C A P Í T U L O 02

     Não auge da noite, a lua brilha mais intensamente. Parece maior. Mais grandiosa. Parece protetora. Os lobisomens em sua forma completa de um lobo sentem sua força aumentar mais do que o comum nesta lua cheia.

     A bela e linda Ômega, cada vez mais assustada e amedrontada, quando olha para o céu, em direção a lua, sente a energia que emana. Sentindo-se mais segura, em sua forma de loba, tenta seguir seu caminho exitante. O brilho da lua ilumina seu caminho, porém, provavelmente ilumina o caminho dos rastreadores de sua alcatéia.

     A mesma luz que dá força para a medrosa loba — totalmente alheia aos perigos — seguir em frente sentindo, mais do que nunca, a necessidade de ser protegida, é a mesma luz que acalma o ser ao topo do precipício em cima da alcatéia Eclipse Branco. Ele pode sentir a brisa gelada mais forte e a calma da luz da lua.

      Os músculos definidos de seu peitoral nu, expõem as pinturas com tinta preta. Suas armas e vestimentas nobres dá-lhe um ar temido. Sua compostura rígida, carregada de masculinidade, dominância de poder, entrega sua característica como Alpha. Mas não o Alpha da Alcatéia Eclipse Branco, pois o mesmo encontra-se conversando com sua primogênita.

     É um Alpha, mas que não pensa em sua alcatéia. Pensa em sua companheira. Sua aparência. Pergunta-se a cor de seus olhos. Serão claros ou escuros? E o exato tom de sua pele? Branca como a neve? Parda? Ou negra como a noite iluminada apenas pela lua?

     Seu gosto para fêmeas é rígido. Para os lobisomens considerados da nobreza, todas as fêmeas corresponde suas expectativas desde o nascimento. Os predestinados companheiro são feitos um para o outro e o lobo que, calmante sente a brisa da noite, não sente o laço com sua amada, mesmo vindo da Supremacia. Acredita ser amaldiçoado.

     Nesse momento, deseja sentir o corpo de uma fêmea em seu corpo, protegendo-a do mundo e confortando-a em seus músculos na mesma intensidade que Arya, a quilômetros de distância anseia em ter paz, descansar, ser amada e protegida sem ser julgada. Mas não acredita em um predestinado companheiro e muito menos em um companheiro. Ela sabe que está sozinha apenas por ser uma Ômega. Já o lobisomem, acredita que sua amada seja a primogênita do Alpha Genuíno da Alcatéia Eclipse Branco.

     Ambos não tem um predestinado companheiro. Ele é da linhagem Suprema, primogênito legítimo de um Supremo Alpha com uma Suprema Peeira vindo do mesmo clã. E ela, a primogênita legítima de um Alpha Genuíno com uma Poeira Genuína, gerada em um cio após aborto na noite do Cometa de Sangue. Não duvida que ambos fazem parte da profecia.

     Mas uma palavra em particular chamou sua atenção; solysthica

Desculpe a demora, meu Supremo. — Uma angelical e calma voz, pronuncia atrás de si, atraindo sua atenção.

     Os cabelos ruivos são o que mais chama a atenção do lobisomem. Os olhos verdes em contraste com a pele e cabelo mostram sedução e determinação. A fêmea, com suas curvas e o seu ar angelical corresponde o gosto do Alpha, que não tarda a ficar atraído por ela.

     Tudo nela parece perfeito. Seu olhar, sua confiança, sua beleza, sedução e harmonia. Apenas algo incomoda o Alpha; Sua altura pode ser considerada baixa.

Chamo-me Nhyara. É um prazer conhecê-lo. — Reverência-o com graça.

     A luz da lua cheia. É a ocasião perfeita para uma caça. A luz fortalece os lobisomens, mas enfraquece outras criaturas que, ansiosamente aguardam o surgimento do sol.

     Mas para outras criaturas, a noite de lua cheia poderia durar por tanto tempo ao ponto do sol retornar apenas quando as plantas sentir sua necessidade. Criaturas incomuns vagam pela noite oferecendo perigo às qualquer animal ou homem desavisado de que a região está para tornar-se mais selvagem.

     A humana elegantemente quieta sobre a varanda do palácio, observando a lua, tão majestosa e grande, não repara no perigo que a mesma aparenta. Muito menos percebe o perigo atrás de si, antes do mesmo comprimenta-la.

      O susto é eminente na jovem que recua, mas rapidamente recupera sua compostura e reverência o lorde. Nenhum detalhe da bela jovem, próxima aos seus 15 anos passa despercebido aos olhos negros do ser que apenas aparenta ser humano. Os cabelos ondulados castanho, a pele branca e os olhos cor de amêndoa. Seus olhos não deixam de reparar em seus seios começando a ter volume entre o decote visível quando ela inclina seu corpo. Mas o que chama mais sua atenção, é sua delicada boca.

