Capitulo 12 - Eu não posso ser gay.

O sol ganha um tom alaranjado no horizonte quando decido finalmente me levantar da minha cama. As nuvens estão tingidas no céu enquanto caminho até o banheiro, tiro toda a roupa e entro no box. Ligo a ducha e sinto a água escorrer pelo meu corpo, relaxando minha musculatura. Todas as dúvidas e medos que eu carregava precisavam de alguma forma serem extintas. A primeira delas foi quando descobrir que eu gostava de meninos, minha primeira experiência foi com Rafael, eu tinha 14 anos e ele tinha 17.

***

Rafael era um garoto bonito, tinha pele alva e olhos verdes claros. Tinha uma bunda grande e que me fazia ficar animado só de olhar, seus cabelos eram curtos, loiro escuro. Naquela época eu era bem mais feminina, o que para mim era natural então desde muito cedo recebi o apelido de viadinho.

Rafael costumava fazer algumas brincadeiras comigo junto com os amigos. Me agarrava por trás e se esfregava em mim sempre perguntando se eu gostava, mas eu negava, quando na verdade gostava e sentir ele ali tão perto de mim era maravilhoso, sentir seu cheiro e quando minha roupa se impregnava de sua essência eu ficava sem para de cheirar. Foi em uma dessas brincadeiras que ele se esfregava em mim, que acabou sussurrando em meu ouvido.

— Putz, Gui você me deixou de pau duro agora. – fiquei vermelho automaticamente – Você não quer resolver isso? Sei que você quer, apesar de fingir que não. Então quer ir lá em casa? – apenas confirmei com a cabeça – Sai e me espera em frente à minha casa em meia hora.

Fiz exatamente o que ele me disse. E meia hora depois ele apareceu. Deu um largo sorriso para mim, abrindo a porta e me convidando para entrar. Mal pus o pés dentro de sua casa, senti seu corpo colado no meu enquanto ele fazia movimentos de vai e vem contra minha bunda.

— Sempre quis transar contigo sabia? Você me deixa louco. – ele dizia enquanto sua boca tocava minha nuca e suas mãos baixavam minha bermuda. – Olha como eu fico. – ele abaixou a cueca e vi seu membro rígido e pulsante. – Dá uma chupadinha nele dá? – ele pediu todo dengoso.

Sem ao menos pensar direito, minha boca já estava sugando seu falo de maneira rápida e continua, ele gemia e falava putaria, quando me fez soltar seu membro e ficar de quatro em uma cadeira que tinha na varanda de sua casa. Ele dá uma palmada na minha nadega direita, pega saliva com a mão e passa em seu membro rígido, ele encaixa o mesmo na minha abertura e força sua entrada.

A dor era alucinante, eu sentia que estava sendo rasgado ao meio, mas era o garoto que eu amava, o meu primeiro amor então valia a pena. Não demorou para que ele começasse a movimentar mais rápido e em poucos minutos urrou de prazer me enchendo do seu liquido quente. Eu era ingênuo naquela época e pensei que iriamos ficar juntos, mas no final das contas.

— Quando eu tiver com vontade de comer um cuzinho de novo te aviso está bem Gui? E caralho de cu gostoso que você tem, melhor do que o ultimo que comi – disse ele sorrindo e entrando dentro de casa – Ah e fecha a porta quando sair.

***

Depois daquele dia, fiquei com medo de ele contasse a alguém sobre o acontecido. Eu tinha sido só mais que ele tinha traçado por aí. Fui usado e descartado como se eu não tivesse sentimentos. Eu já possuía consciência de que ser gay não era 'saudável' que isso poderia me trazer grandes consequências.

Quando se é adotado por um casal homo afetivo você está fadado a ser estereotipado a ser gay também. E é justamente essa frase que todos os homofóbicos religiosos usam para defender seus argumentos. Assim como tantos outros de que não podemos ser uma família porque meus pais não podem se reproduzir. Crescer em meio a isso é duro e se enganam quem pensa que meus pais esperavam que eu fosse gay.

