🌊 CAP 10 🌊

A manhã tinha sol, estava quente e o dia perfeito para o mar. Realmente, eu só penso nisso cada vez que eu acordo e olho para a janela do meu quarto. Quem é que moraria na praia e iria querer ficar dentro de casa? Eu que não iria.

O mormaço do calor entrava no meu quarto, me deixando ainda mais animada. Algumas pessoas não gostam de calor, o Bryce é uma delas, mas eu não perco tempo pensando nisso. Eu nasci para o verão. Para o calor. Para o surfe. Eu nasci para o oceano. Nasci para ser a neta que o meu avô sempre desejou: que amasse o surfe tanto quanto ele.

Eu teria minha prova de química hoje, mas eu havia estudado com o Reggie e se fosse mesmo o conteúdo que estudamos, então estaria tranquilo. Agora se ele mudasse de última hora, eu estaria fodidamente fodida.

Levantei da minha cama e corri para me arrumar e fazer as minhas higiene. Coloquei um shorts preto de tecido macio, uma blusinha branca e um all star preto de cano alto. Não via a hora de chegar na casa dos meus avós e trocar aquela roupa por um biquíni.

- Filha, sua mãe precisou sair mais cedo para o escritório do Nate hoje. - meu pai comenta assim que sentiu a minha presença na cozinha. - Ela deixou avisado que não quer você no seu avô hoje, independente do que você diga, ela mandou que eu não deixasse.

E lá vamos nós de novo com essa porra.

- Eu quero ir para o vovô, eu estou estudando ao máximo para conseguir erguer as minhas notas, pode perguntar ao Reggie. - digo séria. - Não é justo me proibir de algo só porque ela não gosta.

- Sei que está. - sorri. - Sua mãe está sendo muito rigorosa querendo que você se afaste dessas coisas... você pode ir, Emma.

- Eu sempre soube que você era o melhor. - sorrio abraçando o mesmo, que depositou um beijo na minha testa.

- Mas não volte tão tarde como da última vez e principalmente sem queimaduras, você sabe que ela pode notar e seremos pegos. - fala sério, me fazendo assentir. - Não estraga meu disfarce de pai furioso igual ela. - ri alto.

[...]

Quando o Bryce desceu para a cozinha, o esperei terminar o café antes de irmos para a escola. Dessa vez quem estava com um péssimo humor era ele, e eu sabia o motivo.

Ser uma pessoa que gosta de surfe e vive dentro do mar, causa muitos olhares de pessoas tão diferentes. Eu me sentia tão estranha com todos na escola me olhando e perguntando como eu gostava tanto de surfar. Me sentia em outro planeta. Gostar de surfar nunca tinha causado tanto estranhamento em alguém, mas nesse caso eram curiosidades estranhas.

Meu avô foi o melhor surfista de San Diego quando ele tinha a minha idade, a geração antiga de Hall's sempre foi muito conhecida pelo surfe. Agora dessa vez, é a minha geração que é mais conhecida. Meu avô se aposentou do surfe e eu assumi o seu cargo assim que pisei pela primeira vez dentro do mar e senti que ali era o meu lugar.

Será que é assim que o Hacker se sente quando está com o skate? Que ele pertence aquele lugar, àquela pista e aquele ambiente? É estranho pensar nos motivos que fazem com que uma pessoa saiba quem ela é. Que saiba qual o propósito dela. O meu eu sabia que era o surfe. Meu coração era disso.

- Como vocês sabem, eu havia falado sobre essa prova. - comenta o professor me tirando dos meus pensamentos. - Portanto, espero que todos tenham estudado, eu não facilitei.

Revirei os olhos com isso. Era típico dele falar isso antes de entregar as provas. Assim que ele se aproximou da minha mesa, colocou a prova na mesma e comentou:

- Senhorita Hall, sua média precisa muito dessa prova, espero que saiba o conteúdo ou irá para a recuperação durante os sábados. - fala grosso, me entregando a prova e logo fazendo isso com o restante.

