𝟣𝟥| 𝓡𝓲𝓬𝓴
Ren resolveu que seria divertido uma festa, depois do jogo para animar os ânimos de todos, o que está sendo difícil para mim. Já que perdemos nosso maldito jogo por causa dos Red Devils, e eu levei sete malditos pontos na testa. Um corte que começa em minha sobrancelha e chega perto de terminar na linha dos meus cabelos, mais um pouco e eu teria perdido um olho.
Fiquei fora do jogo a partir do segundo tempo, mesmo insistindo que estava bem para jogar não me deixaram retornar. O resultado foi que meus colegas levaram uma surra no gelo, comigo e Ben fora os garotos não conseguiram levar o time sozinhos. Por mais que Carter seja um bom jogador nem todos conseguem acompanha-lo.
E então na volta para casa, a cena que me deparei no estacionamento terminou de arruinar minha noite e meu humor.
Kat estava aos beijos com seu namorado de adolescência, e eles pareciam bem apaixonados, o que fez o meu monstro verde do ciúmes surgir. Senti um nó na garganta ao ver aquela cena, Kat parada à frente dele enquanto o mesmo estava com as mãos uma de cada lado de seu delicado rosto. Ele se aproximou dela de vagar, esmagando seus lábios aos dela e Kat permaneceu ali parada, provavelmente surpresa ou qualquer merda que seja.
Durante todo o caminho para casa, o maldito beijo dos dois queimou em minha cabeça me deixando com uma maldita dor no cérebro. Achei inicialmente que a pancada nas proteções do ringue teria explodido meus miolos, devido a dor que se instalou em minha cabeça e ao que parece ela está piorando cada vez mais.
Quando sinto que tudo está prestes a girar, subo as escadas para o andar de cima. Ando cambaleante pelo longo corredor até chegar em frente ao quarto dela.
Meu coração bate com força dentro do peito, enquanto encaro a porta de madeira branca. De vagar, giro a maçaneta mas a porta está trancada. Ela nunca tranca a porta, não para mim.
Bato na madeira, com um pouco mais de força do que o necessário por alguns instantes. Escuto barulhos vindos lá de dentro do quarto e então ela abre a porta, ficando diante de mim enquanto esfrega os olhos com uma das mãos ainda sonolenta.
- Oi - digo enquanto ela me encara sem expressão. Torço para que seja apenas o sono, que a esteja deixando assim.
- Oi - Kat fala com sonolência.
- Será que posso entrar? - pergunto me apoiando no batente da porta para não cair, tanto pelo cansaço e dor como pela embriaguez. Mas quem liga, certo?
Kat me encara por alguns instantes, antes de abrir um pequeno sorriso tímido. Mas quando ela vai abrir a boca, outra pessoa aparece ao meu lado, fazendo-a se calar e encolher-se um pouco contra a porta.
- Nossa Rick, que gatinha - diz o garoto que não me lembro o nome. - Porque está a escondendo de nós, aqui em cima?
- Desculpe, a festa é restrita ao andar de baixo - ela diz educadamente. - Não permitimos outros no andar de cima, a não ser os moradores da casa.
- Cara, vai embora - digo virando-me para encarar o garoto que ainda a olha como um idiota. Tenho certeza que meus olhos remetem a raiva que estou sentindo, porque ele se afasta rapidamente voltando ao andar de baixo sem nenhuma resistência. - Kat, por favor. Não quero entrar em uma briga, muito menos ficar lá em baixo e estou cansado.
- Certo - ela diz afastando-se da porta, adentrando de volta ao quarto e seguindo para a cama.
Meus olhos perseguem seu corpo de forma cobiçosa, sem que eu consiga me conter. Afinal Kat não está usando nada mais do que uma maldita camisa branca surrada e meio transparente que não chega nem a cobrir metade das coxas lisas e torneadas, meus dedos ganham vida própria querendo deslizar por sua pele macia e observa-la se arrepiar com minha proximidade.
Vejo-a subir na cama e engatinhar pelo colchão até deitar e se cobrir. Que deus me perdoe, mas Katherine Gabrielle Pierce deveria ser o nome do próprio pecado em pessoa. Na verdade, seu nome deve ser a porra do apelido do pecado ou então um elogio a ele de tão quente que a garota chega a ser.
Estou completamente arruinado.
Sei que estou fodido, mas gosto disso.
