Capítulo 15



Quando Estela recebeu a carta das mãos de Pierre, guardou no bolso discretamente para que Richard – que naquele momento estava em casa, não percebesse - então conversaram um pouco sobre os projetos dele, e como o francês estava planejando ir ao Brasil, rever o amigo.

No fim da tarde, aproveitando que estava sozinha, leu a carta e chorou. Entendeu o motivo da filha mandar para o endereço de Pierre, para que o pai não encontrasse primeiro na caixa de correio.

Lembranças vieram a sua mente, inclusive de seu pai. Escutou a voz de Richard, e ela então escondeu a carta. Naquela semana ele estava com a mente cheia devido ao trabalho, e já começava a questionar quanto tempo Denise ficaria com o irmão, então ela precisava amaciar o terreno para contar o que acabara de saber.

Dois dias após, quando ela chegou do mercado, ele estava no sofá de casa com a carta em sua mão. Estela, pega de surpresa, não sabia o que dizer além de perguntar o motivo dele ter mexido nas coisas dela. Ele se levantou e disse que era o menor dos problemas e perguntou o motivo dela ter escondido a notícia.

Estela disse que não havia escondido como ele estava pensando, só queria encontrar um jeito de contar sem parecer ruim como ele acharia. E sim, ela sabia que não era a melhor notícia, mas não acenderia o pavio dele.

Ele esbravejou que aquilo era péssimo, que tinha alguma coisa que não poderia explicar no Brasil, talvez uma maldição que perseguia a família dele.

— Não fale desse jeito! – ela gritou. Depois, pediu que ele se acalmasse para que conversassem.

Ele se sentou novamente e chorou. Disse que se soubesse que aconteceria aquilo, não teria deixado ela ir ver o irmão. Que eram dois ingratos por jogarem a vida que ele tentou dar aos dois, fora.

Não houve um acordo e cada um foi para um lado. Depois daquele dia, falavam apenas o necessário, e então, duas semanas após ele disse que havia escrito uma carta e que dizia a Denise que não contasse com eles, o que ele não sabia, é que ela estava planejando ir para ajudar quando a criança nascesse.

***

Anthony e Estela choraram ao se abraçar, e ela continuou emocionada ao ver Denise com o barrigão, e a abraçou. A filha mal acreditou que ela estava ali.

Depois de abraçar Marcela e ser apresentada a Soraia, ela abraçou novamente a filha, enquanto Pierre cumprimentava as amigas.

Quando conheceu as áreas da pousada, comentou com o filho e a nora, que estava orgulhosa.

Quando Marcus chegou, perto do horário do almoço, Estela o abraçou como se fosse o próprio filho, fazendo com que Denise pensasse se ela iria gostar de Gustavo que era um pouco mais sério do que o irmão de sua cunhada. Fora que pensou também que a mãe teria gostado se ela namorasse o Marcus antes de ter conhecido o namorado.

Ela foi apresentada a César, que assim como sua esposa, almoçou com eles, por convite do casal de amigos, para que Estela ficasse à vontade com eles. Nesse almoço ela disse que ficaria por alguns meses para ajudar a filha. Noah, que não desgrudava do pai, ficou por lá.

Ela até deu tchau, quando saiu de casa, mas Richard não respondeu, continuou sentado na poltrona. Porém, ao entrar no carro de Pierre, ela o viu olhando pela janela, como quem queria se despedir.

À noite, ela conheceu Gustavo, que chegou trazendo flores para ela.

Como Denise havia mandado recado através da moça responsável pela lavanderia da pousada, ele logo pensou em causar uma boa primeira impressão. Porém a filha conseguiu sentir que a mãe, mesmo sendo simpática, estava ainda de modo desconfiado.

Anthony havia lhe contado mais cedo, a pedido dela, a história verdadeira de como foi que ocorreu tudo.

Quando enfim estavam prontas para dormir, Estela se sentou na cama de Denise e disse que estava muito feliz de estar ali, que tinha saudades de todos.

Anthony e Marcus colocaram outra cama de solteiro no quarto de Denise, a pedido da mãe, para ajudá-la mais rápido caso precisasse. Só trocariam por cama de casal, quando ela e Gustavo estivessem oficialmente juntos e ele fosse morar lá.

Foi um pedido que Anthony fez e Marcus compreendeu. Como fazia o possível para ficar na pousada só o tempo necessário ou para dormir, não se importou. Entendia o motivo do irmão querer que morassem com eles, assim cuidaria dela.

Denise então pediu para ficar um pouco na cama dela, com ela, se deitou e pôs a cabeça em seu colo.

Começou então a contar o que havia acontecido enquanto recebia cafuné de sua mãe.

Estela falou que sentia muito pela situação dela ter de escolher entre eles, e que estava ali para apoiá-la seja lá como fosse. Contou como Richard ficou sabendo, e que não teve nada a ver com a carta que ele enviou.

A filha então disse o quanto estava agradecida por tê-la ali.

