C A P Í T U L O 85

     A guerra não escolhe vítimas. Não relaciona inocência com culpado. Há apenas o alvo e o desejo ardente — quase consumidor — de proteger o que é importante para si enquanto tenta matar seu inimigo.

     Rhrgøn Ådamhs foi o Titã regente do primeiro cometa. Veio milênios antes de Åæron e, com ele, houve uma das mais significativas guerras. Ele exterminou uma raça inteira não medindo quem era inocente ou culpado. Todos foram mortos.

     Assim é a natureza dos lhycantropicos. Selvagem, agressiva e violenta. Eles não importam-se com a opinião de ninguém. Seu estilo de vida dão a eles uma das mais estáveis sociedades do mundo. Mas sua selvageria dá-lhe o devido respeito.

     Não se teme heróis. Você subestima aquele nobre que deseja poupar a vida de inocentes e punir apenas os culpados. Pode surpreender-se com seres assim. Vivendo da boa vontade de um ser mais forte e criando expectativas.

     Mas quando trata-se de monstros…

     Não há expectativas a serem cumpridas. Você sabe que é um monstro e não está vivendo da boa vontade daquela criatura. Está vivendo porque é capaz de sobreviver abaixo desse ser e sabe que, caso faça algo, não será punido. Simplesmente será morto.

     Heróis são considerados bons. Você cria expectativa sobre eles. Pois é da boa vontade dele proteger. Isso esquece-se que monstros não são diferentes. Muitas vezes, são melhores. Você não vai decepcionar-se pois não há expectativa. Ele faz o que deve ser feito, não por vontade, por piedade ou sentimentos tolos. Ele não vai salvar alguém apenas por que é inocente. Tem o sangue de seu inimigo e por isso será morto.

     Monstros não importam-se com opiniões direcionados a eles. Essas opiniões são covardes. São comentários que jamais serão ditos em sua cara, pois sabe que não irá ter efeito algum. Pelo contrário, se ficar incomodando com a irritante voz, ele te mata sem remorso algum. Por isso, os comentários vem pelas costas na ilusão de que ele importa-se.

     Mas ele não importa-se.

     É um monstro. Lhycans não são cães de guarda. São monstros impiedosos.

     E seu líder, Drogo, é o pior deles. Ele não usa uma máscara para esconder suas emoções. Ele não teve sua alma ferida e muito menos uma criação abusiva a beira da depressão. Não… Sua mãe o amava de forma incondicional e seu pai o mimava. Mas ele não é um homem mimado que deseja tudo ao seu jeito.

     Drogo é o Supremo Alpha!

     Para ele, não importa que pensem que ele use uma máscara. Não importa que queiram que ele seja amoroso com sua mulher. Delicado devido a ela ser uma Ômega. Não importa a opinião de seu relacionamento com seus filhos. A vida é dele nada mais.

     E a frieza em seus olhos não é algo forçado para dar medo. Não é ocultando suas mais puras emoções de um homem amoroso. É simplesmente água limpa, tão transparente que é quase assustador a verdade nua e crua; Ele é cruel. Ele não finge insensibilidade. Ele apenas não sente.

     Ele não tem vergonha de seus sentimentos. Se fosse o que sentisse, choraria em público sem compostura e vergonha alguma. Pois ele não importa-se com a opinião de ninguém. O único problema é que nada o abala. Frio, insensível e completamente neutro.

     Por que fingir sentir o que não sente? E por que esconder o que sente?

     Ele sempre foi verdadeiro com Nhycall. Se ela não sabe compreender como uma lhycan, ele não vai interpretar um emocionado. Algo que ele não é. Ela quis ele assim e assim foi sua vida. Ele não é o herói que a salvou da prostituição. A Ômega salvou-se a si mesma.

     Mas agora, tudo está no passado…

     Nhyara é considerada a Suprema. Mãe de seus herdeiros e daquele que irá assumir o império de seu pai. E no olhar de Drogo é mostrado o quanto ele importa-se com isso.

     O incêndio no telhado espalhou-se rápido. A fora, o vento estava forte. Cheiros estavam sendo bagunçado no ataque que tinha como objetivo a morte.

