🌊 CAP 15 🌊

Passei a semana inteira estudando com o Vinnie, e a semana inteira ele fazia meio expediente só para me ajudar e isso estava me matando por dentro. Eu estava me sentindo culpada por estar fazendo ele trabalhar meio turno só para me ajudar.

Sei o quanto aquele skate ridículo importa para ele e estou começando a ficar irritada comigo mesma por estar me preocupando com o Vincent.

Já agora no sábado, decidimos estudar na oficina mesmo. Como eu faria a prova hoje a tarde, eu estava só fazendo alguns exercícios. Consegui pegar o conteúdo de uma forma boa, porém a minha preocupação é o resultado daquele teste.
Meu professor faria questão de ligar diretamente para a minha mãe e avisar que o resultado foi horrível. De novo.

- Já chega disso aqui. - digo colocando o livro longe de mim. - Eu vou explodir com tanto número dentro da minha cabeça.

- E você acha que na sua prova vai ter desenhos? - debocha o Vinnie, me fazendo dar um soquinho em seu braço.

- E você não está ajudando falando isso. - retruco. - Preciso respira, você da conta disso?

- O mar é todo seu, loirinha. - sorri, dando uma piscadinha.

- A oficina é toda sua, cachinhos. - devolvo com um sorriso, o vendo desmanchar o dele na mesma hora.

- Para de me chamar assim. - retruca.

- Então para de me chamar de loirinha, é ridículo e irritante. - digo com firmeza.

- Não vou parar. - diz sorrindo de lado, se sentando no banco e cruzando os braços.

- Então para de encher o saco, eu também não vou parar, imbecil.

Passei por ele e sai logo da oficina. Eu já estava estressada com a prova e o Vincent só contribuía para isso piorar ainda mais.

Peguei a minha prancha na garagem e tirei a roupa que eu vestia por cima do biquíni e fui logo para o mar. Dessa vez eu iria surfar sem o Reggie. Era impossível esperar por ele agora.

A água logo cobriu a minha cintura, apoiei as mãos na prancha e mergulhei o meu corpo, voltando a superfície e deitando a cabeça para trás. Respirei fundo, soltando todo ar que estava preso a semanas dentro de mim, uma sensação de alívio foi aos poucos tomando o meu corpo.

Subi na minha prancha e deitei, remando com os braços para a parte mas funda. Coloquei o braço encostado na testa, bloqueando o sol nos meus olhos e notei uma onda se formando, ela era perfeita.

Virei de costas com a prancha e quando a onda se aproximou de mim, levantei o meu corpo de forma calma, eu não queria perder o equilíbrio logo de primeira.
Pressionei os meus pés e sorri quando a onda ganhou mais velocidade, me ajudando a derrapar sobre ela e logo no final bater em sua crista.

Deitei de barriga pra cima e deixei os meus braços caídos dentro da água, a mesma que subia sobre a prancha e molhava as minhas costas.

Fiquei pensando em como as coisas mudaram, em como eu perdi o controle de alguma coisas como a escola e isso está me custando caro demais agora.

Sem falar no que está acontecendo dentro daquela oficina, para mim já era difícil conviver com o Vinnie dentro da escola ou em algum lugar que estivesse junto com o Reggie. Mas agora é diferente, ele também está na oficina do meu vô. Ele está por todo lugar.

E por algum motivo, eu estou me acostumando com isso. Eu estou gostando de estar convivendo com ele. Isso está me causando um milhão de confusão dentro de mim.

Por que eu estou pensando nele?
Por que ele está em todo lugar?
Porque aquele maldito perfume é tão bom?

Porra Emma, já chega.

- Seus pensamentos estão consumindo você. - Reggie fala ao meu lado.

- Quando que você chegou? - pergunto me sentando na prancha.

- Tempo suficiente para chamar você e você continuar dentro desse transe. - ri, molhando o meu rosto. - No que estava pensando?

- Em nada.

- Quem nada é peixe, até onde eu sei você é humana. - debocha.

- Posso ser uma sereia e você não desconfiar. - brinco.

- Com certeza não, eu já teria investigado isso. - debocha, empurrando o meu ombro. - Vai falar ou eu vou ter que arrancar isso de você?