      O cheiro de mulher virgem apenas o atrai. Ela é fértil e frágil. É uma bela humana cujo corpo ele experimentará, hoje

— Assustei-lhe? — A voz grossa e fria do grande homem causa-lhe arrepios. É um tom grave, rouca e com um leve sotaque, entretanto, uma excelente pronúncia.

     Ela acreditava que seu povo não falava a língua comum. Durante a dança que ela havia participado para ele, uma mulher traduzia o que era falado. Mas ao escutar, agora, sua intimidade voz pronunciar seu idioma, Ella tem certeza que não era necessário que alguém traduzisse a conversa.

— S-Sim, milorde.

— Deveria estar no salão. — Desta vez, ela repara mais aprofundadamente no tom de sua voz. Parece não haver emoção. Isso causa-lhe arrepios…

— Desculpe. Precisava de um pouco de ar…

      Ele ignora suas palavras. Na verdade, ela está separada de todos é perfeito para ele que não irá desperdiçar uma oportunidade como esta. Ele respira fundo, sentindo o cheiro local. Alguns de seus lobos estão perto e ele, definitivamente, encurralou sua presa. Não há como essa dançarina fugir.

     Ella, por outro lado, tenta de alguma forma aliviar o desconforto que sente ao estar na presença do nobre guerreiro. Suas vestes são um tanto peculiares e ela não deixa de reparar em seu exposto abdômen nu. As marcas presente na pele firme e robusta.

     Parece uma pintura feita a algum tipo em especial de tinta. Ela baseia-se em traços firmes que terminam em curvas definidas passando e contornando seus músculos, até na costela.

— Acredito que nunca havia visto desenhos como esses antes. — A voz repentina do lorde faz com que suas bochechas ficam vermelhas. Ela logo disfarça e tenta rapidamente desculpar-se por tal ousadia, mas o lorde a corta com um rosnado semelhante ao de um animal.

     O submisso silêncio de Ella permite escutá-lo mexendo no cabo de sua faca, presa ao cinto na de couro negro em sua cintura. Ela só atreve-se a olhá-lo quando ele toca em seu queixo e a faz olhar na escuridão de seus olhos.

     Ella sente-se encurralada por uma fera apenas por olhá-lo. E o pior… ela sente que não pode fugir.

— Devo entregar-lhe por olhar-me desta forma? — Ella pode sentir sua barriga gelar e suas pernas ficarem bambas. Está claramente com medo caso ele decida entregar essa atitude a seu pai, que claramente iria puni-la.

     O desespero a toma e antes que ela tivesse chance de processar toda a situação, ela o implora para que não faça tal ato. O nobre a encara, um tanto orgulhoso. Ele pretende usar isso ao seu favor. As leis humanas que geralmente reprimem o sexo feminino pode vir a ser útil. Mulheres não podem ter desejo exceto por seu marido e a forma como ela o olhou pode ser vista como uma atitude de desejo oculto. Por que não chantageá-la com suas consideradas ridículas leis humanas ao seu favor?

     Ele faria isso, mas a próxima atitude de Ella o surpreende. Seu corpo torna-se rígido e seu olhar determinado.

— Se irá fazer isso milorde, por favor, faça logo. — Ele realmente não esperava por esta determinação vinda de uma… humana. Ele a analisa.

      Sua compostura, firmeza e seu determinado olhar indicam confiança. Ela tem medo, isso é óbvio, mas o enfrenta. Ela errou, sabe disto e não pretende fugir da punição. Na verdade, quanto mais cedo for punida, mais cedo sua humilhação passará.

— Não irei dizer nada. — Ele solta seu queixo. Seu povo tem suas próprias tradições e costumes. É algo ao qual sempre orgulham de ter é honra com quem merece.

     Ele a teria mesmo que a força se ela continuasse a implorar. Implorar por perdão apenas por encarar os desenhos do abdômen de um homem? Ele sabe que foram as marcas a principal razão do seu olhar, mas falar que foi desejo teria consequências para ela. Mas sua determinação… Ele não fará nada a ela, ao menos por enquanto.

     Parece que, mesmo com as amarras da sociedade, ainda há humanas com espíritos livres sem um predestinado companheiro. Seu instinto contra espíritos corajosos, determinados e livres é oposto ao desejo que desejava a pouco.

     Curioso, o lorde passa a analisá-la mais profundamente e pergunta o motivo de estar justamente aqui, em uma varanda distante e escondida da festa no salão. Novamente a resposta o surpreendeu:

— Gosto de observar a floresta, milorde…

— Por quê?

— Perdão milorde. Mas não sei como explicar. — Sentindo-se envergonhada, Ella encolhe-se. O nobre homem provavelmente acharia-a ainda mais patética, como muitos outros.

     Mal sabe ela que é justamente isso que o impede de desonrá-la; sua pureza, sua naturalidade e o desejo oculto que ela mesmo não faz ideia de sua existência. Ella é peculiar e o nobre homem encontra-se curioso sobre ela.