     Uma alcateia foi exterminada. Sangue de inocente caiu e o ciclo de ódio continua a girar. O primeiro ataque veio com um raio. O segundo com a janela sendo arrebentada quando uma criatura entrou a toda velocidade em direção aos Alphas.

     Três pularam alto e agarraram-se nas estátuas nas paredes. Os demais permaneceram no chão atentos ao homem. É um anjo…

     Drogo sequer moveu-se de onde estava quando o homem olhou para ele. Nhyara recuou quando as enormes asas foram abertas e ele rodopiou para cima. Mas aquele homem não é um Titã para sobreviver a sete Alphas Genuínos. Foi pressionado no chão quando um dos lhycans pulou sobre suas costas. Mas como um guerreiro ele recuperou sua compostura e estava prestes a atacar quando sua asa foi quebrada por outro Alpha. O anjo gritou e, com isso, sua cabeça foi arrancada.

     Quase que imediatamente um novo anjo penetrou a estrutura do castelo e avançou contra um dos Alphas. Foi tão forte que ele arrancou o lhycan do grupo e parou em um novo cômodo. O lhycan em questão mostrou o quão feroz é ao desviar do ataque e encará-lo com a satisfação de não ter que dividir um combate com membros que sequer o seguem.

     Mas Nhyara tinha outras preocupações. Pela janela arrebentada, a chuva era tão feroz que já não parecia mais um forte tempestade. O vento é muito forte. Forte o suficiente para ela ter a visão de um humano se segurando para não ser arrastado do chão.

     Os tempos de paz acabaram. Mas a tempestade não chegou.

     Um furacão a engoliu.

     A atenção dos seis Alphas restantes vão para a segurança da Suprema. Seu olhar é no furacão afora, cujo um raio derruba uma árvore ao longe. É quando Nhyara vê o que deve temer. Uma silhueta de mulher, quase sumindo na ventania carregada de areia e folhas naquela fria noite. Mas as asas negras e os olhos vermelhos, tal como seu poder é perfeitamente visto.

     Quando ela entra no castelo, mais do que a janelas são arrebentadas quando seus guerreiros acompanham-na. Nikytrar destruiu a parede e trouxe o frio com ela. As tochas apagaram-se e a luz é mínima. Suas grandes asas tampa quase completamente a visão do que acontece a fora.

     Mas todos são criaturas da noite e enxergam perfeitamente uns aos outros. E, a presença de Nikytrar é a única coisa naquele lugar que faz Drogo descruzar seus braços e direcionar seu olhar para algo que realmente valha sua atenção.

     Nikytrar é uma Titã.

     Drogo é um Titã.

     Apenas um Titã pode matar um Titã.

     Depois de muito tempo, finalmente ela sabe a aparência do terceiro Supremo de Sangue e o primeiro da geração da fera apocalíptica. Naquele lugar, Nikytrar é a única que aguentaria um combate com ele com enormes chances de vencer. Ambos são poderoso Titãs, cuja uma luta real destruiria o litoral da Bulgária.

     Ele pode destroça-la assim como ela pode destruí-lo. Os olhos vermelhos de ambos são carregado de sangue e poder quando um encara o outro. Drogo não a subestima e ela também não fará nada de forma impulsiva.

Você lembra eles… — Ela não consegue falar o complexo idioma deles, mas sabe que eles entendem o dela.

     Cabelos negros como o mais profundo abismo sem fim onde nem mesmo a mais intensa luz alcança. Olhos azuis, tão claros que quase chega ao branco e tão frio como o Deserto Branco, cujo frio congela seu sangue em minutos. Mesmo o tamanho de ambos os Titãs são parecidos. Nikytrar tem a impressão de ver Åæron em sua frente e consegue facilmente imaginar Rhrgøn.

     Mesmo as opções de vestimentas são parecidas além da cor negra. Åæron costumava usava mais ouro que Drogo. Contudo, as marcas no peito do Supremo a sua frente imitam os grandes marcos de sua linhagem. Em seu pescoço a pintura da cicatriz de Åæron seguido pela marca de Zhrydä em seu peito. Em seu abdômen as três marcas das cinco mais poderosas mulheres, formando um redemoinho que segue sua costela até às costas. Mesmo o fogo que que simbolizou a chuva dos sangue dos dragões, no bíceps as faixas de geração e mais e mais desenhos das marcas de garras das maiores batalhas de seu clã. Drogo é puro de linhagem. A maior autoridade de seu povo.