Olhei para a prova e vi que o conteúdo era sobre cadeia aberta. Respirei aliviada, eu sabia o conteúdo. Havia várias moléculas para caracterizar conforme as cadeias abertas. Não posso pegar recuperação, eu estaria tão encrencada que a minha vida se tornaria uma prisão.

Deus, me ajuda!

[•••]

Reggie 🐙 - como foi a prova?

Me- foi o que estudamos, mas não deixa de me apavorar.

Reggie 🐙- tenho certeza que agora você vai conseguir arrumar as suas notas

Me- Nos vemos na casa do meu avô?

Reggie 🐙 - vou levar a minha roupa de surfe e o Hacker para você concluir essa aposta ridícula Emma.

Me- ridículo é você que acha que meu cotovelo não foi nada demais.

Reggie 🐙- tá tá Emma, volta pra aula.

Me- 🖕


Depois de falar por mensagem com o Reggie, fui para o intervalo. Eu estava morrendo de fome e depois de ter feito uma prova, aula de biologia logo atrás e por último aula de matemática, minha barriga pedia socorro.

Me encontrei com a Avani no corredor e fomos juntas pegar nossa comida. Logo nos sentamos no mesmo lugar.

- Como foi a prova? - A Avani pergunta sorrindo.

- Não sei, acho que eu fui bem. - falo bebendo o meu suco. - E você, Hacker?

- Literatura é uma merda, não faço ideia de como você gosta. - reclama o mesmo. - Mas alguma coisa deve ter mudado na minha nota.

- A Emma é uma ótima professora. - fala o Bryce rindo debochando de mim. Idiota.

- Tão ótima que não tem paciência. - retruca o loiro.

- Como se você tivesse tido, me explicando aquela porcaria de geometria. - rebato, revirando os olhos.

- Eu tive sim, deveria ganhar um prêmio por não ter jogado você para fora de casa, toda hora que reclamava. - fala irritado.

- Me passa a receita da sua paciência então. - digo irônica. - Você vai surfar hoje, não vai?

- Eu tenho outra escolha? Você passa enchendo o saco por isso. - fala se levantando logo em seguida. - Inclusive eu deveria ter deixado você se esfolar inteira aquele dia.

- Ridículo. - digo irritada, o vendo mostrar o dedo do meio e sair andando.

- Vocês não podem tentar ser amigos, pelo menos uma vez? - pergunta o Bryce revirando os olhos.

- Não quero ser amiga de alguém como o Hacker. - retruco.

- Com o tempo isso muda. - Fala a Avani rindo.

[•••]

Quando saímos da escola, fui direto à casa dos meus avós. O calor na beira da praia estava maior que o calor que fazia na cidade. O Bryce apenas me deixou ali e avisou que chegaria de tardinha para me buscar, que ele tinha alguns assuntos para resolver com o Tayler agora.

Enquanto o Reggie ainda não chegava, eu aproveite para ficar na oficina com meu vô. Pelo jeito a minha avó não estava em casa e somente ele estava.
Eu não vejo a hora da temporada de pescas começar, eu amo essa temporada do ano. Tudo fica movimentado por aqui e sempre recebemos um salário do meu avô por ajuda ele na oficina.

- Cadê a vovó? - pergunto abraçando o mais velho.

- Ela saiu com algumas amigas. - diz dando uma risadinha. - Querida, fui no mar hoje de manhã e percebi que tem algumas águas vivas, seria bom que vocês entrasse com roupa para surfe.

- É por causa da temporada de pescas?

- Parece que sim, não acho que vão ficar nas águas por muito tempo. - fala arrumando alguns papéis na bancada da oficina.

- Preciso de uma roupa extra, vô. - digo. - O irmão do Reggie vai surfar com a gente pela primeira vez e não tem essas roupas.

- Pode pegar uma daqui da loja, querida. - diz sorrindo. - Você vai ensinar ele antes de entrar no mar, não vai?

Minha vontade era de dizer que não. Eu não queria ensinar o Hacker antes, queria que ele entrasse no mar e simplesmente estivesse com sorte ou não. Mas seria injusto. Ele me ensinou quando andei pela primeira vez em um skate.

- Vou, vô. - sorrio. - Quando eles chegarem, ele vê a numeração da roupa.

