1 • down into the rabbit hole
[comentem, por favor. eu preciso do feedback de voces]
2 de setembro, 1942
A cada dia que se passa mais e mais folhas são avistadas voando por todos os cantos de Cambridge, Massachusetts. É o sinal mais claro e vívido que uma nova estação estaria prestes a começar e com ela uma nova fase da minha vida.
Com o fim do verão cada vez mais próximo, cachecóis e cardigans voltam a ser as peças chaves dos vestuários.
As moças com suas peles claras têm as bochechas coradas pelo frio no vento, seus vestidos agora mais longos tremulam sob o leve sopro natural. Todos se adaptando às novas estações que consigo trariam o frio.
Das lareiras da cidade a fumaça saia noite e dia e todos aproveitavam a época para se reunirem nas salas junto à suas famílias para compartilharem do calor trazido pelas chamas.
Era o início da manhã, mas, de todas as lojas e boutiques ao redor da praça, mulheres saiam carregando bolsas de papel de todos os tamanhos. Enquanto de um lado a outro, homens trajados em seus ternos bem passados e sapatos lustrados, andavam o mais rápido possível, para chegarem a seus devidos locais de trabalho.
Sentado à mesa de minha cafeteria preferida, a pouco mais de um quarto de milha do Campus, tinha em mãos minha xícara de café.
Sentado em uma das mesas da área externa eu sentia o vento frio levantar meus fios de cabelo. A cerca viva que rondava a entrada da loja tem seus galhos secos e quebradiços, onde poucas folhas restavam para orná-los.
Dentro da cafeteria, atrás do balcão de tortas, eu via pela janela a correria dos funcionários da cozinha, apressados em repor tudo àquilo que já tinha sido consumido.
A equipe de garçonetes não tinha sossego naquele período do dia e sequer tinham tempo de sentar sem que um ou outro cliente as chamassem.
Atrás de mim havia uma enorme janela de vidro, onde estava estampado "La Parole" em letras garrafais amarelas com destaques em vermelho, que me dava à visão do que acontecia lá dentro.
Maggie ao lado de uma mesa, com seu bloco de notas em mãos concentrada em atender os cientes à sua frente. Ela nota que a observo e me olha, sorrindo alegremente e eu retribuo o sorriso seguido de um gole de minha xícara.
Margaret James é garçonete da cafeteria há dois anos, chegou aqui quando eu já era um cliente regular. E logo caímos nas graças do outro, nos dando muito bem desde a primeira vez e, desde então, ela é a única que me atende.
Deus sabe lá quantas vezes Maggie teve de ser chamada de volta ao trabalho por um de seus colegas devido à nossas conversas, que se desenrolavam e se desenrolavam por longos e longos minutos.
Seus cabelos dourados estavam arrumados de uma forma que faziam com que a luz do dia refletisse ao redor de seu rosto delicado. Dando a impressão de que ela era um anjo com sua auréola brilhando ao redor de sua cabeça. Talvez ela fosse um anjo, a final de contas.
Ela sorria com os olhos quando falava de seu sonho de ser uma cantora, como àquelas que eram encontradas apenas na Broadway. Como ela sonhava em fazer suas malas e simplesmente fugir para viver seu sonho. "Eu só quero alegrar as pessoas, Harry. Cantar e ver os sorrisos em seus rostos."
Quando falava em seus sonhos, seus olhos castanhos viravam pérolas. Porém, tinha medo de revelar seu sonho para seus pais. Pois, eles queriam que ela se casasse com um homem qualquer e tivesse filhos. Mas, não era com isso que ela sonhava, ela sonhava em ser uma estrela.
Ficar naquele local, observando as pessoas em suas vidas cotidianas era quase um hobby. Algo que eu fazia sempre que possível e a melhor parte era imaginar histórias para cada uma delas em minha mente inquieta.
À minha frente estava a Harvard Square, que servia como ponto de encontro para muitos. Por ser uma das principais praças da cidade e se localizar tão próximo ao Campus, muitos estudantes e professores, conhecidos por mim, passavam por ali naquele horário.
Enquanto para alguns transeuntes era apenas mais uma parte de seu caminho diário, para mim era a melhor sinfonia de sons e barulhos aleatórios para se ouvir. Enquanto me atualizava dos acontecimentos ao redor mundo, ao ler as notícias no jornal da manhã.
Vivendo em tempos de guerra mundial, sendo estudante do Curso de Direito, o mínimo que eu poderia fazer é me manter informado dos avanços dela pela Europa e analisar seus efeitos na sociedade atual como um todo.
Em pouco mais de três meses o ataque aeronaval à Pearl Harbor completará um ano. Fato este, onde muitas vidas foram perdidas, que deixa por todo o país o sentimento de luto.
"Senhor Styles, toda vez que o encontro o senhor não é falho em sempre ter consigo um café e um caderno de jornal em mãos."