     Se Nikytrar matá-lo ali e agora os Alphas y vão disputar pela Supremacia, tal como os Supremos Bhettas. Será necessário uma década para a sociedade se estabelecer novamente com um novo Supremo onde o primogênito de Drogo está morto.

     O único problema é que aquele homem não vai simplesmente deixar-se ser morto.

     Mas ele não precisa morrer, ainda.

     O olhar de Nikytrar vai até a ruiva atrás dele. Olhos verdes, pele num bronzeado claro. O corpo estrutural e jóias de grandeza. A maldita usa o mesmo bracelete de Zhrydä Ådamhs. Nikytrar lembra perfeitamente bem o ouro nos pulsos da Titã de pelos negros e olhos vermelhos.

     Sua vontade de matar aquela mulher aumenta. Ela não sente dominância vindo da lhycan. Dúvida que ela seja uma Alpha. Mas isso facilita. Se não é Alpha então é Peeira. Tão legítima ao ser capaz de utilizar uma peça tão valiosa quanto aquele bracelete.

      Mesmo na escuridão no meio do furacão, Nikytrar consegue ver perfeitamente um arranhão no interior da jóia que representa seus olhos vermelhos. Ela quem causou aquela ruptura no combate a milênios atrás.

Sua companheira não lembra elas. — Ao longo do século, existiam cinco grandes mulheres Titãs que marcaram a história dos lhycans. Todas Alphas do clã Ådamhs. Zhrydä foi a última a surgir e a morrer. Se existiu outra Alpha após ela, foi igual aos demais Titãs; nome jamais, nunca visto e governou em paz.

      Afinal, não é por que é uma mulher que deve fazer grandes feitos. Mesmo com todo poder ou fraqueza, ela não é obrigada a deixar sua marca na história.

      Mas Nhyara não lembra em nada uma Titã. Mesmo Zhrydä, se tivesse com seu companheiro, estaria com um olhar desafiador. Era afrontosa. Antes de saberem que era uma Alpha, gostava de gabar-se e desafiar. Interpretaria uma Peeira onde seus olhos azuis iria buscar os do inimigo e o desafiaria a lutar com seu companheiro.

      O mesmo olhar de muitas Peeiras. Homens gostam mais da violência do que as mulheres. Por isso são mais dominantes e aptos a liderança. E muitas Peeiras aproveitam-se disso. Provocam seus inimigos ao levá-los para a garra do Alpha.

      Mas Nhyara apenas está assustada. Nikytrar a assusta e é sábia ter medo já que se não é uma Alpha, ela não tem chance alguma contra uma Titã e, se quiser sobreviver, terá que obedecer seu Supremo aos mínimos detalhes.

     A tempestade a fora trás com sigo uma árvore arrancada do chão que entra no salão. Nikytrar desvia e impulsiona o tronco pesado em direção ao Supremo com um chute. O interior da madeira congela tornando-se mais pesada. Contudo, nem isso tira Drogo de seu lugar.

     Quando a árvore chega perto o suficiente seus punhos encontram o tronco e empurram contra o chão. Um soco. Foi tudo que ele precisou. Um estrondo fez-se presente quando o chão rachou e árvore foi partida ao meio.

     Nhyara rosnou ao tentar desviar de um anjo que veio por trás. Esse mal teve tempo de fugir quando entrou ao alcance do poder do Supremo. Suas garras rasgaram sua garganta e enquanto o corpo desfalecia com o sangue escorrendo pelo buraco aberto, Drogo pegou seus braços e o lançou contra outros dois que vinham atacá-lo.

     Ele mal desviava quando mais anjos chegaram. Ele não precisa. Lutou com três com extrema velocidade em uma velocidade que não conseguiram sequer desviar dos golpes. Drogo arrancou seus braços quando esticaram-se para atacá-lo. Pegou a lâmina de suas mãos antes que caíssem e enterrou na garganta. Ao mesmo tempo, torceu a mão de outro inimigo de modo que fosse obrigado a virar de costas para o Titã que o usou como escudo quando o terceiro atacou-o. E antes que o último recuasse, ele puxou-o para ele e pegou em seu pescoço.