[...]

Eu me distrai com o meu avô e os clientes na oficina, que quando olhei pelo vidro enorme da oficina, percebi o carro do Reggie sendo estacionado. Logo ele desceu junto com o Vinnie, que estava com a maior cara de emburrado.

Avisei o meu avô que os meninos tinham acabado de chegar e ele disse que era para eu ir me divertir, o movimento estava baixo.

- Você precisa de uma roupa de surfe. - falo olhando para o Hacker. - Meu avô disse que tem algumas águas vivas, é melhor se prevenir.

- Você só pode estar de brincadeira né?

- Tenho cara de quem está brincando? - pergunto irônica, o fazendo revirar os olhos.

- Eu nunca usei essa merda, Emma. - reclama irritado.

- Pra tudo tem uma primeira vez, maninho. - fala o Reggie rindo, colocando o braço sobre os ombros do Hacker.

- Você ajuda ele a ver o tamanho? Preciso colocar a minha ainda. - digo segurando uma risada.

- Pode esperar loirinha, isso vai ter volta. - diz o Hacker irritado, indo na direção da oficina do meu vô.

Entrei dentro de casa e corri subindo as escadas até o meu quarto. Peguei a minha roupa de surfe de dentro da minha gaveta e logo a vesti. Era um pouco complicada. A textura dela era uma borracha, para vestir era uma porcaria.
Sempre preferi os maiôs de surfe do que a roupa por inteiro. Mas seria até melhor usar ela hoje, assim eu não queimaria o meu corpo no sol e nem por água viva.

Peguei três garrafinhas de águas na geladeira e sai para fora, descendo os degraus da escadas de pés descalço. O sol estava mesmo quente.
Esperei os meninos escorada em um coqueiro que havia ali. Logo o Reggie saiu já com a roupa e o Hacker também.

Eu pensei que já tinha visto de tudo na minha vida, mas era a primeira vez que eu estava vendo o Vinnie com roupa de surfe. Com as roupas largas que ele usa, eu nunca havia reparado o quão musculoso ele é. A roupa de surfe estava mil vezes melhor nele do que em qualquer pessoa. Seus músculos marcados e seu corpo definido pelo tecido de borracha. Seus cabelos loiros um pouco bagunçados, caídos levemente em seus olhos. Só as águas vivas para fazer com que tenhamos que usar esse tipo de roupa. Até que não estava sendo tão ruim usar elas. Agora eu estava adorando.

O Hacker estava realmente uau.

- Isso está ridículo. - reclama ele assim que se aproximou de mim. Ok, foca Emma.

- Olha só o Hacker usando roupa de surfe. - digo rindo. - Como se sente?

- Irritado. - fala o mesmo revirando os olhos.

- Ele levou anos para vestir isso. - fala o Reggie rindo.

- Vamos acabar logo com isso, minha praia não é esse treco. - fala me fuzilando.

- Meu avô mandou que eu te mostrasse na areia o que você tem que fazer com os pés, mas isso só vai conseguir na prática mesmo. - digo colocando a minha prancha no chão e subindo em cima.

- Vou tirar uma prancha da minha cabeça? - reclama o mesmo, me fazendo revirar os olhos.

- Eu já peguei uma para você, seu idiota. - digo apontando para o coqueira. - Anda, sobe.

- Mandona. - diz me fuzilando e logo colocando a prancha no chão.

- Isso vai ser melhor que filme de guerra. - fala o Reggie rindo, se sentando na prancha dele.

Mostrei ao Vinnie como ele deveria deixar os pés. O skate era muito menor que uma prancha, então se ele fizesse a mesma coisa, a prancha iria deslizar pelos pés dele e cairia na água. E novamente, ele só reclamava
Avisei ao Vinnie que o pé detrás dele, deveria ficar um pouco afastado do final da prancha, para dar ainda mais sustentação na prancha. E o pé da frente, um pouco virado para o lado, assim a prancha ficaria direcionada aonde ele deveria ir.
Seu corpo precisava ser um pouco levantando para cima, deixando o tronco e os quadris um pouco erguidos. Assim teria noção do espaço da onda e principalmente conseguiria se manter em pé por mais tempo.

