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Depois de alguns minutos finalmente chego em casa, praticamente me arrasto de dentro do Uber até a porta da entrada.

Estou exausta, acho que provavelmente gastei energia de mais esta noite.

Pego as chaves na bolsa e então destranco a porta, entrando para dentro de casa e acendendo as luzes da sala. Tranco a porta novamente, antes de subir para o andar de cima.

Mesmo não querendo, me forço a andar até o banheiro e tomar um banho. A preguiça bate forte, mas meu cheiro parece falar ainda mais alto.

Mesmo que eu não tenha bebido nada alcoólico, o cheiro se impregnou na minha pele junto com o cheiro dos cigarros e da maconha.

Eu adoro ir a festas, adoro dançar e fazer algumas idiotices com meus amigos. Mas todas as festas tem seu lado ruim, e as bebidas e drogas estão deste lado pelo menos para mim.

Não tenho nada contra bebidas, mas as pessoas que as consomem tendem a exagerar em suas quantias e acabam se tornando outras pessoas no processo.

Suspirando, tiro as roupas e as jogo no cesto de roupas sujas de baixo da pia antes de entrar em baixo da água quente. Minha pele fica um pouco avermelhada devido a exagerada temperatura do chuveiro, mas não ligo sempre gostei dessa sensação sob a pele.

Um misto de dor e prazer.

Não demoro muito no banho, apenas o suficiente para tirar o cheiro de festa. Vestindo uma camiseta velha e grande de um dos meninos que bate acima dos meus joelhos, prendo meus cabelos em um coque bagunçado e saio do banheiro apagando as luzes e me jogando sem nenhuma graciosidade na cama.

Me sinto como se estivesse deitando em nuvens macias, meus olhos estão pesados e meu corpo parece bem mais leve depois do banho.

Pego meu celular da pequena mesa ao lado da cama e digito uma rápida mensagem a Ren, tranquilizando-o de que cheguei bem em casa e que já estou na cama. Então jogo o aparelho na cama ao meu lado, me cobrindo e fechando os olhos lentamente. Não demora muito até que sinto o sono tomar conta de mim, assim como o cansaço.

Nem tenho ideia de quanto tempo se passou até que escuto a porta do meu quarto ser aberta, para depois ser fechada novamente e então alguém se deitar ao meu lado por cima dos cobertores.

Não faço questão de abrir os olhos, provavelmente deve ser um dos garotos.

É outra coisa que fazemos desde crianças, quando não conseguimos dormir invadimos o quarto uns dos outros e então deitamos na cama até pegarmos no sono.

Não me importo que eles façam isso, até gosto e de alguma maneira me faz me sentir ainda mais protegida.

Braços fortes rodam minha cintura, me puxando de encontro a um corpo quente. Sinto um rosto se afundar na curvatura do meu pescoço, enquanto a respiração morna aquece minha pele.

Sorrio comigo mesma, ao sentir o cheiro do perfume dele.

Devo estar sonhando, Richard provavelmente ainda está na festa ou está em casa. Meu insano subconsciente ainda deve estar pensando nele, devido aos beijos quentes que trocamos mais cedo durante a festa.

Um braço se passa por baixo de minha cabeça aconchegando ainda mais meu corpo, ao seu. Até que então uma mão se entrelaça a minha.

- Te acordei? - escuto sua voz rouca ressoar atrás de mim, diante da escuridão num sussurro.

- Richard? - tenho certeza, mas devido a minha mente enevoada pelo sono resolvo tirar a conclusão.

- Sim - ele responde com um suspiro, fazendo minha pele se arrepiar por completo. - Desculpe se te acordei, estava procurando um lugar seguro e tranquilo para dormir. Já que seu irmão e os caras trouxeram companhia. Posso ficar aqui hoje?

- Tudo bem - digo com sonolência, não vejo problema nisso. - Trancou a porta? Geralmente confundem os quartos, por mais que eles usem apenas os do andar de baixo para as aventuras noturnas.

- Uhum - ele apenas murmura, parecendo esgotado pela longa noite também. - Boa noite Katy.

- Boa noite Richard - digo com um sorriso preguiçoso surgindo em meus lábios, antes de voltar a pegar no sono dentro dos seus braços fortes e quentes. Sinto seu hálito quente em meu pescoço e então, sua respiração se torna serena e constante.


Acordo ainda sonolenta, e tento me mexer mas não consigo.

Mãos grandes e firmes me mantém colada a um corpo quente, com algum esforço me viro na cama ficando de frente para Richard. Sua boca está levemente aberta, enquanto os cabelos escuros estão desgrenhados contra os travesseiros. Algumas mechas escuras, lhe caem sob o rosto sereno e bonito.

