Mogu - II
Ego.
O ego é o aspecto mais palpável e manifesto de seres cognitivos. Simplesmente não podemos negá-lo por ser tão presente e fundamental em nossas vidas nesse plano físico, e justamente por isso ser tão difícil de se desprender dele.
Nosso ego é criado por nossa grandiosa – e muito desapreciada – habilidade de raciocinar. Temos capacidade cognitiva o suficiente para perceber nossa própria existência, darnos conta de que somos um indivíduo, ter consciência de nossos pensamentos e sentimentos, e ser responsáveis por nossos atos em uma escala muito mais profunda se comparada a outros seres.
Nem tudo são flores na questão do ego, no entanto. Pois consequentemente, como já disse em outra história, o ego acaba nos separando do que verdadeiramente somos, uma infinita consciência coletiva e universal que engloba todas as coisas, cuja energia fundamental e suas vibrações formam a realidade física e todas as outras. E isso acaba nos separando do verdadeiro potencial que possuímos, abrindo portas para todas as características negativas com que um ser cognitivo pode ser associado. A maldade, o preconceito, o individualismo e o egocentrismo que pensa em si mesmo antes do outro – mesmo que muitas vezes fomentado pela própria sociedade – entre tantas outras.
Mas e antes disso, o que vemos? Em seres que na escala evolutiva permitiram que chegássemos a esse ponto? Que não possuem uma proficiência cognitiva nem raciocínio lógico, mas dispõe de uma consciência intuitiva e completamente instintiva? Os animais, claro.
A natureza é sabia. E dentro da etimologia de natureza, inclua universo. A evolução então, mais ainda. Outro dia entrarei mais a fundo neste tema, queridos leitores, mas imagine a consciência na perspectiva de um animal. Sem a cognição, eles não possuem ego, e instintivamente, estão constantemente conectados com o todo.
Nós podemos perceber o tempo de forma relativa, justamente por possuirmos um ego que nos condiciona a necessitar o tempo, mas na natureza, o tempo não existe. Tudo é um fluxo constante de energias mesclando-se e interagindo de diferentes formas. O que percebemos como tempo são apenas eventos acontecendo, um seguido do outro, sempre influenciados por um anterior. Como o tigre que salta sobre a gazela para saciar sua fome; após a preparação intuitiva e elegantemente furtiva, a decisão instintivamente consciente faz com que particulas quânticas se movam de determinadas maneiras, de alguma forma criando quarks e bosons que formam protons e neutrons que vão formando os átomos e seus núcleos, logo os elementos que compõe moléculas e pouco a pouco toda a configuração genética, física e anatômica do tigre, cuja intenção faz seu cérebro enviar sinais elétricos aos nervos do corpo todo que movem seus músculos para finalmente saltar e atacar sua presa! Sim, nossa realidade é bem mais complexa do que parece, e nossos limitados sentidos apenas uma perspectiva limitada dela podem criar e perceber.
Ah-em, perdão, me deixei levar pelo assunto. Voltando à natureza. Essa perspectiva de tempo que nós percebemos não deve ser aplicada à natureza, pois nela, tudo é essa a constante transformação energética, evolutiva, instintiva, sábia, inteligente e feroz. E os animais todos fazem parte desse ciclo sem fim. Desse eterno presente, sem a ilusão do passado nem a expectativa do futuro. Apenas este único momento, que mesmo sem perceber é tudo o que temos.
Pois imagine agora a situação de um ser assim, que viveu toda sua vida intuitivamente. Um ser inteligente, que já construiu muitas conexões, passou pelas mais diversas e intensas experiências e sentiu as mais profundas emoções. Um ser que entende e aprende, mas vive apenas do seu instinto, pela primeira vez olhando seu reflexo no lago e percebendo: "esse sou eu."
Pois essa era a situação de Mogu naquele exato momento.