      Ele não desviou de nenhum ataque. Seus pés mal saíram do lugar e, em um ataque de cinco anjos, apenas um estava vivo. Todos tentaram tirar Nhyara das garras de seu protetor e nenhum conseguiu. Tão rápido quanto vieram é tão rápido quanto foram mortos. Drogo não brincou com suas vítimas. Ele gabou-se para Suprema e provocou Nikytrar ao esmagar lentamente o pescoço do último e jogar aos pés da Titã.

     Ela não abalou-se. Não esperava menos. Seria decepcionante. Ele, de fato, lembra Rhrgøn e Åæron Ådamhs.

     Porém…

Seu filho é tão puro quanto você? — Perguntou a mulher. O clã Ådamhs mantém o sangue puro ao terem companheiras do mesmo clã. Desde o início das eras, seu sangue nunca contaminou-se com quem não devia. Os companheiros não eram da mesma família, mas eram do mesmo clã. Contudo, a mulher ao lado do Supremo não vem da mesma pureza que ele. Por tanto, o filhote seria apenas meio sangue puro.

     Diferentes de humanos e outras raças, lhycans não costumam trocar seus nomes. Mudar o nome não muda o sangue.

     A criança é o primeiro lhycan com a mãe de outro clã. Afinal, se não fosse de outro clã não seria uma solysthyca. Nhycall não carrega o Ådamhs no nome como muitas Supremas antes dela e mesmo se Nhyara fosse a mãe biológica, não mudaria. Sempre foi um Ådamhs no poder, mas quando presságio de solysthyca veio, significou que isso mudaria.

     "A primeira solysthyca fêmea de um Supremo…"

     A Supremacia sempre foi ocupada por sangue puro. Talvez não da mesma família, mas sempre do mesmo clã e por tanto, nenhuma dessas mulheres poderia ser uma solysthyca completa. Por isso Drogo procurou além de seu clã quando acreditava-se que Nhyara era a escolhida.

     Seu filho não é, por inteiro Ådamhs. Muitos poderiam considerá-lo corrompido se fossem de outra raça. Mas tudo nele é como uma cópia perfeita de Drogo. Quase sem traço algum de sua mãe, é como se fosse gerado apenas do sangue do pai. Ele é aceito, respeitado e venerado no clã como seu sucessor.

     Ele será um Supremo ainda mais perigoso que Drogo. Ainda é uma criança, contudo, um Titã.

     Isso está certo na profecia assim como na experiência. O garoto é um gênio de talento bruto. Como seu pai antes dele, não é criado de forma abusiva, violenta e depressiva. Mas conforme cresce, mais adquire o desejo pelo sangue e a violência. Ainda é uma criança. Mas nasceu para ser um monstro pior que Rhrgøn, pior que Åæron e pior que seu pai Drogo.

     Não puro em sangue Ådamhs. Mas puro em legitimidade.

     Drogo não responde a mulher. Sequer rosna em ameaça. Por que abalar-se com a verdade? Mas seu corpo está pronto para um combate. Nhyara já sabe o que fazer e, em pouco tempo uma batalha inicia quando o sétimo

     O Alphas atacam sem qualquer hesitação e a luta é levada para fora. Nikytrar rodopiou no ar e lanças de gelo são lançados em diversas regiões. Basta um corte seria fatal. Mas os que deveria acertar Drogo foi segurado no ar enquanto Nhyara estava atrás dele.

     Quando Nikytrar volta ao chão torna a girar levando uma corrente tão forte de ar que finalmente dá alguma ação a Drogo flexiona seu corpo para não ser arrancado do chão como alguns de seus demais lhycans.

     Contudo, Nhyara foi arrancada do chão e, para não sair de seu campo de segurança agarrou-se a uma estátua na parede, onde manteve-se firme. Drogo por sua vez não tirou os olhos da mulher mesmo quando alguns lhycans a atacaram.

     Suas asas formaram uma barreira em torno dela e desmancharam-se para atacar seus agressores. As penas azuladas da ponta de sua envergadura perfuram a carne dos lobos e, não interessada em ter cadáveres grudado nela, logo livrou-se deles jogando igualmente aos pés do Supremo. Sequer mexeu seus braços e pernas para isso. 

     O Supremo não move-se de seu lugar. Está protegendo sua Suprema e dificilmente algo o tiraria de lá.

