Capítulo 21
O senhor Brito pediu que Anthony, Marcus e César o acompanhasse. Soraia chamou Anthony e o esposo num canto e disse para não irem.
O senhor que já tinha previsto algo do tipo, pediu ao advogado que chamasse a criança (mais ou menos 10 anos de idade) que estava no carro, era seu neto, olhou para Soraia depois Marcela, dizendo que o garoto ficaria com elas até que voltassem, e que não confiaria se não tivesse certeza que seria bem cuidado. — Vim numa oferta de paz.
Quando voltaram, já era fim de tarde. Elas já tinham passado do estado de curiosas para aflitas.
Marcela ao abraçar Anthony, disse o quanto estavam preocupadas, porém eles pareciam muito contentes. Ele disse que estava tudo muito bem, e depois falou para o garoto ao lado de Denise, que o avô dele o esperava no carro.
César estava com um classificador na mão, continha vários papéis, era notável pelo volume. Ele sorria para a esposa, como quem queria dizer que "ela não iria acreditar".
Já Marcus, que tinha ido até o escritório, voltou com uma bebida que Pierre havia deixado.
Elas não entenderam nada, até que foram chamadas para ir à cozinha, onde foi explicado: Foram levados para aquela pousada, onde assinaram um novo documento, o qual dizia que o lugar pertencia somente a eles. Depois, foram levados a um terreno extenso, próximo a praia, pertencia ao cara que havia enganado eles, e o senhor também lhes deu.
Marcus continuou a explicação do cunhado, dizendo que o senhor Brito falou que se ele fizesse um bom projeto (não importava se sozinho ou com parceria) ele mesmo marcaria reuniões com "os barão" – esse foi um jeito popular de Marcus falar - Mas que seria de total responsabilidade dos três apresentar o projeto e convencê-los.
O senhor só estaria assistindo para ver se também participaria, e então teriam financiamento para construir. — Ele também disse que daria apoio a César, com alguns clientes e nosso amigo ficará à frente de nossas negociações.
Marcela olhou para eles com um jeito desconfiado. Soraia fez o mesmo.
César confirmou com um gestual de cabeça "está tudo certo", e até falou — Tinha o pessoal do cartório, foi tudo certinho. Depois vamos nos reunir com o pessoal da prefeitura também. Sei que passamos por isso, mas é diferente. O senhor Brito demorou, mas fez valer a pena.
— Muito a pena. - Marcus colocou o conteúdo que sobrou da garrafa de champanhe em seu copo, e disse que era "inacreditável, porém real".
Anthony falou que eles também demoraram a associar, e só quando chegaram no escritório na casa do senhor Brito e viram os papéis a assinar e a equipe para formalizar " a ficha caiu", então entendia elas demorarem a acreditar, porém, que comemorassem.
Depois de beberem um pequeno gole, que foi a quantidade que deu pra todos, e claro, o de Marcela e Denise foi somente pra "molhar o bico para brindar", como Marcus brincou, elas viram todos os contratos assinados.
*
Marcela disse que estava até aquele momento sem acreditar no que havia acontecido. Anthony ligou o radinho próximo a cama, deixou o volume baixo, apagou a luz, porém o quarto nunca ficava tão escuro, pois a janela ficava aberta - por ter proteção e ser virada para a rua não havia chances de alguém olhar, já que não era térreo.
Foi até o berço, sorriu ao ver o filho dormindo, depois se deitou ao lado dela.
Ela comentou que sentiu tristeza ao ouvir sobre a primeira família que o cara havia prejudicado.
O cara levou o dinheiro de economias e o que havia ganhado num prêmio de loteria, com a promessa de que entraria num grande negócio e o dinheiro voltaria em maior quantidade. Mas, logo o homem soube que era fraude. O que fez o cara tirar a própria vida, desesperado, deixando a noiva sozinha, e nem sabia que ela estava grávida. Mas o senhor Brito a ajudou, oferecendo um lar e emprego, para cuidar de uma das casas dele em outra cidade. E mais, todo o estudo da criança, questões médicas, também seria provido por ele.
A perda do terreno faria o irmão refletir. E eles não sabiam, mas ainda havia um motivo entre os irmãos, que o fez prometer não mais fazer aquilo. O cara estava presente na assinatura, e pediu perdão – notou-se que o irmão mais velho tinha peso na atitude.
Claro que Anthony se segurou para não socar o rosto dele, inclusive Marcus sinalizou que respirasse fundo, e se lembrando do que estavam ganhando, resolveu não fazer vingança com as próprias mãos.
Anthony se deitou ao lado de Marcela, e disse a ela que o que manteve a esperança dele foi o apoio dela, pois pensou que não daria certo, que teriam que vender aquele lugar, alugar uma casa e ficar só com a pousada que tinha o outro sócio.
Ele estava sentindo vergonha de si, por ter falhado e estava em falta com a esposa e o filho.
