55. O céu favorece o ciclo do retorno


Território Demoníaco, Sede do Culto

Uma pessoa encapuzada segurava Luo Cao pelo pescoço. O príncipe imperial se debatia no ar, tentando se soltar. Eram tentativas falhas, logo que a cada impulso, suas forças eram drenadas. Seu corpo estava coberto por uma fina camada escura de fumaça devido a uma explosão por pólvora, havia feridas e cortes por todos seus membros e um de seus braços havia sido arrancado, os filetes de sangue pingando pacientemente.

As árvores do entorno haviam sido destroçadas e o chão abaixo deles se abriu numa cratera. O portão de entrada para o culto demoníaco havia sido reduzido a pó, resultando apenas na cortina de fumaça erguida.

A pessoa encapuzada emanava um fedor de morte terrível. A mão exposta, estava coberta por veias com coloração escura e as cicatrizes cobriam totalmente a pele, mostrando a brutalidade que havia passado. As roupas que a cobriam eram pretas e eram retalhos escuros costurados um aos outros para cobrir o quão terrível era sua aparência.

— Quem é você? — Espremendo a voz pelo aperto, ainda conseguiu pronunciar as palavras com dificuldade.

A figura encapuzada soltou uma risada. Era desafinada e muito aguda, arranhava os ouvidos.

— Eu sou...

Uma lâmina fria deslizou pelo ar até o braço daquela pessoa. A espada arrancou parte do braço e Luo Cao caiu. Outra pessoa, como um vulto, saltou no ar, pegando o príncipe e entrando pela floresta.

A figura escura olhou para onde seu braço fora cortado com desdém. Fumaça negra surgiu em vez de sangue, ela se intensificou e aumentou até cobrir o tamanho de um braço e compactando-se e tornou-se um novo membro.

— Há cultivadores talentosos nessa época também. — Parecia feliz com a descoberta e olhou para o local onde os ratos haviam fugido.

O mundo havia mudado completamente.

— Irmão, o que houve aqui?

A figura de preto virou-se para trás, ainda no ar e encontrou alguém a sua imagem e semelhança, mas diferia-se na cor. Ela vestia-se por completo em branco.

— Apenas alguns ratos. — O de preto respondeu.

— Ratos que machucam não são ratos. — O de branco desdenhou.

— Não se preocupe, o que se diz príncipe já está marcado. — Um sorriso cruel ficou preso nos lábios. — Mais cedo ou mais tarde, o levarei para o submundo... — fechou a mão num punho e a encarou. — O Mestre já chegou?

O homem de branco balançou a cabeça negando.

— Não. O Vice Lorde pediu para que ficássemos a frente desse lugar enquanto terminam os preparativos. — Sua voz demonstrava nojo ao se referir ao culto demoníaco.

O de preto deu de ombros, num gesto de desdém.

— Vamos entrar. Vou chamar os gêmeos para limpar essa bagunça.

Ele girou a cabeça em todas as direções. Havia muitas almas para levarem ao submundo.

Não muito longe dali, o grupo de três pessoas corriam animadamente. Tang Xiaowen já havia passado Luo Cao para as costas de Xiao Yi. O guarda das sombras estava nervoso, afinal aquela coisa foi capaz de subjugar um especialista tão fácil. Xiao Yi conseguia sentir a vitalidade de Luo Cao se esvair por meio do contrato.

— Xiao Yi, pare... — A voz rouca e fraca do príncipe surgiu por trás.

— Ainda não. — O guarda retrucou. — Tem um rio próximo daqui, vamos parar lá. Fique quieto!

Xiao Yi focou em se movimentar. A vida de Luo Cao estava na balança e ele sabia que, se parasse por um momento, corria risco em não conseguir se recuperar. Ele ignorou até mesmo a presença de Tang Xiaowen.

E logo, ouviu a melodia luxuosa da água corrente. O guarda das sombras deixou um suspiro aliviado sair. Luo Cao, mesmo fraco, percebeu a preocupação profunda em no rosto de seu amante e um sorriso fraco preencheu seu rosto.