     Esse algo vem na forma de fogo. Sensível ao ambiente como todo lhycan, ele todos sentiram a mudança brusca de temperatura quando uma explosão iniciou-se no lado onde Nhyara estava. Os lhycans foram forçados a recuar, contudo, Nikytrar atacou Drogo mandando-o para o lado oposto.

     Eles atravessaram o muro de três salas até encontrar o precipício onde o castelo era construído. O vento do furacão facilitou a Drogo fixar-se uma rocha onde anjos de todos os lados não perderam tempo em atacá-lo.

     O furacão estava forte. O vento queria sugar tudo para o mar. Um evento natural tão forte assim só poderia ser causado pelo poder das criaturas mais poderosas existentes no mundo; os Titãs.

     Muitos tem sorte de não deparar-se com eles, contudo, em uma guerra sempre há altos e baixos.

     Rômulo não é tão forte quanto Drogo para proteger sua família.

     Ele não é o Supremo Alpha. Contudo, é o Supremo Bhetta e mesmo que não seja igual seu irmão que namora a morte, consegue perfeitamente dar conta de seus inimigos. Desde que os mesmos não sejam um Titã.

     Mas as coisas estavam erradas para ele no meio da floresta. Não pode simplesmente deixar Henna e ninhadas inteiras de filhotes para matar tanto de seus inimigos. A estratégia tinha um furo.

     Um erro…

     Erros podem trazer consequências graves…

     Rômulo estava com dificuldade em defender sua amada e cria em campo aberto. A tempestades prejudica a locomoção em sua situação e os anjos não atacam a ele. Eles querem sua companheira.

     A situação piora quando um deles chega perto o significante para cravar suas garras em uma das crianças para sair com ela. Contudo, em uma alcateia, nenhum membro dificilmente fica sozinho. Um grande lobo avermelhado salta sobre o anjo trazendo surpresa a todos quando presas estraçalha a carne de seu inimigo.

     É Arthur.

     Pelo num marrom avermelhado, patas negras tal como a ponta do focinho. Garras e presas afiadas e os músculos prontos para estraçalhar seus inimigos. Sua compostura é de ataque, sangue escorre de sua boca e seu olhar assassino busca por uma nova vítima.

     Rômulo não está transformado como seu irmão. Os inimigos não os reconhecem como gêmeos mas reparam na característica do mesmo clã nos olhos dourados, idênticos um ao outro.

     Um grito de Henna trás a atenção de Rômulo. A criança estava caída e a grande loba em cima dela. Está ferida. Rômulo vê ela tossindo, mostrando que está viva. Mas o cheiro de sangue também é notável.

      Henna não volta a forma humana, contudo, tem a ajuda de Mirella para parar o sangramento. Os filhotes dela não estão ali. Um adulto não fica longe de sua cria…

      Arthur também está ali…

      Um novo estrondo de um trovão é o marco para uma nova sequência de ataque onde Rômulo consegue defender-se com muito mais facilidade com a ajuda de seu irmão. Contudo, permanecer na mesma estratégia e passar pelos adultos para pegar os filhotes é tolice vendo que o número dobrou o suficiente para permitir que a mulher dedique sua atenção ao filhote ferido.

      Era o mais velho de todos. Dos quatro de Henna teve na primeira linhagem, aquele no chão foi o primeiro a nascer. O primogênito. Estava na frente de sua irmã consolando-a quando os um dos anjos cravaram as garras em seu peito para arrancá-lo dali. Mirella abriu a jaqueta no menino e tocou seu peito.

     Não conseguia enxergar, mas conseguia sentir as leves mudanças em seu corpo com seu tato mais acurado. Contudo, Henna, com uma perfeita visão vê os cinco furos, um de cada lado, no peito da criança.

     Os Bhettas lutam contra uma horda de inimigos enquanto as Lhunas estão distraídas com o filhote machucado. Alguns anjos avançam silenciosamente por trás aproveitando-se da confiança deles terem ajuda.

     Henna acolhe seus filhotes agitados e os impede de irem até seu irmão mais velho. Lidar com tantos no meio de um caos não é fácil. Por isso lhycans costumam ter ninhadas de gêmeos onde a sobrevivência de ao menos um é mais fácil. E o inimigo aproxima-se.

