🌾Prólogo🌾

"Somos feitos de carne, mas temos que viver como se fôssemos de ferro..." ( Freud)

Nunca houve noite tão iluminada em Vila São Miquéias quanto aquela noite fatídica em que o velho casarão incendiou. As labaredas alaranjadas subiam como línguas de fogo tentando lamber o céu.

Jamais se apagou da memória de Bruno, na época um assustado menino de 7 anos com olhos arregalados e embaçados pelas lágrimas, o som dos estalos da madeira crepitando, a imagem das cortinas sendo consumidas pelo fogo e os gritos das pessoas vindas de todos os lados. Uns carregavam baldes com água tentando ajudar a apagar o incêndio, outros clamavam por socorro. Essa lembrança era a que mais doía. O som dos gritos de seus irmãos e mãe suplicando por ajuda e ele sem poder fazer nada.

Bruno recorda-se de ter ficado parado à certa distância com uma toalha úmida protegendo-lhe as costas, o corpo coberto de fuligem, sendo amparado por alguns moradores, enquanto via a vida de sua família ser consumida pelas chamas.

Essas lembranças marcaram como fogo a memória do único sobrevivente ao incêndio no antigo casarão da Vila São Miquéias e muitos anos depois a dor ainda ardia em seu peito, toda vez que Bruno relembrava do episódio que lhe tirou o que tinha de mais precioso e o forçou a se adaptar a uma nova vida repleta de rejeição, descobertas e superação.

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