- Já disse que não era nada. - digo irritada.

- Mentirosa, está batendo com os dedos na prancha, tem alguma coisa incomodando.

- Para de me analisar, isso é irritante. - digo e o empurro, o fazendo cair na água. - Já disse que não é nada.

- Então vai se fuder, eu acho irritante essa mania que você e o Vincent tem de ficarem mentindo na cara de pau. - diz irritado, pegando a prancha nas mãos. - Surfa sozinha, idiota.

- Muito melhor mesmo. - rebato.

- IDIOTA.

- IMBECIL.

[•••]

Fazia uma semana que a minha mãe não falava direito comigo e principalmente hoje, que além de ser o dia da prova, também era o dia que eu dormia nos meus avós.

Terminei de me arrumar, vestindo uma roupa confortável. Coloquei um cropped branco, um shorts de tecido azul e um tênis branco. Arrumei os meus cabelos e respirei fundo antes de descer.

Ter saído do mar e ido comer a torta da minha avó foi a melhor coisa, porque agora eu não sentia fome. Entrei na oficina e vi o Reggie no puff ao lado da prateleira de surfe.

- Pode me dar carona? - pergunto, ainda não havíamos conversado.

- Se você me pedir desculpas. - sorri.

- Qual é Reggie, você quem começou. - reviro os olhos. - Mas desculpa, agora pode me dar carona?

- Poder eu até posso, mas o Vinnie vai levar você. - ri, jogando as chaves para o loiro.

Antes que eu pudesse retrucar, o Hacker se sentiu no direito de pegar o meu pulso e me puxar para fora, como se ele pudesse simplesmente tocar em mim. Ele não pode e nunca daria esse direito a ele.

- Não me olha com essa cara, você tem uma mania irritante de querer que a última palavra seja sua, ficaria nessa discussão com o Reggie até amanhã.

- Não toca em mim de novo, Hacker. - digo irritada.

- Então entra no carro, ou quer ajuda também?

Ele apoiou os braços no capô do carro, enquanto segurava as chaves em uma das mãos e seus cabelos levemente caídos sobre seu rosto. Ele tinha um sorrisinho debochado, o que era simplesmente irritante o ver assim. A forma como o vento bagunçava os seus cabelos e seus músculos tão expostos com braços tatuados.

- Vai a merda.

Isso foi tudo o que eu consegui dizer antes de entrar no carro. Odiava quando não conseguia dar uma resposta na altura e isso só acontecia quando eu estava com o Vincent por perto. Eu me sentia intimidada com a forma como ele me olhava e a forma como seus lábios se alinhavam em um sorriso sarcástico.

Eu ainda vou grudar a minha cabeça na parede por estar pensando uma merda dessas. É só Vincent. É apenas o Vinnie, nada demais.

O vento entrava forte dentro do carro, pela velocidade que o Vinnie dirigia. Acho que para ele tudo é questão de dirigir como se o mundo estivesse acabando atrás de nós.

Encostei a cabeça no banco e foquei os meus olhos na rua que passava pela janela do carro. Tive a certeza de estar sendo observada e eu sabia que era o Vinnie quem estava me dando algumas olhadas.

- Tira uma foto que dura mais, Vinnie.

Dei um sorrisinho e virei o meu rosto, cruzando com o olhar do Vinnie que desviou rápido para a rua à frente. Seu rosto corou de forma discreta, mas eu notei. Notei também a forma como ele agarrou com mais força o volante.

- Vai a merda, eu não estava olhando para você. - retruca.

- Foi um fantasma então.

- Cala a boca, por favor, Emy. - ri, dando um empurrãozinho no meu ombro, nos fazendo rir.

Virei o rosto de novo para a janela e percebi pelo espelho que tinha um sorrisinho no meu rosto, o que eu desfiz na mesma hora. Que merda estava acontecendo comigo? Eu estou odiando o fato de estar me acostumando com a presença do Vinnie. Isso está totalmente errado.

Eu não tenho que me acostumar com ele e muito menos me sentir confortável com ele por perto. Que porra desgraçada.

Assim que o Vinnie estacionou, descemos e nem tentei dizer que ele não tinha que vir junto, ele é teimoso na mesma intensidade que o Reggie e tudo que menos queria agora, era algo que fosse me atrapalhar na hora de fazer a prova.

