C A P Í T U L O 66

     Algo estava aproximando-se.

     Não houve uma hibernação. É necessário uma drástica mudança na temperatura para evitar o sono que aguarda após o acasalamento. O cometa vermelho trouxe o fim da época de paz, iniciando uma guerra.

     Feiticeiros não são conhecidos por descomprir com sua palavra. Eles não ficaram esse tempo todo apenas esperando que lhycans agissem. Eles fizeram algo…

     Algo está aproximando-se. Um evento único aproxima-se e com ele, mais do que a afirmação de guerra. Drogo deve preocupar-se com a grávidez de sua mulher, segurança de suas Lhunas e a possibilidade de uma guerra estourar em um ataque repentino.

     As alcateias de todo o mundo estão posicionando-se, preparando-se e seguindo suas ordens. Ele não irá admitir falhas e, muito menos traições.

     Então o que fazer quando o salão onde está é aberto, revelando uma cópia perfeita de todos os seus Bhettas unidos a um único corpo, com vestimentas negras, armas e pinturas de guerra arrastando uma cabeleira ruiva. Os olhos claros do homem não indicam empatia alguma quando prensa a mulher contra seu corpo. Estava sério e neutro como um homem de autoridade.

     Nem mesmo Fhęnrz faria algo insensato apesar de toda sua… personalidade. Não é ¥'hærōn que permanece sempre objetivo, que irá mudar isso. Então qual a novidade que irá entreter o Supremo desta vez?

Gostaria de escutar algo interessante? — O Bhetta lança a mulher aos pés de seu Alpha. Ela rosna, desafiadora e indireta-se.

     A dominância do homem não permite que ela levante-se. Nhyara permanece no chão, de cabeça abaixada quando Drogo desce a sua altura. Ele percebe um corte na bochecha, alguns machucados em seu pescoço e um escorrer de sangue de seu nariz e o canto da boca. O roxo em seu braço dá-lhe uma boa ideia do ocorrido.

     Neste momento, o Supremo adoraria um brinquedinho para passar o tempo…

     Não havia nada a surpreendê-lo com o que descobriu em relação às atitudes de Nhyara. O homem mal lembra-se a última vez que surpreendeu-se e, mesmo assim, seu olhar não mudou. Nem quando comeu seus próprios filhos. E assim, não mudou aí olhar a ruiva chorosa no chão.

     Ele analisou seus pedidos de perdão, ouviu suas declaração de amor e os supostos motivos. Não conseguia aceitar que Nhycall é a Suprema enquanto ela foi treinada a vida toda por isso. Ela apelou para as torturas, prometeu não fazer nada mais e ser completamente obediente.

     E Drogo apenas fechou quando suas palavras esgotaram-se. Ele relembrou Nhycall em seus braços, chorando. O bebê morrendo em seus braços e sendo devorado por ele. Suas lembranças voltam até a Lua de Sangue, onde teve relações sexuais com a mulher que tomou como dele.

     Malditas bochechas rosadas…

     Como uma mulher pode ser tão linda e quase sem ambições? E aqueles olhos fodidamente bipolares? O Azul varia entre o verde. A própria tonalidade é única. Hora está claro, outra escura. Mas sempre bipolares e inocentes. Tão puros que a Ômega talvez desmaiaria ao saber o que se passa na mente da mortal criatura sem sentimentos com quem divide a cama.

Não diga nada a ninguém até segunda ordem. — Sua voz estava calma. Não havia porquê estressar-se com algo insignificante.

     ¥'hærōn reverência seu Alpha e caminha em direção a porta, saindo sem muitas preocupações. E mais uma vez Nhyara esteve em frente a um demônio impossível de interpretar enquanto o homem que a trouxe dormiria ao lado de sua companheira. Era dia e o Alpha provavelmente estava sem sono.

     Nhyara seria seu atual passa tempo e disso ela tinha certeza…

     Para uma criatura da lua, o dia é seu descanso. Mas para as criaturas do sol, a luz é sua força. Era isso o que muitos seres faziam, em suas atividades.

     Hieróglifos lhupus não são os mais fáceis de decifrar. O idioma é um dos mais complicados existentes e, com isso, a palavra "solysthyca" permanece sem tradução.

     Mas a profecia é clara…

     Ela prevê a chegada de uma fera ao mundo. Uma que jamais existiu ou voltará a existir… um ser cujo poder consumirá tudo em seu caminho.

      Um profetizado poder marcado pelas afirmações:

     "A primeira humana fêmea de um Supremo…"

     "Solysthyca…"

     Isso quase relembra o tempo em que uma guerra fora declarada contra os lhycans quando foi-se exigido que não tivessem contato humano. Esses seres orgulhosos e insaciáveis são o alimento de muitos povos predadores. Não poderia ser exterminado.