Certamente, ela poderia ser o diabo, mas eu ainda venderia minha alma a ela. Se Kat pedisse, eu a daria com todo prazer.
Suspiro, tentando enterrar a porra do meu desejo em um lugar bem fundo dentro de mim e das calças, então entro dentro do cômodo trancando a porta atrás de mim somente para o caso de mais algum idiota desinformado invada o andar de cima.
Então sigo para a grande cama, sentando-me no lado livre e tirando as botas com dificuldade. Me deito ao lado dela sob os lençóis macios e mornos.
- Cadê sua companhia da noite? - ela pergunta, achando graça por eu estar sozinho. Mas a verdade é que nenhuma outra conseguiu me prender a atenção como ela.
- Estou olhando para ela - digo sentindo-me um pouco enjoado pela grande quantidade de bebidas e analgésicos inseridos, durante a noite.
Kat ri, mas não diz nada sobre isso.
- Você está com um cheiro horrível - ela fala, depois de um tempo.
- Eu sei - digo com um sorriso fraco.
Kat sai da cama de vagar e então sai do quarto sem dizer nada. E nem me dando a chance de perguntar algo.
Então continuo ali deitado e sorrindo como um idiota, enquanto enterro meu nariz em seus lençóis sentindo seu perfume.
Instantes depois ouço alguns barulhos e alguém deita ao meu lado, ao mesmo instante que mãos acariciam meus cabelos então uma boca cola à minha.
Reajo ao beijo, mas o gosto de Kat e sua boca estão diferentes. Parece nem ser ela mesma, deixo os pensamentos de lado beijando minha garota. E então depois apago completamente.
Acordo com uma ressaca e uma enorme dor de cabeça que quase está fazendo meu cérebro derreter dentro do crânio.
A claridade dificulta, para que eu abra meus olhos. Sinto um corpo quente colado ao meu na cama, a última coisa de que me lembro era de vir procurar por Kat ontem à noite.
Abro meus olhos e constato que estou no quarto dela, o que me traz certo alívio. Mas assim que olho para o lado meu coração murcha no peito, não é Kat que está ao meu lado e sim uma desconhecida qualquer.
E Kat, onde ela está? - Penso comigo mesmo.
Ah meu deus!
O que eu fiz? Fico me perguntando, enquanto passo as mãos furiosamente por meus cabelos e rosto tentando encontrar uma resposta.
Salto da cama em um pulo, abrindo a porta do quarto e me deparo com um grande copo de água, um saco de bolachas e uma muda de roupas limpas. Ah Kat!
Suspirando de frustração, e volto em direção a cama. Tentando achar as peças de roupa da garota desconhecida e ao que parece nua na cama. Acho seu vestido em meio a escuridão e o jogo sob o ombro.
Marcho em direção as cortinas, abrindo-as e deixando a claridade iluminar o quarto por completo. A garota geme de frustração ou irritação, o que pouco me importa agora.
Volto em direção a cama e atiro o vestido em seu rosto, sem nenhuma gentileza.
- Ei, você - a chamo irritado e ela abre os olhos que são de um intenso azul ao ouvir minha voz, então um sorriso surge em seus lábios. - Tá na hora de dar o fora...
A desconhecida me olha com imenso ódio, mas não me importo. Só quero achar a Kat, só preciso explicar o que houve aqui. Mas como posso fazer isso, se nem eu sei?
- Você não reclamou, ontem à noite - a garota fala de forma sedutora, sentando-se na cama.
- Estou pouco me fodendo para você - digo sem esconder minha raiva e irritação, o que parece surtir efeito sobre ela de que estou falando sério. - Agora, levanta e sai da porra do quarto.
Depois de um tempo de insistência a garota se veste e eu praticamente a arrasto até o andar de baixo pelo braço e depois porta à fora.
Vou até a cozinha, procurando por Kat. Mas ao invés disto encontro Nate já acordado, sentando na ilha e comendo cereal enquanto os olhos azuis estão grudados e concentrados na tela do celular.
Ele desvia o olhar do aparelho para mim, então fecha ao cara e volta a encarar o celular.
- Cadê todo mundo? - pergunto, percebendo o silêncio pacífico e assustador que toma conta da casa.
- Dormindo - ele responde de pouca vontade.
- A Kat também? - pergunto curioso.
- Não - ele responde com um sorriso estranho lhe dominando os lábios.