Sorrio ao esticar a mão e afastar os fios rebeldes de seu rosto, os colocando de lado.

O garoto nem se mexe, ele deve estar exausto. Enquanto eu fico ali, deitada apenas o encarando pelos minutos seguintes. Observando de perto cada curva perfeita de seu rosto bonito.

Richard é ainda mais bonito de perto.

Depois de alguns instantes, consigo me libertar de seus braços insistentes e então corro ao banheiro para lavar o rosto, escovar os dentes e pentear meus cabelos.

Ao sair vejo que Richard ainda dorme, agora totalmente espalhado pela grande cama.

Seu rosto está enterrado em um de meus travesseiros, enquanto ele está deitado de bruços. Me dando uma ótima visão dos músculos definidos de suas costas nuas, já o vi treinado com os garotos antes e sem camisa, mas apenas de longe e nunca de tão perto assim.

É bom tê-lo por perto, por mais que não sejamos tão próximos assim.

Mas não sei como fazer para que essa aproximação realmente aconteça, ele não parece muito à vontade comigo diferente dos outros que sempre foram desinibidos desde crianças.

Richard é diferente, ele tem certos muros ao seu redor um tanto trabalhosos de derrubar. Os mesmos que eu construí ao meu redor há algum tempo, para poder me proteger e me manter segura do resto do mundo.

Meus pensamentos evaporam completamente quando chego a cozinha e encontro três garotas apenas com roupas intimas, sentadas na bancada da cozinha rindo e cochichando entre si.

E lá vamos nós de novo, é sempre a mesma coisa e mesmas palavras.

Suspiro e entro no cômodo enquanto elas me olham de maneira superior, até posso entender. Não tenho tantas curvas, peitos e bundas enormes e exuberantes. Então é aí que começa o julgamento.

- Desculpa lindinha, mas eu te conheço? - uma delas pergunta, tentando puxar assunto. Ou apenas me medir em algum tipo de teste idiota.

- Não, acho que não - digo observando-a por alguns segundos e então vou até a geladeira e tiro uma caixa de suco de laranja lá de dentro, contorno a ilha no meio da cozinha para pegar um copo no armário do outro lado. E elas ainda continuam me olhando de forma estranha e debochada. - Eu sou a Kat...

- Com qual dos garotos você dormiu? - outra pergunta, estreitando os olhos escuros em minha direção como se eu fosse um alienígena no meio da minha droga de cozinha.

- Hã, com nenhum? - disparo e elas gargalham.

- Espera que a gente acredite mesmo nisso? - a mesma fala de forma rude, me olhando com superioridade. - Espera, você não é aquela esquisita que anda com os garotos em Green High?

Engulo em seco.

Por mais que esteja acostumada aos comentários cruéis e ácidos de cada garota que passa por essa casa, não evita o desapontamento que eu sinto por mim mesma.

Não importa o quanto eu me esforce, para me enturmar ou simplesmente passar despercebida, sempre dão um jeito de implicar comigo por qualquer coisa.

- Sim, sou eu - digo despejando um pouco de suco no copo, com certa dificuldade já que minhas mãos estão tremendo fazendo com que algumas gotas caiam fora do copo.

- Ótimo, fiquei me perguntando se teriam ficado com você apenas por pena - a garota de cabelos lisos platinados diz de forma simpática e completamente fingida. - Não seria muito legal meu bem, esses garotos sabem como ser malvados.

- E não é que eles realmente sabem - escuto a voz de Samantha surgir na cozinha, olho para trás e ela está parada na porta. Os braços cruzados sob os seios fartos, enquanto usa a camiseta de hóquei do Ben.

Sorrio ao olha-la ali tão durona, encarando aquelas garotas. Admito que Samantha Jacquess é uma das garotas mais lindas que já vi. Seus grossos cabelos loiros agora estão presos em um coque desleixado, e os olhos azuis acinzentados cravados como facas nas garotas a frente.

- Aliás, vocês não têm mais o que fazer? - Samantha as provoca, assim que chega ao meu lado.

- Sam... - tento chamar sua atenção, ela está prestes a chutar essas garotas para fora. No sentido literal da palavra.

- Não Katy, merda, a casa é sua - ela diz completamente indignada, o olhar mortal é direcionado a mim agora. - Os garotos poderiam ter mais respeito com você, já que não é obrigada a ficar ouvindo essa ladainha por causa deles.

- Tudo bem, já estou acostumada - digo dando de ombros, enquanto descasco uma banana e dou uma mordida.

