Capítulo 15⚜Bruno e Lizandra⚜
Samantha
Após uma refeição rápida na cozinha administrada pela simpática Dodô, subo novamente para o quarto.
A movimentação no casarão é grande. A todo momento chegam encomendas, presentes e parentes dos noivos. Como conheço apenas Bartolomeu, sinto-me deslocada em meio as apresentações.
Tomo um banho e descanso até a hora do casamento. Fico na dúvida de qual roupa usar. Acabo optando por um longo azul de modelo simples, porém com uma fenda lateral generosa que deixa a mostra parte da perna. Uma das peças escolhidas por Bartolomeu.
Faço uma maquiagem leve valorizando os olhos, como Daphine ensinou e prendo o cabelo de uma forma displicente com uma trança lateral.
Enquanto procuro uma bolsa de mão que combine com o traje. Ouço uma leve batida na porta. Abro e permaneço em silêncio admirando a beleza masculina.
Bartolomeu veste fraque preto com camisa branca e gravata borboleta. Está tão elegante quanto no dia de nosso casamento. Me observa de cima a baixo com um sorrisinho no canto dos lábios.
__ Pronta?
__ Só falta pegar a bolsa.
Quando retorno do closet Bartolomeu está no meio do quarto com as mãos nos bolsos.
__ Meu irmão pediu para que eu seja o padrinho dele. Se importa em ser meu par?
O encaro surpresa.
__ Acho que não convém participar de algo tão importante para o casal. Afinal, sou uma completa desconhecida.
Talvez tenha deixado transparecer um certo ressentimento.
__ Não é uma desconhecida. Estamos casados.
__ Mas eles não sabem disso.__ Rebato.__ E acho que não quer que as pessoas tirem conclusões erradas a nosso respeito, não é?
__ Ótimo então.__ Bartolomeu tira as mãos dos bolsos e se dirige à porta.__ Aguardo lá embaixo.
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Cessou o entra e sai pelo casarão. Acredito que todos estejam na capela aguardando o início da cerimônia. O único cômodo onde ainda há movimento é no quarto onde a noiva está se arrumando. Desço a escadaria e constato que a sala de estar também está vazia.
Bartolomeu deve ter seguido para a capela sem mim.
Sigo pelos corredores do casarão. Distraio-me com o clima bucólico que me transporta para o século XIX.
Na sala de jantar há cristaleiras repletas de louças. Em uma das paredes há uma grande exposição de pratos decorados e em um canto uma coleção de pinhas de cristais. Saio no hall e admiro a tapeçaria, os quadros e os jarros pintados à mão, decorados com inúmeras orquídeas de todas as cores, além de vários artefatos antigos.
Saio pela porta da frente e desço a escadaria. Admiro o pôr de sol fantástico. No gramado, uma grande tenda branca foi montada para abrigar as mesas dos convidados, o buffet e a pista de dança.
Todo o espaço foi decorado com muitas flores. Pequenas lamparinas indicam o caminho de pedra que leva até uma pequena capela antiga iluminada por luzes liláses.
Paro em uma pracinha com banquinhos brancos de ferro e uma árvore no centro. Aguardo um pouco, pois sinto-me deslocada.
__ Precisei me aproximar para confirmar se é realmente de verdade.__ Um rapaz moreno de sorriso largo se aproxima. __ Achei que fosse uma fada...__ Me encara com interesse.
__ Desculpe. Não entendi.
__ Pelo sotaque parece que não é daqui.
__Sou de Boston, Estados Unidos.
__ Não repare a abordagem pouco original. Mas você realmente parece uma fada aí sentada.
Estende a mão.
__ Sou o veterinário da fazenda. Me chamo Antônio.
__ Samantha.
__ É parente de Lizandra?
__ Não. Sou secretária de Bartolomeu.__Ele franze a testa confuso.__ Irmão de Bruno.__ Esclareço.
__Ah, sim! Ouvi dizer que ele viria...__ Olha em direção à capela.__ A cerimônia já vai começar. Vamos entrar?__ Me estende a mão.