Ergo meu olhar ao homem que, com seus olhos acinzentados e cabelos grisalhos, sorri para mim orgulhosamente, com seus lábios finos cobertos pelo denso bigode.
Quando entrei em Harvard eu não era uma pessoa que se relacionava facilmente com outras. Não tinha a coragem de me aproximar de grupos e iniciar conversas aleatórias.
Meu primeiro amigo no Campus foi Mr. Conant que, viúvo e com os filhos espalhados pelo país, me adotou como seu parceiro para os chás da tarde. Isto, depois de me pegar lendo sentado furtivamente no chão do corredor da reitoria.
Naquela tarde eu lia meu exemplar desgastado de Dorian Grey. Estava focado nas palavras de tal modo que tremi assustado quando ele se aproximou de mim. Acreditava que levaria uma bronca e uma advertência por estar sentado no corredor como um desabrigado, mas o que veio em seguida me surpreendeu. Receber um convite para o acompanhar em seu chá da tarde que começaria quando o relógio marcasse cinco horas, como ditava a tradição inglesa, não era mesmo o que eu esperava.
"Bom dia, Mr. Conant." Sorrio educado para o reitor da universidade. "O senhor sempre me encontra em meus momentos livres."
Ele ri educadamente, apoiando-se sobre a cadeira. "Quer sentar..." Olho para a cadeira que ele segura. "e tomar um café? Ou posso pedir que Maggie lhe traga um bom chá?"
Mr. Conant sempre se portando da maneira mais séria possível, com postura perfeita, olha ao redor e então para mim. Ajeita seu paletó, limpa a garganta e me olha intrigado, enquanto mostro meu sorriso.
Meu jornal amassado, temporariamente ignorado sobre minhas pernas cruzadas, enquanto espero por sua resposta.
"Oh, bem... Tenho um longo dia pela frente. Um café quente para repor as energias é bem-vindo."
Ele puxa a cadeira e senta-se. Coça a garganta e então aponta para uma folha solta do jornal que esqueci dobrada sobre a mesa. "Posso?" Com um aceno de cabeça concordo. Ele pega a folha e foca a atenção no que nela há escrito.
Chamo a garçonete e logo ela está ao nosso lado. "Maggie, por favor, uma xícara de café preto para Mr. Conant, e se possível, alguns biscoitos." Ela sorri ao anotar tudo e se retira para providenciar o pedido.
"Harry." Mr. Conantdevolve a folha no lugar em que estava antes e, mais uma vez, pigarreia. "Se possível, eu gostaria de lhe pedir um favor, dada a nossa boa relação dentro e fora da instituição."
"Mas é claro." Arrumo minha posição, repousando o jornal sobre a mesa, e o olho seriamente. "O que estiver dentro de meu alcance, eu farei."
"Uhm, bem... Como provavelmente já sabe as aulas começarão dentro de poucos dias e esta última semana tem sido dedicada à adaptação para os recém-chegados ao Campus."
"Sim, lembro bem de quando eu era um deles." E sorrio com as inúmeras memórias me surgem em minha mente.
"Oh, eu também, tempos dourados... Mas bem, todos os calouros chegam desde o dia trinta e um de agosto e continuarão chegando até cinco de setembro, todos recebidos pelos devidos comitês de boas-vindas. Porém, há um aluno em especial, que teve de adiar sua chegada e só estará conosco na próxima segunda, durante o horário de início das primeiras aulas..."
"E o senhor quer que eu seja o comitê de boas-vindas desse rapaz."
"Isso, mas só no caso de não o atrapalhar. Sei que não é de seu costume faltar nas aulas, mas em minha posição eu poderia falar com seus professores da próxima segunda para que relevem sua ausência, já que estaria fazendo um favor a mim."
Quando ele termina de falar, Maggie chega com uma xícara de café preto e um pratinho com biscoitos cobertos em açúcar e canela.
"Obrigada, querida." Ela sorriu, mais uma vez, educadamente e se retirou.
"Então, o que me diz?" Dando um primeiro gole em seu café fumegante.
Em minha mente passavam todos os cenários que poderiam fazer desse individuo tão importante para que o reitor de Harvard tomasse como interesse pessoal uma boa recepção para o tal. E, em nome de minha curiosidade, respondi um simples "Sim, é claro."
"Esplendido! Você então passe em meu escritório no final da tarde para obter as informações necessárias, como os horários em que chegará e em qual prédio ficará."
"Certo, tudo bem, mas se me permite a ousadia em perguntar..." Ele me olhou com a sobrancelha franzida esperando que eu continue. "Por que o senhor tem tanto interesse e cuidado na recepção deste rapaz?"
