Capítulo 9
Abriu capitulo, clica na estrela. 😉❤
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Quando completou seu primeiro mês no jornal, Anthony ganhou um sorteio que era feito com frequência na empresa, cujo prêmio era o fim de semana num hotel.
O que veio em boa hora, pois foi uma outra comemoração do aniversário de 18 anos de Marcela.
Nesse hotel, eles observaram mais ainda detalhes do atendimento, prestação de serviços, em como os outros hóspedes se portavam.
O serviço prestado a eles teve uma certa diferença dos clientes que de fato pagavam, mas isso também foi bom, pois eles viram o que fazer ou não, quando e se tivessem mesmo uma hospedaria.
Os dois, usando a simpatia durante uma conversa com o gerente, descobriram algumas coisas que precisavam ser feitas para ter um estabelecimento como aquele, administrar o lugar.
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Anthony soube que o escritório de advocacia, próximo ao jornal, estava precisando de um mensageiro/ entregador, e foi até lá para indicar Marcus, que no dia seguinte se apresentou para entrevista e foi aceito.
Semanas após, quando voltava de um lugar que foi buscar uma documentação, o ônibus em que estava passou por uma rua. Marcus viu um lugar com placa de venda. Desceu no ponto seguinte, voltou, conseguiu informação e deixou horário marcado com uma moradora da casa ao lado, de forma rápida para não atrasar a volta para o escritório.
No domingo, os três foram até lá, para conversar com o proprietário sobre a venda. O homem mostrou o local, que precisava de reforma pois há anos não funcionava e então todos da família dele tinham entrado em acordo para vender. Ao lado da entrada tinha um espaço que poderia ser alugado como um pequeno escritório e fazia parte da venda.
Naquela semana, os três conversaram por várias vezes sobre o assunto em casa. Marcus disse algumas ideias que teve para a reforma, e os dois além de concordar, acrescentaram.
Marcela disse que já tinha aprendido muita coisa com Luzinete, a senhora que a ajudou a conseguir emprego na casa de família. E com essa família, que infelizmente era mais soberba do que ela pensou, também tinha seus aprendizados tanto para reproduzir, quanto para não, caso um dia a vida deles prosperasse e tivessem pessoas trabalhando na casa.
Anthony aproveitou para dizer que ela poderia parar de ir para aquela casa, que não gostava de como eles faziam tanta diferença, e também de como ela disse que tanto o patrão quanto o filho, a olhava.
Mas ela disse que precisariam da parte dela, que não era justo só eles contribuírem, e que se a venda fosse fechada, iriam precisar ainda mais que os três estivessem trabalhando.
Marcus concordou com Anthony, que ela não fosse mais, e ela vendo que não venceria, os fez concordar que iria ao menos mais um mês.
O irmão comentou também que iriam precisar da ajuda de Pierre e Daniel, para completar o que faltava, mesmo com o valor da venda do terreno ao lado, para comprar o lugar.
Eles fizeram a compra do lugar duas semanas após, quando Daniel levou a parte que emprestaria. E conseguiram um acordo para aguardar a parte que faltava, que seria dada com a chegada de Pierre. Anthony tinha certeza que quando ele recebesse a carta, daria um jeito de ajudá-los.
Mas, foram surpreendidos um mês após, com a chegada de um homem, que informou estar fazendo um favor a Pierre. Era do Rio de Janeiro, e estava entregando a eles o valor que Anthony havia informado ao amigo. Depois o rapaz deu uma carta do francês, que informava que assim que possível, estaria com eles.
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Marcus estava lanchando numa barraca próxima do escritório, quando César, um dos advogados, se aproximou e pediu o mesmo lanche que ele estava comendo.
Começaram a conversar e César perguntou se a sala ainda estava disponível para que ele pudesse alugar.
O advogado de 25 anos, trabalhava há quase um ano no escritório, e foi um dos poucos a receber Marcus sem ficar olhando de cima a baixo. Eles lancharam juntos algumas vezes na semana, e mesmo Marcus não tendo poucos meses lá, César percebeu que era trabalhador, esforçado e inteligente, assim como julgado como ele era, mesmo não parecendo.