- O quê? - as três marias patins disparam juntas em coro, me fazendo revirar os olhos. - Você mora aqui, com os garotos? Com todos eles, sozinha?

- Mora, porque? - agora é a vez de Nate aparecer na cozinha, com o rosto amassado pelo sono. Mas mesmo assim seu olhar não deixa de ser ameaçador em direção as garotas. - Algum problema com a minha namorada?

Nate chega ao meu lado, passando um dos braços por meus ombros e depositando um beijo no topo de minha cabeça como sempre.

Levanto meus olhos para observa-lo, que está lançando um olhar para lá de frio para as garotas seminuas a nossa frente.

- Natie, v-você namora? - uma delas pergunta incrédula. - Ainda mais ela?

Me sinto como uma coisa, quase uma doença da maneira como as três me olham, como se eu não pertencesse aquele lugar. Muito menos merecesse ficar perto dos meus amigos.

Suspiro profundamente tirando o braço de Nate dos meus ombros e decido subir antes que as coisas por aqui piorem ainda mais.

Saio de vagar de perto de Nate, que nem parece perceber devido a tensão travada na cozinha.

Me permito respirar apenas quando meus pés alcançam o último degrau das escadas no andar de cima, caminho de volta até o meu quarto e então fecho a porta atrás de mim, me encostando sob a mesma e fechando meus olhos com força.

Respiro fundo várias e várias vezes, para tentar controlar as lágrimas que estão à beira de cair.

Não vou chorar.

Não posso chorar.

Não por causa disso.

Lentamente caminho até a cama, onde Richard continua na mesma posição. Parece nem ter se mexido durante esses minutos que passei lá em baixo, o que me faz rir baixinho.

Me sento na cama, ao seu lado encostando minha cabeça na parede gelada atrás de mim.

Respiro lentamente, então olho para o teto e logo depois decido fechar meus olhos por alguns instantes.

Sinto algo se mexer em minhas pernas, e então uma mão agarrar minha cintura com força me arrastando de volta para a cama.

- Oi - digo assim que abro os olhos, olho para baixo. Richard está com a cabeça deitada sob minhas coxas, enquanto um de seus braços contorna minha cintura.

- Oi - Richard responde grogue.

Rindo passo meus dedos por seus cabelos macios e sedosos. Gosto da sensação dos fios lisos entre meus dedos.

Depois de alguns instantes ele parece ter caído no sono de novo ou cochilado, comigo ainda mexendo em seus cabelos.

Alguns minutos em silêncio se passam, enquanto ainda acaricio seus cabelos e sua bochecha com carinho e cuidado.

- Que foi Katy? - ele murmura depois de um tempo, despertando minha atenção. - Você desceu e voltou rápido. O que aconteceu lá em baixo?

- Nada - digo e torço para que pareça convincente. - Só bebi um copo de suco e acabei percebendo que estava cansada de mais, para ficar de pé.

- Mesmo? - ele pergunta baixinho com um tom desconfiado, a voz ainda mais rouca que o normal devido ao sono.

- Mesmo - digo forçando um sorriso mesmo que ele não possa ver, com os olhos fechados.

Richard volta a ficar quieto em meu colo por alguns instantes, então se afasta deitando no travesseiro e me puxando para deitar ao seu lado na cama como mais cedo.

Seus braços enlaçam minha cintura, como tentáculos e ele me prende no lugar. Rindo baixinho encosto minha cabeça em seu peito nu e quente, inalando seu cheiro fraco de sabonete e perfume.

- Não sei porque - ele começa a dizer, enquanto apoia o queixo sob minha cabeça antes de terminar. - Mas não consigo confiar em você.

- Não acredita - digo, então abro um sorriso genuíno desta vez. - Mas deveria.

- Você não me engana Pierce - ele murmura em tom brincalhão. - Vamos dormir um pouco mais, ou apenas fica aqui comigo até que eu consiga pegar no sono de novo.

Sorrio, enquanto observo seu peitoral esculpido subir e descer lentamente.

- Ok - digo, enquanto fecho meus olhos e sinto uma pontinha de sono surgir de repente. O que é estranho, não sou de dormir tanto ainda mais com Ren sempre acabando com a minha tranquilidade em dias como estes.

Mas estando assim com Richard, aconchegada no calor de seu peito. O sono parece me embalar com facilidade. E depois de alguns instantes, sinto meu corpo relaxando contra o seu enquanto adormeço novamente.


O fim de semana passa rápido, com metade dos garotos fora de casa. Inclusive Richard, para minha surpresa e felicidade, mas já estou acostumada com a programação de todos.

Então não chega a ser uma novidade pra mim, quando eles não passam o dia em casa. Principalmente os finais de semana.