— Xiao Yi... — Luo Cao tentou falar, mas a dor intensa vinda de seu ombro que tinha o braço dominante o fez gemer.

— Só mais um pouco, Cao Ge. — Xiao Yi o consolou, apressando o passo.

Quando finalmente alcançaram o rio, o guarda das sombras parou rapidamente e chamou por Tang Xiaowen, finalmente se lembrando de sua presença.

— Onde esse pirralho está?

Uma risada fraca ecoou pelo ar.

— Querido, você o deixou para trás. — Luo Cao sussurrou.

— Merda!

Xiao Yi espalhou seu poder espiritual, mas não encontrou a criança perdida e praguejou novamente. Em suas costas, Luo Cao tossiu.

O guarda das sombras respirou fundo e com habilidade, estendeu um pano no chão, para evitar o contato com a sujeira e colocou Luo Cao sobre ele, encostado no tronco de uma árvore.

O que restava do braço era uma visão grotesca. Um osso quebrado e afiado foi a única coisa que restou e próximo ao ombro, toda a carne estava retorcida assim como suas veias e tendões que saltavam para fora, pendurados e banhados por sangue. O cheiro de ferro inundava o ar, misturando-se com o odor do suor que transpirava por sua pele.

Xiao Yi correu até o rio e encheu um balde d'água, já tirando alguns lenços e frascos medicinais.

— Xiao Yi...

— Cale a boca, Luo Cao. — falou com severidade. — Deixe-me fazer meu trabalho.

— Perdi muito sangue...

— Fique quieto, por favor... — Xiao Yi interrompeu, ele não percebeu o quão frágil sua voz se tornou ou o quão desesperado estava. Até mesmo suas mãos, tão firmes e precisas, tremiam tanto. — Não se atreva a morrer. Você disse que me levaria à Cidade Wuming, que iríamos ver o mar no norte juntos e que viveríamos no interior... não ouse morrer antes disso, seu vagabundo!

O outro riu ao ver seu Xiao Yi chorar.

— Por que você está rindo? — O guarda enxugou as lágrimas com o antebraço.

— Só tenho um motivo para rir, meu querido... — tossiu novamente — porque eu te amo. Eu o amo tanto...

Xiao Yi pausou o que estava fazendo, sua mão parou no ar e sentiu um bolo subir por sua garganta. Cada batida do seu coração parecia acelerar o tempo e a agonia que estava sentindo era tão grande quanto aquelas ondas violentas, das quais sempre escutou, que surgiam numa tempestade no mar.

Mas Xiao Yi não desistiu.

— Você se esqueceu? O contrato? Se perde sua vida, os contratados o seguirão! — Cada vez mais, suas palavras tornaram-se mais rápidas. — Que se foda, seu idiota!

Xiao Yi guardou seus materiais e puxou seu amante novamente para as costas, carregando-o. Este último tinha um sorriso agradável cobrindo sua face. Muito feliz.

— A cidade mais próxima não está longe... — Engoliu a vontade de chorar — mesmo se minhas pernas caírem, vou salvá-lo. Quando eu chegar lá, darei minha vida se for preciso para que Mestre Jian o atenda. Trate de aguentar até lá...

Um barulho diferente foi captado por Xiao Yi. Arbustos tomaram um movimento diferente e o som de passos tornou-se mais frequente. Seu rosto escureceu, essa pessoa havia entrado no seu sentido espiritual, mas sem que ele pudesse detectá-lo.

O guarda das sombras engoliu a seco. Se precisasse lutar novamente, seria incapaz de proteger Luo Cao e, na pior das hipóteses, com isso, ambos morreriam. Sua mão direita apertou com mais firmeza a adaga enquanto a esquerda estava entrelaçada com a da pessoa em suas costas.

Ele acalmou sua respiração, diminuindo sua presença, mas seu coração parecia impossível. Foi quando ele sentiu um aperto em sua mão, silencioso e acalentador.

Ele também amava. Amava Luo Cao com todo seu coração. E o queria vivo para que pudessem desfrutar de uma vida e não para o que viviam.