A porta da frente é aberta, então vejo Jony, o antigo amigo deles invadir a cozinha. Merda.
- Puta merda, você ainda tem a chave? - Nate pergunta rindo ao garoto, percebo que seu humor mudou com a presença do amigo.
- Nunca tive coragem de me desfazer dela - Jony admite rindo junto à Nate.
Escuto passos apressados no andar de cima, para logo depois se apressarem pelas escadas e então uma Kat se lançar nos braços estendidos de Jony e sorrir como nunca para ele.
- Ei - ele diz, quando a solta.
- Vão logo, antes que eu mude de ideia - Nate diz com humor.
- Okay pai - Kat murmura, antes de ir até ele e abraça-lo com carinho. Então o tal Jony segura sua mão e eles saem, sem notar minha presença.
- Mas o quê? - digo sentindo a raiva crescer.
Mas que porra acabou de acontecer aqui?
- A sua sorte, é que Ren não sabe a merda que você fez - diz Nate, voltando à cozinha e deixando seu bom humor de lado. - E eu não irei contar, porque não quero estragar o carinho que ele sente por você. Mas saiba que a partir de hoje, você e eu não somos mais amigos. Não mais, estamos entendidos?
- Nate? - o chamo confuso, não entendo porque ele está agindo assim.
- Cala boca Rick - ele diz entre dentes irritado. - Aquela garota ali, nunca deu bola para nenhum de nós. Além do Jony, que conseguiu estragar a porra toda indo embora pouco depois. Mas então você também, teve esse privilégio. O de estar com ela, e jogou no lixo como se não valesse nada. Sabe o que eu daria, para que Kat me olhasse como olha para você? O que qualquer um de nós daria?
O olhar que meu amigo me lança agora é esmagador.
- Nate... - tento começar uma desculpa, mas as palavras morrem em minha boca. Porque eu não tenho nenhuma desculpa.
- Vai se ferrar Richard, eu acreditava em você - ele fala com raiva. - Mas você só provou ser um merda no final, parabéns.
E então ele se vai para o andar de cima, deixando-me ali sozinho e realmente me sentindo um idiota de primeira.
Minha cabeça é um misto de pequenos fragmentos, não sei se são verdadeiros ou como organiza-los na minha mente para que façam algum sentido. Me lembro de beber um pouco tem à noite, mas não cheguei a tanto. Lembro-me de sentir como se a porra do meu cérebro fosse derreter.
- Merda! - murmuro fechando os olhos com força sentindo a frustração me dominar, enquanto aperto a ponte do meu nariz. Me sinto esgotado e cansado, mesmo tendo dormido a noite inteira.
Retraio-me ao pensar que posso ter feito qualquer coisa com aquela garota, minha mente está gostando de me pregar peças hoje. Meu cérebro é apenas uma massa derretida e ao que parece não pensante em minha cabeça.
Escuto passos na escada, então alguém invade a cozinha. Engulo em seco, quando vejo o reflexo do meu melhor amigo pelo vidro da janela.
Meu corpo congela e não consigo me virar para encara-lo, ao invés disto eu só fico ali parado como um idiota covarde.
- Bom dia pra você também Rick - Ren diz com seu melhor humor típico de fim de semana, enquanto caminha até a geladeira e eu continuo quieto sem saber o que dizer. Meu amigo me lança um olhar de esguelha, parecendo preocupado. - Cara, você está estranho. O que houve?
Abro e fecho a boca rapidamente, sem saber o que dizer. Faço isso mais algumas vezes antes do meu amigo se dobrar sobre o próprio corpo e começar a rir como um idiota.
Ren continua a rir por um bom tempo, enquanto eu continuo ali parado como um completo palhaço, sem saber como reagir da maneira certa.
- Certo, desculpe - ele diz limpando as lágrimas que lhe descem pelo rosto de tanto rir. Ele puxa o ar com calma, tentando acabar com seus risinhos o que demora mais do que pensei. Então Ren toma uma postura ereta e me observa com seriedade nos olhos, os mesmos da irmã. - Hmm... Você está estranho porque dormiu no quarto da Katy?
Coço minha nuca e então meneio a cabeça afirmativamente, sem saber o que dizer ainda.
- Você acha que eu vou surtar por isso? - ele pergunta calmamente, parecendo estar se divertindo com a situação. Trinco meu maxilar em resposta, enquanto Ren tenta esconder um pequeno sorriso travesso. - Rick meu chapa, fica tranquilo eu posso ser um pouco ciumento e talvez um pouco possessivo em relação a minha gêmea, mas ela é a minha garota desde sempre. Então é um pouco difícil me separar dela.