Ele riu da clara interrogação que flutuava sobre minha cabeça. "Eu realmente não acho que devesse estar lhe contando esses detalhes, sendo você um aluno, mas dado ao fato que está me fazendo um favor... Bem, ele é filho de um dos maiores e mais novos, doadores de verbas para o departamento de artes. Sabe como é..."
"Hum... Sim, tenho uma ideia."
Deu um último gole em seu café, mordiscou mais um biscoito e antes de levantar, tirou de seu bolso uma nota amassada de dez dólares, mas, eu o impeço antes que possa colocá-la sobre a mesa. "Não precisa, hoje é por minha conta, foi meu o convite." Disse-lhe.
"Obrigado, Harry, mas apenas com esse favor eu estou lhe devendo muito mais que um café com biscoitos." E então acomoda a nota sob o guardanapo de linho branco e, com um sorriso cordial, seguido de um breve aceno de cabeça, vai embora.
7 de setembro, 1942
Assim que os ponteiros do relógio indicam exatamente seis e vinte da manhã, meu despertador toca, e o som irritante me faz acordar em um pulo.
Sinto meu corpo tremer com o susto do alarme gritante.
Aconchego-me sob as cobertas grossas e sinto que poderia continuar naquela comodidade por anos a fio, sem mover um centímetro do lugar. Mas, os gemidos de descontentamento de Nicholas no beliche logo abaixo de mim, faziam apenas querer revirar os olhos.
Nicholas se revira sob suas cobertas no colchão de vinil, demonstrando sua frustração cada vez mais alta. Deixando claro que, o som estridente lhe incomodava, tanto quanto como se algum tagarela falasse muito próximo ao seu ouvido.
Desde que iniciei meus estudos em Harvard eu dividia meu quarto com Nicholas, que no começo me assustou com seu jeito agitado, festeiro e de quem não queria nada com a vida. Mas, com a convivência diária ele passou a conquistar seu espaço e minha afeição.
Bem, devo ser honesto e confessar que eu também, sendo quem sou. Reconheço que, me ter como companheiro de dormitório era assustador. Ainda mais para ele, que era acostumado a andar entre os filhos de magnatas mais boêmios de todo o Massachusetts.
Enquanto eu, filho de pais mais abastados que devido a própria necessidade, teve que aprender a passar a própria roupa para sempre estar sempre impecavelmente alinhado em todas as situações. Eu nunca tinha bebido mais que uma taça de vinho ou outra, sempre em ocasiões sociais e nunca sequer tinha ficado bêbado... Bem, isso até conhecer Nicholas. Porém, quando conhecemos os outros dois rapazes, Jamie e Michael, que dividiam o apartamento de dois quartos conosco foi como um sopro de alívio.
Nicholas, Jamie e Michael logo se tornaram amigos. E, por muito tempo, senti-me como se fosse um intruso em minha própria casa. O que me levou a adaptar ao estilo de vida agitado e sem pausas dos três, tornando-me, mesmo que sem querer, algo como semelhante a voz da consciência de cada um.
Enquanto os outros dois apenas me procuravam quando precisavam de conselhos sobre como agir em determinadas situações, Nicholas, no entanto, passou a considerar minha imagem mais relevante, porém eu me sentia como a personificação do grilo no conto de Pinóquio.
"Você realmente tinha que trazer esse maldito despertador?" Ele resmunga sonolento e irritadiço. "O que eu não daria agora por um colega de quarto que pouco se fodesse pra chegar cedo à aula."
"Você surtaria com qualquer outro cara dividindo o quarto com você. Quem mais deixaria você arrastar metade do Campus para dentro do quarto em plena semana de provas?" Murmurei contra meu travesseiro enquanto jogava minha mão sobre o despertador que tilintava na estante ao lado de minha cama.
"Hum... tem razão, você é maravilhoso." Ele murmurou quase voltando ao estado de sonolência mais uma vez. Como se estivesse deitado em nuvens de algodão flutuantes pelo céu ao som de harpas angelicais.
O quarto que eu dividia com os meninos consistia em três cômodos. Sendo eles, dois quartos, um banheiro estreito e uma sala de convivência.Havia uma janela que era coberta por uma cortina branca que impedia a entrada das luzes dos postes mais próximos.
No quarto em que ocupava com Nick havia um beliche e eu dormia na cama de cima. E não havia nada que eu pudesse fazer sobre isso. Eu tinha que escolher entre dormir na cama de cima ou deixar que Nicholas caísse da escada sempre que chegasse embriagado de suas noitadas.
Jamie e Mike ocupavam o quarto ao lado. Eles foram os primeiros a conseguir a autorização para desmontar o beliche e transformá-las em duas camas separadas. A gerencia dos dormitórios do campus permitem que apenas um beliche seja desmontado nos quartos quádruplos e eu tinha dormido no ponto para conseguir a tal autorização, mas depois de ter conhecido os outros dois inquilinos descobri que aquilo talvez tinha sido para o melhor.
