e, assim os outros oito também fizeram.

Ergui meu olhar assustada para as pessoas atrás de nós, para ver se eles estavam tão estupefatos quanto eu.



Olá Lobinhas e Lobinhos!

Espero que tenham gostado e me desculpem caso haja algum erro!

Deixem seus comentários para eu saber o que estão achando, aceito criticas, ideias, qualquer coisa que for para melhorar o enredo ou a escrita da história...beijos e até o próximo capítulo :)

Aguardem os próximos capítulos!

Carpe Omnium!

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top