C A P Í T U L O 76
Dez anos…
O mundo é cruel. Enquanto há seres que vivem e bebem em alegria, há aqueles que sofrem em desespero.
Era madrugada véspera de lua cheia.
E a alcateia estava reunida em torno de uma pedreira na fogueira. As crianças lutavam como entretenimento, agitadas.
Nenhuma tinha mais de dez anos de idade. Mas são caçadores dominante. Estão crescendo e, com o passar dos anos, seus instintos vão aflorando.
Suas lutas não são agressivas como as de adultos. Eles estão apenas brincando sem perceber que os truques e artimanhas que estão desenvolvendo poderão ser letais em sua maturidade.
São nove crianças e quatro bebês. Apenas as crianças, naquela madrugada, iriam matar.
Lhycans são caçadores. São predadores que ensinam seus descendentes desde cedo. E como um predador que caça e entrega a presa viva para que seus filhos aprimorem suas habilidades assassinas, um humano é levado até a fogueira.
Estava nu, completamente desarmado e limpo. Ninguém daria uma presa suja para seus filhotes, visto que são mais sensíveis às doenças.
O homem era um caçador. Seguiu a alcatéia por um mês e agora será brinquedo da nova geração.
— É muito grande. — Ella analisa o porte do homem. Devido a idade próxima aos 40, é quase irreal joga-lo em perfeito estado a crianças que aparentam ter 5 anos de idade. — Vão conseguir?
— Não estão sozinhos. — Seu companheiro afirma. As crianças eram frutos das novas mulheres da alcatéia, juntamente com seus lhycans. Ali estava os gêmeos mais velho de Dylan e os de seu Bhetta com Samantha. — Estão ansiosos para presas maiores e é melhor que façam em segurança.
— É tão diferente dos humanos. — Samantha, ao lado de sua melhor amiga Ella, pronuncia.
A mulher foi pega de uma vilarejo no ato de estupro. Era casada e tinha que suportar o relacionamento abusivo. Embora fosse muito mais submissa que Ella, pediu socorro. E assim, foi atendida. Agora, dez anos depois, é mulher do Bhetta da alcatéia e ama sua nova vida.
Seu antigo marido agora é seu escravo e teve que ver sua esposa ir para a cama com outro homem, transformar-se e procriar. Antes ele batia nela. Agora, uma palavra errada e ela bate nele enquanto seu companheiro garante a vida humilhante dele.
— Meu bebê ainda é tão pequeno… — Resmunga apreensiva. O Bhetta ao seu lado a abraça e beija sua testa.
— Ele não está sozinho, loirinha. — Mesmo assim, ela não deixava de preocupar-se. Seu olhar azul corre para o garoto loiro brincando no chão com Dhäęthr, primogênito de seu Alpha. — E qualquer coisa de errado, vamos interferir. Não fique preocupada.
— Onde está Kathe? — Ela pergunta, apreensiva. A filha fruto de um estupro da princesa na alcatéia já estava em seus onze anos. Adorava a alcatéia e nunca perdia uma luta. Mal via a hora de completar 14 anos para juntar-se ao bando.
— Não estava sentindo-se bem. — Ella responde e aproxima-se do ouvido de sua amiga. Ela sussurra: — Sangrou pela primeira vez.
— Oh! — Era quase irreal. A garota é dois ano mais velho que sua filha e já virou mocinha. Enquanto aqueles que aparentam ter 10 anos, são apenas crianças de aparência de 5.
Isso deixa a garota levemente depressiva. Queria aproveitar mais a infância, todavia, o que a acalma é Ella. A Peeira mantém sua aparência próxima às de uma adolescente. Até quando chegar aos seus 30 anos, não sairá da aparência de uma garota de 15 anos.
E quando a humana transformar-se, ficará com sua aparência até próximo dos 28 a 30 anos.
E assim, o humano é lançado no centro da roda. As crianças param as brincadeiras e encara o humano que, como caçador, entende o que está acontecendo. Ele é uma presa viva.
Ele olha ao redor e percebe estar perdido.
O primeiro a aproximar-se é Dhäęthr. Ele tem a confiança de seu pai, Dylan ao engatinhar sem encostar o joelho no chão. Seus olhos negros o analisa e ele cheira o humano.