     Está tão perto que mesmo se os Bhettas notarem e atacarem, será tarde. São três contra duas mulheres e um grupo de filhote.

     Ele ataca.

     Um grito alto percorre o local, atraindo a atenção de todos.

     O cheiro de sangue é convidativo. São predadores e ao perfurar a carne, ativa seus sentidos mais ferozes de caça. Ver sua garra dentro dos músculos da garganta é uma vista expendida.

     Arthur arregala os olhos…

     O ar foge de seus pulmões…

     A sensação quase esmaga seu peito. Entala em sua garganta. Arthur rosna, contrai-se seu corpo e uiva.

     Uiva alto para que todos possam ouvir. Para que todos possam saber. Para que seu Alpha saiba. Sua companheira…

     Sua amada…

     É forte… Quase não cabe no peito essa sensação de poder ao ter suas garras enterrada na garganta de seu inimigo. Mirella empurra o corpo do anjo e rasgando o que falta de sua carne. O olhar de surpresa nos olhos de seus inimigos não pode ser apreciado por ela, contudo, ela pode sentir.

     No meio dessa tempestade, ela consegue sentir o calor do corpo de seus inimigos. Na verdade, o furacão apenas ajuda seus sentidos a detectar onde está quem, se é inimigo ou amigo. Ela ouve seus batimentos no meio de tanto barulho. Sente o calor e mesmo seus olhos sendo cegos, não perdeu completamente a visão. Os olhos dourados é capaz de ver o calor do ambiente a sua volta.

     E seus inimigos subestimaram Mirella. Ela nunca foi uma mulher submissa. Quando humana, era uma guerreira. Ao tornar-se companheira de alguém tão perigoso quanto Arthur, mesmo sem a visão, em dez anos, apenas progrediu.

     E seu companheiro mostra o orgulho que tem ao uivar para que todos saibam o quão valente é sua companheira. Sua guerreira!

     Ela saca uma adaga de sua perna quando percebe que os outros dois recuperam-se da surpresa. Ela desvia das asas abaixando-se até quase deitar no chão. Ela espera, escuta e chuta a perna de seu inimigo. Para não cair, ele abre suas asas para sobrevoar. Contudo, Henna, com ódio, avança sobre ele avançando contra seu pescoço.

     Assim, seus filhotes ficam desprotegido e Mirella tem que apressar-se para protegê-los. Ela segura um que estava asfaltando-se, mas um ataque de cima força ela a soltar para defender-se. Ela rosna com a força que deve fazer. O osso de seu braço racha antes que ela consiga atacar seu inimigo.

     Ela derruba-o no chão. Ele rola para cima de uma das crianças e apenas o grito dela ouvido antes de Mirella perfurar suas costas com a adaga.

     Henna corre para cima de outro de seu filhote, desesperada. Tarde mais.

     Os dois já não tem mais salvação.

     No desespero, um correu para seu pai e antes de chegar a ele, foi morto. E no instinto de afastar os inimigos de suas crias, abriu-se uma brecha para uma das meninas morrer.

     Um erro pode custar vidas…

     E a ruiva, mais do que ninguém, sabe disso. 

     Nhyara estava nas mãos dos Alphas Genuínos. Mas mesmo eles não eram capazes de protegê-la quando um ponto de calor foi-se notado. A lhycan sabia que deveria fugir, porém, não deu-se tempo.

     Nhyara estava nas mãos dos Alphas Genuínos. Mas mesmo eles não eram capazes de protegê-la quando um ponto de calor foi-se notado. A lhycan sabia que deveria fugir, porém, não deu-se tempo.

     Um ataque seguido do outro. Nhyara não faz ideia de quanto tempo passou-se. O fogo percorre cada ponto do castelo, consome a estrutura e não há como fugir.

     Os Alphas encarregado de sua proteção já não estavam mais no local. A adrenalina percorre seu corpo e tudo que ela pode fazer em esconder-se nas estruturas enquanto sabe que é caçada como um animal. Onde está o Supremo? Onde estão os Alphas? Onde está seu pai?