Com um sopro de coragem, jogo meus pés fora da cama e com toda concentração possível tento não cair com as costas voltadas ao chão. Esperando que, com aquele mínimo esforço, todo o resto do meu corpo fosse capaz de despertar por completo.
Pulo no chão e abro as cortinas para ver o mundo escuro lá fora.
Ao me espreguiçar, sinto a energia fluindo por meu corpo. Respiro profundamente e ao expelir o ar de meus pulmões me concentro no em meus pensamentos, deixando-me ansioso sobre o dia que virá.
"Só me deixa dormir, por favor." Nick murmura de olhos fechados.
Arrasto meus pés pelo chão de madeira até chegar de novo ao lado da cama de meu amigo e lhe digo: "Você tem que se levantar, de uma forma ou outra, Nick."
Com meu dedo indicador cutuco seu rosto. Sua testa franze e ele abre seus olhos azuis e avermelhados por causa da persistência do sono, para me ver parado a seu lado, encarando-o de volta.
"O período letivo acabou de começar. Você está quase no fim, eu sei que você consegue."
Aos 23 anos de idade, Nicholas estava a dois períodos de terminar seu curso de graduação em Economia. E assim, seguir os passos de seu pai, tornando-o um profissional da mesma área.
Ele não tinha muitas ambições na vida que não fossem aproveitar cada segundo de sua vida, da forma mais insana e alcoolizada possível. Mas claro, acompanhado de quem quer que aceite ajudá-lo a aquecer sua cama.
Na primeira vez que ele apareceu em nosso quarto acompanhado com um homem tão desinibido e devasso quanto ele, eu senti como se só de presenciar aquilo acontecendo, eu tinha comprado minha passagem de ida ao inferno.
Fiquei dias sem ter coragem de dirigir meu olhar nos olhos daquele que considerava meu melhor amigo, até que ele tomou a iniciativa e coragem para conversar comigo.
Definitivamente conviver com Nicholas é uma experiencia única em minha vida. Eu aprendi a viver com sua devassidão e ele com minha timidez que se assemelhava e beirava o puritanismo.
"Sai, Harry." Cobre seu rosto com o cobertor. "Você nem vai para a aula hoje. Não sei o porquê você estar falando de mim, seu hipócrita."
"Hipócrita. Primeira palavra difícil do dia, você já está acordando." Rio ao que ele batalha para tirar uma mão de debaixo das cobertas na intenção de me mostrar seu dedo médio. Ele parece cada vez mais irritado e, joga as cobertas para o lado, levantando-se da cama. Sei que ele está furioso, mas não sou capaz de conter as gargalhadas.
Nicholas passa direto por mim e abre a porta de nosso quarto, indo à sala, área que unia os cômodos do dormitório e que estava um completo caos, com roupas amassadas e espalhadas por todos os lados, sobre o sofá, lustre e cadeiras. Ao acompanhar Nick para fora do quarto deparei-me com Michael encostado em uma das paredes, agarrado a uma almofada e roncando como um porco. Ao seu lado, no chão estava Jamie, também agarrado a outra almofada que estava ensopada com sua baba.
Os dois estavam vestidos apenas com suas roupas íntimas. Tinham tirado tudo e jogado pelos cantos e o que mais me revoltava era o fato que, eles sequer se dignaram a se arrastar mais alguns metros até seus quartos para suas camas, assim como Nicholas fez, ao chegaram de mais uma noitada regada a muita bebida e cigarros.
Aquela sala era um dos meus lugares preferidos de estar em qualquer momento da minha vida. Mas, como para tudo há uma exceção, esses eram os momentos que eram os mais temidos por mim. E agora que estava acontecendo mais uma vez, eu só queria voltar a me encolher sob meu cobertor e fingir que aquilo não passava de uma ilusão.
"Eu pelo menos não faço barulho dormindo, você tem muita sorte, Styles." Nick ria enquanto cutucava a barriga de Jamie com seu pé. Tentando fazer com que o enorme ruivo acordasse. "Eles não estavam tão ruins assim, quando chegamos ontem."
"Não sei o que faço com vocês." Disse-lhe.
Nick ri e continua sua tarefa de tentar acordar o rapaz, que aparenta ter em seu corpo maior quantidade de álcool do que qualquer outra substância.
Vou ao banheiro que ficava exatamente ao lado da porta do quarto dos meus desfalecidos amigos e respiro fundo mais uma vez, fechando a porta atrás de mim.
Lembro-me bem, quando Jamie insistiu que tinha o dever moral de deixar claro, qual foi a sua escolha de quarto, marcando a porta através do que quase beirava o vandalismo. Porque ali, dormiam ávidos torcedores do Boston RedSox, time de baseball de Boston. E que infelizmente, não ganhava nenhum título há mais de vinte anos. Mas, que só precisava de 'um empurrãozinho' como clamava Michael. Fato este, que ele repetidamente explicava toda vez que entrava em discussões sobre os times das ligas. Assunto este, que eu particularmente não tinha nenhum interesse ou conhecimento, além daquele que ouvia em suas conversas.