- Tá vendo, essa coisa é difícil demais. - fala saindo de cima da prancha. - Eu não quero morrer.

- Você vai morrer pelas minhas mãos, não pelo mar. - digo revirando os olhos e pegando a minha prancha.

- Qual é maninho, vai ser legal. - diz o Reggie sorrindo, fazendo o mesmo movimento que eu.

- Com certeza, estou explodindo de animação. - diz revirando os olhos.

Entrei no mar, a água estava um pouco morna, talvez esse fosse o motivo das águas vivas. Elas nunca vem quando a água está gelada, são sensíveis a isso.
Coloquei a prancha no pé e fomos entrando aos poucos, assim que a água chegou na minha cintura, já era o momento de subir na prancha. Deitei na mesma e esperei que o Reggie e o Vinnie fizeram o mesmo. Segurei um riso do jeito atrapalhado que o Hacker subiu na prancha. Era engraçado e eu sabia que ele estava odiando, o que me deixava ainda mais animada.

Nadamos até o fundo e ficamos cada um, um pouco afastados. Para não vir uma onda muito forte e não acabar nos machucando com as pranchas um do outro.

- Emma é sério, eu não sei fazer isso. - confessa o Hacker no meio entre eu e o Reggie. - Isso é ridículo, eu entendo você querer se vingar de mim pela sua cicatriz, mas é loucura me meter num oceano que eu não entendo nada.

- Mas você não precisa entender agora. - digo dando um sorrisinho. - Você sabe como posicionar os pés, deixa que eu e o Reggie mostramos o resto, só precisa nos seguir depois.

Ele assentiu e se sentou na prancha, com as pernas dentro da água, uma em cada lado da prancha.

Nadei ainda mais para o fundo e logo vi uma onda enorme se formando. Me virei dando as costas para a onda e assim que ela me atingiu, eu coloquei as duas mãos na prancha, erguendo o meu corpo e flexionando os meus pés da forma como havia explicado ao Vinnie.

Movi o meu corpo um pouco para o lado, fazendo a prancha me seguir na mesma direção.

A água era espirrada no meu rosto, pela velocidade que a onda estava e também pelo tamanho dela. Quando ela foi diminuindo, me atirei no mar, caindo no fundo e voltando a superfície. Nadei de volta aonde o Vinnie e o Reggie estavam.

- Você é boa mesmo nisso. - fala o Vinnie dando uma risadinha baixinha. - Foi mal ter duvidado dessa parte.

- Óbvio que ela seria, olha quem é o vô dela. - comenta o Reggie rindo.

- É a sua vez. - digo encarando o Vinnie. - O máximo que pode acontecer é você cair antes de ficar de pé.

- Você fala isso com quanta naturalidade. - retruca revirando os olhos. - E se eu bater a minha cabeça?

- Você só vai ficar ainda mais insuportável, não vai mudar muita coisa. - sorrio sarcástica.

- Idiota.

Para quem estava surfando pela primeira vez, o Vinnie estava se saindo bem. Não em ficar de pé na prancha, mas no tentar seguir os meus movimentos. Ele virou a prancha quando viu uma onda grande se formando mais atrás, e assim que ela o atingiu, ele subiu o corpo rápido demais, perdendo o equilíbrio e caindo.

Acho que o orgulho dele não estava deixando ele simplesmente não tentar. Eu falei que ele precisava erguer o corpo de vagar, para conseguir flexionar os pés e quando finalmente estivesse de pé, levasse o corpo um pouco para a frente, erguendo o tronco e o quadril. Esse movimento era o mais importante, era o que daria equilíbrio para ele e segmento para a prancha nos seus pés.

Ele revirou os olhos na terceira vez que caiu com tudo na água, dessa vez com prancha e tudo. Deitou na mesma novamente e pegou a quarta onda. Levemente levantou o corpo, fixando os pés no corpo da prancha, logo segurando o seu. O inclinou para frente fazendo a prancha o seguir. E finalmente conseguiu pegar aquela onda. Durou dez segundos, mas conseguiu. Eu me prestei a contar os segundos para o irritar.