     Ela está sozinha…

     O bracelete de ouro queima em sua carne devido a estar tanto tempo próximo ao calor. E ela o encara. Idêntico aos da Titã Zhrydä Ådamhs, mas não é o dela. Mesmo a pedra foi rachada até ficar próximo do verdadeiro. Os mesmos elementos foram utilizados, contudo, esse nunca foi usado por ela. E não poderá ser usado por ninguém…

      Com menos de um centímetro, um pequeno brasão de um lobo com um corte na cabeça podendo ser simbolizado por alguma arma — possivelmente uma flecha ou lança atravessando seu crânio — simboliza a sentença de morte.

      A maldita Ômega fez com que fosse implantado.

Seus Alphas lutam para chegar até você. — Nhyara escuta a voz da Fênix de Gelo. Feminina, delicada, mas não inocente. Ela respira fundo e segura uma adaga em sua mão. — Mas não virão…

     Nhyara contém a vontade de rosnar. Não deseja revelar onde está e muito menos quer aceitar que está sendo abandonada. Ela respira fundo e contém uma lágrima sair de seus olhos. A fumaça está forte…

     Mas quem ela quer enganar? Lhycans não são conhecidos por serem emocionante iludidos. Eles fazem o que precisa ser feito e, para isso, devem aceitar a realidade.

     O Supremo não a ama para enfrentar tudo e todos para estar com ela. A mulher pela qual ele sente tais sentimentos está morta. Sequer busca outra para suprir suas necessidades biológicas de um macho dominante.

      Batalhas, liderança, combate, política, estratégia de guerra, criação de filhotes e o todo o peso da Supremacia e da guerra em suas costas. Uma mulher mantém-se virgem pois não tem como desejar o que nunca provou e só ouviu-se falar, além de suas próprias vontades individual de querer apenas um homem. Mas para os homens… o desejo é ardente. Quanto mais dominante, pior. Alguém como o Supremo, mesmo com sua companheira morta, precisa de sexo.

     Mas ele não tem… Ele sequer busca ou demonstra qualquer interesse carnal por outra. Nhycall foi a última mulher que o teve. Se fosse ela, Drogo já estaria ali para salvá-la.

     Raiva assume seu corpo. Ele não virá!

     O homem que ela ama não virá por sua Suprema!

      Seu rosnado de ódio faz com que Nikytrar encontre a fujona. Sua mão adentra a estrutura de uma parede até o outro lado, agarra o pescoço de Nhyara e puxa a lhycan. A ação violenta faz parte do teto desabar sobre elas, mas isso não impede a mulher de saltar no ar e levar a ruiva para o alto.

     Em alguns bater de asas chegou ao telhado do castelo onde lançou a mulher. Nikytrar pousou acima dela. Nhyara rosnou para sair e golpear a Titã com a adaga. Não funcionou. A Fênix pegou em seu pulso e torceu até ela ficar de bruços no telhado instável. Para impedir qualquer ação, ela quebrou seus braços e prendeu sua cabeça.

Diga-me o está a criança e eu farei-o encontra-lá muito em breve. — Afirmou. Nhyara rosnou. Para Nikytrar, foi de resistência. Mas para a lhycan, foi de desgosto. A criança não pertence a ela.

     Nhyara tornou-se estéril graças a Ômega. Livrar-se de uma impura passou a ter consequências desde que o Supremo encontrou-a.

     Maldita!

     Que nunca chegue às sagradas terras de Azhulla. Ela não merece. A maldita Ômega roubou tudo dela!

     Nhyara foi lapidada e treinada para a Supremacia. Ela é a Suprema. Mas Arya nunca deixará de atormenta-la mesmo após estar morta. Ela sente ódio. É pressionada por Nikytrar, mas não tem uma resposta para salvar sua vida.

     Os filhotes não estão ali.

     Nhyara arregala os olhos quando um calor aproxima-se do gelo, iluminando como um sol na madrugada. Ele trás a ira.

     Um adulto não afasta-se muito de sua cria…

     Os filhotes do Supremo não estão com ele…

      Nessa idade, é extremamente arriscado deixá-los sozinhos. São crianças. Precisam de comida constantemente, principalmente sem o leite da mãe. O leite materno é trocado por sangue misturado às águas saliente da seiva de uma planta carnívora — nativa de Hyfhyttus — e complementado com leite de vários animais.  É necessário mais de dez vezes ao dia. E devido a essa dieta, desmamam mais cedo e precisam desenvolver suas habilidades de caça. É quase sentença de morte deixá-los sozinhos.