Tomando meu banho calmamente, percebi que meus dois amigos acordaram quando ao fundo comecei a ouvir os sons das gritarias e risadas dos três rapazes na sala de estar do dormitório. E logo assim que terminei, a voz grave e intensa de Jamie soou do outro lado da porta. "Anda logo, Styles, não é você quem está com uma ressaca infernal!" Eu apenas achei engraçado e ri. Desliguei o chuveiro, peguei minha toalha e sai do banheiro.
"Todo seu." Disse-lhe ao passar pela porta, ainda molhado, mas, segurando a toalha em minha cintura. Apressando-me em abrir espaço para que o ruivo corresse para dentro e caísse de joelhos em frente ao vaso sanitário, colocando para fora suas entranhas.
No quarto de Mike, Nicholas estava jogado na cama de Jamie com suas pernas apoiadas na parede enquanto lia a sinopse de um livro fino de capa verde. Mike estava no chão, encostado rindo sozinho com qualquer coisa que passava em sua cabeça.
"Vocês vão de zero a mil em muito pouco tempo." Apoiei meu ombro no batente da porta aberta.
"E de mil a zero em muito menos." Nick responde.
Rio de meus colegas, negando com a cabeça ao que eles continuam com o que faziam. Olho para o rapaz sentado no chão que ria sozinho, sua cabeça abaixada. Do meu ponto de vista eu não conseguia ver seu rosto, mas sabia que sua boca estava aberta por conta da saliva rala que pingava no chão entre suas pernas."Eu acho que o Mike vai vomitar também..."
"Eu não vou limpar." Jamie fala quando chega a meu lado, com uma toalha nas mãos, secando o suor no rosto avermelhado causado pelo esforço anterior.
Ele passa por mim e caminha se arrastando até sua cama, jogando-se na mesma, ignorando que Nick está ocupando metade do espaço. Jamie age como se não houvesse alguém sob si e faz de meu amigo seu urso de pelúcia, o abraçando e se aconchegando na cama para voltar a dormir enquanto Nick apenas o deixa.
"Eu vou cuidar da minha vida." Os abandono e entro em meu quarto, fechando a porta atrás de mim.
Eu não sabia o que esperar daquele dia.
De Mr. Conant recebi um papel arrancado de seu bloco de notas, nele contendo as informações necessárias para encontrar o tal rapaz que chegaria dali a três horas. Mas, não tinha nada que pudesse esclarecer o que estaria por vir ou me desse uma ideia de como era quem eu iria encontrar.
Em minha cabeça eu criava vários cenários e em cada um deles imaginando e criando personalidades e rostos para relacionar ao nome que tinha lido.
Louis Pierre Tomlinson. Certamente ele vinha de família francesa. Então imagino que ele será um esnobe que usa típicas boinas francesas e, dado que você é o que você come, talvez ele tenha cara de sapo.
Mas talvez eu estivesse me adiantando em criar uma imagem precipitada de alguém por causa da origem de um nome, ou talvez não...
Na frente do espelho terminei o nó de minha gravata e o ajustei a meu pescoço. Dei um último toque em meu colarinho e a porta foi aberta abruptamente e por ela Nick aparece rindo.
"O Mike vomitou na sala!" Saio do quarto e vejo a situação deplorável em que se encontra o dormitório.
Michael sentado no sofá, com seus cotovelos apoiados sobre suas pernas enquanto tenta recobrar o resto de sua consciência deixava uma saliva grossa escorrer e pendurar-se em seus lábios. Ele respira pesado e com força, tentando se recuperar do esforço. Jamie está o olhando da porta de seu quarto. Estou os olhando, parado ao batente da porta do meu quarto, incrédulo e desnorteado sem saber o que fazer daquela situação.
"Eu não tenho tempo pra isso." Reviro os olhos e respiro fundo, me esforçando para recobrar a minha paciência que já estava por um fio àquela hora da manhã. Passo pelos três em direção à porta e falo no tom mais implorativo e desesperado que sou capaz de emitir: "Só quero isso limpo quando eu chegar, por favor."
~
Em minha tradição diária matinal vou caminhando e observando tudo ao meu redor. Por todos os lados há pessoas fazendo todos os tipos de atividades. São sete e meia da manhã. E pelas ruas calçadas do Campus há vários rapazes vestidos como atletas, correndo.
O enorme Campus com gramados cobertos pelo orvalho é lindo durante aquele período do dia. A fraca luz do sol que surge ao longe reflete nas pequenas gotas d'água assim como, nos vidros das janelas dos inúmeros dormitórios, criando pequenos e luminosos arco-íris.