Sua intenção era apenas beber água e se refrescar após horas de prática meditativa, mas ao olhar para a água se deparou com algo que já havia visto milhares de vezes, mas nunca prestou atenção de verdade no que realmente era; talvez porque nunca lhe foi importante nem necessário. Percebeu a si mesmo, em seu reflexo na água calma. Aproximou lentamente o rosto ao reflexo e se impressionou ao vê-lo fazer o mesmo. Passou a imensa e forte mão peluda no próprio rosto, pelos olhos, nariz, boca, logo toda a cabeça. Deu um salto e dançou de alegria, sempre se observando com curiosidade e interesse, quase eufórico. "Eu existo," os pensamentos abstratos de sua mente o informaram, e isso o enchia de um sentimento de animação e glória que nunca antes havia sentido.
"É uma alegria conviver com você, amigo," disse pacificamente o monge que se aproximava do gorila, "um ser tão puro, uma consciência tão amorosa." Seu reflexo aparecia ao lado do de Mogu junto com ele, e acariciava sua cabeça de leve.
Mogu respondia animado com gestos e saltos, apontando para o lago e o reflexo, e logo para si mesmo.
"Sim, esse é você. Melhor dizendo, sua experiência de vida nesse atual ciclo," disse pacificamente o monge. "Em um próximo, você será como eu e qualquer outro, e terá uma perspectiva diferente das coisas e de si mesmo, assim como nós já fomos como você. E eu e você como as plantas e minerais, e assim como seremos com as estrelas."
Mogu observou o sereno rosto do homem e sua fleumática voz que inspirava calma. Não o entendia completamente, mas podia sentir de forma misteriosa o que ele queria transmitir com suas palavras limitadas pela comunicação linguística.
"Mas também não esqueça de sua experiência agora, pois ela é muito mais pura e real do que a da grande maioria das pessoas, e você sabe disso melhor do que ninguém, amigo." Mogu se lembrou das atrocidades cometidas pelo ser humano no passado e entristeceu-se, mas o homem o afagou uma vez mais. "Mas não se preocupe, o sofrimento é fundamental para qualquer ser consciente. Você utilizou seu sofrimento para crescer, e isso é o que importa. Um dia, conhecerá a si mesmo e a todos os deuses, e escapará da roda do sofrimento do samsara."
As palavras do monge apaziguaram completamente o gorila, que após passar por uma montanha russa de sentimentos em poucos instantes, agora voltou ao estado harmônico de paz interior que necessitava. Palavras poderosas, sábias, confortáveis e calorosas, que criavam uma atmosfera de amor e união naquela imensa e naturalmente silenciosa floresta. Nada menos que o esperado de um ser tão iluminado quanto Buda.
A roda do Samsara foi uma das verdades universais que Buda encontrou ao alcançar a iluminação espiritual. A roda do sofrimento, do destino kármico e cíclico a qual estamos todos presos. Buda chegou a conclusão de que o sofrimento é universal, pois nascer é sofrer, crescer é sofrer, adoecer é sofrer e morrer é sofrer; união com o desagradável é sofrer e separação com o agradável é sofrer; tentação e expectativa é sofrer, assim como não conseguir o que um quer. A roda de samsara é um dos aspectos do destino como lei universal, assim como a Faísca, e separar-se dela significa abdicar-se do próprio ego e perceber que somos muito mais do que aparentamos ser.
Entretanto, há imensurável diferença entre saber e sentir, e isso é algo que nem a onisciência pode me proporcionar, fazendo com que as experiências de um ser tão transcendental quanto Buda sejam aliens até para mim, que tudo sei. Agora, para onde vamos ao separarnos da roda de samsara? Bom, meus amigos, isso sim eu sei, mas é algo que um deve descobrir por si só, ou perderia todo o sentido – essa é a grande diferença entre a lógica e o sentimento.