Peguei na secretária o número da minha sala e caminhei ao lado do Vinnie até ela. Olhei pelo vidro lateral da porta, que já havia pessoas na sala e que o professor estava mexendo em umas folhas, provavelmente as folhas dessa merda de teste.

- Se continuar pensando que não vai conseguir, você não vai mesmo. - diz o Vinnie virando o meu rosto.

- É uma prova definitiva, Vinnie. - digo dando um passo para trás, meu coração estava batendo forte.

- Que você passou a semana toda estudando com o melhor professor. - ri, me fazendo gargalhar. - Sabe que consegue, só faz o que você sabe.

- Eu sei surfar e não matemática. - debocho.

- Você sabe os dois agora. - ri.

- Obrigada pela carona.

- Me agradece me cobrindo um dia na oficina. - ri. - Boa sorte, loirinha.

O Vinnie depositou um beijinho na minha bochecha antes de sair e dar as costas. Senti o meu rosto esquentar e meu coração se acelerou de novo, batia mais forte do que quando eu surfei a primeira vez sozinha, sem auxílio do meu avô. Eu estava me sentindo assim, desprotegida ao estar sentindo meu corpo dessa forma.

Que ridículo, já chega Emma.
Deus, faça isso parar.

Entrei na sala e me sentei na última cadeira, o professor me lançou um olhar irônico, uma versão masculina da minha mãe, que adoraria fazer um complô com ela contra uma adolescente que surfa na casa dos avós.

- Vou adorar corrigir a sua prova, senhorita Hall. - diz colocando a folha na mesa. - Boa sorte.

- Vou adorar saber a nota. - sorrio irônica. Velho insuportável.

Peguei a caneta e respirei fundo antes de iniciar o teste. A primeira questão era exatamente sobre o que eu havia feito em um exercício com o Vinnie, sorri ao sentir que eu conseguiria resolver aquilo.

Se eu entendo o oceano, não deve ser tão difícil entender matemática, né?

[•••]

Sai segurando o resultado da prova contra o meu corpo, meu olhar estava focado no chão e eu só queria estar dentro do mar, surfando e fazendo a água afogar qualquer coisa que passava na minha cabeça. Sai de dentro da escola e avistei o Vinnie escorado no carro, com os olhos focados no celular. Eu não havia pedido para ele esperar por mim, eu voltaria a pé mesmo.

Me aproximei do mesmo que sentiu a minha presença e guardou o celular, me olhando como se quisesse saber o resultado. Pela minha cara, foi nítido ver o desânimo dele, como transparecia em mim.

- EU CONSEGUI. - sorrio, pulando no mesmo e o abraçando, sentindo seus braços abraçarem a minha cintura, colando nossos corpos.

Seu perfume estava em contato direto com o meu nariz, seus braços circulados na minha cintura e seu rosto apoiado no meu ombro. Era como se fosse um lugar seguro para estar. Mas não era.

Voltei a realidade e sai do abraço dele. Eu odeio o Vinnie. E isso não vai mudar para amizade. Nunca.

- Eu avisei que conseguiria. - sorri, limpando a garganta.

- Por que esperou?

- Porque eu estava curioso para saber o resultado. - ri, coçando a nuca.

- Eu falaria quando chegasse na oficina. - debocho.

- Ah cala a boca Emma, entra no carro. - diz fazendo a volta e entrando.

- Mal educado. - retruco irritada. - Sua educação passou longe né?

- Igual a sua. - rebate irritado, ligando o carro.

- Sou mais educada que você, não faço ideia como é que você é irmão do Reggie. - digo colocando o cinto.

- Posso explicar para você com uma aula de Biologia. - debocha, me fazendo o fuzilar.

- Imbecil, você entendeu o que eu quis dizer. - digo irritada, o vendo rir e acelerar o carro.

[•••]

Quando cheguei na casa do meu avô, mandei uma foto para o meu pai do resultado do teste. Eu não seria louca de ir naquela casa agora, não perderia o meu final de semana com isso.