Os prédios antigos com seus tijolos terracota expostos faziam parte da grandiosidade que era a Universidade de Harvard. As construções eram apenas uma pequena porcentagem do que tudo aquilo representava. As ruas estreitas que traçavam o gramado onde os estudantes corriam concentrados, mal sabendo eles, que faziam parte de algo muito maior do que si mesmos, por apenas terem sido capazes de viver por trás dos portões principais daquele Campus.
Todo dia vivido em Harvard era uma nova descoberta e em meus passeios sempre encontrava uma nova viela dentro daquela enorme área ocupada pela instituição.
Percorri o mesmo caminho de sempre, passando por entre as enormes colunas de Harvard, indo até os enormes portões de ferro.
A universidade ocupa um espaço enorme dentro da cidade de Cambridge. Tão grande que se pode dizer que ela é de fato, uma cidade, onde sua população é formada exclusivamente de professores e estudantes desesperados por conseguirem fazer seus trabalhos para alcançar boas notas. E outra parcela desta 'população' que eram àqueles que tentavam esquecer-se de suas responsabilidades acadêmicas usando a bebida como fuga.
A melhor forma de se locomover pela cidade, e a forma mais comum, eram as bicicletas que poderiam ser vistas por todos os lados. Estacionadas nas calçadas e postes ou em movimento ao lado dos carros e transeuntes.
Hás três anos eu percorria aquele mesmo caminho, sempre no mesmo horário. Já conhecia o movimento da rua. Já sabia a rotina daqueles que tinham o mesmo hábito que eu. Sempre esbarrando com as mesmas pessoas, vendo a mesma sequência de eventos se repetindo todas as manhãs.
As lojas eram abertas, as cafeterias já estavam veementes e as bancas de jornais quase vazias.
Em frente à 'La Parole' havia a pequena banca de jornais. Onde eu sempre comprava o caderno diário do The Boston Globe, cumprimentava o jornaleiro, Mr. Bolton, e atravessava a rua de volta à cafeteria. Sendo hoje, o primeiro dia de aula, o movimento estava tão intenso quanto a uma semana, quando os alunos começaram a voltar para o Campus e para suas vidas universitárias.
Minha mesa usual estava ocupada por um grupo de rapazes bem vestidos, com seus grandes sobretudos cobrindo seus suéteres e calças de linho tingidos de cinza.
O relógio já marcava sete e quarenta e oito da manhã quando Maggie aparece ao meu lado, com seu bloco e caneta em mãos, sorridente. Ela me olha alegre e não posso evitar que um sorriso marque meus lábios em retorno. Maggie tem algo em si que simplesmente fazem as pessoas sorrirem quando estão próximas a ela.
"Bom dia, Sr. Styles."
"Bom dia, Srta. James." Coloco meu caderno de jornal debaixo do braço e me viro em sua direção. Ela ri para mim, girando sobre seus pés.
Leva o bloco de notas e a caneta a seu peitoral e pressiona-os contra ele, parecendo pensar em algo. Até que lhe pergunto: "Dia agitado?"
"Uhum... Primeiro dia de aula. Eu já deveria ter me acostumado." Ela suspira ao ver um rapaz do outro lado do restaurante acenar para ela.
"O de sempre?" Ela continua a falar ao colocar a caneta sobre o papel. Eu apenas assinto.
Ela escreve meu nome na folha, arranca-a e coloca no bolso de seu avental. "Não tem lugar aqui, mas se quiser ir lá para os fundos a gente ainda tem aquela mesinha e as cadeiras."
"Como eu queria mais que tudo no mundo poder dizer que sim..." E eu realmente queria. Lá atrás era muito mais aconchegante do estar que aqui no meio desse barulho desconcertante do ânimo dos calouros. "mas..." Tomei uma de suas mãos entre as minhas e ela olhou em meus olhos e eu nos seus. "tenho um dever a cumprir hoje, então vou ter que deixar essa pra próxima."
"Você não precisava fazer essa cena toda só para se explicar, Harry. Pode deixar que embalo tudo para viagem." Ela piscou para mim e seguiu para atender os outros clientes.
Permaneci os próximos vinte minutos seguintes encostado na mureta do portal que tinha na entrada da cafeteria, do lado de fora, observando as pessoas que passavam completamente apressadas pela praça. Rindo discretamente, quando alguém tropeçava em seus próprios pés e discretamente fingiam estar correndo para evitar a humilhação pública.
"Você vai terminar sendo preso por insanidade se continuar rindo para o vento assim." Maggie fala quando chega a meu lado tendo em mãos meu café da manhã em uma bolsa de papel.
"Com sorte serei bacharel até lá e consigo sair sozinho." Ela ri de meu comentário.
"Corajoso aquele que der ouvidos aos argumentos de um total insano."
