Capítulo 8 - Um genro quase perfeito

Disclaimer: Todos os personagens pertencem a JK Rowling. Esta fanfic é uma tradução autorizada de "Falsas Apariencias" postada em 2007 no FanFiction por Sisa Lupin.

Capítulo 8 - Um genro quase perfeito.

A suave brisa do entardecer convidava aos habitantes de Hogsmeade a sair de suas casas e o ambiente ensolarado e festivo que se sentia através de seus moradores era de uma tranquilidade que, para Remus, contrastava muito com os últimos acontecimentos ocorridos no mundo bruxo.

Até quando aquela situação se manteria?, se perguntava. Talvez até que fosse muito tarde para poder impedir. Com as mãos nos bolsos, o lobisomem caminhava cabisbaixo até seu encontro no Três Vassouras.

Depois de vagar pelas ruas do pequeno povoado, alheio a tudo o que o rodeava, topou-se com a fachada da taverna mais concorrida do lugar. Sem mais enrolações, entrou em seu interior com passos vacilantes e quando viu o pai da jovem em uma das mesas do fundo, encaminhou-se até ali com resignação.

Parecia impaciente a julgar pelos olhares que lançava ao relógio de parede que tinha ao seu lado.

— Está atrasado — disse Ted ao vê-lo.

— Desculpe por fazê-lo esperar.

— Sente-se — mandou e, como um cachorro adestrado, Remus o fez — Quer um copo de firewhiskey, vinho dos elfos...?

— Prefiro cerveja amanteigada, se não se importar — respondeu, já que ainda estava de ressaca.

Ted o observou em silêncio com ar sério. Depois de alguns segundos, assentiu enquanto chamava Rosmerta para que lhes atendesse. Quando ela afastou-se com a comanda, seguiu observando o lobisomem.

Remus engoliu em seco. Naquele momento não sabia o que lhe assustava mais: aquele olhar ou seus iminentes palavras.

— Suponho que vai perguntar o que faz aqui.

O mencionado assentiu, um pouco nervoso.

— Faz mais de 20 anos que não nos vemos — acrescentou —, e de repente aparece na cama da minha filha.

— Senhor Tonks, eu já expliquei que...

Ted o deteve com um gesto de sua mão.

— Não vim falar disso. Já me explicaram na hora.

— Sério? — perguntou confuso.

No meio daquele silêncio tenso, Rosmerta apareceu com dois copos de cerveja amanteigada.

— Veja, Remus — retomou a conversa quando a dona do estabelecimento se afastou — Tudo parece diferente com um pouco de distância, se é que me entende...

O lobisomem engoliu a saliva.

— Entendo perfeitamente — respondeu com a voz fraca.

O pai da metamorfomaga sorriu, mesmo que Remus não pudesse ver por trás de seu copo de cerveja amanteigada. Depois de martiriza-lo um bom tempo com uma longa pausa, decidiu continuar a conversa.

— Estou enrolando demais — disse de repente, fazendo o lobisomem sobressaltar-se em seu lugar — Apesar de tudo, sei que é um bom rapaz e tenho certeza de que fará muito feliz a minha filha.

O lobisomem engasgou-se em um gole de cerveja.

— Quê? — conseguiu perguntar depois.

— O que eu disse! Na verdade, podia ter sido pior. E se tivesse se apaixonado por um vampiro? Prefiro mil vezes um lobisomem como genro — e dito isso, deu uma piscadela — Desejo muita sorte para os dois.

Mas Remus não conseguia pronunciar mais de duas palavras.

— Vamos, diga alguma coisa!

Remus limpou a garganta antes que ele começasse a falar sobre casamento e filhos.

— Senhor Tonks, eu acho que...

— Me chame de Ted — disse de forma paternal.

— Ted... Foi um terrível mal entendido, um de vários, acredito — defendeu-se — Eu não estou saindo com Nymphadora, apenas a conheço.

Se olhares pudessem matar, Remus teria se desintegrado no mesmo instante.

— É um desgraçado — Ted estourou, fazendo eco no silencioso pub — Primeiro, dorme com a minha pequena e, depois, pretende escapar.

O lobisomem levantou-se da cadeira, não ia deixar que ninguém lhe considerasse uma pessoa sem escrúpulos, e muito menos se Tonks estava no meio.

— Eu não dormi com sua filha — retrucou — Quantas vezes preciso repetir?

— Só essa já basta — disse agora com uma voz sossegada e um grande sorriso de triunfo nos lábios — Muito bem, o Veritaserum fez o seu trabalho. Obrigado, Rosmerta! — acrescentou por cima do ombro.

