C A P Í T U L O 06

     Havia sangue no chão, nas árvores e principalmente na raiz de certas árvore. Havia também tecidos rasgados e sujos ao longo da terra na floresta. O cheiro no local era terrível. Era óbvio que alguma mulher, provavelmente camponesa, havia sido atacada próximo àquele local.

      Os guardas, tampando seus narizes devido ao odor agudo de carne podre, continuam a investigar. Eles encontram uma mancha de sangue com o formato de uma mão no tronco de uma árvore caída. Eles se aproximam para checar, exitante. Todavia, nenhum recua nem mesmo quando vê o corpo aberto e destroçado da jovem atrás do tronco. 

— Céus! — O guardar vira seu rosto.

     É nojento! A carne pálida e sem cor da mulher caída com sua boca e olhos entreabertos. Sua roupa estava rasgada, assim como sua barriga. Havia manchas do sangue que já havia coagulado, mas seus órgãos internos arrancados para fora e os vermes ao redor de seus ossos da costela davam ânsia nos homens.

— Conseguem identificar-la? — Pergunta o líder. Como não há resposta, ele aponta para o mais jovem do grupo que não deve ter mais de 20 anos. — Você! Vai.

— Eu? — O rapaz arregala os olhos com a possibilidade de chegar ainda mais perto. Sente que pode vomitar a qualquer instante.

— Está com medo? — O soldado engole em seco e tenta passar confiança.

— N-Não!

     Com uma careta de desgosto, ele aproxima-se do cadáver, tentando, de alguma forma, identificar-lo. Com uma vareta, ele cutuca o rosto da mulher ao notar algo peculiar próximo a sua face.

— Vamos logo! Ela está morta e não vai te agarrar! — Diz seu colega, abafando o ar com sua mão.

     O rapaz ignora e, utilizando a vareta, vira o rosto, deparando-se com uma gigantesca mordida na curva de seu pescoço. É tão profunda que parece que um pedaço de carne havia sido extraído em uma única bocada que, a julgar pelo tamanho, foi feito por uma fera. Uma assustadora fera!

      O rapaz conseguia ver perfeitamente seus olhos do pescoço e os vermes grudado nos músculos. Era em quantidade maior do que os vistos em sua barriga aberta. O cheiro podre apenas aumentou quando o corpo foi mexido e aquela cena foi demais para ele. O soldadinho vira seu rosto e vomita próximo a bota de seu colega.

— Filho da puta! — Xinga o guarda ao afastar-se do vômito e da boca de seu colega. Apoiando-se em uma árvore, ele checa se sua bota foi suja.

— Já chega! — Interfere o líder e olha para o rapaz recompondo-se do vômito. — Pegue-a. Vamos levar conosco.

     O rapaz olha assustado para seu líder, limpando a boca.

— Pensando melhor… — Ele olha para outro homem.

     O calor daquela manhã era grande. A loba havia abrigado-se uma pequena formação rochosa. Mesmo com suas patas feridas, havia cavado a uma profundidade em que, pelo menos, fosse fresco. E ali permaneceu até o entardecer fresco para sair. Mas tudo naquele lugar era estranho e diferente. Ela não sabia como voltar e não havia mais nada rochoso para esconder-se. E se tivesse, provavelmente teria sido engolido pela areia.

     Mais do que nunca, ela está desidratada. Sua boca sente a necessidade de umidade. Ela alucina com água e carne, mas sempre acaba abocanhando a areia daquele inferno. Arya não tinha mais forças para seguir.

     Ela pressentia que não iria sobreviver mais um dia naquele lugar…

     Mas lutaria…

     E assim ela perseguiu. Uma loba branqueada, vagando em passos lentos e cansados sobre os picos de montanhas do deserto. A areia varria suas pegadas e o vento quente levava seu cheiro a quilômetros. Mas ela não tinha onde esconder-se por mais que desejasse. Aos poucos, ela arrependia-se de não permitir ser pega pelas alcateias…

     Eles a manteriam viva… Teria água e comida. Teria carne… Ao menos um osso ela poderia ter…

     Mas naquele deserto não há nada! Apenas um calor infernal que a enfraquece dia após dia…

     Quanto mais ela anda, mais necessidade de água ela sente. Suas patas ainda doem, sua cabeça dói com o calor, sua garganta rasga com a pouca saliva, seu ombro dói — consequência do lobo que avançou contra ela — assim como suas costas que queimam.