Um pequeno sorriso repuxa meus lábios, pelo modo como Ren fala da irmã. Pelo tempo que estou aqui, percebi que os dois na verdade agem como um.
Enquanto meu amigo tem uma personalidade característica mais leve e desimpedida, Kat é mais reservada diante dos outros. Mas quando está com os amigos é tão, ou mais engraçada que o irmão.
Admito que a garota tem uma paciência enorme para lidar com tantas personalidades e humores diferentes sem surtar. Eu só a vi muito brava em poucas ocasiões com os caras, como quando estão pra lá de embriagados e dão trabalho. Mas ainda sim, ela tem toda paciência do mundo para cuidar desses caras, ela cuida deles depois de cada jogo de hóquei quando estão destroçados e veste um número diferente de camisa à cada jogo para poder incentiva-los.
- Ren, acho que fiz uma merda das grandes - disparo, olhando para os meus pés. Sinto o peso do olhar de meu amigo sobre mim e mesmo sem encara-lo percebo que ele troca o peso do corpo sob as pernas longas.
- Certo, isso ficou um pouco sério demais para mim - Ren tenta fazer piada, mas percebo que não há mais tanto humor em sua voz como antes. - Mas ok, sou todo ouvidos o que houve?
Respiro fundo, sentindo meu coração se acelerar dentro do peito. Meus lábios ficam secos assim como minha boca, enquanto Ren espera pacientemente comendo até que eu descida continuar e como não o faço ele quebra o silêncio esmagador.
Meu amigo solta um suspiro, então ouço o tilintar da colher sob o prato. O que significa que ele parou de comer para prestar atenção em mim e no que estou prestes a dizer.
- Acho que esse assunto envolve minha gêmea certo? - ele pergunta, encarando minhas costas e se remexendo de um jeito desconfortável. Até que eu ouço mais um suspiro seu. - O que aconteceu Richard? Eu ainda não desenvolvi o talento de ler pensamentos cara, muito menos os seus. Então vamos logo.
- Dormi com uma garota no quarto da Kat e não me lembro de nada - disparo as palavras, sem freio enquanto meu peito sobe e desce com rapidez como se eu tivesse corrido uma maratona inteira.
- Merda - meu amigo solta um moxoxo seguido por alguns palavrões que não consigo identificar, ou que nunca ouvi antes. Ren se levanta da ilha e coloca ambas as mãos na cintura, caminhando de um lado para o outro na cozinha. - Deixa eu ver se eu entendi, você dormiu com uma garota qualquer na porra do quarto da Katie? Cara...
- Ren, eu literalmente apenas dormi ao lado dela - digo engolindo em seco quando viro-me para encara-lo com a testa franzida e olhando para o chão, como se tentasse decifra-lo. - Me lembro de ter deitado com Kat na cama, talvez ter conversado um pouco. E depois apaguei...
Meu melhor amigo suspira pesadamente então levanta seu olhar do chão, para direciona-lo a mim e por incrível que pareça há uma calmaria intensa em seu olhar. Não há raiva na sua expressão nem desprezo, como na de Nate mais cedo.
Há somente um misto de confusão, passo as mãos pelos meus cabelos quase arrancando os fios de frustração.
- Então quando acordei essa garota estava deitada ao meu lado em vez da Kat, e quando eu tentei procura-la ela saiu com ele - falo furiosamente, passando as mãos pelo rosto e me sentindo agitado. - Ela saiu para um encontro com Jony e não notou minha presença pela manhã. E eu não sei o que dizer, porque não me lembro de nada. Não tenho como me defender de uma merda da qual eu nem faço ideia de como aconteceu...
- Realmente, você está bem fodido - ele diz, voltando a se sentar e a comer tranquilamente como se eu o estivesse entediando com esse assunto. Ren coloca algumas colheradas de cereal na boca e mastiga por uma eternidade, antes de me dedicar sua atenção novamente. - Mas eu acredito em você cara. Você também acreditaria, se pudesse ver o desespero que estou vendo nos seus olhos agora.
- Mas e se ela, não acreditar em mim Ren - digo me sentindo impotente, enquanto olho para o meu amigo completamente entretido com a tigela de cereal a sua frente.