Gautama havia se apegado ao grande gorila Mogu, e ao perceber seus grandes conflitos internos e o sofrimento que isso o causava, resolveu ficar ali para ensiná-lo o que podia, e também completar seus próprios objetivos naquela imensa e mítica floresta. Já fazia alguns meses que estava ali, e nesse tempo, ensinou o gorila a meditar, silenciar sua mente e fazer a consciência florescer.
No início foi difícil manter-se quieto, já que seus impulsos instintivos o moviam. Mas a paz interior que essa prática lhe trazia, cessando sua dor, ódio e o rancor pelos humanos que o corroía por dentro, acabou agradando o animal, pois agora tudo era serenidade e harmonia. E pouco a pouco, sua consciência foi expandindo até o ponto de conseguir reconhecer-se no lago como um indivíduo existente – quase ironicamente. Enquanto voltavam do lago até o lugar que estabeleceram como centro de práticas de contemplação, o monge proferiu:
"Mogu, hoje foi a evidência de que seu trabalho interior duro foi recompensado, e ainda muito mais há de ser," dizia enquanto apoiava-se em seu khakkhara, "e tudo isso graças ao seu próprio esforço. Eu posso te passar o conhecimento, mas é sua responsabilidade trabalhar com ele e crescer espiritualmente, se liberando das correntes do sofrimento e do karma." Ele sorriu e continuou. "Depois de nossa prática de hoje, preciso encontrar um lugar importante dessa floresta e me ausentarei. Pode vir comigo, se desejar."
Mogu ficou confuso, mas iria onde fosse o monge para ajudá-lo. Havia acarinhado-se a ele, e o considerava como um grande mestre e amigo.
Eles voltaram à grande árvore central de um dos blocos da imensa floresta, que consistía de centenas de árvores milenares cujas enormes raízes criavam territórios separados por barreiras naturais, mas transitáveis, raízes essas que nasciam da colossal e anciã árvore Gaia no centro da floresta, a maior e mais antiga árvore dali, vista desde milhares de quilômetros de distância desde o leste e eternamente bloqueada por névoa espessa pelo oeste. A árvore que elegeram para o ponto de encontro não ficava atrás em impressão, comparando-se a um edifício de cinquenta metros de altura que só poderia ser criado com uma tecnologia de arquitetura que ainda demoraria milhares de anos para alcançar tal nível.
Ali escolheram pois pareceu um lugar agradável, perto de onde se encontraram pela primeira vez e onde compartiram sua primeira refeição juntos. Sentiram também uma conexão agradável com aquele lugar, como se os atraísse. Desde então, até o fim de sua longa existência, aquele foi o lugar de descanso e reflexão de Mogu e seu espírito, o lugar onde seu corpo físico pereceu, e onde sua alma se esvaiu. Naquele lugar, daquela floresta, daquele planeta; onde seu ego nasceu e morreu, e seus instintos sempre existiram. Ali, Mogu e o Buda se sentavam perto de uma folhagem com as duas pernas cruzadas uma sobre a outra, com a coluna mais reta possível, e uma posição característica das mãos com os polegares tocando, para manter a concentração. Então, isolavam a mente de qualquer pensamento, emoção, influência, e floresciam a consciência pura, um estado meditativo profundo onde eram conscientes de si, dos arredores e do universo. Conscientes do que realmente eram e sentindo na pele e na mente as consequências positivas dessa verdade.
Algumas horas se passaram, horas que passaram voando na perspectiva do gorila, e o grande mestre se levantou em silêncio e começou a andar. O animal sabia que a prática havia terminado, e resolveu seguí-lo ao lugar onde queria ir para fazer o que fosse. Caminharam por algumas horas, o shakyamuni parava periódicamente a cada dez ou vinte minutos e se concentrava com os olhos fechados e o corpo completamente imóvel, e logo os abria e voltava a caminhar.