Xiao Yi fechou os olhos por um momento, tentando silenciar a tensão em seu corpo e suplicou aos deuses para que pudesse escutar aquelas palavras novamente. E quando os abriu, não parecia ter melhorado, pois ainda estava cheio de lágrimas.

Os arbustos voltaram a se mexer, agora mais próximos. Ele prendeu a respiração e focou sua atenção naquele local.

Nesse momento, Tang Xiaowen saltou do arbusto. Ele estava com um aspecto cansado, seus cabelos completamente desordenados e o manto completamente sujo.

A adaga na mão de Xiao Yi cortou o ar numa velocidade impossível de acompanhar, indo diretamente na direção de uma árvore. Um buraco circular perfeito se abriu no tronco da árvore. O adolescente soltou um grito.

O guarda das sombras quase perdeu a força nas pernas e soltou um suspiro aliviado, mas sentia que havia algo estranho. Era a segunda vez que Tang Xiaowen entrava em seu alcance de detecção sem ser notado. Infelizmente, ele não pensou muito nisso, pois havia coisas mais importantes. Sem desperdiçar o tempo, adiantou-se para obter informações.

— Há algum atalho para Sucheng? — Xiao Yi perguntou rapidamente, com extrema preocupação.

Tang Xiaowen mordeu o lábio inferior ao ouvir a pergunta.

— O atalho era o túnel e não há como usar talismãs ou pedras de teletransporte, devido à energia yin.

— Então voltaremos por lá. — O guarda das sombras respondeu ansioso e já se preparou para sair. — Há algo errado?

O adolescente esfregou as mãos na lateral da coxa inquieto.

— Seria arriscado, senhor. — Fez uma breve pausa — A floresta está se enchendo de fantasmas.

Xiao Yi, pela primeira vez em sua vida, não conseguiu se segurar e chorou. Suas lágrimas desceram descontroladamente, mas ele pegou algo de seu anel espacial e jogou para Xiaowen. Era um tablet de jade, servia para comunicação.

— Quando chegar, contate-me.

Ele enxugou suas lágrimas e reafirmou seu objetivo.

"Mesmo que meus pés se quebrem, Cao ge... ge tenha certeza de que ficará vivo."

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Na sede principal do Culto, entre os corredores mais sombrios daquele lugar, indo além dos lugares que amedrontavam os fantasmas, um rasgo no espaço foi feito. Uma energia escura e perturbadora saía daquela fenda e se espalhava por entre as árvores ao redor, apodrecendo-as até restar apenas o pó.

Indo para aquele lugar, Chen Jinhai era acompanhado pelas duas figuras que estavam do lado de fora, um deles era aquele quem quase destruiu a vida de Luo Cao. Seus pés mal tocavam o chão e pareciam, à luz do sol, mais pálidos que uma nuvem.

Chen Jinhai não usava mais sua máscara. Já não era mais tempo de se esconder atrás daquelas montanhas. Seu olhar era afiado, estava concentrado e pensava sobre os próximos passos, com a chegada da pessoa que mais importava.

Trazer a glória do culto era um tanto irrelevante para esse. Havia milhares de formas de conquistar seu nome e uma delas era alinhar os interesses do Santuário Huang Quan. Entretanto, sinceramente, não era uma aliança na qual Chen Jinhai apostava tanto. Assim que não precisasse deles e alcançasse seu objetivo, os destruiria.

Era perigoso tê-los tão perto.

Mas, não tão perigoso quanto a Seita do Cadáver Yin. Aqueles caras, por anos, entraram no denso miasma da Cordilheira do Vazio para se apossar de cadáveres de cultivadores e, nesses últimos dias, com tudo o que ocorreu, provavelmente, as coisas ruins viajariam mil milhas para incomodá-lo.

— Líder de Seita! Líder de Seita!

Um dos únicos cultivadores que Chen Jinhai poupou, por considerá-lo útil. Era a mesma pessoa que havia anunciado Chen Dewei há alguns anos. Chen Jinhai parou sua caminhada e as duas entidades atrás dele também pararam.

O homem se aproximou e se ajoelhou com a mão sobre o peito. Sua cabeça ficou baixa até que seu líder lhe desse permissão para falar.