      Com isso, uma conferência foi-se feita. Os humanos seriam tratados como animais prontos para o abate. São de fácil reprodução e não seria trabalhoso mantê-los presos. Os demais teriam que morrer. Seria proibido essa raça viver longe dos confins da escravidão e do jantar.

     Mas havia um problema…

     Humanos viviam em toda a parte do mundo. Desde terras isoladas até o território lhycan. E as feras em questão não obedecem ordem de ninguém. Seu próprio costume insinua ao não dar satisfações a quem não as deve.

      A mensagem foi clara…

     Eles não abriram mão de seus humanos, sejam escravos ou não, apenas porque foi-se exigido. Não importa a riqueza oferecida, eles não dariam aquilo que era-se pedido.

     Assim, nos conflitos, os detalhes da profecia foram perdidas para todos, exceto por uma única mente; o Supremo.

     De geração em geração, eles passam o conhecimento para cada primogênito e herdeiro. Se Titã para Titã.

     O mundo sabe o que temer na linhagem Suprema, contudo, nada pode fazer. O conhecimento os mantém no poder, tanto quanto sua força. Alphas Genuínos sabem que surgirá uma fera entre eles, mas não quando.

     E assim, as gerações passaram-se. O legado hereditário do clã nunca perdendo-se e jamais compartilhado, nem mesmo com a companheira. Zhrydä Ådamhs foi a última mulher que sabia o que aconteceria e tal conhecimento morreu com ela.

     Mas agora, só há um homem no mundo que conhece os detalhes do surgimento da criatura mais temida do mundo. Ele pode esclarecer as lacunas na mente de Dulce. Contudo, atitude seria estraçalha-la.

     A mulher não está pronta…

     Precisa de mais tempo…

     No mundo, são poucas as criaturas que conseguem manter uma guerra contra os lobisomens. Mas nenhuma é fácil. As criaturas são uma das mais perigosas do mundo e, a cada guerra, um novo poder renasce.

     Mesmo agora, em aliança com os mestres da magia, há algo que os lhycans não esperam. Contudo, Dulce tem seu dever.

     A cada encontro de uma Fênix do Sol com a Fênix da Lua em seus milênios de renascimento imortal, eles devem cumprir seu dever com a natureza. E assim, somente assim, Dulce poderá ter as resposta que busca.

     Como foi a liderança do temido Titã Supremo Alpha Rhrgøn Ådamhs?!

     Está chegando! Falta pouco…

Como está sentindo-se hoje? — A lhycan abre os olhos e encara seu companheiro. O Alpha sentado ao seu lado, aconchegando-a em seus músculos.

Essa grávidez dói! — A lhycan ainda não conforma-se da quantidade de filhos que carrega em sua barriga e, muito menos, do tempo em que ficará grávida!

     E como de bônus, pela tarde as feras decidiram caçar dentro de seu útero. De fato, são filhos de Dylan!

Logo teremos-os conosco. — O Alpha tranquiliza sua amada ao acariciar o volume. Sua companheira, por outro lado, prefere tentar novamente recuperar seu sono. Os últimos dias não vem sendo fácil. — É hoje…

— Tem certeza?

— É difícil encontrar mulheres honradas. Essas três, em especial, são da mesma família e compartilham semelhanças de opiniões. — O Alpha encara a saída de sua toca, até onde a luz da lua surge para tocar seu oásis naquele lugar escuro. — As filhas não querem casar-se e a mãe repudia o fato de não ter direito algum, principalmente sobre as traições do marido.

     Dylan já havia escolhido as mulheres. Tudo estava planejado para integrá-las ao bando que as vigiava a distância. Uma oportunidade rara como essa não seria desperdiçada.

     Se deseja lutar, seu povo lutará com e por você!

Amanhã é lua cheia… — Ella murmura em seu tom sofrido. As dores que sente com a chegada da lua cheia torna o evento desanimador.

      E os hormônios da grávidez forçam Dylan a aguentar seus dramas e reclamações sofridos com a gestação.

Transformarei-as hoje a noite. Amanhã serão uma de nós. — Afirma, convicto.

     Será que Ella finalmente terá amigas honradas ao seu lado?

     O grito é sai alto. Quase ensurdecedor!

     No mundo lhycan, os homens tendem a ser mais violentos. O peso da sociedade está em seus ombros. Eles nascem com o instinto de lutar, guerrear. O povo é forte devido ao que eles fazem, não por obrigação, mas por gostar.

     Contudo, pior ficam quando perturbam sua paz. Uma mulher lhycan não é fraca. Em questão de força física e submissão, são geralmente inferiores. Contudo, sua alma é única. Geram habilidades que o sexo másculino jamais poderá obter. Elas são as progenitoras da raça e para defender a sua fêmea, um macho pode enfrentar até mesmo o Alpha.