Mogu ficou confuso por não entender, mas ele estava testando cada lugar que passava para achar o ponto perfeito. Com um estado de consciência elevado e seu conhecimento nirvânico, ao fechar os olhos, conseguia sentir clara e perfeitamente o estado energético do ambiente e relacioná-lo com o campo magnético do próprio planeta. Estava buscando um lugar que fosse a intersecção das linhas eletromagnéticas da Terra, um ponto onde se cruzassem e se alinhassem.
O buscava pois alguns meses antes havia peregrinado ao Egito e, além de doutrinar sua filosofia para os aflitos e interessados, passou por diversas escolas de iniciação espiritual e descobriu grandes segredos e conhecimentos ocultos que foram passados à grandes civilizações antigas como a dos egípcios por uma ainda mais antiga e perdida no tempo.
Com esse conhecimento, resolveu deixar um presente para a humanidade. Além de sua filosofia de vida, percebida através da sua iluminação total, mostrando aos seres cognitivos como escapar da roda de sofrimento do destino e transcender o plano físico, também queria aliviar o sofrimento do planeta Terra e os seres que o habitam de alguma forma que fosse.
Como construindo um aparato que fosse balancear a frequência do campo geomagnetico naturalmente, uma pirâmide alinhada com outros pontos eletromagnéticos importantes da terra como outras pirâmides, os polos, o triângulo das Bermudas, e outros. Uma estrutura que, em algum momento trágico da história, ao ser ativada, ajudaria a harmonizar a frequência da ressonância Schumann – que mede a frequência desse campo eletromagnético planetário – e influenciaria na cura dos males da humanidade, algo que colaboraria no despertar da consciência coletiva positivamente, já que ambos campos estão conectados. Ou que pelo menos tornasse esse caminho mais fácil, ou no mínimo, perceptível aos incautos.
Finalmente, depois de umas boas horas caminhando, o mestre iluminado sentiu o ponto perfeito para a construção, e por fim sentou-se, deixando seu cajado com argolas no chão ao seu lado, fechou os olhos e começou a meditar em silêncio. Mogu não entendia nada, mas o acompanhou na prática.
Não sabia porque, mas logo conseguia sentir a intenção de seu amigo e guia. Em sua mente, a imagem de uma grande estrutura piramidal apareceu, algo que nunca havia visto antes, e visualizava também um constante fluxo energético intenso que circulava espiralmente pela estrutura, e o afetava de uma forma tranquila, impassível e absoluta. Ele também, de repente, sabia o que fazer para ajudá-lo a construí-la, como se sentisse a informação entrando na sua mente; só precisava cavar um buraco de uns trinta metros tanto de profundidade quanto longitude. Um tempo depois, quando abriu os olhos, percebeu que na sua frente estava a estrutura da pirâmide, mas transparente e quase invisível, como se estivesse piscando.
Não havia se dado conta de que muitas horas haviam passado desde que entrou em transe, e nesse tempo, o grande Buda construiu a pirâmide com seu pensamento no plano astral – onde o pensamento tem força criativa, como nos sonhos lúcidos – e apenas estava mudando a frequência vibracional da pirâmide naquele plano existencial para alcançar a da nossa realidade física, fazendo então uma transferência material de dimensão à dimensão – conhecimento que lhe foi passado pelos mestres esotéricos egípcios, e aperfeiçoado pelo seu próprio estado de consciência elevado. Um grande e complexo feito, por assim dizer. Mas é importante lembrar que Buda nunca revelou todo o conhecimento que adquiriu ao alcançar o nirvana, mas apenas o que achou necessário para a humanidade aprender. Nosso(s) universo(s) ainda vai muito mais além de qualquer doutrina ou iluminação.
Mogu levantou e projetou seu colossal espírito, começando a cavar rapidamente com o mesmo. Não sabia o porquê, mas o solo sendo matéria, influenciaria na hora da transferência de objetos de uma dimensão a outra, causando a colisão de matéria e podendo criar alguma singularidade perigosa. Depois de cavar um tempo, assegurou-se então de que a pirâmide apareceria sem obstáculos materiais no plano físico, e descansou seu espírito e seu corpo, deitando na grama em frente ao monge. Em alguns momentos após o buraco estar preparado, a pirâmide foi pouco a pouco ganhando opacidade, deixando de lado a transparência e aparecendo como um objeto material nesse plano físico, e logo, já existia ali como se tivesse existido desde sempre.