__ Samantha!__ Bartolomeu vem descendo a estradinha de pedra. __ Onde estava? Te procurei por todo o casarão...
__ Vim direto para cá. Pensei que já tivesse vindo.
__ Estava com Bruno. Está uma pilha de nervos.
__ Você é o irmão de Bruno?
__ Sim. E você, quem é?
Bartolomeu não se esforça para ser simpático.
Me sinto mal por causa de Antônio.
__ Antônio. Veterinário da fazenda.
Antônio estende a mão para Bartolomeu, que ignora completamente.
Apoia-me pelo cotovelo, me levanta e guia-me apressado em direção à capela.
__ Que grosseria...__ Reclamo tentando livrar os saltos dos sapatos das brechas entre as pedras do caminho.
__ Não faço questão de ser educado com esse sujeito. Bruno me falou sobre ele. O metido a conquistador "barato" que "atira" para todos os lados.
__ Quê?__ Sinto-me confusa com os termos usados por Bartolomeu.
__ É um "galinha". É isso!
__ Como assim?
Que comparação estranha!
__ Desculpe.__ Bartolomeu diminui o passo.__ É uma expressão brasileira, que significa que o cara é tipo um Dom Juan. Tenta conquistar todas.
__ Ah...
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Me acomodo no último banco da capela e assisto Bartolomeu entrar de braços dados com uma de suas tias paternas. Logo depois, os padrinhos da noiva e por último o noivo acompanhado pela mãe, Betina.
Finalmente conheço a mãe deles. É bem bonita e jovial, apesar da aparência abatida.
A porta dupla de madeira é fechada. Uma música começa a ser tocada em um violino.
Olho para o rosto de Bruno. Gosto de ver a expressão do noivo nessa hora.
A porta é aberta e a bela noiva desliza pela nave da igreja acompanhada de um senhor que imagino seja seu pai.
Em um momento inusitado, o homem solta o braço da noiva, puxa um outro senhor de um banco e o posiciona do outro lado da noiva. A atitude provoca muita emoção entre os presentes.
Imagino que ela tenha dois pais. Uma espécie de nó se forma em meu peito.
O ápice da cerimônia acontece quando o Golden Retriever que vi mais cedo entra carregando na coleira as alianças dos noivos.
Me pego sorrindo com a cerimônia atípica, porém cheia de personalidade e emoção.
A noiva é linda e o casal visivelmente apaixonado.
Após a cerimônia religiosa, os convidados seguem pelo caminho de pedra rumo a uma grande tenda montada no gramado.
Permaneço a certa distância dando prioridade para parentes e amigos se acomodarem.
Por causa da altura Bartolomeu se destaca na multidão. Assim que seus olhos encontram os meus, vem ao meu encontro.
__ Estava a procurando...
__ Esse é um momento da família. Não quero impôr minha presença.
Algumas pessoas nos observam curiosas.
__ Bartolomeu!__ Uma voz feminina nos interrompe.
__ Betina...__ Bartolomeu segura minha mão imediatamente.
__ Quando pretendia falar comigo, filho?!
Os olhos azuis da bela senhora focam em nossas mãos entrelaçadas.
__ Tem muita gente nesse lugar.
Betina se aproxima e abraça o filho, que aperta meus dedos.
__ Que bela jovem! Não vai me apresentar?__ Sorri simpática.
Bartolomeu permanece estático. Sua reação me intriga ao ver o homem forte e decidido que conheço se comportar de forma insegura perante a mãe.
__ Sou Samantha Montenegro, senhora.__ Estendo a mão para a mãe de Bartolomeu.__ A secretária.
__ Que prazer em conhecê -la!
Betina retribui satisfeita.