Já Richard e eu, admito que o clima entre nós está bem mais leve. Durante praticamente todo sábado, nós trocamos alguns olhares depois de sairmos da cama. Mas nada além disso.

Meu gêmeo também não disse nada, sobre ter me pegado em flagrante aos beijos com Richard na festa de sexta à noite. Provavelmente, porque estava bêbado de mais para se lembrar disso ou qualquer outro acontecimento.

Um sorriso idiota se espalha por meu rosto, ao me lembrar de Richard dançando comigo no meio da pista de dança. A sensação dos nossos corpos colados um ao outro, os movimentos sensuais que ele fazia junto a mim.

Lembro da sensação que senti, quando Richard mergulhou seu rosto em meu pescoço. Fecho os olhos sentada no sofá da sala e então, volto a festa da noite de sexta. Sinto os dedos quentes de Richard em minha cintura, me mantendo no lugar próxima a ele. Seu hálito morno banha minha pele, fazendo-a mesma se arrepiar.

Passo todas as cenas e sensações, até o momento do nosso beijo.

- Em que está pensando? - ouço uma voz sussurrar em meu ouvido. Então sinto um beijo ser depositado em minha bochecha.

- Nada especial - minto, ainda de olhos fechados e torço para que não esteja vermelha.

- Tem certeza? - Richard pergunta em tom de provocação, então ouço alguns passos e sinto o sofá se afundar ao meu lado.

Abro meus olhos, e então me deparo com Richard sentado ao meu lado. Enquanto seus olhos turquesa me encaram de um jeito divertido, um sorriso bonito lhe risca os lábios grossos.

- Pare de me encarar desse jeito - murmuro tentando segurar o riso.

- Mas é divertido - ele fala baixinho se aproximando ainda mais de mim.

- Você é tão... - começo a dizer, mas ele me corta.

- Bonito? - Richard provoca, usando minhas palavras contra mim. - Você já me disse isso antes, lembra?

- Eu ia dizer, infantil - digo com uma gargalhada. - Mas talvez, convencido de mais também possa servir?

- Nossa Pierce, você é bem malvada quando quer - Richard fala com um revirar de olhos. Ele se acomoda melhor ao meu lado no sofá, encostando a cabeça no acento e erguendo as pernas sob a pequena mesa no centro da sala. - Cadê todo mundo?

- Não sei - respondo dando de ombros e observando através do vidro da grande janela da sala.

Percebo que lá fora já está escuro. As várias luzes amareladas da rua estão acessas e as das outras casas vizinhas também.

- Achei que você estaria com eles, ou com meu irmão.

- Certo - é tudo que Richard diz ainda de olhos fechados ao meu lado. O silêncio toma conta da sala novamente, mas é confortável. - Viu, eu prometi que não lhe daria trabalho quando nos conhecemos.

Ele diz, então se arruma no sofá. Sentando-se novamente e me encarando com um sorriso travesso nos lábios fartos. Não consigo tirar meus olhos de sua boca por mais que eu queira e Richard parece perceber isso, o que o faz aumentar ainda mais seu sorriso.

- Eu disse que te jogaria, pela janela se fizesse isso e não estava brincando - digo ainda sem desviar o olhar de seus lábios, enquanto ele solta uma gargalhada.

- Disse mesmo, mas não acho que possa fazer isso - Richard me provoca, colocando um braço esticado no encosto do sofá atrás de minha cabeça e então se sentando de forma que fique de frente para mim no mesmo.

Ele chega mais perto, tão perto que sinto sua respiração morna banhar meu rosto.

Seus olhos turquesas estão cravados em mim, apenas alguns tons mais escuros do que realmente costumam ser. Tão bonitos, é o que penso ao encara-los toda vez.

Richard umedece os lábios com a língua, sem se quer desviar seu olhar em momento algum. E por mais simples que seja aquele gesto, parece algo tão sensual. Ainda mais vindo do garoto a minha frente, tudo nele é atraente e sedutor. Cada movimento que ele faz, por mais comum que seja é tão charmoso que desperta uma atenção inevitável para ele.

E eu sei muito bem que Richard é o tipo de garoto que adora essa atenção mesmo que não admita. Isso é o que torna mais difícil ainda algum envolvimento entre nós. Sei que podemos ter trocado algumas carícias e até mesmo alguns beijos, mas sei que tudo também começa e para aí mesmo.

Richard não é o tipo de cara, que gosta de assumir um relacionamento sério com uma garota. Ele é exatamente como meus amigos e meu gêmeo, eles gostam de diversão. Mas quando a brincadeira parece querer começar a ficar séria, eles fogem na mesma hora sem pensar duas vezes.