- Não posso falar por ela quanto a isso - meu amigo dá de ombros, falando de boca cheia enquanto pequenas gotículas de leite voam por toda a extensão da ilha de sua boca. - Mas você deveria tentar e dar aquela coisa a ela também, dê um tempo. Kat gosta de Jony e não vai deixar de gostar dele por um bom tempo, afinal o cara viveu conosco por anos mas ela olha pra você de um jeito diferente Rick. Só você não percebeu isso ainda.
Suspiro rolando na cama grande sem conseguir dormir enquanto meus pensamentos voam pra lá e pra cá, alterando entre Kat e meu passado. Meus amigos não sabem da minha história, a não ser por Ren que sabe de alguns acontecimentos a meu respeito.
Como o que aconteceu há alguns anos atrás, meus pais e eu sofremos um acidente de trânsito. Eles infelizmente morreram na hora com o impacto enquanto eu, bom eu fui deixado para trás por algum motivo idiota. Fiquei em coma no hospital por quase dois anos e meio, o que foi um inferno.
E desde então tenho esses malditos pesadelos com aquela noite, eles não costumam ser frequentes, apenas quando estou mentalmente esgotado ou vulnerável como hoje.
Odeio admitir isso mas me sinto culpado por ter ficado para trás. E também me sinto só, mesmo tendo a vovó para ficar comigo e cuidar de mim por todos esses anos, ainda não consigo me sentir inteiro novamente não importa o que eu faça.
Jogo as cobertas para o lado com fúria e deixo a cama quente, abrindo a porta do meu quarto e seguindo para o corredor mal iluminado da grande casa. Do outro lado do corredor, encontro a porta do quarto dela.
Do quarto de Kat, fico observando a porta de madeira envernizada por alguns instantes, pensando se devo entrar ou não. Não falei com ela durante o dia inteiro, já que Kat passou a maior parte do tempo com Jony não me dando a chance de ficar sozinho com ela por alguns instantes.
Limpo minha mente, inspirando o ar com força e então coloco minha mão sob a maçaneta e a giro entrando no quarto escuro. Posso vê-la deitada na cama entre os cobertores brancos, o cabelo longo espalhado pelos travesseiros em uma linda bagunça.
Fecho a porta delicadamente depois de entrar no quarto e caminho em direção a cama, fico parado apenas olhando a pequena garota deitada ali. Dormindo tranquilamente, como se eu fosse a porra de um maníaco perseguidor.
Sem pensar no que estou fazendo, com cuidado e sem fazer barulho me deito ao lado dela. Colando meu corpo ao seu, sinto o cheiro refrescante de melão e menta em seus cabelos. O cheiro familiar que se tornou meu favorito com o passar dos meses aqui.
Kat se mexe sob a cama, quando afundo meu nariz em seu pescoço absorvendo ainda mais seu cheiro e uma lágrima involuntária molha sua pele. Ela desperta de vagar, então se vira em minha direção coçando os olhos.
- Rick - ela diz com a voz grogue e rouca de sono, o rosto está tomado pela preocupação e por um momento é como se ela não estivesse mais brava comigo. - O que foi, aconteceu alguma coisa?
- Não, não - respondo encarando seus olhos ainda fechados.
- Então porque está aqui? - ela pergunta com um bocejo.
- Não conseguia dormir, desculpe não queria te acordar - digo encarando seu rosto de anjo, meu coração começa a bater acelerado no peito.
- Sem problemas, não precisa se desculpar - ela diz com um sorriso fraco. - Quer conversar?
- Agora não - digo com um suspiro pesado, sentindo meu peito se comprimir. Estou agitado e ansioso, por estar perto dela.
- Certo - ela murmura.
- Posso passar a noite aqui? - pergunto, na esperança que ela diga sim. Kat demora a me responder por alguns instantes, parecendo pensar seriamente sobre minha pergunta e sua resposta.
- Uhum - ela volta a murmurar com um pouco de insegurança, e eu sorrio como um idiota apaixonado. - Não pegue minhas cobertas.
Rio baixinho, entrando embaixo das cobertas e chegando mais perto de seu corpo quente e a puxando para mim.
- Kat? - eu a chamo, e ela murmura algo que não consigo entender. - Você vai voltar a me odiar pela manhã?
A garota suspira, ficando tensa a minha frente. Percebo que ela prende a respiração por alguns instantes antes de abrir os olhos e me encarar seriamente.