Para evitar que meus pais sofressem por eu ser quem eu sou, mudei minhas atitudes. Com o passar do tempo eu pedi a feminilidade que eu tinha tão aparente quando mais jovem, deixei de frequentar ambientes GLBT, comecei a me interessar por esportes, carros, comecei a me exercitar. O meu plano era ter uma família tida como normal, sem que meus pais sofressem por eu ser gay, eu não queria que eles fossem julgados. Eu sempre repetia a mesma frase em minha cabeça, como um mantra.

"Eu não posso ser gay, eu não posso ser gay"

Eu estava sacrificando a minha felicidade em prol da dos meus pais, do bem-estar deles. Não queria causar problemas a eles. Tudo o que fiz foi para manter a segurança deles em um pais que ataca um pai e um filho só por andarem de mãos dadas e alguém achar que é um casal homo afetivo. Eu não sei o que faria se algo acontecesse com meus pais, então desde aquela época eu fiz tudo o que estava ao meu alcance para ser hétero.

Eu queria dar aos meus pais netos, queria gostar de garotas e não inventar uma namorada imaginaria para deixar meu piais felizes, tudo estava indo bem, não era perfeito porque eu não tinha achado uma garota para realmente namorar. Eu não sou feio e muito menos muito bonito, mas dava para conseguir uma garota legal era o que pensava, mas tive que mudar meus planos quando esbarrei em Arxos na volta as aulas da faculdade.

Desligo a ducha e pego uma toalha, seco o meu corpo e volto para o quarto, pego uma cueca boxer branca na cômoda e visto uma bermuda jeans e camisa azul que eu havia ganhado de presente a muito tempo atrás, mas agora eu precisava tomar uma decisão que não envolvia apenas eu, Math também. Eu estava com medo, porque não havia uma resposta pronta dentro de mim, eu não esperava que ele fizesse algo desse tipo, fui pego desprevenido e agora eu tinha que dizer a ele de maneira objetiva.

***

Arxos estava sentado na minha frente, seu cabelo estava penteado para o lado direito, a camisa vermelha justa em sem corpo valorizava seu corpo. Estávamos no último lugar do mundo que deveria ser considerado civilizado para iniciar uma amizade com um ex-namorado. O Le Château continuava o mesmo em todo esse tempo, e estar ali com ele me trazia lembranças.

***

Seus lábios passaram pelo meu pescoço, indo em direção a minha orelha, então ele olhou novamente nos meus olhos e sua boca veio de encontro com a minha. Sua língua pediu passagem enquanto ele me puxava para mais perto de seu corpo, então sua língua desenhou um caminho em meu pescoço enquanto ele descia e abria a calça jeans que eu usava. Eu estava duro, e quando a boca dele engoliu meu falo eu gemi alto.

***

— Gui? – Arxos me tira de meus devaneios. – Tudo bem?

O olho envergonhado, por sentir que eu estava animado por debaixo da mesa, mas ele continuava ali parado sem entender o que realmente se passava. Respirei fundo e sorri.

— Então o que quer me contar? Parecia nervoso no telefone.

— Realmente – ele dá um largo sorriso e coça a nuca. – Não sei nem por onde começar?

— Que tal pelo começo?

— Eu estou gostando do Math – diz ele rápido de mais.

— Como assim? De qual estamos falando? – afino meus olhos em sua direção.

— Ei calma. Não planejei gostar dele assim, como eu gosto.

— Responde a droga da pergunta. – digo um pouco alterado.

— Tá. Tá bom, ok. É o Math Casagrande. – automaticamente me desarmo e começo a rir da situação. – Porque está rindo? Não entendo. – ele pensa um pouco e fala ultrajado – Eca! Jamais ia ter uma queda por aquele garoto.

— Ainda bem – digo em meio a risos. – Mas me admira você esta com ele. Se me lembro bem, vocês se odiavam, quase levei um soco por causa disso quando se encontraram na minha cozinha.

— Para você ver... – diz ele envergonhado.

Eu estava feliz por Arxos, ele estava seguindo em frente e por ironia do destino estava apaixonado pela mesma pessoa que quase socou a cara a alguns meses atrás. A vida é realmente cheia de surpresas, e em meio a tudo isso eu tomava a decisão que mudaria tudo entre Math e eu. 

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