E assim, ele olha para seu pai. O Alpha estava em cima de uma pedra com sua mãe ao lado. Suas irmãs caçulas estavam com ele. Duas meninas, gêmeas, ainda bebês. Com três anos, aparenta ter apenas um ano e meio. Uma estava brincando com a mãe enquanto a outra dormia profundamente nos braços do pai.
Mas a criança é pega de surpresa quando o caçador o ataca. Ele pretendia usar a criança para escapar, contudo, o garoto rosna em ameaça. Logo seu irmão, instintivamente ataca o homem.
Seu ataque incentiva os demais para defender seu amigo. As garras e caninos são fortes o suficiente para machucar e estraçalhar. Mas o homem adulto tem experiência ao golpear a cabeça de uma das crianças.
Isso faz todos afastarem-se. O garota estava bem, contudo, assustado. Ele rosnava para o homem com o gosto de sangue na boca. Ele poderia continuar, mas o susto o faz recuar para o braço do pai. Logo a mãe começa a cuidar de seu ferimento.
Seus irmãos juntam-se a ele, que desmotiva os demais. Mas quando Dylan entrega a filha para sua mulher e junta-se as crianças, a situação muda.
Como Alpha e pai, ele prensa o humano no chão. O homem sabe que não pode lutar contra ele. Contudo, isso incentiva seus filhos. Um corte em seu pescoço é feito e o sangue atrai os demais.
Quando o Alpha solta, todos voltam para cima do humano. Uma das crianças morde o pescoço, atraído pelo sangue. Estava como fome e sua garra apenas arrancava mais sangue. Mas não são maduros os suficiente para estraçalhar.
Se o humano sobrevivesse, ficará marcado com cicatriz. Uma garota, para manter-se firme nas costas dele começa a tentar cravar suas garras na carne. Todavia, sem saber como fazer, ela acaba arranhando-a.
Ella, distante, encarou aquela cena sem temor. A alcatéia é agressiva e oferecer um desafio às crianças era algo que ela sabia que um dia iria acontecer. O mesmo já aconteceu com animais de porte médio.
Mas ela estava inquieta. Naquela noite, algo estava errado.
Algo estava para acontecer.
E quando Dylan retornou, percebeu a inquietação de sua mulher. Está com medo.
— Temos que sair daqui! — Afirmou com precisão.
Estava sentindo-se altamente ameaçada. Logo, a Lhuna ficou nervosa. Ela chamou seus filhos e insistiu em sair daquele lugar. A reação das mulheres deixou a alcatéia em alerta.
O homem foi poupado quando as crianças fugiram para junto de seus pais. O tempo acima deles estava fechando e Ella ficava mais desesperada.
O tempo estava mudando. Raios formava-se no ar e a fria ventania deixava as crianças inquietas.
Era urgente. Os lhycans começaram a assumir sua forma de lobo, junto com os filhotes. Ele abocanham suas crias e estava prestes a correr para a floresta quando a fonte do perigo chegou.
Veio do céu.
Caiu em frente a floresta com perfeição. O impacto congelou ao redor de seus pés. Seus olhos vermelhos fez todos, até Dylan, recuar. Então as asas negras abriram-se no ar.
— Um a-anjo? — Todas as mulheres já foram humanas. A crença fala sobre anjos. Mesmo os escravos presentes sentiram esperança ao vê-la, todavia, o olhar vermelho e as asas negras os deixam apreensivos.
— Não. — O Bhetta afirma. — É uma Titã.
— Uma Fênix… — Completa Dylan. — Então é verdade sobre o renascimento da Fênix de Gelo.
— Solysthyca… — A voz da mulher ecoa pelo ambiente frio. — Diga-me seu significado e eu pouparei-os.
Ella não entendeu seu idioma. Não é lhycan, contudo, entendeu a primeira palavra. Ela relembrou uma velha amiga. Nhshley. Ela repetia essa palavra constantemente em relação a uma ruiva e a sua irmã.
— Ela está atrás da Suprema… — Ella disse, temerosa. — A r-ruiva…
Dylan tomou uma posição defensiva. Ella, juntamente com toda a alcatéia, entendeu sua posição. Nikytrar, por outro lado, não é uma lhycan e pode não entender o que significa.
— Está pedindo traição? — Ele revida as palavras da mulher, atento. Ella não entendeu as palavras, novamente, em um idioma desconhecido.