Coloquei o meu biquíni e um shorts jeans por cima e peguei o último pedaço de bolo que estava na mesa, com a letra do Bryce em um bilhete que dizia: "Não é para comer, Emma!" Uma pena, o bolo já estava todo na minha boca e logo chegaria ao estômago.

Fui para a oficina e atendi um casal de pescadores que precisavam de varas de pescar, redes, cordas e iscas para hoje a noite. Adoro como a loja do meu vô é referência em San Diego para muitas atividades, sejam turísticas ou não.

- O que é que tem nessas caixas? - pergunta o Reggie as largando no balcão.

- Por que você está fazendo o trabalho do Hacker? - pergunto.

- Porque ele pediu. - ri, me fazendo o olhar confusa. - Ih, está curiosa? Achei que-

- Tá, não quero saber. - digo o cortando e pegando uma das caixas. - Me ajuda arrumar isso nos lugares.

- Claro, loirinha. - debocha.

Revirei os olhos e empurrei de leve o Reggie. Era irritante isso, mas se o Vinnie não parasse, eu também não pararia. Quero ver até onde ele vai aguentar ser irritado da mesma forma que ele me irrita.

Começamos a arrumar as prateleiras que já estavam faltando artigos e logo tudo estava completo. Já estava começando a escurecer, o que significava que logo eu estaria dentro do mar com o Reggie. Como sempre fazemos em todas temporadas.

Assim que anoiteceu, meu avô ficou na oficina e eu e o Reggie fomos pegar as nossas pranchas na garagem e caminhamos até o coqueiro que a Avani, o Vinnie e o Noah estavam.
A luz da lua estava forte e refletia de forma genuína na água.

- Como que vocês conseguem surfar de noite? - pergunta a Avani incrédula.

- Não é difícil. - sorrio.

- Ah claro, vocês dois tem visão noturna agora? - debocha o Vinnie.

- Poxa, você descobriu um super poder. - digo irônica.

- Que irritante. - diz revirando os olhos. - Por que fazer isso agora de noite?

- Por que você está aqui?

- Porque eu quero. - responde irritado.

- Então cala a boca. - digo firme.

- Parem com essa merda, que inferno. - diz o Reggie irritado.

[•••]

Passamos a noite dentro do mar e só saímos para comer hamburguer que meu avô havia feito. A oficina já estava fechada e eu estava sentada encima da minha prancha, com os olhos focados no mar e olha do as luzes dos barcos em alto mar, que mesmo tão longe, ainda refletiam na superfície.

Eu teria que encarar a minha mãe depois de voltar para casa, por agora, eu pretendia só ter que encarar o fato de conviver com o Vinnie e trabalhar na oficina durante as manhãs e tarde. O que na verdade não era tão ruim, eu sempre gostei. Mas estar me sentindo confortável com o Hacker, era exatamente o que eu não estava gostando.

Respirei fundo e levantei, pegando a minha prancha e a largando dentro da garagem.
Subi para o meu quarto e fui direto tirar a areia e o sal que tinha no meu corpo. Precisava mesmo dormir, tive informações demais por um dia só.

E sei que isso é só o começo. Ainda tem meses de temporada. Tenho muito o que ceder ainda.

Oiii, voltei com mais um capítulo!! Demorei um pouquinho para postar capítulo novo, mas prometo recompensar vocês por essas demoras, viu?!

Desculpa caso exista algum erro ortográfico ou erro de digitação nesse capítulo!!!

Para ser sincera, eu SURTEI escrevendo a cena que o Vinnie virou o rosto da Emma, deu um beijinho e depois a cena do abraço!!

E podem ter certeza, que isso é só o começo...

Eu tô amando esses surtos da Emma sobre o Vinnie, o loirinha e cachinhos são TUDO pra mim!!!

Se preparem para os próximos capítulos, o coração vai pirar com o que ainda está por vir...

Perdão se esse capítulo não ficou tão bom, achei ele tão fraquinho...

O que vocês estão achando da escrita? Eu ando um pouco insegura com isso...

Enfim, espero que tenham gostado!!!

Até o próximo capítulo, starfishes!

💗⭐💗

Conta no Tiktok: vinnieHKhera -- estou sempre postando edits por lá ;)

Conta no Twitter: vinniehkhera

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