- Eu não te odeio - ela diz baixinho, os olhos transmitem uma intensa sinceridade mas também vejo uma magoa naquele intenso mar caramelado. - Eu só não esperava que, bom...
- Kat eu gosto de você, acredite em mim - digo sussurrando, enquanto chego mais perto do seu rosto. - Não aconteceu nada com aquela garota, eu simplesmente apaguei. Mas eu nunca, nunca faria algo assim com você e no seu quarto Kat.
- Richard - ela começa a dizer, mas eu a corto. Precisando que ela me ouça e confie em mim como antes.
- Eu, eu comprei algo pra você Kat - murmuro, encarando seu rosto contorcido pela dúvida. - Eu quero falar com você. Porque talvez, apenas talvez eu esteja confundindo as coisas entre nós. E isso está me matando.
Olho para seus lábios carnudos e ligeiramente entre abertos, pela surpresa e tenho de controlar a imensa vontade de não captura-los entre os meus. Começo a me desvencilhar dela com cuidado, pensando na loucura que acabara de fazer e pensar. Quem sabe até mesmo dizer.
- Diz alguma coisa - peço, me apoiando em um dos cotovelos para encara-la. Enquanto Kat continua imóvel ainda se recuperando das minhas palavras, mas algo em seu olhar me diz que ela acha que não estou falando sério. Há uma duvida a espreita atrás de toda aquela cor e imensidão que são seus olhos.
- Richard pare de brincar comigo - ela fala desviando os olhos dos meus para um ponto acima do meu ombro. - Você pode achar divertido, mas eu não.
Suspiro frustrado, deixando as cobertas de lado e me levantando da cama. Sinto os olhos de Kat fixos em minhas costas enquanto ando até a porta de seu quarto rapidamente a abrindo e indo em direção ao meu quarto novamente.
No cômodo, contorno uma das laterais da minha cama até chegar a uma das mesas de cabeceira. Abro a primeira das três gavetas existentes e tiro lá de dentro com cuidado uma pequena caixa quadrada de veludo negro e então volto calmamente para o quarto de Kat.
Seus olhos parecem perdidos e confusos, quando afundo na cama ao lado dela outra vez. Examino seu rosto, os cabelos castanhos emaranhados em uma deliciosa confusão sob o travesseiro e pelos seios fartos. Estico uma de minhas mãos e retiro algumas mechas grossas que lhe caem pelo rosto, tampando seus lindos olhos.
- Eu não estou brincando com você Kat - digo, abrindo um sorriso fraco enquanto acaricio sua pele morna. Então estico a mão que segura a pequena caixinha de veludo em sua direção, deixando-a sob a cama diante de seus olhos. Me inclino rapidamente, depositando um beijo sob o topo de sua cabeça antes de me levantar prestes a sair do quarto novamente. - Acho que eu nunca seria capaz de brincar com você Kat, eu não sou o tipo de cara apaixonante. Mas eu gostaria de começar a ser por você.
Seus olhos grandes me observam com extrema confusão, enquanto ela abre e fecha a boca várias vezes tentando me dizer algo que não consegue. Fico ali parado apenas a encarando, sem saber mais o que dizer para que ela acredite em mim e de todo fundo da minha alma, espero que ela acredite.
- Eu gosto de você - ela fala depois de um tempo, desviando seus olhos de mim para os lençóis brancos abaixo dela. - Não sei como, sei que você não pediu por isso Richard...
Ela para de falar como se estivesse repensando se deve continuar, enquanto meu peito sobe e desce com rapidez. Sem perceber o que estou fazendo, minhas pernas me levam de volta a cama, para mais perto dela e eu afundo meu corpo em um ponta de seu colchão, nem tão longe nem tão perto dela. Apenas um bom espaço, para que possa toca-la e vê-la ao mesmo tempo.
- Eu achava que meu coração não poderia amar mais ninguém. Mas não poderia estar mais errada - ela diz levantando os olhos e me observando com certa insegurança. - Pelo menos não até conhecer você. Eu simplesmente gosto de ficar com você, da sua companhia e até do nosso maldito silêncio. Eu gosto de estar com você de qualquer maneira Richard.
- Você gosta? - minhas palavras não saem como eu pretendia, pareço um idiota diante dela mas não poderia me importar menos.
- Mas...
