Capítulo Especial - Jhosua e Caleb
Último período da faculdade e eu estava incrivelmente atrasado para falar com meu orientador. Eu odiava estar atrasado, mas minha amada mãe insistiu que eu fizesse um lanche antes de ir para a aula. E lá estava eu atrasado, algo que seria inconcebível para mim. Sem carro e indo a pé aquele horário quando eu chegasse lá meu professor já deveria ter ido embora. Claro que nada poderá ficar pior.
Bam.
Foi o único som que eu ouvi, mas meu corpo sentiu o calor do café quente escorrer por meu peito e manchar minha camisa branca enquanto meu corpo despencava em direção ao chão, meu notebook que estava na mochila que não era nem um pouco apropriada para ela iria sentir o impacto ao tocar o chão, mas ao impede que eu caia e bata a cabeça na calçada suja.
Seus grandes olhos me observam cuidadosamente, posso sentir seu braço segurando minhas costas sem esforço, o seu cabelo voava com a mais leve brisa só então percebo de quem se trata.
— Você está bem? – Caleb parecia satisfeito por ter me segurado antes de cair.
Suspiro fundo.
— Acho que não. – diz ele dando um breve sorriso e me ajudando a ficar de pé.
— Eu pensei que meu dia não poderia ficar pior, mas eu estava completamente enganado. – disse bravo.
— Olha... – ele mantinha aquele sorriso irritante nos lábios – você deveria prestar um pouco mais de atenção enquanto caminha.
— Você tem certeza que quer dizer isso para mim? Não pensou em nada mais clichê?
— Uou... Calma. O que mordeu você?
— Estou atrasado, queimado, com a roupa suja e... Estou fodido desse jeito.
Ele dá um sorriso despreocupado.
— Então para onde está indo com tanta presa, para não olhar nem para os lados?
— Faculdade, algo que você não frequenta muito.
— Ei... Assim você me magoa. – disse ele com um tom divertido.
— Você nunca para de rir? Esse sorrisinho já está me dando medo. Sério.
Ele desfaz o sorriso e ficando sério.
— Certo senhor estraga prazeres. Eu posso te dar um carona, se quiser. Estava indo mesmo para lá. Estou de carro. – ele aponta para o Fox vermelho – E tenho sempre uma camisa sobrando para emergências. Então assim posso ajudá-lo?
Suspiro e me acalmo um pouco.
— Desculpe, estou meio estressado apenas isso.
— Percebi. Tanto mal humor em uma pessoa só.
— Não enche.
— Eu acho que quando você tiver filhos você vai ser o pai mais babão desse mundo e vai viver sendo amável.
Olho para ele sem compreender.
— Que raios estamos falando sobre filhos? O que tem haver uma coisa com a outra? Pode me dar a carona por favor?
— Sim senhor capitão. Primeiro o senhor.
Abro a porta e entro no carro, logo em seguida ele faz o mesmo. Coloca a chave e dá a partida, acelera troca a marcha e faz a manobra para sair da vaga em que estava seguindo em direção a universidade. Ele liga o rádio e uma música animada começa a tocar.
— Ah... Antes que eu esqueça, na bolsa atrás do seu banco tem uma camisa que deve servir em você.
Me viro para pegar a bolsa cinza que aparentemente ele levava para a academia, abri e lá estava uma camisa polo branca. Retirei a minha camisa e a joguei no banco de trás, vestindo a camisa dele logo em seguida. Em pouco tempo estávamos no estacionamento da faculdade. Ele estaciona e me olha.
— Entregue. Sã e salvo.
— E você não vai também?
Ele dá um breve sorriso.
— Não estou com tanta pressa como você.
— Certo então. Obrigado por tudo.
— Que isso. Um dia desses você me paga esse favor.
— Esta bem. – e pela primeira vez dou um breve sorriso.
Ele sorri de volta e eu saio do carro, pego minha mochila e sigo em direção ao campus. Ouço o carro dele se afastar e me viro para olhar ele desaparecendo no final da rua.
— Oi. – sinto o corpo de Sebastian sobre o meu.
— Você pode descer daí? – reclamo.
— Você anda muito mau humorado ultimamente.
— Porque será?
Sebastian é meu melhor amigo, ele tem é da minha altura, pardo de cabelo curto. Estava sempre com um fone vermelho no pescoço, um All Star preto surrado nos pés e a mochila a tira colo. Ele não fazia a linha atleta, mas tinha um corpo normal.
— Então tudo pronto.
— Para que? – pergunto enquanto caminhamos pelo campus.
— Você não lembra mesmo do nosso encontro?
Encontro. Era uma palavra bem forte para uma saída entre nós dois, mas eu havia prometido a ele que lhe daria uma chance. Somos amigos e nos dava bem, mas eu não pensava nele daquela forma. Era esquisito. Muito esquisito e por todo o caminho Sebastian ocupou o tempo da conversa com os planos para o grande encontro o que foi bom, me poupava de não comentar sobre enquanto eu desviava a minha atenção para algo mais importante a minha monografia que estava quase completa e falta pouco o que ser finalizado.
Quando finalmente chegamos na porta da sala do meu orientador percebo um corpo correndo vindo em minha direção. Aquela silhueta não era estranha, era até muito familiar e Sebastian continuava tagarelando incontrolavelmente enquanto Caleb parava bem na minha frente, finalmente Sebastian havia fechado a boca.
— Eu esqueci de uma coisa.
— O que?
— Te desejar sorte, mas então lembrei que não precisa, mas mesmo assim vou fazer isso.
Então sua boca toca a minha e de repente sinto que meu corpo está flutuando, mas sei que meus pés estão no chão. Ele se afasta e estou sem palavras, ele estava com um largo sorriso no rosto de felicidade e como se tivesse recebido uma carga elétrica ele urra e me dá um selinho.
— Espero você la embaixo. – e sai correndo pelo corredor pulando animado e olhando para mim sorrindo.
Enquanto isso lá estava eu parado tentando entender o que havia acontecido e se aquilo não passava de um sonho criado em minha mente, tento me concentrar novamente no que estava acontecendo.
— Jhosua – meu professor me chama, ao me ver parado em sua porta. – Vamos, estou louco para ver seu trabalho.
E sem perceber sou tragado pela sala onde meu orientador se encontrava, forcei-me a concentrar e fiz o possível para não perder o foco enquanto explicava ao professor sobre minha pesquisa. Depois de duas horas em sua sala, quando saio Sebastian não estava mais ali. Eu precisaria ligar para ele para saber como ele estava e se estava zangado comigo e para a minha surpresa Caleb estava me esperando no estacionamento. Encostado no seu fox vermelho, com um enorme sorriso no rosto. O que aquilo poderia significar para nós? Só o tempo poderia nos dizer.
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