Capítulo 5 - Quer namorar comigo?

Ally me deixou em frente à casa dos meus avós. Era uma casa de tamanho médio, havia uma pequena varanda ao redor de toda a casa, nas paredes de haviam armadores para redes que há alguns anos não eram utilizadas, por toda a sua extensão a cada dois metros estavam dispostos jarros com samambaias que balançavam tranquilamente com a brisa do final da tarde.

- Precisa de mais alguma coisa?

- Não. – disse deixando sair um largo sorriso.

- Estou indo, janta em família as quintas. – disse ele dando o mesmo sorriso bobo que dava quando um assunto no seu ponto de vista o incomodava.

Allyson deu a ré no carro e o manobrou na rua e pegou a entrada a esquerda no cruzamento com a San Tomás. Larguei a mochila ao pé da escada de madeira que dava acesso à varanda e a entrada da casa. Olhei para o horizonte, a copa das arvores balançavam tranquilamente enquanto o sol em tom alaranjado começava a se despedir.

Meu celular começa a vibrar dentro do bolso do meu jeans, puxo e olho para a tela iluminada onde estava escrito o nome do meu pai. Respirei fundo. Procurei pelo tom mais normal possível e atendi a ligação.

- Oi pai. – disse animado.

- Ele ta fingindo... – a voz de Caleb ecoava no fundo da ligação.

- Amor... – disse meu pai Jhosua abafando o microfone do telefone.

Esbocei um leve sorriso. Eu tinha um par de pais que eram verdadeiras figuras.

- Desculpe querido... – disse Jhosua – Então como você esta filho?

- Estou bem pai.

- Sua avó nos contou que sai muito de casa, vai a muitas festas, mas não vê com ninguém além de um garoto... Como é mesmo o nome dele querido?

- Allyson... – grita meu pai de algum lugar da casa.

- Esse mesmo... – Jhosua ri brevemente – Então ele é seu novo namorado?

- What?! – grito.

- Não seja tão dramático Guilherme... – dizia meu pai em tom baixo.

- Ele puxou isso a você... – dizia Caleb rindo da situação. – Nem adianta que eu sei quando você fala sussurrando amor... Mas enfim filho, o garoto é ou não seu novo namorado?

- Claro que não – disse ultrajado – É um dos poucos amigos que tenho aqui.

- Ah... – suspirou Jhosua.

- Esta decepcionado pai? – perguntei curioso.

- Não, não que isso filho...

- Ele achava que você já estava em outra.

- E eu estou. – disse sem pensar.

- Esta?! – disseram os dois em espanto.

Era uma mentira e uma das grandes. De uma coia eu tenho certeza, a ultima coisa que meus pais queriam era que eu me tornasse um monstro era essa a ideia de ter me mandado para cá, para ficar com meus avos. E eu estava fingindo muito bem, minhas notas continuavam impecáveis e eu me comportava como sempre fui em casa. Na escola. Bem lá eu era eu mesmo.

- E quem é? – perguntou Jhosua animado.

Uma curiosidade sobre Jhosua, ele é um pai maravilhoso, mas ele assistiu muitas vezes Legalmente Loira e definitivamente ele parece uma patricinha de Beverly Hills quando fala desse jeito, sinto ate um frio na espinha, porque isso quer dizer que ele esta animado e se ele esta animado isso indica visita e se tem visita vai ter jantar.

- Um cara da faculdade... – disse vagamente.

- Quero um nome Guilherme. – disse Caleb.

To fudido. Literalmente fudidasso. Eu precisava pensar rápido, quem poderia fingir... Kal! Droga não posso dizer que é ele... muito velho e eu disse que ele era da faculdade, mas que merda em que eu fui me meter.

- Estou esperando. – insistiu Caleb.

Se eu não desse um nome a ele seria pego na mentira e ser pego na mentira com Caleb era a ultima coisa que você faria.

- Você mentiu para mim Guilherme?

Meu corpo estava suspenso no ar, meu pai – Julius – estava na escada de emergência de um velho prédio segurando meu corpo pela minha perna esquerda com apenas uma mão.

- Eu meeeeeeenti.... – gritava em meio a um choro infantil enquanto me debatia no vazio.

- E o que eu disse que faria se você mentisse? – ele me olhou seriamente arqueando as sobrancelhas.

- Que me...

Então meu corpo foi em direção ao chão.

- Guilherme! Me responde moleque!

Saiu do meu momento Todo mundo odeia o Chris e volto a realidade, ele não era a minha primeira opção, mas era o que me restava.

- Math. O nome dele é Math.

- Que maravilhoso! – disse Jhosua batendo palmas animado do outro lado da linha.

- Muito bom mesmo – Caleb não estava acreditando em nada e eu sabia que o próximo movimento iria me fazer pegar um castigo que eu não gostaria de ter – Estamos indo visitar você e seus avos e conhecer seu namorado. Marque um jantar conosco no sábado.

Engulo em seco.

- Tudo bem. – disse sem graça.

- Nos vemos no sábado filho! – disse Jhosua animado, finalizando a ligação.

Suspiro fundo.

- Eu to ferrado. Mas que merda... – bufei – Agora tenho eu dar a eles um namorado... – olhei para a tela do celular e busquei pelo seu numero, o telefone começou a chamar.

- Alô.

- Sou eu Math, Guilherme.

- Gui? Como conseguiu meu numero?

- Isso não interessa, quero cancelar o encontro de amanha.

- Por quê? O que houve? – ele parecia surpreso e desanimado.

- Não chora Bella, quero te pedir um favor em vez de termos um encontro amanhã.

- E o que seria? – ele disse curioso.

- Se arrependimento matasse meu Deus eu já estava morto.

- Não to entendendo nada.

- Já vai entender. – resmunguei – Olha preciso mesmo de sua ajuda com isso, mas é apenas por um dia já aviso logo.

- O que? Esta me deixando muito curioso.

Olhei para o sol que já sumia no horizonte, a lua começava a aparecer no céu, respirei fundo e pronunciei a palavra que eu mais odiava.

- Quer namorar comigo?

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