     Amenos que…

     Nhyara rosna em fúria e tenta livrar-se do aperto. O Supremo sabia. Mostrou o bracelete aos Alphas que não questionaria suas ordens. Ela sabia que haveria um ataque.

      Nhyara chora em raiva, debate-se com a verdade nua e crua caindo sobre ela. Um sacrifício. Apenas um mero sacrifício para uma mulher como ela.

      Monstros não são heróis. Ninguém irá salvá-la. E antes que ela diga algo, sente as garras da mulher perfurar sua carne.

      Os Alphas estavam aproximando-se, junto às Bhettas. Ela não tinha mais tempo para joguinhos.

 telhado do castelo. Lá, ele lançou a mulher com tanta força que um teto quebrou-se. As chamas do raio consumia o local que conseguia ser mais silencioso que a batalha a vários andares abaixo. Mas Nhyara já estava morta a muito tempo ao saber que foi jogada a sacrifício.

     Não se cria expectativas com monstros.

     Nhyara consegue escutar os ferozes rugidos de Rômulo. Ela ouve os uivos de Henna. Estão protegendo seus filhotes. Os Alphas lutam ferozmente pelo que acredita, porém, a mulher está ali onde não há nenhuma barreira para protegê-la.

     Fácil de mais.

     Nikytrar alcança seu coração. A mão fria congela o sangue da mulher por dentro. Ela não consegue respirar. Sequer consegue falar. Muito menos gritar que não é a Suprema. Que ela não é a mãe dos filhotes do Supremo. Ela não é o verdadeiro alvo. Mas não consegue.

      Nikytrar congela lentamente seu coração para causar dor. Seu corpo queima com o gelo a consumindo de dentro para fora e tudo que ela pode fazer é instalar os ossos de seu braço. A mutação faz o sangue esquentar, lutando. Não pode desistir tão fácil.

      Ela é uma lhycan, afinal de contas! Lutar até o fim está no seu sangue. E mesmo que perca seu braço, não importa. O ouro impede a mutação devido a estar fundido aos músculos do pulso. Perderá a mão se continuar, mas não para. Quase não grita devido a ter seu sangue consumido.

      Mas a mutação no pulso, impedindo pelo ouro chama a atenção de Nevrah. O ouro está fundindo a sua carne. Por quê? Não é tradição dos lhycans. Algo estava errado.

      Mas já era tarde demais para Nhyara falar algo. O gelo consumiu todo seu coração. Seu sangue agora é como água congelada. Está tão fria que é possível questionar-se se já houve calor em seu corpo.

      Quando os Alphas chegaram, apenas encontraram o corpo de Nhyara. Mesmo as lágrimas estavam congelada. Mas as emoções em seus olhos era de alguém ainda vivo de tão forte que era.

     Ódio…

     Satisfação…

     Medo…

     Fúria…

     Em meio a tudo isso, ainda havia algo mais…

     Nhyara não pode gritar. Não quando sua garganta seu seus músculos são congelado, seu sangue fica sólido e seu corpo perde todo o calor. Mas em seus olhos, havia fúria. Nos últimos momentos de sua vida, ela estava tão satisfeita quanto raivosa.

     O homem viu seu bracelete. Toda sua espécie irá pagar…

     E quando sua vida deixou seus olhos, a certeza do ódio era certa para ela. Ela descobriu o maior segredo da última década.

     Um adulto não deixa os filhotes sozinhos. Os herdeiros não estão com o Supremo. Não vieram com ele. Foram escondidos perfeitamente por 10 anos. O pai não sente desejo por outras mulheres e ninguém exceto seus Bhettas e Lhunas conhece a todos.

     Distante dali, no na floresta, Drogo estava sentado afiando sua lâmina completamente calmo no meio dos acontecimentos. Ele viu os arcanjos recuar como quem vê um teatro. Conseguiu o que queria e, no momento, só queria enterrar seu pau dentro de uma mulher que a tempos não faz. No uivo de Rômulo, ele teve certeza e soube que Nhyara estava morta. Naquela noite, tudo ocorreu conforme o planejado.

     Assim, como soube que ela descobriu. Em seus momentos finais de sua vida, ela teve certeza de uma única coisa…

      A maldita Ômega está viva!

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