     Ela chia quando cambaleia devido ao seus cansaço, mas não para de andar por horas. O calor é infernal. Logo, esperançosa, ela volta a forma humana, estalando com dificuldades seus ossos e caindo nua na areia quente.

     Ela está nua sem suas roupas, mas sente um certo alívio sem sua pelagem apropriada para inverno. A jovem que deve aparentar estar em seus 20 ou 22 anos, mesmo tendo exatos 44 anos, 6 mêses e 2 dias estranha sua forma humana. Com seus esverdeados olhos ela olha para sua barriga, intimidade e coxa.

     Sua pele é de cor branca e sua pele é tão macia sem haver nenhum pelo — mesmo estando a tempos sem cuidar-se — ela tem certeza que muitos duvidaram do tempo em que permanece sozinha, faminta e desesperada atrás de abrigo enquanto foge de outros de sua raça tal como a vida que levava.

     Aquele ser de joelho na areia, respirando em busca de ar fresco, mesmo cansada era deslumbrante. Arya é linda. Ela nota seus cabelos maiores e seus seios menores e mais secos. Os ossos de sua costela marca sua carne tal como sua espinha.

     Sua mão ainda está ferida e dói. Embora tenha recebido tratamento com a flecha acertada quando foi capturada, ela sabe que há algo dentro de sua carne. A ponta da flecha havia quebrando com o contato de seu osso. A extração da flecha fez o metal separar-se e permanecer preso entre os músculos da carne.

     E agora, em sua forma humana, vendo sua as costas de mão branca arroxeada e com veias, ela tem certeza que ainda há fragmentos de metal dentro da carne. Ela toca a superfície que arde e sente o metal. Voltar a sua forma humana pode não ter sido a melhor da ideias. A dor em sua, agora mão, voltou tão forte quanto antes.

     Então ela olha ao céu azul. Ela acreditava que não havia umidade suficiente para que saiam lágrimas de seus olhos, mas saem. Sua garganta seca, rasga com a vontade de chorar. Mesmo sabendo que suas forças acabarão com esse ato impulsivo para quem deseja sobreviver, ela chora.

     Seu coração aperta-se tão forte quanto sua garganta e sua mão arde e dói. Ela abre a boca querendo de alguma forma conter a dor que sente em seu corpo e alma, mas não consegue.

  T'chaar avroo hoort d'har tarō

     Essas palavras vem em sua mente e ela fecha os olhos, encolhendo-se e tentando continuar, mas não consegue. O vento bate contra suas lágrimas causando um certo frio bem que a faz sorrir. Espera que a deusa protetora de seu povo tenha ouvido seu chamado.

     A-A…

     Ela tenta lembrar-se o da deusa, porém não consegue. A dor não permite e logo Arya deita na areia, sem mais nenhuma força, com sua mente em sua crença.

     E assim, quando ela fecha os olhos, não arrepende-se de nada exceto de não ter fugido antes. Antes ela amaldiçoava-se e agora ela chegou a conclusão de que uma vida de apenas algumas semanas de liberdade é melhor do que anos de servidão.

     Ela não tinha forças para sorrir, mas estava em paz quando perdeu seu raciocínio…

     Naquele mundo, cruel e injusto havia cresças sobre deuses. Muitos os renegava para seguir um único Deus e outros, não fazia idéia de sua existência. Mas os lhycans, também conhecidos como lobisomens, tinham os seus deuses. A principal, era conhecida por ter sua força baseada no lua. A deusa da lua.

      Acredita-se que ela não apenas favorece e dá força aos lobisomens, mas também os guia. Dizem que os lhycans são sensíveis a espiritualidade assim como ao ambiente em que vivem. Eles sentem a menor mudança no ar, mesmo que isso não os afetem. Talvez sua espiritualidade seja mais intensa do que os próprios senhores da magia, conhecido como feiticeiros.