— Ze Yu, o que houve?

Ele se levantou rapidamente, com a mão ainda sobre o peito e ergueu sua linha de visão. Ze Yu tremeu e suas costas começaram a suar. As duas coisas ao lado de seu líder sempre o dava uma sensação de morte iminente, principalmente aquela de preto, como se tivesse uma espada no seu pescoço.

— Os líderes do Santuário Huang Quan e da Seita do Cadáver Yin estão o aguardando no salão principal.

Chen Jinhai ficou quieto por alguns momentos, causando um desconforto em Ze Yu. O líder de seita sempre que ficava calado, em seguida, vinha com suas piores palavras.

— Quanto tempo até o portão se abrir? — perguntou à entidade de branco.

— Será aberto pela manhã, Líder Chen.

Chen Jinhai pensou mais um pouco antes de tomar uma decisão.

— Ze Yu, fique para receber com Lun Hui, o Lorde. Ye Luo virá comigo. — Suspirou. — Preciso cortar todas as pontas soltas antes de sua chegada.

Ze Yu sorriu amargo. Mas, ainda que seu desejo fosse correr para longe daquelas pessoas, não queria ser morto por elas. Portanto, obediente, ele ficou. Claro, por achar Lun Hui um pouco menos pior, ele suspirou aliviado.

Assim que Chen Jinhai chegou ao salão principal da seita, uma comitiva de ambas as seitas preenchia todo o local. As servas andavam entre eles, servindo vinho. Do lado direito do trono estava Feng Li, líder da Seita Cadáver, sentado no local mais próximo da pequena escadaria. Atrás dele, estava sua marionete demoníaca, também usando o uniforme da seita, um manto roxo escuro e a roupa interna preta.

Feng Li não era um cultivador velho, mas era tão poderoso quanto um. Tinha menos de trezentos anos, no auge do núcleo dourado e sua marionete demoníaca era tão poderosa quanto ele. Juntos, eram capazes de lutar com um cultivador comum da alma nascente. Chen Jinhai não gostava dele. Feng Li, tinha uma aura enjoativa e causava tonturas até mesmo nele.

Do outro lado, à frente de Feng Li, Hao Ran. Diferente do outro, Hao Ran poderia ser considerado um medroso na frente de Chen Jinhai. O homem não saberia, mas era porque Chen Jinhai era seu pior pesadelo, um fantasma de nível superior.

Hao Ran, no entanto, tinha seu cultivo superior à Feng Li. Formou sua alma nascente há pouco menos de sete anos e já estava no meio do reino. A aura carregada em torno dele, uma energia escura e sombria, dificultava até ver sua imagem e afastando até seus companheiros de seita, era por causa dos fantasmas que ele cultivava. Entretanto, perto de Chen Jinhai, ele era como um cachorrinho assustado.

Todos se levantaram quando o líder das seitas demoníacas se apresentou. Ele estava sem a máscara sorridente, o que causou uma pequena comoção em cada um deles. Era impressionante o quão indistinto ele era de Chen Dewei.

Naquele momento, ao abrir a porta do salão, junto a ele, uma pressão invisível, uma sensação mortífera se espalhou. O homem atrás dele, com um conjunto preto, chapéu alto e pontudo, com um véu da mesma cor, segurava uma arma tão sombria quanto ele. Um cetro longo e escuro, adorando com inscrições douradas e uma serpente pintada ao longo dele. Na ponta afiada, amuletos em língua antiga e sinos que se balançavam enquanto ele andava.

Ele não recolheu aquela aura, continuou a andar enquanto aquelas pessoas ali dentro tremiam de medo.

— Há quanto tempo, Líder Feng, Líder Hao. — Chen Jinhai os cumprimentou depois de se sentar no trono feito de ossos, Ye Luo ficou ao seu lado, de olhos fechados.

— Líder Chen. — responderam juntos.

Chen Jinhai se sentou, cruzando as pernas. Escorou a cabeça na mão, com o cotovelo no braço do trono. Seu olhar vagou por todo o salão, havia mais de cinquenta pessoas ali. Hualing deveria estar ali também.

