Capítulo 11 - A volta dos que não foram
MATH
Ele estava colocando a bermuda xadrez e a camisa polo branca, sentou-se na cama e eu me aproximei, o abracei e beijei suas costas. Ele riu enquanto calçava o All Star azul. Então soltou-se do meu abraço e foi ate ruflles meu cachorro e fez carinho nele, levantou-se e virou-se para mim enquanto vestia a camisa polo branca com o brasão da faculdade. Eu gostava de olhar para o corpo bem definido de Guilherme, isso me enchia de tesão.
- Porque esta me olhando assim? – ele perguntou.
- Você me deixa louco.
Ele deu um sorriso safado e disse:
- Você passa essa cantada para todos?
- Já disse que com os outros e outras é só curtição, você eu quero de verdade, mas você...
- Não namoro. – completou ele.
- Quando vai me dar uma chance?
- E não esta tendo? – ele me olhou arqueando uma sobrancelha.
- Uma chance de verdade, estamos fingindo para seus pais.
- Já havíamos conversado sobre isso Math.
- As vezes por um breve momento eu consigo ver quem você é de verdade.
- E quem eu sou de verdade? – ele se levanta da cama.
- Um cara que quer ser feliz, que quer amar e ser amado.
- Não gosto quando toca nesse assunto Math. – disse ele fazendo cara feia.
- Então deixa de ser cabeça dura.
- Math o nosso lance é apenas sexo, eu falei isso a você desde a primeira vez. Você é do time de futebol americano, pode ter qualquer cara ou garota da faculdade e esta tentando ter algo serio logo com alguém que quer apenas sexo.
- O que fizeram com você Guilherme para você ter ficado desse jeito?
- Nada que você já não saiba, ate porque por um momento eu deixei que você entrasse na minha vida e como eu sou retribuído?
- Gui por favor.... Eu já.
- Não me venha com essa de Gui. O que pensa que eu sou? Algum idiota por acaso?
Ele pegou a mochila no canto do quarto e me olhou levantando uma sobrancelha. Abriu a porta e me olhou.
- Acho melhor nosso lance acabar por aqui Math. Você fala de mais.
Então ele saiu e fechou a porta atrás de si.
- Mas que merda! – grito e jogo uma das almofadas na parede.
GUILHERME
A porta se fechou de forma abrupta atrás de mim enquanto eu seguia ate a calçada, parei por alguns instantes e olhei para a casa de tijolos brancos com um lindo jardim com roseiras e quatro arvores frutíferas que davam sombra e esfriavam o interior da casa. Ajeitei a mochila em minhas costas e segui em silencio pela rua.
Havia uma batalha interna dentro do meu corpo que lutava para sair a qualquer custo, meus sentimentos haviam voltado de uma forma inesperada e aceitar a verdade não era uma opção viável, porque as pessoas que amam sempre são fracas, propensas a se magoar e a se machucar por um momento breve de alegria. Do que valia ter isso? Se em contrapartida você poderia ter todo esse sentimento suprimido pela dor e pela magoa.
Eu havia me mudado porque meus pais acharam que eu conseguiria me recuperar, voltar aonde eu parei, mas fiz um caminho totalmente inverso ao que eles desejavam, eu fiz minhas próprias promessas. A versão da Disney é tão desacreditada quanto à versão de Crepúsculo de amor eterno.
Chutei uma pedra que voou em direção a uma janela de vidro, a fazendo se espatifar e cair no chão. Meus olhos se arregalaram e com um único movimento dei meia volta correndo com tudo o que eu podia enquanto ouvia uma mulher gritar, rapidamente dobrei na primeira esquina que vi para não ser pego.
O ar me faltava, mas ao mesmo tempo comecei a ter uma crise de riso. Era algo totalmente infantil e inocente, mas eu precisava daquilo naquele momento. ser eu mais uma vez, ser aquele garoto desastrado que lê e vê muitos filmes e que acha que a vida é como um filme ou uma serie de televisão.
- Algumas coisas nunca mudam. – suspirei tentando recuperar meu fôlego.
- Realmente não mudam. – disse a voz conhecida.
Meus olhos que estavam ate aquele momento fixos no chão enquanto as gotas de suor caiam na calçada se moveram rapidamente em direção a voz da pessoa que estava na minha frente. Ele estava sorrindo, mas era tímido e envergonhado, estava de bermuda e uma camiseta.
- Marxos – as palavras quase não saíram.
- Oi Gui. – disse ele enquanto estendia a mão.
O ar começava a fugir de mim e minha visão estava turva, tentei me recompor e estender a mão para segurar a dele, eu era maduro o suficiente para isso, mas meu corpo estava ficando pesado e então apenas ouvi ele chamar meu nome e depois...
Minha cabeça doía quando consegui abrir os olhos, eu estava deitado em uma cama. Não havia bips e nem nada do tipo apesar de eu estar em um hospital, pelo menos uma coisa era bem característica. O cheiro forte de detergente, aquilo impregnava minhas narinas que apenas me lembravam o quanto aquilo devia ficar limpo.
Limpo.
Encolhi-me por alguns instantes, eu me sentia em um livro que havia lido no ultimo verão "Querido Diário" onde o personagem principal vivia no hospital e era propenso a própria morte, desastrado como eu, mas com um futuro um pouco melhor ou não.
Pergunto-me porque alguém escreveria alguém daquela forma. Fora que ele era muito doce para homem, vamos combinar, mas a maioria só vê apenas isso. Mas não se perguntam o por quê? Talvez por que o autor tenha se inspirado em alguém que não tenha sorte no amor, que passe boa parte sozinho e que inconscientemente tenta compensar isso fazendo dele um bom partido para todos e que pode estar com todos.
Mas é ai que me diferencio dele, não sou um imã de caras, pelo menos eu acho e não estou dando chances para Deus e o mundo, tentei me afastar e ficar quieto, mas por alguma razão alguém sempre aparece para atrapalhar a nossa paz interior.
Há mais coisas que se pode perceber. A maioria apenas ignora o que esta entre as linhas e que por mais que seja doloroso, há algo de útil naquilo que pode pender para algo ruim ou não. A propósito quando fiquei tão filosófico?
Sentei-me na cama e olhei para o quarto, não havia meu par romântico, mas eu podia ouvir e ver minha avó do lado de fora do quarto falando com um homem de jaleco branco.
Suspirei.
Por um bom tempo pensei que havia enterrado tudo o que eu havia cultivado, parecia outra vida em outra época. E do nada tudo desaba, todas as defesas, todas as represas que seguravam todos os meus sentimentos estavam quebrando e liberando tudo de uma única vez. E simplesmente o inesperado estava acontecendo comigo.
Alguém que nunca havia partido havia voltado e dessa vez eu não sabia se conseguiria mantê-lo longe de mim, quando o que eu mais queria era voltar para ele. E isso era definitivamente a coisa mais idiota que eu poderia fazer desde que eu o deixei para trás há seis meses.
Voltar para Marxos.
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