"Corajoso aquele que não dá ouvidos aos loucos." Respondo logo que ela coloca o pacote em minhas mãos. Tiro de meu bolso uma nota amaçada de cinco dólares e entrego em sua mão enquanto ela ri e revira seus olhos para mim.
Com um sorriso e uma piscadela eu a deixo para cuidar de seu serviço e seguir com seu dia.
O dia já estava claro quando o relógio da grande Eliot House bate seu ponteiro exatamente sobre as oito horas. Em vinte minutos eu deveria estar pontualmente em frente à reitoria onde me encontraria com Mr. Conant e Louis.
De certo que o rapaz já deveria ter em mãos o bilhete que lhe mostraria o endereço de sua acomodação juntamente com os nomes de seus futuros colegas de quarto, mas mesmo que ele fosse ter companheiros para lhe apresentar o campus, eu fui o sorteado para cumprir tal tarefa.
Posso transparecer incomodo através de minhas palavras, mas na verdade carrego a mais genuína curiosidade debaixo do braço.
Olho o relógio que carrego comigo e vejo que ainda me restam cinco minutos assim que chego ao prédio da reitoria com o qual sou tão familiarizado. Os longos corredores de tijolos expostos cobertos pelos retratos de antigos reitores ornam as paredes, a luz que passa pelas enormes janelas ilumina cada um dos rostos imortalizados em tinta óleo.
Percorro todo o corredor até estar em frente à Linda, a secretária de Mr. Conant que tão bem me conhece.
"Bom dia senhor Styles, Mr. Conant já está a sua espera." Ela sorri para mim de onde está sentada à sua mesa, como em todos os nossos encontros, seus lábios finos enrugados pelo tempo me transpassam a calma que ela sempre tem consigo.
"Bom dia, Linda." Mostro-lhe meu sorriso e a cumprimento com uma leve aceno de cabeça quando passo direto por ela, abrindo a enorme porta de carvalho.
Entro distraído, desamassando a boca do saco de papel para alcançar o que está lá dentro. Alcanço um dos biscoitos caramelizados e logo a saliva em minha boca se acumula com a lembrança da doce textura que mais uma vez estava prestes a saborear.
"Senhor Styles, esse é Louis Tomlinson." A voz grave soa do outro lado do escritório. Subitamente aquelas palavras me fazem tremer e paralisar ao mesmo tempo. Eu não esperava lidar com aquilo por pelo menos mais dez minutos. Naquele momento eu apenas almejava comer meus biscoitos e tomar meu café.
Olho para frente, perdendo o foco de meus biscoitos, e me deparo com os dois homens me encarando de formas totalmente opostas uma a outra.
No rosto de Mr. Conant, a expressão sóbria que ele se impunha a carregar sempre que tinha de tratar de assuntos sérios. Principalmente quando se referiam a Universidade em quaisquer instâncias.
Seu denso bigode cobrindo os lábios finos e as sobrancelhas quase franzidas me refletia o claro nervosismo e medo de que qualquer coisa ocorresse de forma não planejada. Afinal, Louis era o filho de um doador majoritário.
Louis, vestindo um terno verde escuro que reluzia com o toque da luz do sol que vinha da enorme janela, estava sentado em uma das duas cadeiras em frente à mesa do reitor. Ele me encarava com uma expressão divertida, claramente achando engraçada a situação em que me encontrava.
De sua cadeira, eu fui analisado de cima a baixo com uma olhadela tão rápida que eu nem mesmo teria percebido se não fosse também culpado de está-lo analisando de volta.
"É um prazer conhecê-lo Harry." Sua voz ponderada claramente não condizia com sua aparente personalidade. Quer dizer... alguém que veste um terno de tal cor durante uma estação tão escura do ano claramente não é do tipo que fala baixo ou senta-se com a coluna ereta em momento algum de sua vida.
"O pra... Uhum..." Por um momento esqueci de que ainda tinha um biscoito em minha boca quando comecei a falar. "Desculpe-me." Coço a garganta mais uma vez, colocando o biscoito salivado de volta na sacola.
"O prazer é todo meu, Senhor Tomlinson." Fiz uma leve reverência com minha cabeça, dobrando suavemente os joelhos. Por algum motivo naquele momento eu não fazia ideia de como fazê-lo.
"Harry, você não... não precisa fazer reverências...". Então, sua risada ecoou pelo enorme cômodo, fazendo minhas bochechas corarem junto com a vontade de sumir daquele lugar. "... e pode me chamar de Louis, eu insisto."
Olhei para Mr. Conant e ele apoiado sobre a mesa, claramente tentava conter suas risadas para manter o decoro, ao esconder seus lábios com a mão.