     Há poucas coisas que realmente agrada aquele homem, grande, poderoso e cruel. Drogo Ådamhs não nasceu para ficar na cama trocando palavras gentis com sua companheira. Longe disso! Ele nasceu para o terror.

     Veio do sangue de seu pai. O Supremo é cruel, por natureza. Seus maiores sorrisos são quando desmembra um corpo ou quando é causado dor e agonia. Ele busca por isso. Muitos consideram algo doentio, contudo, para uma espécie de predadores racionais tais atos são normais e altamente valorizados.

     Drogo gosta de derramar o sangue de Nhyara, como tem feito a tarde inteira. Seus socos e chutes são leves, mas quebram seus ossos. O homem não é um ser delicado e, muito menos de gentileza. Ele é um Titã! O Supremo Alpha!

     Nhycall está com ele sabendo o que ele é e com isso sabe que não deve esperar gentilezas. Prêmios, mimos e agrados, talvez. Ela ainda é sua companheira. Contudo, Drogo simpatiza mais ao cravar suas garras negras na vagina de Nhyara, adestrando-a com a mão mais uma vez. A dor é ensurdecedor para a lhycan que torna a perder a consciência.

     É assim que ele é!

     Não apenas um Alpha. Não apenas um líder de um povo. Mas o Titã Alpha de um povo predador, dominante da noite.

     Seu título não diz como ele deve ser. Fhęnrz muitas vezes até como um adolescente debochado do que como um Bhetta. Arthur, um dos mais ferozes não consegue ser bruto com sua companheira. Rômulo, uma das mentes mais geniais da alcateia perde completamente a compostura com sua companheira, quase tanto quanto ¥'hærōn. Contudo, todos são Bhettas. Um lhycan dificilmente é ditado pelo que espera-se. Ele é baseado em sua natureza única.

     Fhęnrz poderia facilmente ser comparado a um doente quando tortura. Seus sorrisos e olhar mostram a fera que é. ¥'hærōn sente a excitação da perseguição. Ele planta o terror na mente de seus adversários, confunde-os com sua agilidade e velocidade. Arthur chega a ser demoníaco; Poderoso, feroz, e perigoso, ele faz a arte de matar seu sua principal satisfação. E Rômulo… Grande gênio manipulador! Um jogador que destrói sua mente, torna-o paranóico e até mesmo retardado.

     Se fosse Rômulo a torturar Nhyara, a lhycan sairia traumatizada e a beira da insanidade mental.

     Mas todos eles tem seus momentos com sua amadas. Exceto o Supremo.

     Nenhum lhycan esconde sua verdadeira face de suas companheiras. Henna sabe dos jogos mentais de Rômulo e Nhshley sabe o quão traiçoeiro Fhęnrz pode ser. Da mesma forma, Nhycall deve saber que tem um Titã ao seu lado.

     Drogo não é um homem de mentir ou voltar a trás com sua promessa. Ele não esconde sua crueldade e se Nhycall ama-o mesmo assim, que assim seja. Ele tem poder para dar a ela tudo que desejar, contudo, sua mulher sabe que não deve exigir do homem aquilo que ele não é.

     E mesmo Nhyara não parece entender o perigo que é ter alguém como ele presente.

    Então o Titã, em seu tédio ao usufruir das dores de Nhyara fez o que marcaria a mulher de uma forma que ela jamais esquecerá. Ele a acordou com a ardência consumidora do fogo em sua pele.

     A lhycan acordou aos gritos, pediu clemência e só assim ele parou. Seu pulso estava vermelho, em carne viva. A mulher chorava com a ardência em seu rosto. Drogo arrancou os cílios de seus olhos com as garras…

     E não foi a pior das torturas. Drogo soltou uma das mãos de Nhyara levou-a em direção ao seu rosto. O cheiro de carne queimada enjôo a mulher.

Coma. — A lhycan arregalou os olhos, pasma.

     Ele estava ordenando para ela comer a própria carne. Atordoada, ela pediu clemência e negava. Mas o Alpha foi clara:

Coma ou eu irei comer. — Nhyara sabia que ele não seria delicado. Provavelmente arrancaria seu braço no processo. — Deixo-a recolher os lixos na merda que meu corpo não utilizar.

     Nhycall cometia o auto canibalismo a cada toque e, com isso, quase perdeu toda a ninhada em seu ventre. Todavia, agora seu companheiro obrigou Nhyara a cometer o auto canibalismo. Sua única comida passaria a ser a si mesma. E os machucados seria cicatrizado com ferro fervido.

     E assim deverá ficar até que Nhycall despertasse…

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