- Durou dez segundos, mas foi bom para a sua primeira vez nisso. - digo rindo.

- Primeira vez e última. - fala passando as mãos pelos cabelos molhados e os colocando para trás.

- Você é muito chato Vinnie, isso aqui é melhor que skate. - comenta o Reggie rindo.

- Já disse que não é a minha praia. - fala apoiando os braços na prancha à sua frente, deixando seu corpo submerso na água.

- Ótimo, seria horrível ter que conviver com você até dentro desse mar. - digo séria.

- Minha presença te incomoda tanto, loirinha? - pergunta com um sorrisinho nos lábios rosados.

- Você me estressa, Hacker. - respondo rápido, deitando na prancha e nadando para longe.

[...]

No final, estava eu e o Reggie surfando, enquanto o Vinnie tinha apenas os seus braços apoiados sobre a prancha e seu corpo ainda dentro da água.
Peguei uma onda ótima para fazer um tubo, enquanto o Reggie fazia uma rasgada. Logo fui engolida pela onda, meu olho ardia da água salgada. Mas para mim, ainda era a melhor sensação. Mostrava muito para mim.

Mostrava que eu estava ali, dentro do meu oceano, vivendo e fazendo algo que eu sempre gostei. Com alguém que é meu melhor amigo desde os doze. E com o idiota do Hacker também. Finalmente ele havia entendido que eu nunca conseguiria me dar bem com um skate, assim como ele nunca seria amigo de uma prancha. Estávamos quites.

- Preciso ir ao banheiro. - fala o Reggie descendo da prancha. - Não tentem se matar.

Ele fala isso como se eu fosse mesmo matar o Vinnie. Como se eu fosse mais forte que ele. Quando na verdade, um toque do Vinnie eu iria para o fundo do oceano.

- Qual o significado do surfe para você? - pergunta o loiro.

- Meu avô sempre foi surfista, com a diferença que era profissional, enquanto eu só faço porque é meu refúgio. - digo, o vendo prestar atenção. - Eu gosto de estar aqui, é como se eu pudesse esquecer um pouco das coisas que me incomodam, minha mãe não aceita que eu esteja no mesmo caminho que meu vô.

- É por isso que está de castigo?

- Em parte sim, tem mais as minhas notas que não andam me ajudando muito. - digo rindo. - Então a minha associa isso a estar surfando e vindo sempre na casa do meus avós.

- Não deveria parar de fazer algo que você realmente gosta. - diz o Vinnie neutro. - Eu ainda não entendo porque você se conecta tanto aqui, mas não acho que alguém tem que enteder, só você.

- Pelo mesmo motivo que você gosta tanto de skate, Vinnie. - digo sorrindo. - Para me sentir livre e principalmente esquecer os meus problemas, você tem o seu refúgio, e eu tenho o meu.

- Vibes conflitantes. - fala rindo, me fazendo gargalhar. - Não gosto do surfe, mas gosto do mar.

- Já é grande coisa para alguém que só reclama. - debocho.

- Está falando de si mesma, né? - pergunta irônico, me fazendo mostrar o dedo do meio.

...

Ficamos mais um tempo na água, logo o Reggie entrou e surfamos pela última vez no dia.
No final uma água viva queimou a parte de cima do meu pé, me dando uma ardência dolorida. Eu odiava quando isso acontecia. Mas era melhor no pé do que no resto do corpo. Minha mãe não enxergaria o meu pé.

Ficamos por um bom tempo apenas com os braços nas pranchas e o corpo dentro da água. A sensação é tão incrível que eu sinto isso todos os dias e nunca vejo um fim.

Não consegui dar o troco em cicatriz no Vinnie, acho que seria demais até para mim se eu fizesse isso. Mas com certeza ele voltaria com um pouco de água dentro dos ouvidos, quando fosse embora. Sei que no fundo, ele se divertiu fazendo isso. Quem não iria se divertir dentro desse paraíso?

- Sua avó estava fazendo bolo de laranja, quando eu saí do banheiro do deck. - fala o Reggie sorrindo.

- Vou parar de chamar você para a minha casa, Reggie. - digo rindo, pegando a prancha e nadando para onde a água estava na cintura.

