Capitulo 16 - Prova Final
Os livros estavam esparramados sobre a mesa, o notebook mantinha a janela aberta do meu trabalho de conclusão do curso. Claro que eu havia me preparado para finalmente ser um engenheiro, mas Math estava me deixando louco nos últimos dias, quando duas pessoas estão no último semestre e um sabe como fazer e o outro não acaba que nenhum dos dois consegue fazer nada.
Eu estava na casa dos meus pais. Meu quarto continuava do mesmo jeito que eu havia deixado, claro com algumas mudanças já que Eric vinha aos finais se semana. Ouço o som da porta se abrindo, meu pai Jhosua trazia uma bandeja com um copo de bananada e um hambúrguer caseiro com um pote de maionese e ketchup. Ele arruma alguns livros e coloca a bandeja sobre a mesa.
— Como esta indo filho?
— Quase acabando pai, so me falta a conclusão, então poderei voltar para casa e ajudar Math com o dele. – meu pai dá um sorrisinho – Eu amo meu marido, mas ele me põe louco esses últimos dias e não consigo ajudar ele sem me ajudar primeiro. E anda estamos no começo do prazo.
— Eu entendo Guilherme.
— E Eric?
— Está com o seu pai, sabe como ele gosta de quando Eric vem nos visitar. – diz ele satisfeito.
Eric é um jovem adolescente, o adotamos a cerca de dois anos. Na época ele tinha quatorze anos e já havia sido rejeitado por quatro famílias antes de nos encontrar. Ele tem um metro e oitenta e oito, sua pele é morena, de cabelos negros e lisos e olhos castanhos claros. Ele tem um corpo normal para a idade, mas assim como eu parecia não precisar de academia para se exercitar.
— Você acha que ele se sente feliz pai? – o olho parando o que eu estava fazendo e tomando um copo da vitamina.
— Porque você pergunta isso?
— Tenho medo de que ter dois pais o incomode em algum momento, as pessoas podem ser cruéis e não quero meu filho magoado, não quero vê-lo triste.
— Você já perguntou isso a ele?
— Já. – abocanho um pedaço do hambúrguer – Ele diz que nos ama e que é muito feliz. – engulo e bebo um pouco do suco – Mas você sabe que quando somos adolescentes escondemos muitas coisas. – Meu pai dá um sorriso e me abraça. – O que foi?
— Agora você sabe como eu me sinto com relação a você. É coisa da sua cabeça meu filho, vocês nos deram um neto maravilhoso.
— E que meu pai Caleb faz questão de estragar. – digo revirando os olhos – O que ele comprou dessa vez?
— Um X-box One – diz em meio a um sorrisinho.
— Pai, como você deixou papai comprar um console?
— Ele foi bem persuasivo. – nasce em seu rosto um sorriso safado.
— Eca! Muita informação. – digo voltando ao trabalho.
— Ate parece que estamos mortos.
— Mas é constrangedor sequer pensar que vocês fazem essas coisas, tenho a imagem imaculada de vocês.
— De quem? – a voz de meu pai Caleb ecoa no quarto.
— Falando nele... – digo em meio a um sorriso.
Eric entra no quarto e se aproxima de mim, puxa uma cadeira perto de mim e se senta colocando a cabeça sobre o meu ombro.
— Pai... – ele começa – Vovô Caleb e Jhosua me deram um...
— Iiiiih... já estou sabendo.
— E então? – fala ele na expectativa.
— Depois das provas finais. Passe de ano e ele é seu. Mas antes disso, o console fica aqui.
— Esta bem. – disse ele animado. – Vou tirar 10!
— É assim que se fala meu neto! – pai Caleb o puxa de volta e somem no corredor.
— Como alguém pode se animar tanto com um aparelho? – olho para meu pai Jhosua.
— Não se pergunte filho, só entre na onda... – ele se aproxima e me dá um beijo na testa saindo do quarto.
Suspiro e olho pela janela, nunca passou pela minha cabeça me casar e me tornar um adulto responsável. Meus pais ajudaram a criar meu filho com Math enquanto nos dividíamos entre trabalho, faculdade e os cuidados paternais. Está terminando finalmente o curso e tendo esse diploma, mas a vaga em uma das maiores empresas do país nos traria uma maior estabilidade. Math não iria seguir pelo mesmo caminho que eu.
Pelo acaso ele acabou se tornando autor de livros, sua obra de estreia com o pseudônimo Eric Digory com a modéstia impressão de 300 exemplares vendeu como água, tudo por causa de um romance entre um ser mitológico e um humano que ele inventou enquanto ajudava nosso filho com trabalho voluntário em um centro para crianças carentes e paralelamente aos estudos ele escrevia o segundo volume.
Mas acho que de tudo ter o filho foi a maior de nossas felicidades, Eric estava sempre sozinho em um canto olhando os outros olharem as crianças menores, sempre apresentando interesse pelas crianças de cor mais clara. Ele já estava no orfanato desde os três anos de idade quando foi tirado de sua mãe que era viciada em craque e morreu três meses depois de overdose.
***
Eric estava sentado perto de uma arvore com um livro em suas mãos, me aproximei devagar dele que levou um susto. Seus olhos pareciam assustados, mas ele não se moveu ou pareceu interessado em minha presença.
— Tudo bem? – sento-me de frente para ele no chão.
— Sim.
— Qual o seu nome?
— Eric.
— Você sempre fica aqui sozinho Eric?
— Sim. Ninguém quer adotar uma criança do meu tamanho. Sou grande demais, perco fácil para as fofuras que correm pelo pátio de manhã.
— E você tem algum desejo? – Math se aproxima sentando-se do seu lado. – Não importa qual seja ele. Qual seria ele?
Ele nos olha com dúvida e começa a brincar com um pequeno galho que estava próximo a sua perna. Ele nos olha novamente e fala:
— Ter uma família.
— E se você pudesse ter uma família – seu rosto se iluminou – Mas tem um detalhe, você se importaria de ter dois pais? – digo dando-lhe um sorriso.
Seus olhos se enchem de lágrimas e ele me abraça forte, Math se aproxima e nos envolve com seus braços.
— Nós vamos lutar para ter você conosco... – disse Math – Filho.
***
Quando dou por mim, a noite já havia chegado e eu podia ouvir a voz de Math na sala. Desço as escadas e sou recebido com um beijo do meu amado esposo.
— Jantar está na mesa – diz Eric abraçando-nos. – Vô Caleb fez macarronada.
Eric dispara pelo corredor indo para a cozinha, onde meus pais já se ajeitavam na mesa. Nossa família estava completa, a felicidade reinava e como todos os domingos depois da chegada de Eric a família, temos o domingo das massas. Angelina sempre aparece com o marido para come além de trazer algum presente para Eric, já que é madrinha dele. Tínhamos uma vida pacata, sem muitas emoções, uma vida normal como pessoas normais.
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