Minha respiração está entalada na garganta e por um momento esqueci como usar meus pulmões. Richard está se aproximando cada vez mais do meu rosto e eu, não tenho a mínima intenção de para-lo por mais que eu sinta que devesse. Eu quero isso, esse beijo.

Richard está apenas alguns centímetros do meu rosto agora, os lábios tão próximos até que finalmente encontram os meus em um beijo tranquilo e lento. Uma de suas mãos está em minha coxa apertando a mesma, enquanto seus lábios se movem lentamente acima dos meus.

Minhas mãos vão direto aos seus cabelos escuros, enquanto eu o puxo ainda mais para mim tentando eliminar a espaço já inexistente entre nossos corpos. Meus dedos traidores acariciam levemente a nuca de Richard, enquanto sua mão sobe para minha cintura.

Minha língua se choca com a sua, brincando e abrindo um caminho exploratório em sua boca. Richard morde levemente um de meus lábios, para então suga-lo entre os seus emendando mais um beijo quente em seguida.

Nos afastamos devido a maldita falta de ar, que nos impede de continuar com a brincadeira. Ele se afasta ofegante mesmo sem querer e então me lança um sorriso lindo, marcado com dentes brancos e perfeitos.

- Acho que isso vai se tornar um hábito - ele brinca, enquanto passa os dedos pelos cabelos escuros bagunçando ainda mais os fios rebeldes. - Mas um bom hábito.

- Talvez eu possa concordar - brinco, me levantando do sofá precisando criar uma boa distância entre nós e o desejo que parece nos consumir toda vez que estamos juntos.

Me aproximo da janela, olhando através do vidro esperando ver algum sinal dos garotos.

E o celular de Richard começa a tocar como um louco quase no mesmo instante, até que ele o pesca do bolso encarando a tela por alguns instantes um tanto apreensivo e então atende. É o seu irmão, ele diz movendo os lábios sem emitir som quando leva o telefone a orelha.

- Onde você está? - ele pergunta da mesma maneira tranquila de sempre ao meu gêmeo e depois de alguns instantes esperando o mesmo terminar de falar. Richard fica em silêncio novamente. - Certo, já estou indo.

Ren parece dizer algo a Richard, que levanta os olhos claros do chão e então me encara com um sorriso no rosto.

- Ela está bem, está em casa - ele diz ao telefone. - Vou dizer.

E então ele desliga, guardando o celular novamente e anda em direção a porta. Antes de lançar um último olhar em minha direção.

- Ele disse para que não o espere acordada - Richard diz, então abre a porta e se despede saindo pela mesma.

Ele sobe no carro, dando partida no veículo até que depois de alguns segundos o vejo sumir no fim da rua.

Suspirando me afasto da janela e tranco a porta apagando as luzes, subo ao andar de cima para tomar um banho e arrumar o uniforme para o início da semana de amanhã. Depois de tudo pronto deito na cama, puxando os cobertores e fechando os olhos.

Quando acordei de manhã, nenhum dos garotos havia dormido em casa.

O que também não me surpreende, é raro mais acontece de que as vezes a noite é tão intensa que eles não voltam para casa e sinceramente prefiro assim. Melhor do que dirijam o percurso todo bêbados, até em casa e algo ruim aconteça. Ao invés disso prefiro que fiquem seguros em um lugar próximo.

Entro na garagem, desativando o alarme da BMW 8i50 preta. Mais um presente de nossos pais, mas confesso que foi bem vindo. Porque a maioria das vezes, eu precisava de um carro e só os garotos tinham.

Então quando essas aventuras aconteciam, eu acabava ficando sem carona para a escola. Ou caso precisasse sair para algo também não tinha muitas opções, a não ser ir de táxi ou Uber.

Entro no carro, engatando a chave no painel e ligando o veículo. Abro a porta da garagem e saio da mesma pegando o caminho que conheço perfeitamente até a escola.

As ruas estão tranquilas e com pouco trafego à essa hora. O que me deixa mais calma, já que não costumo estar sempre atrás do volante. Me sinto mais confortável quando alguém dirige para mim, em poucos minutos estou manobrando em uma das vagas no estacionamento da Green High.

Desligo o carro, mas não saio do veículo. Ao invés disto, pesco meu celular da bolsa e o encaro. Já são quase oito horas e não recebi nenhuma mensagem de Ren ou se quer dos outros, o que me deixa um pouco preocupada.

Olho ao redor do estacionamento, enquanto caminho até o prédio da primeira aula. Observando os carros, para ver se encontro o deles por ali mas não vejo nenhum sinal.