— Perdão novamente milorde. Estou tomando vosso tempo. — Ela reverencia-o. — O rei não irá gostar disto.

— Seu rei não manda em mim. — Ele aproxima-se de forma intimidadora do frágil corpo da mulher que facilmente intimida-se e abaixa a cabeça. — Eu decido quem toma ou deixa de tomar meu tempo.

— Perdão milorde, eu não quis ofendê-lo…

     O homem não diz mais nada. Ele apenas revira os olhos e a deixa sozinha. A submissão da humana estava começando a incomodá-lo e seria melhor deixá-la antes que ele perca a paciência e destrua a pureza e inocência que ela parece ter.

      Ella por outro lado, sente-se envergonhada e completamente confusa. Decide ficar e tomar ainda mais ar para digerir os acontecimentos que repetem em sua mente como um teatro. Ela ri de si mesma e, quando olha para lua conforme o tempo passa, o frio parece tornar-se cada vez mais presente. Quando ela entra a contragosto, juntando-se a comemoração, percebe que o lorde ao qual dialogava a um tempo, escolheu uma noiva. A mais nova das princesas…

      Mesmo com o noivado, estando diante de sua futura esposa, a mais bela entre as moças, Ella sentia o olhar do lorde sobre si e tudo que fazia. Isso, de alguma forma a incomoda. Ela pode sentir um mistério em torno dele e tem certeza que sua maldita curiosa junto da necessidade de saber saber o que é não acabará bem para ela.

  Oh vida!

     A madrugada passou rápido, o frio e a intensa lua cheia marcava a chegada da Lua de Sangue que só foi sentido pelo Supremo ao amanhecer. Sendo o mais respeitado ao permanecer a autoridade máxima dos lobos, ele é responsável pela proteção de sua raça. É sempre o primeiro a sentir as mudanças e sempre será até que encontre sua companheira.

     E Nhyara, a filha do Alpha, não é ela. A ruiva é sedutora, linda, delicada, calma e muito esperta. Contém as características exatas para liderar uma alcatéia ao lado de um Alpha, mas não é a fêmea que ele busca. É preciso mais que habilidades. É preciso da harmonia que só pode ser adquirido através da cumplicidade e confiança de sua companheira.

      Ele gostaria de tê-la encontrado, mas não há mais tempo para esperar. Ele precisa de uma fêmea e se sua fêmea não aparecer antes da Lua de Sangue, ele não terá muitas opções exceto apresentar outra em seu lugar.

     Isso o desagrada. O faz rosnar de frustração. É quando ele retira-se para a floresta, buscando sua paz. De alguma forma ele sente-se incomodado. É como se algo estivesse passando abatido ou… fugido dele.

     Ele olha para a lua que aos poucos vai desaparecendo no céu que ilumina-se com o amanhecer. Ele busca respostas em seu inconsciente, mas a tentativa é frustrante quando nem se sabe o que procura.

     Uma calma caminhada entre a vegetação o deixa refletir, repensar e mergulhar em sua mente. Mas como uma fera que sempre está atento, ele repara em rastros incomuns no chão e abaixa-se para ver.

     São pegadas em forma humana, pequena e leve. Alguma fêmea correu por esse lado. Isso não deveria ser importante, exceto pelo cheiro que o atiça. É fraco, coberto por outros cheiros e pela unidade da manhã, mas ele sente.

      É um doce azedo atrativo. Logo ele persegue os rastros, encontrando muitos outros pelo caminho. De imediato ele nota a clara diferença entre as pegadas de uma humana e as de lobos. Porém, a leveza para pegadas de tal tamanho, a precisão e a forma cautelosa mesmo em uma óbvia corrida indica que são caçadores.

     Os caçadores da alcatéia estão atrás de uma fêmea com cheiro extremamente forte e atraente, descuidada e assustada. Sua dedução o leva a lembrar-se da Ômega ao qual seu Beta veio atrás. Está fêmea provavelmente estará perdida em uma alcatéia.

      Aqui, pelo menos tinha segurança e alimento. Fora do território, sem conhecimento, seguindo apenas seu instinto assustado, estará perdida.

     Uma mulher como ela será cassada em qualquer reino que apareça. Será chamada de demônio por humanos e sentenciada a morte. Se não saber onde for, poderá invadir o território de uma outra alcatéia, sendo possuída como um troféu após diversos estupros coletivos. Isso, considerando que ela tenha o bom senso de evitar entrar em território de outras criaturas que a iria esquarteja-la viva apenas por diversão.

     Isso, prevendo apenas o mais otimista de seu provável futuro. O mundo não costuma ser piedoso e o Supremo tinha certeza que a Ômega ao qual estava rastreando viveria os piores dia de sua vida, otimizando que ela consiga sobreviver por mais de duas semanas sozinha.

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