I

Um dia belo para a mais enigmática investigação. Dois homens desaparecidos, um caso para ser solucionado. Tomando seu café, Rixa Maia observava placidamente o táxi chegar frente ao seu apartamento no prédio Violeta Sé. O frio do Estado estava por toda parte, com chuvas intensas. Delicadamente ela pegou o elevador e saiu diretamente no andar térreo daquele ambiente de classe alta.
-Bom dia senhorita Maia, deseja algo?-perguntou o funcionário anão e careca, Lins, com muita amabilidade, nervosismo e um belo sorriso no rosto.
-Não, querido, obrigado. Espero que cuide bem do meu apartamento, quando voltar não quero uma imundícia, aliás, um milímetro de qualquer sujeira nos meus móveis, sabe que tenho alergia, portanto, poupe-me de quaisquer impurezas-respondeu a mulher, com olhar severo.
Rixa atraía todos os olhares para ela ao atravessar o lugar e ir na direção do seu motorista. A sua calça de couro com uma blusa social, chapéu no formato de um coco, salto, luvas e batom pretos, faziam que na boca de muitos, ela fosse uma viúva moderna. O único objeto diferente era a sua bolsa de cor branca que a mulher carregava no ombro. Uma mulher renomada, mas nunca tivera sorte no amor, na verdade ele que nunca soubera a magnitude do sentimento dela. Qualquer homem desejaria um selo daquela boca com dentes muito cuidados.

A estação Aurora estava gélida, como nunca antes, o céu nublado, não parecia ser manhã. Alguns homens passavam com as suas esposas e quase deixavam seus pescoços para adimirarem hipnotizados aquela diferentona, e muito esplêndida mulher.
-Oi linda, quer cinco pila pra beijar minha boca?-um bebarrão aproximou-se junto com outros dois, o odor de álcool se misturava com o do sovaco. Seguravam litros com cachaça branca.
-Não gastarei saliva com fígados podres-virou o rosto e olhou para um grupo de pessoas ao longe.
Os três homens se aproximaram, ela estava muito distante das pessoas que iriam embarcar no trem.
-E aí gata, vamos na minha casa pra gente fazer um nheco-nheco-propôs o bêbado,sua barba mal feita com pelos acinzentados em sua cara feia e oleosa.
-Você deve ser tão inútil quanto esse seu pinto caído, babaca, idiota!-ela puxou de sua bolsa um spray de pimenta e o despejou contra os três, aproveitando e dando-lhes pontapés nos seus traseiros. Correndo eles gritavam:"água, água!". Por toda a estação, quem via aquela cena caía na gargalhada.
Havia meia hora em que ela estava no trem indo para Suclima, as pessoas a observavam, mas ela não dava interesse, uma ou duas vezes ela pôde sentir a leve impressão de estar sendo permanentemente fixada por o olhar de um homem com casaco de pele de cor que seria semelhante ao marrom, e os seus cabelos chegavam aos ombros, cacheados. Ela o fitou, mas ele estava com os olhos fechados, uma cicatriz com formato de "x" tinha nitidez na bochecha sem barba.

-Aqui, tchê!-gritou um homem do outro lado da rua.
Ela ficou envergonhada, não tinha estresse no olhar, jogou os cabelos pretos para o lado e foi até ele. Entrou no carro cheiroso e seguiram rumo.

-Onde fica o Rancho?-disse a mesma.
-Estamos chegando, a senhora quer uma água?-lhe ofereceu um copo muito usado com água, ela obviamente não aceitou. Próximo ao copo na identidade do homem tinha seu nome completo, ela focou no primeiro deles: Sebastian. Coincidência ou não, ela já estava concentrada e atenta.
-Você ficou sabendo do caso dos amigos que desapareceram, mas ninguém até o momento sabe o paradeiro de nenhum.
-Me conte algo, quanto mais informação de populares, melhor-disse Maia.
-A...senhora, aqui não se fala muito sobre eles, dizem que o nome deles é forte para sair das nossas bocas, pois ultimamente quem fala neles escutam vozes, e frequentemente por motivos desconhecidos se isolam em suas casas e aparecem mortos-pausou para um curto espirro.
A estrada era muito bonita, nos dois lados da BR encontravam-se árvores banhadas pela água da chuva, atravessar aquilo seria memorável para qualquer pessoa.
-Você foi a primeira pessoa que meteu a cara nesse caso deles, espero que os encontre, afinal, eram pessoas boas. Percebe-se que a senhora também é da paz e do amor-concluiu o motorista.
-Não acredito em nenhum dos dois, a paz só acontece se existir amor, e o amor sem o esforço e prática não pode existir, principalmente da parte dos homens, pois ultimamente só vejo traição, então desconheço o amor-retrucou com o olhar frio.
-Pena que não reconheça que ele exista, acho que para conhecer o amor necessita que você abra a chave do seu coração-sorriu ele carinhosamente.
-Se o meu coração tinha chave, ela foi consumida pela chama do meu desprezo, só lembro que tenho coração porque ele ainda pulsa.
-Me caiu os butiá do bolso-ficou surpreso com a resposta da moça.
Agora o carro havia chegado, uma placa em madeira desgastada tinha os dizeres: Zuka Rancho-hotel zero estrelas.
Observou o prédio muito antigo, necessitava de um bom retoque, ser demolido e reconstruído, talvez.
Percorreram-se dez minutos. Ela estava como de costume tomando seu café e fumando um cigarro, olhava a densa floresta ao redor. Desviou os olhos para a esquerda, quando fez o oposto viu: frente a frente com ela estava ele, seus olhos estavam assustadoramente arregalados, a pupila dilatada ainda dava espaço para a íris de cor branca no glóbulo ocular totalmente preto, ela pensou em gritar, mas ele colocou o dedo indicador na própria boca e ela silenciou. Seria questão de segundos até ele atacar.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top