Capítulo 15 - Decisões

O sol se punha no horizonte. O laranja tingia o céu em rajadas em meio ao azul celeste. A janela do quarto estava aberta, a brisa adentrava o quarto enquanto meus olhos estavam fixos na rua. Fazia algum tempo que eu não fazia isso, observava as crianças correndo pela rua com uma velha bola de pano e sacolas de supermercado jogando vôlei em uma rede improvisada com elástico que era usado em calcinhas antigas e que estavam amarradas a duas bases de madeiras feitas de maneira improvisada.

Eu sentia saudades dessa época que não posso ter novamente, um momento de minha vida em que não havia preocupações ou tantas responsabilidades, um época, porque não, mas feliz. Eu olhava para o sorriso fácil das crianças em meio as jogadas erradas ou ate mesmo em um descuido que fosse motivo de riso. Era realmente nostálgico, mas que eu não poderia ter de volta.

Abracei meus braços e encostei minha boca no meu braço e suspirei. As crianças pararam de correr enquanto uma moto passava, o motoqueiro olhou para a minha janela, ele parou e fixou seu olhar nos meus. Ele tirou o capacete e vi sua face. Parecia vazia e sem vida, olheiras pesadas se encontravam presentes ali. Ele parecia pedir socorro, mas iria se afogar, porque não haveria ninguém que pudesse salva-lo do sufocamento e eu não sou a pessoa mais indicada para salvar alguém de tal sensação.

Ele fazia aquele mesmo trajeto todos os dias. Parava a moto em frente a minha janela e me olhava, também não era novidade que eu sempre estaria ali naquele horário observando. Na verdade eu estava organizando minha cabeça, decidindo o que eu deveria fazer como deveria proceder como me proteger.

Ambos tinham maneiras diferentes de se manterem perto, mas sem dizer ou se aproximar da minha casa. Arxos mandava cartas por uma das crianças da rua, que se acumulavam em um canto do meu quarto, nunca abri uma e não tinha planos de abrir, Marxos era mais mórbido com sua moto diariamente. Ele gostava de se maltratar.

Dei um breve sorriso.

Era engraçado pensar em sadomasoquismo nessa ocasião? Não sei o que é normal ou anormal no meu caso, mas era estranho sorrir quando meu coração se apertava e se contraia por dentro, buscava uma válvula de escape uma fonte segura de ar para se manter sã.

Haviam se passado duas semanas desde a fatídica revelação de Marxos. Já havia acabado o semestre e já havia formado um plano em minha cabeça para que tudo ficasse bem, para que tudo ocorresse bem.

E como todos os dias eu me levanto e sem olhar para os olhos que estão fixados em mim sigo para a minha cama, onde singelamente as lagrimas caem e tocam o tecido da colcha de cama. Ao contrario dos filmes você não esta bonito nessa situação, havia emagrecido e mal tomava banho, eu deveria ficar mais tempo na cama do meu quarto do que em qualquer outro cômodo da casa.

Bem Bella Swan só que sem a maquiagem e a beleza, eu estava feio e começava a feder, eu apostaria minha mesada que meus pais estavam fazendo um plano mirabolante para me fazer tomar banho ou apenas me jogar na banheira para ver se eu me tocava de minha higiene pessoal.

- Será que posso entrar? – a porta do meu quarto se abre e vejo Joshua com sua cabeça adentrando meu quarto. – Seu pai já fez o jantar e ele quer que você desça, mas antes tem que tomar banho.

Dou um leve sorriso.

- Eu imaginei que viria algum golpe.

- É melhor do que eu pegá-lo e joga-lo na banheira. Seu pai não gostou muito da ideia.

Nos dois rimos e me levantei devagar e me sentei na cama.

- Esta tudo bem?

- Claro. – dei um sorriso largo para ele.

- Sei que esse é o sorriso que você da pro seu pai. Eu conheço o filho que eu tenho, apesar de seu pai também conhecer ele prefere acreditar que você esta realmente superando.

- E eu não estou?

- Não. E não vou deixar meu filho se definhar nesse quarto por alguém que não vale a pena suas lagrimas. Acha que eu não ouço você chorando a noite?

Abaixei a minha cabeça, meus dedos ficaram inquietos e começaram a se entrelaçar em uma tentativa frustrada de me distrair ou simplesmente de não admitir a verdade.

- Já tomei uma decisão sobre isso.

Meus olhos se abriram exponencialmente e se fixaram nos olhos preocupados de meu pai, só então eu havia percebido as olheiras em seu rosto, seu semblante cansado.

- Bem eu já conversei com seu pai e nos concordamos.

- Concordaram com o que?

- Você vai morar com seus avós por um tempo.

O ar parecia parar de encher meus pulmões. Sentei-me na cama instintivamente e tentei processar aquela informação.

- Mas...

- Sem mais Guilherme. Você teve duas semanas para tentar se reerguer e não conseguiu. Quer que eu espere um mês e depois dois e o que vai vir depois? Então você vai se mudar e vai estudar lá por algum tempo.

- Algum tempo? – o olhei receoso.

- Sim.

- Quanto tempo? – perguntei receoso.

- Isso é uma conversa pra outro dia, agora vá tomar um banho. Você fica ate o final do mês e logo depois vai pra casa dos seus avós. Já fiz sua transferência então não precisa se preocupar com nada.

Joshua se levantou e me beijou a testa e fez cara feia.

- Filho você esta fedendo. – ele da um sorriso e sai do quarto.

Bem, não era algo que eu estava esperando. Eu estava com os dias contados naquela cidade. Olhei para a pilha de cartas no canto do quarto, me sentei e encostei-me na parede e peguei uma das cartas, abri o envelope enrugado e retirei i pequeno bilhete que havia em seu interior. Não era uma carta de amor ou uma grande declaração, era uma frase singela em inglês.

"If I could just see you. Everything would be all right. If I could see you. This darkness would turn to light"

- Se eu pudesse apenas ver você tudo estaria bem. Se eu pudesse ver você esta escuridão se tornaria luz... – sussurrei ao traduzir a frase.

Eu precisava tomar uma decisão antes de ir para longe e tentar novamente. Eu precisava fazer algo que eu poderia me arrepender, mas que era um risco que eu estava disposto a pagar.

Havia muita coisa em jogo, a minha felicidade e quem eu sou. Essa será a ultima tentativa antes de tudo mudar e só haverá apenas uma única chance. Será tudo ou nada.

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