Ele espalhou seu sentido espiritual, tentando encontrá-la dentro da seita, mas não a encontrou. Não encontrou nenhuma das suas mulheres do harém. Ergueu uma das mãos e um servo veio imediatamente.

— Encontre Hualing. — E então, ele sorriu voltando sua atenção para seus dois companheiros temporários. — A que devo uma visita tão honrada dos nobres líderes? — Era quase um tom irônico, muito bem mascarado.

Feng Li tomou a frente, notando o estremecer do outro homem. Olhou com desdém para Hao Ran e depois, tomou a frente para iniciar a audiência.

— Ouvimos dizer que Líder Chen teve uma batalha com Hei Lian em Xi Jin e teve alguns ferimentos. — Um sorriso cresceu nos seus lábios. — Viemos prestar nossa sinceridade.

O homem acenou e um dos discípulos junto à ele, que segurava uma caixa foi até o pé da escadaria, onde uma das servas pegou a caixa e levou até Chen Jinhai.

Chen Jinhai quase riu dessa bajulação fingida.

— Líder Feng é generoso.

Ele pegou a caixa e ao abrir, teve uma surpresa considerável. Uma pílula arco-íris, que podia trazer alguém dos mortos e a linha fina que a circulava mostrava a alta qualidade e seu aroma também preencheu toda a sala.

— Líder Feng é realmente generoso. — Ele repetiu.

Chen Jinhai pegou a pílula em mãos e a ergueu no ar. O brilho dourado emanado por ela causou suspiros em todos. Uma lufada de poder surgiu, em ondas dentro do salão. Ye Luo, ao lado, esboçou uma reação mínima de surpresa.

— É fascinante! Não há muitas pessoas capazes de refinar uma pílula com um aroma tão refrescante...

Feng Li sorriu, um sorriso tão vitorioso que causava certa ânsia em outras pessoas.

— Posso perguntar a qual talento devo colocar em minhas preces aos deuses, além de Vossa Excelência? — Ele se dirigiu à Feng Li.

— Alquimista Huo. Huo Liangyi, meu lorde. — Pegou a xícara de vinho e tomou um gole para depois continuar. — É sabido que, contando que dê a Mestre Huo um valor considerável ou lhe dar algo de seu interesse, ele refinará a pílula ou elixir que deseja, não importa a origem.

Chen Jinhai bufou, irônico. O bom humor tomou conta do seu rosto bonito, marcado por uma cicatriz, no mesmo lugar onde seu irmão gêmeo tinha.

— Huo Lianngyi... Huo Liangyi... Líder Feng estaria passando pelo Rio do Esquecimento ou algo assim, se aquele homem rabugento soubesse que a daria para mim. — O sorriso alegre alcançou os lábios bem preenchidos. — Poderia se tornar um fantasma do velho Hao também!

Assim que terminou de falar, Chen Jinhai riu, riu como se fosse uma piada muito engraçada e todos presentes o seguiram naquela risada. Feng Li, engoliu a seco, o suor cobrindo as costas. Ninguém saberia dizer se aquele homem falava a verdade ou a mentira. Não podia depositar confiança em alguém que feriu os seus, destruiu os próprios homens.

— Velho Hao. — continuou e, aos poucos, as risadas desapareceram. Hao Ran também ficou muito mais pálido que o habitual ao ouvir seu nome ser chamado e, suas roupas amarelo-escuras foram agarradas com muita força sob a manga do robe. — Como vai sua parte no acordo?

O homem idoso de cabelos e barba grisalha tremeu sob o olhar de Chen Jinhai. Calafrios subiram pela espinha.

— Reportando ao líder da aliança. — Ele ergueu as mãos a frente do corpo e inclinou o corpo para frente, o que fez Feng Li revirar os olhos do outro lado. — Há uma grande colheita, principalmente aqueles vindo de Xue Hua. O líder da aliança foi sábio ao atacar aquele lugar.

— E quanto a Qiao Qiu?

Hao Ran balançou a cabeça negativamente.

— Desaparecido, Vossa Excelência. Ele escapou, mas... tenho algo tão interessante quanto ele.