- Ele só vem aqui para comer, nem é por você, Emy. - fala o Hacker rindo, fazendo o Reggie mostrar o dedo do meio.

- Era segredo. - diz o mesmo gargalhando.

Coloquei a prancha de baixo do braço e saímos do oceano. O sol já estava começando a querer ir embora.
Nossos corpos molhavam a areia quente da praia. Minha vó estava mesmo fazendo bolo, porque até mesmo do lado de fora da casa, eu sentia aquele cheiro maravilhoso que só o bolo dela tinha. Ninguém batia a minha vó na cozinha, nem mesmo meu avô. Não recomendaria comer a comida dele, só por precaução mesmo.

Largamos nossas pranchas no deck de madeira e nos sentamos ali mesmo. Logo minha vó trouxe três pratinhos com bolos e suco de laranja também, segundo ela dava mais força ao sabor do bolo e da fruta fresquinha.

Comemos com o sol parecendo estar entrando dentro do oceano. Estar na casa dos meus avós significava respirar, viver e apreciar coisas que eu jamais conseguiria fazer em cada. Primeiro pela minha mãe e segundo por não ter essa vista tão privilegiada.
Acho que meu avô decidiu tanto morar na praia, de frente para o mar, porque um dia sabia que teria um neta e que aquele ambiente, aquela paisagem, seria a preferida dela. Seria a combustão do ser que ela se tornaria.

- Me da os pratos que vou levar para a cozinha. - O Reggie fala sorrindo, estendendo a mão para pegar nossos pratos e copos, logo entrando para dentro.

- Você não foi tão ruim no surfe. - digo rindo, cutucando o braço do Vinnie com o meu cotovelo.

- E você foi ótima no skate. - diz rindo, me fazendo revirar os olhos. - Não gostei dessa roupa, ela tá grudando em mim.

- Essa é uma parte ruim, não gosto do traje inteiro, prefiro os maiôs. - digo dando de ombros.

- Você fica ótima nessa roupa, loirinha. - diz o Hacker sorrindo. Os cabelos loiros estavam mais escuros pela umidade que tinha em seus fios, os mesmo estavam um pouco caídos em seu rosto.

- Você também não fica nada mal. - sorrio.

- Mentir é muito feio. - diz rindo, se levantando e indo para o banheiro do deck.

Eu não estava mentindo. O Vinnie tinha ficado mesmo ótimo naquela roupa de borracha, nunca achei que alguém combinaria tanto com aquilo, como ele fez combinar.
Admitir isso para mim mesma estava sendo um soco no meu estômago. Mas isso não queria dizer nada demais, apenas que eu achei que combinou. Ele continua sendo o mesmo irritante e grosso de sempre.

Para mim o surfe era algo magnífico, para o Hacker algo chato. Assim como o skate parecia para mim tão sem graça e sem sentido. Não tem sentindo em andar numa madeira com roda.
Para ele não tem sentindo se sentir bem em uma madeira com calda.

Talvez nunca fossemos entender os gostos peculiares de cada um de nós.

Todo tsunami tem um final, um estrago. Não quero ver o final disso.

Oiii, volteeei com mais um capítulo!!

Meu Deus, eu amei tanto escrever esse que eu não sei nem explicar. Acho que essa interação do Vinnie com a Emma foi a minha preferida.

Acho que aos poucos eles vão entender os gostos que compõe eles, mas ainda não se suportam...

Perdão pelos erros ortográficos que possam ter nesse capítulo!

Espero muito que gostem e amem esse capítulo tanto quanto eu amei escreve-lo. Juro, tá tudinhooo pra mim!!!

Ah, vou deixar meu user do tiktok em todos os caps, para caso tenha alguém novo por aqui... ( @vinnieHKhera)

Eu imaginei MUITOOO o Vinnie com roupa de surfista, sério espero mesmo que vocês surtem tanto quanto eu surtei com ele vestido dessa forma KSKSKSK

Enfim, até o próximo capítulo
starfishes!!! ❤️🌟❤️

Beijinhos marinhos! 🦀🐙💘

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