     Ambos são raças distintas, com deuses diferentes, todavia próximos. Enquanto lhycans acreditam na deusa com a força baseada na lua, os feiticeiros acreditam na deusa com a força baseada no sol. Sua força aumenta durante o dia e eles iniciam suas atividades sobre ordem de seus superiores.

     Debaixo do sol quente, sentindo a pressão solar do deserto ao norte do continente, bem no início, um grupo de bruxos liderados por um feiticeiro analisa o local. Sabem que houve a presença de lhycans naquele local em específico. Sob ordens superiores ele estava encarregado de observar a raça licantrópica, mas assim como muitos, não entendia o por quê lobisomens, criaturas noturnas que detestam calor excessivo devido a temperatura de seu corpo sequer chegaria próximo de um deserto como o Saara.

     Embora seja certo que há uma alcatéia poderosa naquele território, lhycans odeiam o deserto e tende a evitá-lo. Porém seu cheiro enfraquece com o calor e o ar seco junto das contínuas tempestade de areia leva seu odor para longe e amplia seu território. Mesmo com o Alpha remarcando-o constantemente, muitos lhycans não sentem seu cheiro e acabam adentrando o perigoso território.

      Mas o grupo que esteve naquela região pertence a alcatéias que sabem sobre a existência de uma alcatéia Genuína. Então por que viriam a fronteira? O que os trouxe até tal área?

     Mesmo que atravessassem a fronteira, o deserto os mataria em menos de três dias. Embora o luar os fortaleça, sentir o sol de maneira tão intensa e exposta, os enfraqueceria. Isso, se a alcatéia residente não os capturassem antes, já que mantém vigilância continua e nada sobre suas terras passa batido por eles.

     Mas tudo ainda estava confuso. O que porra lhycans estavam fazendo ali? Ainda mais duas alcatéias diferentes com histórico de conflito. Algo estava acontecendo e ele não encontrava sentido. Ninguém encontrava sentido. Apenas eles sabiam de si.

     Ou deveria…

     Mal sabia o feiticeiro que a própria soberania estava confusa. Henna, a Lhuna da alcatéia, estava acordada naquele momento, em pleno ápice do dia.

     Rômulo, seu amado dormia ao seu lado completamente nú e ela o observava. Ele mal fazia ideia de que Henna preferia observá-lo detalhadamente e fantasiar com tal visão que sempre a acalmava. A fêmea é tão calma e serena que Rômulo mal nota seus olhos parados sobre si.

      Mesmo em sono profundo, lhycans geralmente sempre notam na menor movimentação ao seu redor, principalmente quando vêm suas fêmeas. Mas Rômulo dificilmente acordava com maus sonos de sua fêmea e isso sempre o irritava.

     Desta vez não é diferente. Ele estava sereno, deitado com sua nuca pousado em uma de suas mãos com Henna deitada sobre seu peito, também nua. Ela remexe-se e vira, ficando de costas para ele. Rômulo também se remexe e a abraça, ficando de conchinha com sua loba. Porém, desta vez, Henna não consegue esconder sua insônia e Rômulo dá indícios de despertar.

     Mas o Lhycan só abre seus olhos quando Henna retorce-se na cama, gemendo de dor e levando sua mão a cabeça.

Pela lua! Henna! — Ele a vira para ela, tentando entender o que aconteceu, mas os olhos fechados de sua amada o deixa desesperado.

R-Rômulo! — Ela chama por ele e abre os olhos revelando os de sua loba. Hanna desmaia quando os olhos de seu companheiro acende-se refletindo os de sua fera interior.

     Algo havia acontecido…

     Está pálido e suando. Sua pele estava seca e seu corpo tinha leves tremedeiras. A ferida na curva de seu pescoço estava infecciosa. Havia dois dias que a humana estava assim e Dylan permanecia neutro, observando suas reações físicas em pé ao lado da cama, vez ou outra sentando.

     Há apenas dois modos de converter um humano a um lhycan. Ella estava passando pelo mais complicado e difícil onde a maioria morre caso seu corpo rejeite a transição e tudo indica que irá rejeitar.

     Totalmente impassível, ele analisa seu rosto e o declínio de sua beleza. Ele caminha até próximo da janela e analisa beleza do horizonte florestado. Ele odeia ficar naquele lugar e ao menos espera que o corpo de Ella aceite a mudança.