César ajudou a analisar o documento feito pelo proprietário do lugar que a família de Marcus iria comprar, acrescentou a parte do prazo para o pagamento restante, de modo que não prejudicasse nenhuma parte, oferecendo como garantia o terreno com a casa onde os compradores moravam, ele deu conselho de que não fosse vendida tão rápido. Somente vendessem o terreno.
Marcus combinou, e então no fim de semana, César levou a esposa até o local, para ver o que achava da sala, e apresentá-la a Anthony, que ele já conhecia e que vez ou outra também lanchava com eles, quando não levavam marmita de casa.
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Soraia e César.
O pai tinha um bom emprego, o que proporcionou que ela pudesse ir à escola particular no bairro onde moravam, por todo tempo letivo. Não moravam em bairro de rico, e não eram ricos, mas era um condomínio organizado, com guarita, lugar calmo.
A mãe dela cuidava do lar, e por algumas vezes dava aulas particulares de piano, em casa.
Na pré-adolescência, Soraia desenvolveu gosto por costura, e além de fazer roupas para as bonecas que ainda tinha, tentava fazer para si.
Quando fez 17, entrou num curso de corte e costura num bairro próximo de onde morava. Um ano depois, conseguiu vaga em outro curso, num outro bairro.
Num certo fim de tarde, ao voltar para casa, conheceu César, no ônibus. Um rapaz que naquele dia parecia muito cansado, e ela segurou a mochila dele pois o ônibus estava cheio, e a partir dali, sempre conversavam no trajeto até que chegava o ponto de ônibus onde ela se despedia dele, e descia, pensando em quando ele ia chamá-la para sair.
***
César sempre estudou em escola pública, e ver o esforço dos pais para colocar comida na mesa o fazia querer estudar mesmo quando estava em férias, e quando podia, conseguia trabalho. Dizia que seria um adulto bem-sucedido, para dar uma boa vida a eles para que descansassem.
A mãe lavava roupas para uma dona num bairro melhor do que o que eles moravam, e essa patroa mandava livros para ele. Dizia que a funcionária tinha um filho muito bonito e seria melhor ainda se fosse inteligente e esforçado. Essa senhora, mesmo quando não tinha mais as roupas lavadas pela mãe dele por questão de saúde, ainda lhe mandava livros, principalmente para estudar para o vestibular.
Quando ele deu a notícia que seria estudante de direito, viu a lágrima de felicidade nos olhos dos pais.
O pai dele, pedreiro, não tinha terminado o ensino médio, assim como a mãe, e os dois mostraram como estavam orgulhosos, organizando aquela surpresinha quando ele voltou do mercado onde trabalhava empacotando ou fazendo entregas.
"Bolinho simples e refrigerante" foi o que a mãe disse. — Mas estamos tão orgulhosos, você é nosso ouro.
A senhora que lhe deu livros estava lá, e garantiu que lhe daria os livros necessários para o curso.
No último período, em um fim de tarde quando voltava para casa, uma moça no ônibus onde estava, perguntou se ele queria lhe dar a sua mochila para ela levar em seu colo. Desde aquele dia, sempre conversavam durante o trajeto, na semana.
Ela não sabia, mas acabou se tornando a melhor parte do dia dele, que já chegava no ponto, ansioso para ela estar no ônibus. Quando ela se despedia, ele seguia pensando como iria chamá-la para sair, onde a levaria pois, percebeu que mesmo sendo tão comunicativa com ele, ela devia ter condição de vida bem melhor.
O que ele não sabia mesmo, era que toda vez que ela descia do ônibus, pensava que se ele não convidasse na próxima vez, ela mesmo faria.
Até que na terceira semana, numa sexta, ela se despediu e desceu, pensando que seria um longo fim de semana, até poder vê-lo. Fora que o curso que ela estava fazendo, iria terminar em breve.
Enquanto refletia nisso, ela escutou a voz dele atrás de si, e então se voltou para ver aquele rosto cansado- mas que sempre sorria quando olhava para ela- e ouviu ele dizer que queria fazer uma pergunta.
Ela sorriu de volta, dizendo que ele poderia ficar à vontade, e o jeito como sorriu, fez ele pensar em certas coisas. O jeito dela, arteiro e leve ao mesmo tempo, mexia com ele. Era aventureira, mas também levava calmaria para o coração dele, afinal, vê-la era o momento mais esperado.