Olho para ela, esperando que Kat continue e então percebo seus olhos marejados e um sentimento estranho passar por eles. Um que eu conheço muito bem, é medo.
- Eu tenho minhas inseguranças, quanto a isso que está rolando ou acontecendo. Eu gosto de você, mais do que deveria e admito, mas não acho que isso vá dar certo. O que aconteceu ontem foi doloroso de ver, mas me fez perceber que por mais que eu goste de você Richard, você não gosta de mim desse jeito. Ver você com aquela garota, só me provou que minhas inseguranças são reciprocas e que...
Não deixo que ela termine, eu simplesmente não aguento mais ouvir tanta besteira sair da boca de Kat. Avanço sob ela, segurando sua nuca e a puxando sem nenhuma delicadeza para um beijo. Tentando transparecer o quanto eu gosto dela com um maldito beijo, movo meus lábios sob os seus lentamente a provocando da maneira como sei que ela gosta e se derrete quando faço.
Kat tenta me afastar, com certeza para continuar falando bobagens mais desiste quando eu a seguro mais firme diante de mim. O ar de meus pulmões está se esvaindo com rapidez e me fazendo inspirar pelo nariz com força, enquanto continuo beijando-a, sentindo sua boca quente e macia sob a minha.
Meus dentes tilintam contra os seus, provocando e explorando. A garota é simplesmente de tirar o fôlego em todos os sentidos da palavra, suas mãos voam para os cabelos da minha nuca acariciando-os levemente enquanto aprofundo mais o beijo adorando os sons sensuais que ela reproduz colada a mim.
Lentamente encerro o beijo colando nossas testas uma a outra, observando seus olhos fechados e sentindo seu hálito quente e ofegante atingir meu rosto em pequenas lufadas. Sorrio, porque gosto de vê-la assim tão entregue a mim.
- Não aconteceu nada ontem Kat - digo tentando usar toda convicção em minha voz, para fazê-la entender e acreditar em mim. - Nada.
E como se minhas palavras a acertassem, Kat se desvencilha dos meus braços indo para um canto da cama bem longe do meu toque. Ela passa uma das mãos pelos cabelos, sem saber exatamente o que fazer.
- Você a beijou Richard, na minha cama - ela fala com dor na voz, e aquilo reverbera no maldito órgão descontrolado dentro do meu peito. Duas lágrimas gordas escorrem por seu rosto de anjo, enquanto ela me observa com decepção. - Você a beijou no meu quarto...
Não consigo ouvir mais nada, porque minha cabeça dói e meus ouvidos parecem estáticos. Merda! Eu fiz o que? Beijei aquela garota, na cama de Kat com ela observando tudo.
- Tudo bem - ela diz com um sorriso forçado e uma falsa alegria na voz, e aquilo parece me partir ao meio. - Eu só fui pega de surpresa, tudo bem que isso seja uma amizade colorida para você, mas acho que acabei confundindo de mais as coisas. Então quero encerrar isso e ser apenas sua amiga, eu tomei uma decisão difícil e pensei muito, e acho que seja o melhor para mim e para você Richard. Você sente atração pelo meu corpo, mas não gosta realmente de mim e eu preciso ficar com alguém que sinta isso e muito mais.
- É isso que você acha de mim? - pergunto sentindo minha boca secar e a raiva me domar pouco a pouco, sem que eu consiga contê-la. - Acha que sou tão superficial assim Katherine?
Ela fecha e abre a boca diversas vezes, não sabendo o que dizer ou apenas me deixando acreditar que ela acha isso mesmo sobre mim.
Solto uma risada amarga, exatamente um espelho do que realmente sinto agora. Trinco o maxilar e sinto meus dentes rangerem, para então um gosto metálico de sangue inundar minha boca.
- Ah merda, você pensa mesmo isto - murmuro me levantando da cama. Percebo que Kat fica tensa mas não me importo, na verdade ela que vá para o inferno e leve a porra de Jony Harding com ela.
SERÁ QUE NOSSO AMADO CASAL VAI TERMINAR JUNTO E FELIZ?
QUEM VOCÊS ACHAM QUE A KAT VAI ESCOLHER?
ME CONTEM AQUI!
Espero que tenham gostado anjos!
não se esqueçam de deixar um voto ⭐,
a famosa estrelinha e um comentário também. Isso é imensamente importante para que o livro cresça!
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um beijo grande ♡
ATÉ A PRÓXIMA QUINTA!
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