Chen Jinhai arqueou uma sobrancelha e olhou para Feng Li e seus subordinados.

— Interessante? Quão interessante?

Hao Ran ergueu a mão num comando e as portas do salão se abriram. Uma mulher e outra acompanhante foram descobertas. Chen Jinhai reconheceu a silhueta quase imediatamente.

— Hoje é um dia abençoado! Os céus são generosos com alguém como eu! — Deu uma risadinha. — Li Zhiyao, por outro lado, não é alguém afortunado! Primeiro, sua filha mais nova é morta por um lunático e depois, sua primogênita é entregue tão facilmente à mim!

Num instante, ele estava do outro lado do salão, com as mãos em torno do corpo daquela mulher graciosa e refinada. Li Yue sequer se mexeu com aquele toque inesperado e a serva que a acompanhava, caiu no chão depois de ser jogada para o lado.

Um par de olhos viciosos observaram Li Yue, as pupilas de Chen Jinhai se dividiram. A mulher estava, aparentemente bem cuidada. Os seus olhos, sua melhor característica, vendados por um pano branco, as roupas usuais substituídas por um conjunto macio e de tecidos finos, à gosto de Chen Jinhai. Apenas suas mãos juntas por um par de algemas de ferro que machucavam os pulsos brancos e delicados.

Chen Jinhai aproximou-se do pescoço dela e inspirou profundamente, sentindo o medo, ódio e confusão e seu sabor adocicado por tais sentimentos humanos. Era como o mel mais saboroso. Li Yue não esboçou reação alguma, mesmo depois que ele começou a tocar seu corpo delicado.

— Ainda melhor que Hualing... — sussurrou.

Se existisse alguém naquele salão que não achasse Chen Jinhai louco naquele momento, provavelmente era do mesmo tipo de pessoa que ele. Mesmo para cultivadores do diabo, havia algum limite, ainda que mínimo.

Ele se afastou repentinamente e concentrou em verificar sua constituição corporal, seus meridianos e cultivos e percebeu que não existia. Tudo foi destruído.

Foi então que algo lhe veio à mente. A caixa com a pílula arco-íris que ficou para trás em cima do trono foi puxada por uma força invisível e voou para o seu lado. Com a tampa aberta a pílula flutuou, voltando a exalar aquele aroma irresistível.

Logo em seguida, arrancou a venda de Li Yue. Uma onda de suspiros emocionados e apaixonados eclodiu. Digna do título de mulher mais bonita do continente! Chen Jinhai notou aqueles olhos de cores magníficas sem vida, tão opacos, como se tivesse perdido sua alma. Ele baixou as mãos e quebrou as algemas, transformando-as em cinzas. Colocou a mão sobre o peito dela e injetou uma ínfima quantidade de poder espiritual dentro dela e quebrou a técnica de hipnose feito nela.

Li Yue, imediatamente, despertou do sono e olhou direto para Chen Jinhai, assustada.

— Vou lhe dar uma escolha, querida. — A perversidade tomou conta de seu corpo, ele exalava uma energia selvagem e animada. — Deseja a morte ou uma chance de vingança?

Não demorou mais de trinta segundos. Li Yue se recompôs e a resposta foi dada.

— Vingança. — foi o que ela disse.

E, de repente, Chen Jinhai desferiu um golpe direto em seu coração. Dessa vez, a opacidade era devido a morte. Um buraco foi feito em seu peito, sangue derramou do seu corpo manchando o chão. Então, ele pegou a pílula e fez o corpo morto de Li Yue absorver aquela pílula.

— É o momento para renascer, minha bela!


Glossário

(II) 黄泉河 (Huáng quán hé)

· 黄泉 (Huáng quán) significa "fonte amarela", um termo clássico na mitologia chinesa que se refere ao submundo ou ao rio que os mortos atravessam.

· (hé) significa "rio".

(III) Lún Huī (轮辉) "Brilho da Roda" Reflete seu papel de guiar almas boas com benevolência.

(III) Yè Luò (夜落 "Queda da Noite" Combina com sua natureza sombria e severa.

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