— Estou pedindo conhecimento. — Ela anda alguns a frente e avalia a alcatéia. Ele tem uma mulher e filhos. Mas a única razão pelo qual ela procurou eles foi pelo fato de serem os únicos lhycans que tiveram contato direto com o Supremo antes de voltar para suas terras. — Olá Ella.
Não é possível…
— D-Dulce?
— Nikytrar. — Corrige a mulher. — Meu verdadeiro nome é Nikytrar.
— Um Titã não revela seu nome. — Dylan sussurrou e, com isso, os olhos de Ella arregalaram-se. A mulher sorriu. Seu coração errou uma batida. — Fuja.
— O q-quê?
— Hæroбn t:chaikovskиy hâtaбœч. — Ella perde o ar, completamente abalada. Seu coração estava apertado com suas palavras e ela não tinha forças para sair de seu lugar. É como se a gravidade estivesse prendendo-a ali. Um lágrima caiu de seus olhos. — Vá.
Ela não queria ir. Não queria deixá-lo. Dylan é o amor de sua vida.
Mas também seu Alpha.
Ele ama sua companheira e por isso está separando-se dela. Como um lhycan nascido, ele entende o perigo que aquela mulher está representando.
Um Titã jamais revela seu nome…
— N-Não… — Sua mulher teima em sair.
Mas há muito mais naquela pedreira do que o amor deles. Há seis filhos. Cinco crianças. Trigêmeos da primeira grávidez e duas gêmeas de três anos.
Então Dylan pega sua companheira pelo braço, junta com seu corpo e une seus lábios. Ele precisava sentir aquele beijo. A maciez de sua boca e seu gosto. Eles precisavam da saliva um do outro em um beijo apaixonado e único. Ele agarrava sua cintura, apertou suas nádegas e mergulhou a mão em seus cabelos.
Ela tinha que saber o que fazer. Salvaria sua vida. E Ella chorou em seus braços. Não queria deixá-lo. Amava aquele homem que verdadeiramente a fez feliz. E beijou-o como se o mundo dependesse disso.
Talvez não tivesse tempo para mais.
— Sempre foi o amor de minha vida. Eu amo você. — Confessou entre os beijos e encarou-a. Os olhos de Ella estavam negros. É os olhos de sua loba. Ela fungou sobre a declaração de seu amado e sentiu seu coração partir-se quando uma lágrima caiu dos olhos do feroz Alpha. — Nunca se esqueça disso.
— D-Dylan… — Era tarde demais para qualquer palavra.
— Fuja! — Não era mais um pedido. É uma ordem.
Eles não são Fênix para renascer em outras eras e reviver o amor. Eles só tem uma vida e, para Dylan, era mais importante as de sua companheiro. Por isso ele empurrou-a contra o penhasco para junto de seus filhotes quando um ataque veio em direção a ele.
O Alpha segurou os braços da mulher e, antes de ser lançado para o alto, as negras asas jogaram Ella e as crianças pelo declínio da pedreiras. Dylan sentiu o fogo em sua carne quando a fogueira desmanchou sobre ele. Ele rugiu de dor e ferocidade, todavia, desesperado olhou para a pinga do penhasco.
Ella não estava lá.
Ela estava no chão, depois de esfregar seu corpo pelas rochas para salvar a si e seus filhotes. Contudo, estava vivendo um pesadelo. Seu grito angustiante de dor foi ouvido.
Perdeu uma das crianças.
Era a caçula. A bebê cuja aparência é igual de uma criança de um ano e meio estava no chão, ensanguentada. O crânio estava amassado no chão devido ao impacto violento. Os olhos negros — idênticos ao do pai — estavam sem a luz e inocência que sempre teve. Era medo e pavor.
Estava morta…
Mas a situação estava pior do que imagina-se. Dylan estava lutando para salvá-los e eles não poderia ficar. Os rugidos de seu amado continha promessas e ordens. Ella tinha que partir e, com isso, assumiu a forma de uma loba, abocanhou a caçula sobrevivente no colo do irmão e correu. Todavia, antes de entrar na floresta, parou.
Acima, o Alpha estava nas garras de Nikytrar. Não tinha como fugir. Ela é uma Titã, muito mais poderosa. E se ele não tinha chance contra um, muito menos dois.