Torço para que eles estejam no corredor dos armários quando entro no prédio principal da Green High, olho ao redor procurando por meu irmão mas não o vejo.

Em frente ao meu armário, guardo minha bolsa lá dentro. Apenas pegando o livro para a primeira aula, meu caderno e o estojo de canetas.

O primeiro sinal soa, indicando que a primeira aula está prestes a começar. Suspirando tranco o armário e então sigo até a sala de química avançada, quando chego a classe todos já estão sentados e percebo três carteiras vazias. A de Ren e Richard, juntamente com a minha.

Caminho até o meu lugar e quando acabo de me sentar, o professor chega à sala nos cumprimentando com seu rotineiro bom dia. A aula passa rápido e é completamente esmagadora pela quantidade de conteúdo, quando o sinal para troca de salas soa eu poderia até chorar em agradecimento.

Minha próxima aula me deixa um pouco mais animada, sendo educação artística. A professora com certeza sabe como tirar todas as tensões de seus alunos, com algumas pinceladas nas telas em branco.

Estou caminhando calmamente pelo corredor, quando escuto passos atrás de mim seguidos de alguns palavrões. Olho para trás, para ver David e Ren correndo em minha direção e atrás deles vejo meus outros amigos.

Meu coração fica um pouco mais tranquilo ao perceber que eles estão completamente bem, mas então me pergunto porque estão correndo. E minha pergunta é respondida quando Marien, uma das monitoras da escola aparece correndo atrás dos mesmos.

Ao passar ao meu lado, Nate entrelaça seus dedos aos meus e então me puxa com ele. Estamos todos correndo de Marien agora, que grita como louca para que nos paremos de correr.

Mesmo sem querer eu começo a rir, correndo a nossa frente vemos outro dos monitores da escola, Hector. Ele é um dos mais ríspidos com toda certeza.

Estamos correndo à toda, até que chegamos a uma bifurcação de três corredores. E nosso grupo é dividido, Nate e eu corremos para o lado oposto dos outros para um corredor vazio. Posso escutar cada professor explicando sua matéria em cada sala e sem querer solto a mão de Nate, que dispara com pressa na frente sem perceber que me deixou para trás.

O que ao invés de me deixar frustrada me faz rir ainda mais, não sei para onde correr quando vejo Nate dobrar o corredor a esquerda e gritar alto para que eu possa ouvir.

- Foi mal Katy!

Eu rio sabendo agora que ele fez isso de propósito, eu sou uma isca. Uma que vai ajudá-lo a fugir se for pega.

Então olho para todos os lados escolhendo pegar o lado oposto de Nate. Os monitores ficam para trás, mas posso ouvir suas vozes se aproximando no corredor de onde estou, então sem mais nem menos dedos quentes agarram meu braço e eu sou puxada para dentro de uma sala escura.

Arregalo os olhos, quando uma mão tapa minha boca e sou prensada em uma parede da sala. Vejo Richard me encarar rindo baixinho e então fechar a porta da mesma com cuidado, em seguida colocando um dos dedos sob seus lábios me pedindo silêncio.

- Você deveria estar na aula - sussurro baixinho para ele, que está ofegante a minha frente. Olhando pela pequena fenda de vidro que possuí na porta de madeira, lá fora os passos ficam mais próximos e sei que tanto Marien quanto Hector estão se aproximando da sala.

- Nos atrasamos um pouco - ele responde concentrado, ainda olhando através do pequeno vidro na porta.

Minhas mãos estão agarradas ao tecido da sua camiseta, enquanto ele está me prensando contra a parede da sala com seu corpo. Encaro seu rosto parecendo um tanto exausto, os cabelos escuros molhados e então percebo que ele está sem o uniforme.

Um erro, Green High é rigorosa quanto a isto. As vestimentas usadas dentro do perímetro da escola só podem ser o uniforme da mesma, as exceções são o uniforme do time de hóquei, as garotas da torcida, os meninos do futebol e o time de lacrosse e basquete.

Caso contrário, levamos uma suspensão que também conta em nosso regimento escolar. E os monitores adoram encontrar alunos vagando, sem o uniforme é ainda melhor.

Quando eles passam correndo pela porta, Richard ri mais uma vez, antes de seus olhos turquesa finalmente encontrarem os meus.

- Oi - ele diz, abrindo um sorriso bonito.

- Oi - respondo, encarando-o na mesma intensidade. Mesmo sabendo a resposta resolvo perguntar e tranquilizar minha consciência. - Estão todos bem?