     Ao seu lado, no móvel, ele pega uma taça e enche de água. Como um gesto natural, ele cheira a água antes de beber alguns poucos goles e sorri.

— Bem vinda a vida. — Dylan então olha para Ella que começa a abrir lentamente os olhos e mexer-se na cama.

— O-O-Onde… — a voz da jovem estava rouca. Ela leva sua mão até seu pescoço e Dylan deduz ser sede. Ele lembra de seus gritos naquela noite e sorri.

     Ao servir-se de mais água, como um cavalheiro, ele leva a taça até a humana, sentando-se na cama e oferecendo. Ella, sentindo-se incomodada fisicamente e desnorteada levanta-se e, com ajuda de Dylan, bebe o líquido da taça. Dylan repara no desespero por água apesar da dificuldade.

     Ella para de beber quando uma aguda dor instala-se sobre seu ombro e a faz gemer de dor. Ela leva sua mão até o local, encontrando um pano umedecido. Mas o contato de seu dedo com a pele oleosa, arroxeada e inflamada da mordida não escondida pelo pano desperta lembranças.

     Rosnados…

     Gritos…

     Rugidos…

     A fera negra…

     O olhar assassino e… o ataque…

     Ela lembra-se daqueles dentes afiados e enormes vindo em sua direção…

     Com puro instinto, Ella olha para Dylan. Ela revive a lembrança de seu… amigo contorcendo-se, estalando seus olhos e do lobo amarelado. Dylan não esconde seu sorriso malicioso e a jovem completamente assustada, ela tenta afasta-se. Ele não permite. Ele a segura pelo braço.

— O que foi? — Dylan olha para seus ferimentos na curva do pescoço. Estava ficando cada vez mais escuro e pequenas espumas era vista no local. Ele sorri.

     Ella estava com o coração acelerado e com a respiração forte. Ela agita-se ao ver o olhar negro alaranjado do homem. Um olhar laranja vivo, quase florescente, mas rodeados de raios negros por toda íris. Exatamente como os do lobo…

     Ella grita ao reviver aquele momento de pavor e debate-se. Dylan rosna, exatamente como uma fera e avança sobre Ella, tampando sua boca ao subir em cima da mesma, prensando-a na cama. Ella fica apavorada.

— Se eu estivesse em vosso lugar, a última coisa que faria seria gritar… — Ele sussurra próximo ao seu rosto com suas face dura e rígida. Ella, com os olhos umedecidos pelas lágrimas, assente, fazendo Dylan destampar sua boca.

     Ella treme de medo ao permanecer em baixo do homem. Ela não tem reação e fica imóvel sobre o olhar assassino daquele… ser. Ela fica nervosa quando ele vira seu rosto e aproxima da curva do seu pescoço, cheirando sua ferida.

     Ela geme de dor quando ele destampa o local e sente vontade de gritar quando a língua quente do homem passa, sentindo o gosto metálico. Mas ela não grita. Ela treme e chora de medo. Desesperada ela tenta afastar-se e ele nada faz contra isso.

— Com medo de mim? — Dylan volta a olhar em seu olhos. Ele leva sua mão até seu rosto, mas ela afasta-o, todavia, o olhar reprovador só homem a deixa imóvel.

     Ele limpa sua lágrimas com o polegar, sem importa-se de mais saírem de seus olhos principalmente quando suas unhas crescem, formando garras pretas e pontiagudas perto de seus olhos.

— O-O q-que…

— Shhh… — Ele pausa seu indicador sobre seus beiços, querendo silêncio. — Não a matei naquela noite por uma razão. Mas posso terminar o serviço se não fizer o que mando.

     Dylan retira seu indicador de seus lábios e segura o queixo da jovem antes de aproximar seu rosto dá assustada e amedrontada face de Ella. Está tão próximo que quase chega a beijá-la e isso a assusta. Há puro favor em seus olhos 

 — Obedecerá-me? — Com medo, apavorada e ofegante, Ella assente em meio a suas tremedeiras despertando um sorriso em leve sorriso satisfatório nos lábios de Dylan.

  Talvez a vida da humana esteja apenas começando

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