Åæron Ådamhs desapareceu no combate contra as Fênix, onde, até agora, ninguém sabem quem venceu. O que ele pode fazer quando a Fênix de fogo pousa atrás de sua mulher, como um verdadeiro Titã.
— Sem você, o que sua mulher é? — Nikytrar provoca. Conheceu Ella. Já foi uma humana. Toda sua atual força veio dos ensinamentos de Dylan. Mas como ela sobreviveria sem seu amado e com filhos?
Até que alcancem a maturidade, é raro um filhote sobreviver sem os pais. Todavia, Dylan acredita em sua companheira. É a Peeira de sua alcateia.
— Diga-me o significado de solysthyca e permito que vocês vivam.
Ela aponta para próximo da floresta onde seus guerreiros lutam com anjos. Mas um ponto específico chama sua atenção. O Alpha mostra agitação.
Ele tenta soltar-se, mas é imobilizado. Ele é feroz, mas não é um Titã. Nevrah pega a garota escondida. Pela idade, deve ser uma dos trigêmeos do Alpha. Estava chorando, nervosa e agitada.
— P-Papai…
Nevrah abaixa-se a altura da garota, de uma forma doce. Ele coloca seus cabelos negros atrás da orelha e limpa suas lágrimas.
— Solysthyca. Conhece esse significado, pequena? — Nevrah fala de forma calma e a menina confirma. Entendia parcialmente o idioma. — Diga-me.
A garota não entendeu a última palavra e encarou o pai. Ele quem traduzia as coisas.
— Traduza. — Nikytrar ordenou. Contudo, Dylan rosnou para a mulher em fúria. Um rugido escapou de sua boca, não apenas para eles, mas para sua mulher.
Seus ossos estalaram-se. Uma nova forma ele começou a assumir e, em resposta, sua filha fez o mesmo.
Contudo, Nevrah suspirou fundo. O ar frio começou a ficar quente. Então, uma explosão aconteceu.
Ella escutou. Parou de correr e olhou para trás apenas para ver a floresta em chamas. Ela ouve os rugidos e sons de seu amado. Estava lutando. Não para ganhar, mas para ela fugir. Tudo já estava perdido, não poderia voltar.
Ele estava se sacrificando.
Por amar ela e seus filhos, ele daria sua vida. Conseguiria tempo para fugir, todavia, Ella estava ferida. Machucou-se na queda. Um grande corte abriu-se em seu bíceps.
Mal conseguia correr, mas tinha que lutar.
Ella conseguia escutar o som da luta, os rugidos de seu companheiro enquanto corria para salvar seu legado.
Mas ela parou. Um novo estrondo foi ouvido e ela não teve forças para continuar. Seu coração apertou-se e uma sensação angustiante tomou conta de seu corpo.
Ela deixou seu bebê no chão e olhou para trás. Estava distante, mas viu o corpo negro do lobo cair do penhasco, ensanguentado. Era Dylan, seu amado. Ela rugiu para ele, desesperada.
Não poderia perdê-lo.
Mas antes de voltar, ela vê Dulce. A mulher pegou a fera e com suas enormes asas lançou vôo aos céus, sumindo na tempestade de raivo.
Ella sentiu medo. Temeu ser a última vez que vê o amor de sua vida e arriscou tudo. Ela uivou.
Ela não importava-se de chamar atenção. Estava destruída. Perdeu um de seus filhotes — talvez dois — mas a ideia de perder Dylan era cruel demais. Ele ama aquele lobo com sua alma e, por isso uivou.
Não houve respostas.
Porém, ela continuou. Tinha que fazer. Não novamente não houve resposta. Não houve som algum.
Mas estava no ar, como em seu coração doía tanto que tornava difícil respirar. Ela estava chorando, produzindo sons de angustiante. Seus filhotes acolheram-se a ela.
E ela continuou a uivar, chamando por ele. Por qualquer resposta.
Nenhuma veio.
É como se o frio daquela madrugada tivesse o engolido. Seu coração estava tão gelado quanto a presença de Dulce e seu coração mais partido do que o gelo. Ninguém respondeu seu chamado.
Nem Samantha. Nem mesmo um filhote perdido.
Ela estava sozinha.
O incêndio estava aproximando-se nenhum som foi ouvido. Nada além do fogo consumindo tudo. E seu uivo doloroso permaneceu no ar;
Eu te amo.
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