Ele apenas meneia a cabeça, antes de se afastar e abrir a porta. Colocando apenas a cabeça para fora, vendo se não há mais ninguém ali então sai e me puxa junto.

Caminhamos tranquilamente lado a lado pelo corredor, aproveito que estamos no prédio principal e passo no armário guardando minhas coisas e pegando minha bolsa e as chaves do carro.

Nós seguimos para o estacionamento rapidamente, e não demora muito para que eu veja Ren e os outros encostados nos seus respectivos carros e rindo como idiotas.

- Semana passada nosso amigo aqui - Luc aponta para David. - Foi pego aos amassos com uma das estagiárias da biblioteca, pela Marien. Foi divertido de vê-la sair do sério.

- Você fala como se também não se atracasse com as líderes de torcida, embaixo das arquibancadas - David murmura achando graça.

Richard e eu nos aproximamos de vagar, eu jogo minha mochila dentro da caçamba da caminhonete de Luc e me sento encarando os garotos que riem e conversam ao mesmo tempo. Rick toma o lugar ao meu lado, também se sentando na caçamba.

- Foi mal Katy - Nate diz, quando chega ao meu lado. Também se sentando e então passa um dos braços por meus ombros. - Achei que tinha sido pega, mas você sabe que a Marien te odeia menos do que a mim. Sinceramente, acho que ela me foderia com toda força se conseguisse colocar as mãos em mim.

Eu gargalho alto e Nate faz o mesmo, seus dedos brincando com as pontas dos meus cabelos enquanto conversamos. Então sinto seus dedos fazerem pequenos círculos invisíveis em meu ombro ao olhar para o lado, levanto meus olhos e me deparo com os olhos turquesa de Richard fixos nos dedos de Nate em meu ombro.

- Ei, porque está tão quieto? - resolvo puxar assunto com ele, que parece despertar do transe e então encarar meus olhos parecendo confuso. Sorrio para ele. - Para onde você estava viajando?

Ele me olha de uma maneira estranha, o maxilar trincado com força e o rosto sem expressão alguma. Franzo as sobrancelhas, tentando transmitir a ele uma pergunta silenciosa mas Richard desvia o olhar para qualquer outro lugar.

Estico minha mão para tocar seu braço, quando ele se levanta e caminha para o outro lado. Encostando no carro de Ren e então entrando na conversa com eles, tento não transparecer minha decepção e magoa com ele após isso, o que é difícil.

Mesmo longe, sinto seu olhar queimar em mim mas quando o encaro diretamente ele desvia o olhar para um dos meus amigos.

Meu celular toca dentro da bolsa, despertando minha atenção e eu me viro para pega-lo.

- Oi Lis - digo ao levar o aparelho a orelha.

- Katy! - ela diz com animação. - Está livre hoje?

- Acho que sim, mas não tenho certeza - começo a dizer mas Lisa me corta, não me deixando continuar.

- Certo, então resolvido você vai a um lugar comigo - ela diz, sem me dar a opção de rejeitar. Ouço alguns barulhos ao seu redor, antes que a mesma volte a falar novamente. - Aliás, onde você está? Não te vi na E.A.

- Hãn, estou no estacionamento com os meninos... - digo e sou cortada novamente.

- Ótimo, estou indo aí - ela fala rapidamente então desliga.

Lisa é maluca, o que me faz sorrir. Às vezes me pego a comparando com meu irmão, esses dois tem uma energia insana.

- Onde vocês estavam? - pergunto, bloqueando o celular e olhando para Nate ao meu lado. O mesmo desvia o olhar dos amigos e me encara. - Eu estava preocupada.

- Acabamos achando um lugar legal no centro da cidade e ficamos por lá, não vi as horas passarem então quando acordamos de manhã ainda estávamos lá - ele diz dando de ombros como se não fosse nada. - Meu telefone morreu, então não pude falar com você.

- Certo, só me avisem caso aconteça de novo - digo com seriedade. - Odeio pensar que o pior pode ter acontecido e só ter notícia de vocês pela manhã. É horrível ficar preocupada Nate, detesto bancar a mãe mas poxa vocês são minha única família de verdade entende?

- Desculpe Katie - ele fala com tristeza nos olhos azuis, então me puxa para um abraço de urso apertado e deposita um beijo em meus cabelos. - Eu também odeio te deixar sozinha naquela casa enorme.

- Oi gente - escuto a voz de Lisa ecoar atrás dos garotos me impedindo de dizer qualquer coisa a Nate, e então vejo um relance dos seus cabelos ruivos voarem com o vento forte.

Minha amiga abre caminho entre os jogadores enormes de hóquei e se senta no capô do carro de Ren ao lado do mesmo.