Diante do olhar atordoado de Remus, Ted cantarolava tranquilamente a estrofe de uma conhecida melodia, e deu um grande suspiro de alívio. Foi então quando voltou a prestar atenção no lobisomem, que tentava sair de sua surpresa sem muito êxito.

— Tudo bem? — perguntou preocupado, ao não entender os repentinos balbucios de seu acompanhante.

Remus tentou morder a língua, mas o Veritaserum o impediu.

— É claro que não! Realmente pôs a poção na verdade na cerveja?

— Desculpe, Remus — disse Rosmerta, que passava por perto com outros pedidos — Pareceu uma ideia engraçada, e sabe que essas coisas chamam a atenção da clientela.

— Ah, ótimo, bom saber que graças a minha dignidade perdida seu negócio ficou mais popular — acrescentou com profundo sarcasmo.

— Chega, sente-se. Foi só algumas gotas. Em alguns minutos vai poder voltar a mentir o quanto quiser.

Com grande raiva, voltou a cair sobre sua cadeira. Até aquele momento não tinha percebido os milhares de olhares curiosos que o observavam entre risos. De novo, tentou conter a língua e não afastou o olhar da mesa por medo de dizer algo inapropriado.

Ted suspirou.

— Me desculpe. Só estou tentando ser um bom pai. De qualquer forma, não é a primeira vez que tenta magoá-la.

O lobisomem olhou com maior insistência para a mesa. Ted esperou um momento para que acrescentasse algo, mas ao ver seu olhar ausente, decidiu continuar:

— Na verdade, te fiz vir aqui porque Andrômeda e eu estamos preocupados com a Nymphadora.

Remus ergueu o olhar e franziu o cenho ao ver o semblante repentinamente envelhecido ao pronunciar o nome de sua filha como desculpa ao seu comportamento anterior.

— O que aconteceu? — perguntou.

O rumo que tinha tomado a conversa lhe desconcertou. O senhor Tonks desviou o olhar enquanto mexia as mãos, aparentemente muito nervoso.

— Imagino que é normal considerando as circunstâncias atuais, e o trabalho dela — prosseguiu —, mas faz alguns meses que nos liga a altas horas da noite excessivamente preocupada. Primeiro, se assegura de que somos nós e depois desliga se não aconteceu nada de estranho. Mas, se aconteceu, aparece em casa sem se importar com o horário. No outro dia, ergueu mais feitiços protetores do que os que tem em Gringotes e sempre que tentamos interrogá-la, nos responde com evasivas. Tem dias que está incomunicável, inclusive de noite, mas não é o pior. O pior é o olhar quando se despede de nós — cada vez estremecia mais a voz — Como se fosse a última vez.

Remus não podia acreditar que Ted Tonks, pai dele, estivesse se referindo a mesma pessoa que ele acreditava conhecer. Aquele comportamento podia ser normal em alguém como Olho-Tonto Moody, mas Tonks?

Apesar de sua mente tentar buscar uma resposta lógica para seu comportamento, não conseguia encontrar nenhuma desculpa. Pelas datas, descartou a Ordem da Fênix e seu emprego como auror, logo a maldição Imperius, pois ninguém poderia estar enfeitiçada durante tanto tempo. Sem dúvidas, havia algo de obscuro em tudo aquilo, o suficiente para que alguém se preocupasse assim por sua família, tão obscuro que, ao que parece, precisava manter em segredo.

— Não sei exatamente o que pode ter acontecido, Ted — concluiu — Mas prometo que falarei com ela. Talvez ela me conte algo.

— Com certeza, ela te considera muito.

Remus sorriu de lado, querendo que fosse verdade.

— Agradeço, Remus — disse, enquanto punha algumas moedas sobre a mesa — Queria ficar mais, mas preciso ir. Não quero preocupar Andrômeda.

— Claro, mande um "oi" para ela por mim.

Ted assentiu e levantou-se com um último sorriso de agradecimento.

— Aliás — acrescentou, virando-se — Acho que não teria me importado de te ter como genro — estalou a língua — Até outro dia.

Um segundo depois, aparatou entre alguns bruxos que acabavam de entrar na taverna.

Ainda perplexo, Remus ficou alguns minutos sentado. Apesar de seu retorcido plano para arrancar-lhe a verdade e lhe transmitir suas preocupações por sua filha, não o odiava. Com um último suspiro, seguiu o exemplo de Ted e foi embora do lugar, sem deixar de pensar em Tonks.

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