Ela fez com que ele a olhasse, e lhe disse que admirou a força dele, a esperança. — Já te disse que podemos sempre recomeçar, sempre que precisar. – o beijou. – " Já teve dias na infância, de dificuldade e só ter farofa com pedacinho de barriga de porco ou tripa de boi, pra dividir, ou café preto com farinha. Acredite, esses tempos de dureza que tivemos não foi nada se comparar. E assim como tivemos muitos momentos bons, alguns de fartura na infância, viagens, teremos em nosso futuro."- pensou, depois concluiu. — Mas que bom que agora vamos recomeçar mais rápido do que a gente pensou. A vida te dando esse presente de aniversário que tá chegando. – não só ela deu um risinho, como ele também após ouvir.
— Voltarei a te dar flores toda semana. – e a beijou novamente. — E te levar para jantar em restaurante. – deu outros beijinhos — E te levar no cinema, enfim.
*
Gustavo perguntou a Denise o motivo dela estar contente. A esposa respondeu que algo extraordinário havia acontecido, e contou.
"Não acredito que esses desgraçados têm sorte. Vão sair ganhando..." — Que bom né? – se deitou, virando-se de lado, para ela não ver que ele não estava sorrindo.
— Credo Gustavo, põe mais animação. Parecia tudo perdido, agora veio esperança.
— Desculpe, eu só tô muito cansado. Mas que bom né? Que está tudo resolvido. – "Agora é mudar a estratégia, já que vão começar a ter mais grana ao que parece, preciso ser mais útil pra estar dentro de tudo".
— Imagina só... A situação que poderia acabar com tudo, poderia deixar todos nós no fundo do poço pra recomeçar do zero, acabou se tornando a melhor coisa pra todos. Já pensou? – como não teve resposta, deduziu que ele já estivesse dormindo, então deu uma última verificada em Verena, apagou a luz e se deitou.
***
— Tenho que te falar um negócio. – Marcus disse a Soraia, enquanto ela e Marcela colocavam algumas sacolas na mesa. Elas tinham voltado do mercadinho ali perto, onde foram comprar algumas coisas que faltavam para o almoço no dia seguinte, que seria aniversário de Anthony. Não teriam uma grande festa, seria algo simples, só pra eles. Nem tinham avisado a Daniel ou Getúlio, apesar de desconfiarem que eles poderiam visitá-los.
Soraia perguntou o que era, olhando para ele, que bebeu um gole de café, depois colocou a xícara à frente do livro que estava lendo. Teve a resposta que depois falaria, pois César também precisava saber.
Elas insistiram, mas ele disse que não, e saiu quase correndo, depois da ameaça que iria "apanhar até dizer".
*
À noite, já em casa, Soraia comentou com o marido que Marcus tinha deixado ela curiosa. Foi então que César disse que se lembrou naquele momento, que ele tinha deixado um envelope, mas só era para ser aberto em casa e com ela.
— Oxe, pegue logo. Mas rapaz, agora que você fala disso, é? – ela acompanhou ele ir até o livro que estava lendo para tratar de um contrato do escritório, onde ele e Marcus estavam trabalhando, depois se sentou ao lado dele no sofá. — O que foi que o doido disse ai? Que fez esse mistério todo.
"Cesar, amanhã não daremos cachaça a Sosô. Na verdade, por bastante tempo pois tem de contar a amamentação também. Parabéns aos dois. "
Após ler, ele olhou para a esposa com os olhos marejados. Ela fez menção de que falaria algo, mas nada saiu, então se abraçaram.
No dia seguinte, Marcela abraçou a amiga ao vê-la chegar para ajudar a preparar o almoço. Disse que se o irmão tinha dito, com certeza era, e ela tinha duvidado em sua vez.
Soraia respondeu que mal tinha dormido, e que era melhor adiantar o almoço, para ela se distrair ou ficaria "doida".
Na hora do almoço, e depois dele, ninguém deixou Soraia beber, como se já tivessem certeza. E foi confirmado no outro dia, ao receber o exame.
Ela chorou e recebeu o abraço do marido, que também estava emocionado.
César lhe disse — Veio no momento certo, que estaremos com condição um pouco melhor que antes pra receber nosso filho.
— Ou filha.
— Ou filha. – sorrindo como ela estava. — Amo vocês, e muito obrigado por querer formar uma família comigo.
No fim de semana, eles convidaram os pais, fizeram um jantar, e estavam presentes Marcela e Anthony, que disseram que entenderiam se não fossem convidados pois era algo íntimo para eles, e os dois responderam que eles também eram família e sabiam disso há tempos.
— E somos, por isso vocês estão em tudo o que acontece de importante conosco. Almoçamos juntos mesmo em dias normais, isso é ser família. – Anthony respondeu ao amigo.
O casal de amigos fez questão de que os pais de César e os de Soraia ficassem aquela noite na pousada, após o jantar.
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