Meu irmão sorri quando a vê, bagunçando os cabelos da amiga e então passando um dos braços por seus ombros e a puxando para perto. Os dois começam uma conversa entre si e esquecem dos outros ao redor, o que me faz sorrir.

Sempre tive a sensação de rolava uma certa química entre os dois, mas nenhum deles fazia nada para mudar isso. Ou quando eu tocava no assunto, eles tentavam mudar para qualquer outro.

- O que acham de darmos o fora? - Carter pergunta um tempo depois parecendo entediado.

- Veio de carro? - Ren pergunta, enquanto abre a porta do seu carro e entra dentro do mesmo. Meneio a cabeça de forma afirmativa, Lisa entra no carro com ele ainda rindo e conversando. Nate planta um beijo em meus cabelos e entra no carro de David.

Vejo Richard parado conversando com Liam, um pouco mais afastados de nós. Meu irmão liga o motor do carro e dá partida, aceno para ele que me joga um beijo antes de pegar a estrada.

Rindo, caminho lentamente até o carro sem pressa. Abro minha bolsa quando estou chegando perto da BMW e tiro as chaves do carro de dentro dela, fechando a mesma e voltando a coloca-la sob os ombros.

Desligo o alarme do carro, já destravando as portas mas antes que abra a do motorista vejo Richard alcançar meu carro e abrir a porta do passageiro se jogando no banco. Entro sem dizer nada, viro-me colocando minha bolsa no banco de trás e percebo a aproximação de Richard à minha frente.

Seu corpo está totalmente virado em minha direção enquanto ele me olha de forma estranha, suspiro me ajeitando no banco para encara-lo.

- Certo, sei que você quer me dizer alguma coisa ent... - ele me corta, quando me puxa para um beijo lento. Seus lábios quentes sob os meus, me fazendo esquecer qualquer outra coisa ao redor se não ele.

Sinto seus dedos se afundarem em meus cabelos, para me manter no lugar. Enquanto sua língua passa por meu lábio inferior, um pedido para que eu abra passagem para ela.

O beijo fica mais intenso com o passar dos instantes, seus lábios se movem com lentidão acima dos meus. Guiando cada movimento do beijo, provocando minha língua com a sua até ficarmos sem ar. Ele termina de selar o beijo, com um selinho em meus lábios.

Depois de alguns instantes, com nossas testas coladas uma sob a outra enquanto recuperamos nossa respiração eu abro os olhos apenas para pega-lo me encarando com indecência. O que me faz sorrir.

Me afasto dele, encaixando a chave no painel do carro e o ligando para seguirmos para casa.

O caminho é silencioso e agradável, Richard parece inquieto ao meu lado mas não diz nada. Ele permanece olhando a janela através do vidro por alguns bons instantes, paro o carro em um sinal vermelho e então espero pacientemente para que os pedestres atravessem a rua e o sinal abra para nós.

- Você não vai me dar um sermão? - ele dispara um pouco ansioso, viro-me para encara-lo com curiosidade mas ele ainda olha pela janela, talvez evitando meu olhar pelo tom de sua voz. - Como as outras garotas fariam?

- Porque eu faria isso? - pergunto rindo um tanto confusa, porque não sei onde ele quer chegar. Richard finalmente desvia o olhar da janela, para então olhar em meus olhos com seriedade.

- Porque o clima entre nós ficou estranho no estacionamento, sei que você ficou brava ou sei lá, seus olhos mudaram um pouco - ele diz dando de ombros, eu rio outra vez enquanto acelero o carro já que o sinal foi liberado para nós.

- Eu não faria isso, não é meu estilo - digo com sinceridade, então solto um suspiro longo que faz meu peito doer. - Eu sou aquele tipo de garota, que por mais que se sinta desconfortável ou triste com qualquer coisa não vai discutir ou fazer uma cena sobre isso. Eu apenas prefiro o silêncio.

- Entendi - ele diz e de certa forma parece mais aliviado, mas percebo que Richard não deixa de estar chateado. Tiro a minha mão que estava sob a marcha e levo até a dele, entrelaçando nossos dedos e fazendo pequenos círculos sob sua palma.

- Ei, fique tranquilo quanto a isso Rick - digo com os olhos na estrada, mas querendo olhar para ele neste momento. - Olha, vamos fazer assim. Quando algo realmente me incomodar, eu vou dizer a você ok?

- Você existe mesmo? - o escuto murmurar baixinho, e vejo pelo canto dos olhos que Richard me encara com afinco.


*E.A (educação artística/ aula de artes)*

Espero que tenham gostado anjos!

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ATÉ A PRÓXIMA QUINTA!

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