"Muito obrigado, Mogu," proferiu o monge em agradecimento. "Espero que um dia esse lugar alivie o sofrimento do ser humano e do planeta, e muito mais. E tenho certeza que você fará parte dessa mudança, meu amigo. Este lugar, esta floresta, está sob sua proteção, e sinto que consequentemente também, o destino dos seres vivos que aqui neste planeta habitam." E esboçou um sorriso. "Apenas não se esqueça que a vida aqui é apenas uma de muitas, e não é o que verdadeiramente somos. Você evoluiu sua consciência a ponto de criar um ego para si só, mas esse mesmo ego é uma ilusão consequente da elevação da consciência do instintivo ao racional, o primeiro passo para um estado ainda mais elevado que você um dia entenderá, e assim, escapará dessa roda kármica de sofrimento." Ele se levantou e sorriu. Mogu, por algum motivo, entristeceu-se. "Meu tempo aqui se acabou, mas minha missão continua. Outros lugares me esperam, e pessoas aflitas necessitam saber e lutar pela verdade universal e harmonia interior." Buda calmamente aproximou-se do gorila e o abraçou.
Este ficou triste, mas ao mesmo tempo sentiu uma forte energia que o preenchia por inteiro e lhe trazia paz e, mais importante, amor. Naquele momento, Mogu se perdeu completamente, como se não existisse como um ser individual, nem instintivo, mas sim universal. Naquele momento, naquele abraço, naquela emoção, ele era o universo, e a sensação era indescritível, tanto que essas palavras não fazem jus à sensação que sentiu. Ao deixar-se levar pelas palavras e sentimentos do Buda, Mogu sentiu seu amor infinito por todas as coisas, nas quais ele estava incluído, e a morte do ego foi clara e reveladora.
O monge iluminado se separou do gorila, e após um longo gesto de despedida, foi embora repentinamente.
Mogu não sabia o que pensar, nem o que sentir... mas aquele sentimento de paz interior, amor infinito e união total, foi uma experiência que nunca mais esqueceria na vida, e tentaria replicar quantas vezes fora necessário, através dos ensinamentos de seu grande amigo e mestre, Siddhartha Gautama, o Buda.
Ele voltou calmamente para o lugar onde tanto aprendeu, e ali descansou. Se sentia sozinho, mas sabia que não estava, era impossível. Mogu passou o resto de seus dias protegendo a floresta, esperando pelo dia em que encontraria o momento e a pessoa certa para levar à secreta e misteriosa pirâmide. Até lá, viveria cada dia como sempre. Viveria consciente, no eterno presente, como sempre foi mas agora muito mais, conectado com o todo. Aquela floresta agora não era sua apenas a nível territorial geológico, mas também num nível espiritual, intrínsecamente conectada com seu ser.
O grande gorila Mogu evoluiu, transcendeu sua essência, de tal forma que mesmo com o perecimento e desintegração de seu corpo físico, seu espírito continuou habitando o lugar até o dia que fosse necessário. Tão natural, que ele nem sentiu a morte de sua carcaça física com o passar dos anos, e sua consciência começando a habitar seu colossal e poderoso espírito como apenas um ser.
Nesse dia, sua faísca brilhou mais que nunca e sua alma se tornou eterna enquanto etérea. Existente enquanto física. Durante milhares, milhares, e milhares de anos por vir. Mogu já era uma lenda, mas em uma lenda nesse momento se converteu. Sua natureza era amar, mas temido era como sempre foi. O grande gorila agora já não era, o que era, era o grande Espírito de Mogu.
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