__ Obrigada por acompanhar Bartolomeu.__ Segura meu braço e me guia para o centro da festa deixando-o mais atrás.
__ Meu filho é viciado em trabalho. Tenho certeza que se não o acompanhasse ele não viria.__ Confidencia.
__ Mas é claro que já sabe disso, não é?__ Ganho tapinhas de leve na mão e uma piscada.
Assim que se afasta para cumprimentar parentes, me acomodo em um canto mais reservado.
Bartolomeu conversa com algumas pessoas, mas não me perde de vista. A todo momento nossos olhos se encontram.
O rapaz que se apresentou como o veterinário da fazenda mais cedo na capela se aproxima. Traz duas taças de champagne. Me oferece uma.
__ Sozinha novamente?__ Aceito a taça, mas a mantenho intocada na mão.
__ Prefiro me manter reservada. Não sou chegada a festas.
__ Uma beleza tão angelical não deveria estar escondida.
Ouvi falar que os brasileiros são bem desinibidos, principalmente no campo da conquista, mas o veterinário não perde tempo.
Sorrio por sua falta de discrição.
Ao longe, Bartolomeu me encara de testa franzida.
A noiva anuncia que jogará o buquê. Mulheres se amontoam dispostas a lutar pelo objeto. Agitadas, se divertem gritando e empurrando umas as outras.
__ Veja! Estão todas desesperadas.__ Antônio se diverte com o empurra-empurra.
__Não vai tentar pegar o buquê?
__ Prefiro ficar aqui.
__ Não sonha casar um dia?
__ É complicado...
Abaixo a cabeça e giro a aliança de casamento que Bartolomeu colocou em meu dedo há alguns dias.
Será que ele também esqueceu de tirar a dele?
Distraída com meus conflitos internos não vejo o momento em que a noiva joga o buquê de rosas vermelhas e o grupo de mulheres se estapeia. Algumas caem na piscina e o buquê voa em minhas mãos.
A surpresa é geral. Todos aplaudem. A noiva acena sorrindo. Bruno, que já me conhece, dá uma piscada conspiratória. De olhos arregalados encaro Bartolomeu. Minha face queima. Ele sorri enigmático.
__ Que pegada, heim!__ Antônio aplaude ao meu lado.__ Está vermelha como um tomate. Vou buscar outra bebida gelada...
__ Obrigada.__ É o máximo que consigo dizer...
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Após algumas homenagens e discursos, os noivos cortam o bolo e abrem a pista de dança. Pela forma como estão dançando a festa já terminou para eles.
Observá-los me faz questionar se viverei um relacionamento genuíno algum dia...
Será que enveredar nesse acordo foi a escolha certa?
Posso ter sido precipitada.
Talvez tenha preferido o caminho mais fácil do que enfrentar sozinha a crise financeira.
Será que com meu ato impensado perdi o respeito das pessoas que amo?
Talvez minha mãe não se orgulharia se visse a situação que me encontro.
__ Samantha...
__ Oi!__ Ergo a cabeça ao reconhecer a voz de Bartolomeu.
__ Dança comigo?
Olho para a mão estendida. A incerteza e a insegurança ainda me atormentam, porém, cansada de me preocupar tanto, permito-me viver o momento pelo menos dessa vez...
Além de nós outros casais se unem aos noivos na pista de dança. Bruno e Lizandra se aproximam assim que nos reconhecem.
__ Amor, esse é meu irmão mais velho, Bartolomeu. E essa é Samantha. __Bruno nos apresenta à esposa.
__ É um prazer conhecê -los. Estamos muito felizes por terem vindo.__ Os olhos de Lizandra estão brilhantes de empolgação e felicidade.
__Sei que vieram de longe para participar desse momento conosco.__ Ela acrescenta.
__ Valeu a pena.__ Bartolomeu sorri educado para a cunhada.
__ O engraçado é que vocês acabam de chegar dos Estados Unidos e nós partiremos amanhã para lá.__ Bruno revela.
__ Sério? Para onde irão?__ Bartolomeu os observa curioso.
__ A princípio, para Mineápolis, onde vivem os pais de Lizandra. Depois pretendemos fazer um tour por outros lugares.__ Bruno explica com sorriso misterioso.