Então ele a convidou para um encontro, e em meio a tentativa de sugestões dele, ela sugeriu que fossem à praia.
Soraia viu que ele queria convidá-la para um restaurante chique, ou algo que tentasse dizer que ele queria "impressioná-la", mas ela sugeriu praia, pois, desconfiava que ir a um restaurante como ele queria, poderia fugir do orçamento dele.
Desconfiou pelo terno que parecia ter sido emprestado a ele e não comprado, mas ela não estava julgando, pelo contrário, saber daquilo não impedia de querer conhecê-lo cada vez mais. O jeito como ele olhava, sorria, todo charmoso, e como tentava de um jeito cortês dizer que estava interessado nela, a deixava curiosa em saber como seria "a pegada".
Três encontros depois, e sabendo mais um do outro, ele a pediu em namoro.
Os pais dela queriam que ela namorasse o filho de um conhecido deles, que estava cursando medicina, e a família tinha mais recursos que eles, ou seja, daria uma vida confortável à filha quando se casassem. Mas ela não estava interessada nele, e além do mais, o cara nem se interessava pelo que ela dizia ou queria fazer, diferente de César, que retribuía a atenção desde o início.
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Duas semanas antes dele receber o diploma, ela deu-lhe um terno, e tinha ajustado um pouco mesmo sendo novo. Ele ficou um pouco sem jeito, mas sabia que era de coração. Agradeceu, disse que seria como seu outro amuleto da sorte, e ela perguntou qual seria o primeiro, já que aquele seria "o outro", e ele respondeu que era ela.
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Casaram-se, pouco depois do aniversário dela de 19 anos, mesmo todos achando que era rápido demais. Ele tinha 24. Foram morar numa casa alugada, ele já estava trabalhando num escritório. Ela fazia consertos de roupas em casa, ainda com o sonho de poder fazer uma marca de roupa ou bolsas e acessórios.
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César conheceu o novo mensageiro do escritório, chamado Marcus. Chegou em casa falando do rapaz muito inteligente que estava prestes a fazer vestibular.
Ajudou na documentação da compra do imóvel da família dele e comentou com a esposa que estava interessado na sala.
Soraia foi com ele ver o local e disse que parecia bom, que o apoiava, pois via que ele não estava sendo reconhecido e que não pensavam em reconhecê-lo, talvez por ele não ter recursos como os "filhos de papai" que trabalhavam lá.
Aceitaram o convite para um "café" na casa de Marcus, para conhecerem a família dele. O rapaz que já tinha almoçado na casa deles por duas vezes, já era adorado, e ela estava curiosa para conhecer os demais.
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Foram recebidos por Marcus, que apresentou Marcela.
Soraia logo pensou que ela fosse uma daquelas esnobes que se achavam melhor que os outros, mas então a viu ser tão receptiva, e dizer que tinha feito alguns petiscos para recebe-los, resolveu dar uma chance. Se ofereceu para ajudar na cozinha, quando Marcela disse que estava prestes a passar o café, e que já levaria outras coisinhas à mesa.
Pouco depois, Marcus entrou pela porta dos fundos, elas não estavam na cozinha e sim na sala, dando risada, como quem comemora por descobrir coisas em comum, e o disco de Fábio Jr, e Maria Bethânia nas mãos. Soraia disse a ele que estava adorando conhecer mais uma apaixonada por música e novelas, e que mandaria por ele uns romances de banca que ela tinha.
Marcus perguntou se ela soube da história da televisão que ele e Daniel foram obrigados a comprar, só para a irmã ver a novela que tinha Fábio Jr., Soraia respondeu que tinha acabado de ouvir, e que tinha adorado. No restante daquela tarde, foi como se estivessem conversando com alguém que conheciam há tempos.
Na semana seguinte Soraia emprestou para Marcela, o disco de Rita Lee, e Secos e Molhados. Para Marcus, emprestou o de Raul Seixas, que ele tinha gostado de ouvir num domingo que foi visitá-los.
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Soraia
Suzy Rego.
Sempre penso na Soraia e associo a ela... procurei imagem dela mais Nova, pois ela com mais idade sempre me lembrou a personagem.
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03/02/2025
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