Estela a fez sentar para então lhe segurar as mãos e dizer — Eu sei o que é esse medo de contar que está grávida, pensar que será abandonada. Jamais faria isso, tive o melhor exemplo, seu avô Olívio. E agora eu entendo o que ele sentiu... O pai ou a mãe não imagina a filha grávida tão cedo, mas, eu estou aqui. Ainda bem que consegui chegar antes de nascer, pode ser a qualquer hora.

A filha fez carinho na barriga. Os olhos encheram d'água. — Obrigada por estar aqui, mãe. – se deitou novamente no colo dela. Contando que Marcela e Soraia ficaram chateadas no começo, mas ainda assim, não deixaram de ajudá-la.

***

Anthony trabalhou no jornal até a primeira semana de novembro. Queria cuidar mais da pousada, já que Marcela e a mãe se dividiriam entre as atividades e ajudar Denise. Ele conseguiu um acordo para que o anúncio da pousada continuasse sendo publicado no jornal por mais algumas semanas de forma gratuita, e depois teria um bom desconto.

***

Em 12 de novembro de 84, num dia chuvoso, nasceu sua sobrinha Verena. Nome escolhido por ele.

Quando pequeno, ele ganhou um livro dado por sua avó logo depois da chegada deles. Era a história de dois irmãos cujo os pais foram enfeitiçados por uma bruxa, então eles partiram do castelo, em busca de um mago que os ajudaria a reverter o feitiço e salvar não só os pais como todo o reino.

O garoto se chamava Nikolaj, e o nome da irmã ele não conseguia pronunciar, então chamava-a Verena.

Ele leu essa história tantas vezes que nem contava mais, tanto pra Denise, quanto para Noah antes de dormirem.

***

Antes de colocar a menina no berço, Marcela abençoou-a assim como viu a senhora Eleonora fazer algumas vezes com bebês dos vizinhos, dizendo que desejava que Verena tivesse inteligência, saúde e sucesso no que fizesse, que Deus a abençoasse e finalizou com oração.

Estela encostou na nora em frente ao berço, deu-lhe um abraço de lado e disse que o dinheiro que estava juntando, era para visitá-los quando nascesse o filho dela com Anthony, e sabia que não iria demorar, mas, Denise resolveu fazer surpresa. Pierre não a deixou pagar a passagem, então ainda tinha ficado com seu dinheirinho na mão e as duas deram um risinho.

A avó elogiou novamente a menina que dormia tranquila, depois disse que iria preparar algo para filha comer, porém Marcela já tinha feito almoço para todos, inclusive até dos clientes que pagaram por fora para almoçar lá, após sentirem o cheiro delicioso que vinha da cozinha.

Marcela ficou pensando no que Estela disse sobre não demorar que eles tivessem filho ou filha, e pensou: Anthony já estava sorridente pela sobrinha... imagina pela sua própria criança?

***

Anthony estava tão feliz, não só pela sobrinha, mas por ter a mãe e o amigo por perto e tudo estar dando certo, que pediu a eles que ajudassem a fazer uma surpresa. Decoraram a pousada assim como faziam em casa. Foi o primeiro natal que Marcus e a irmã passaram naquele estilo. Nos anos anteriores, Anthony até quis, mas estavam com menos recursos disponíveis do que naquela ocasião.

Ainda não tinham "a vida boa" mas sobrava mais do que antes de ter a pousada.

Sem contar que Pierre ajudou e muito com as compras para a ceia. E nesse dia, não tinha clientes na pousada – como planejado antes- para que os quartos fossem ocupados pelas visitas: os pais de César e Soraia, Daniel e a esposa, Helena e Getúlio - que ficou emocionado, choroso -ao rever a irmã dois dias antes, assim como quando conheceu a pequena.

Daniel entregou um envelope a Marcela, era uma carta de Ana Maria. Ela foi até o quarto ler. A carta falava sobre o filho que teve, e que havia conhecido um homem bom, e se casaria com ele. Marcela sorriu, levou a carta ao peito como se tivesse abraçado a amiga. — Que bom, minha querida, que bom."Vou escrever para ela, e dar a Daniel".

A carta que Ana Maria mandou, foi direcionada à avó, e ela entregou a Daniel. A mãe dela não queria que ninguém soubesse onde a neta estava, para evitar que chegasse aos ouvidos da família poderosa.

Laura também foi convidada para a Ceia. Chegou com Gustavo. Ela havia se empenhado para estar linda, na tentativa de conquistar Marcus, porém ele não ficou por toda a noite, saiu com Pierre para uma festinha na casa que seu amigo Robert havia alugado, com convidados até de outros países.

Mas antes de sair, ele deu a Denise um presentinho para Verena: Uma pulseirinha folheada a ouro. Ele viu na lojinha ao lado da que ele estava trabalhando, e aproveitando que a vendedora tentava puxar assunto com ele, jogando charme, ele a chamou para aquela festa que iriam e comprou a pulseira para a menina.

Mas deu disfarçadamente para Gustavo não implicar. Ela agradeceu, e ele saiu com o francês.

****

11/02/25

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top