__ Na verdade, daremos de mochileiros. Vamos viajar sem destino por um tempo.__ Lizandra estraga o suspense.
__ É aí que vocês entram em nosso esquema...__ Bruno beija a cabeça da esposa e nos observa.
__ Sei que estão de férias, mas contamos com ajuda de vocês para ajudar Betina.__ Lizandra explica.
__ Betina melhorou bastante, mas não queremos correr o risco de sobrecarregá-la. Além do mais, questões administrativas são seu forte, irmão.__ Bruno descansa a mão no ombro de Bartolomeu.
__ Podem contar conosco. __ Bartolomeu abraça o irmão.
Lizandra e eu nos entreolhamos. Ela toma a iniciativa de também me abraçar.
__ Gosta de animais, Samantha?__ Lizandra parece me sondar.
__ Sim. Pena que nunca pude ter um pet por viver em apartamento. Mas nos últimos meses o gato do vizinho parece ter me adotado. Chips não saía do meu lado.
__ Já é um bom começo! __ Lizandra segura minha mão. __ Se não for pedir demais, dê um pouco de carinho ao meu Detona. Venâncio cuida bem dele, mas meu cão pensa que é gente. Precisa brincar e de que conversem com ele.
__ Amor, está assustando a moça passando tanta responsabilidade de uma só vez.__ Bruno abraça a esposa.
__ Detona é como um filho para mim.__ Lizandra se justifica.
__ Não se preocupe. Enquanto estiver aqui darei a atenção que ele precisar.
__ Ah, obrigada, Sam! __ Lizandra abraça-me novamente. __Posso te chamar assim?
__ Claro!__ Sorrio encabulada.
Lizandra é o extremo oposto de mim. Segura, extrovertida e totalmente expressiva. Não poupa demonstrações de sentimentos e afeto.
__ Abra os olhos com esse cão, Samantha. Ele tem o péssimo hábito de roubar objetos das pessoas. __ Assim que termina de falar, Bruno faz uma careta por conta do cutucão que leva de Lizandra.
__ O mesmo digo sobre os irmãos Fonseca.__ Lizandra rebate com uma piscada para mim.__ Não se deixe intimidar.
Apenas aceno a cabeça e evito encarar Bartolomeu.
Apesar de Lizandra estar um pouco "alegre" por conta dos drinques servidos na festa, sinto que quis me ajudar de alguma forma em relação a Bartolomeu.
__ O que estão cochichando aí?!__ Bruno ameaça pegar a esposa no colo.
__ Estava dando algumas dicas a Samantha. __ Pisca com cumplicidade.
Adorei Lizandra.
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Após se despedirem dos convidados, Bruno e Lizandra se retiram da festa discretamente.
Talvez empolgado pela conversa animada com os noivos, Bartolomeu segura minha mão e me puxa para o centro da pista de dança.
Uma de minhas mãos ele segura junto ao peito. Desliza a outra mão por minha cintura e me puxa. Seu sorriso vai desaparecendo a medida que nos perdemos nos olhos um do outro.
Uma música sobre alguém que está voltando para casa, começa a tocar.
__ Já disse que acho seus olhos incríveis?__ Bartolomeu parece hipnotizado.
Nego com a cabeça.
__ As vezes tenho a imprensão que posso mergulhar neles.__ As íris de Bartolomeu se dilatam.
A mão em minha cintura faz uma pressão maior colando nossos corpos.
Tenho a impressão de que irá me beijar a qualquer momento, mas em um último instante, apoia a testa na minha.
__ Melhor pararmos por aqui. Não quero fazer algo que depois me arrependa...
Nota da autora:
Olá, leitora linda!
Está gostando do romance de Bruno e Lizandra? Espero que sim 😊
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SLSPrincess 👑
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