"Uhum... enfim." Mr. Conant falou, trazendo para si nossas atenções. "Harry está me ajudando na importantíssima tarefa de lhe receber e lhe mostrar todos os lugares que precisa conhecer. Ele lhe ensinará todos os caminhos a serem tomados pelo Campus e lhe esclarecerá quaisquer perguntas que tenha a fazer."
"Eu me sinto muito grato pela preocupação. Eu não esperava tamanha recepção." Seu tom de voz soava genuinamente sincero.
E com isso posso dizer que uma de minhas muitas presunções sobre ele estava errada. Agora eu só preciso rezar para que ele não inclua sapos em seu cardápio.
"Harry?" A voz de Louis me puxa de volta de meus pensamentos. "Pronto para ir?"
Ele já estava de pé, agora me permitindo ver suas calças plissadas de tom avermelhado que talvez combinasse mais com o terno do que eu pressupus. Consigo carregava uma bolsa estilo carteiro supostamente cheia com algo necessário à sua estadia.
"Sim." Viro-me para Mr. Conant para me despedir enquanto Louis me olha divertidamente, passando pela porta que segura aberta. "Sim, claro." Olho mais uma vez para o senhor atrás de mim e fecho a porta.
Eu nunca tinha atuado como guia turístico antes em toda minha vida. Não fazia ideia por onde começar, para onde ir ou o que falar. Presumi que Louis estivesse tão ansioso quanto eu sobre toda a situação em que nos encontrávamos. Mas pela expressão em seu rosto ele não me passava nada além da mais pura curiosidade e sede de conhecer sua nova morada.
Louis é tudo aquilo que eu pensava que seria, ao mesmo tempo em que é totalmente diferente do que fui capaz de imaginar. Ele é claramente extremamente francês, salvo o fato de que nasceu na América. Ele soa francês o suficiente, mas não tem sotaque carregado como criei em minha mente. Ele soa, na verdade, talvez muito nova-iorquino.
Ele está aqui para estudar Belas Artes. Seu amor e fascinação pela arte são claramente demonstrados durante as diversas paradas para observar cada um dos antigos reitores retratados em pinturas a óleo, durante todo o percurso nos corredores da Reitoria.
Sua empolgação também é demonstrada pelas frequentes perguntas sobre tudo o que relacionava a frequência das aulas e principalmente se havia um toque de recolher ou algo do tipo. Pois, claramente temia por algum motivo, ficar preso do lado de fora do Campus.
O apresentei as rotas mais comuns feitas pelos estudantes e deixei-o a par dos caminhos secretos e atalhos que ele viria a descobrir durante sua vida de estudante. Sempre fazendo um comentário que complementava as informações que eu lhe repassava sobre os lugares apresentados.
"Você não soa tão animado quando fala do Campus." Pontuou.
"Bem, estou aqui há três anos, não há nada mais com que me animar."
Nós caminhávamos lado a lado enquanto nos dirigíamos aos edifícios da área de Medicina enquanto ele olhava distraído para as árvores, analisando as folhas que se desprendiam de seus galhos secos por causa do vento.
"Eu espero nunca chegar a esse ponto." Ele disse, sentando-se em um dos bancos ao tirar de sua bolsa um caderno com capa de couro costurado a mão. Suas páginas eram feitas com um papel grosso e áspero, trançadas com cordão.
Abriu-o em uma página em branco quaisquer e o apoiou sobre o joelho de uma de suas pernas cruzadas.
Do bolso frontal de sua enorme bolsa também tirou um pequeno giz de carvão. E com traços precisos e delicados passou a delinear e sombrear uma ilustração da árvore localizada atrás de mim.
Me mantive parado a sua frente, sem entender claramente a situação. Talvez isso fosse costumeiro de si, desenhar as coisas que o encantavam de forma aleatória e simples. Porém, suas próximas palavras ataram minha atenção.
"Eu não quero chegar a um ponto da minha vida onde simplesmente faço as coisas por costume ou rotina. Eu quero que todos os dias sejam o início de novas aventuras. Desde o momento em que eu abrir os olhos pela manhã até eu os fechar uma última vez, quando tudo tiver prestes a acabar."
"Já eu, não consigo me ver em uma vida onde eu não saiba exatamente o que vai acontecer, nem como e quando." Suspirei ao terminar de falar, atando minhas mãos uma a outra atrás de minhas costas enquanto continuava a observá-lo em seu processo criativo. Percebi que Louis enquanto fazia traços no papel direcionava seus olhares entre a árvore e eu.
"Talvez você precise viver momentos de loucuras antes de decidir querer viver na monotonia, Harry Styles." E com isso, ele arranca a página de seu caderno e a entrega a mim. Seguido de um sorriso no rosto me olha nos olhos e me deixa sem reação.
Assim, do bolso interno de seu terno, ele puxa uma caixa prateada e a abre. Da mesma se revela inúmeros cigarros enrolados acompanhados de uma caixa de fósforos amassada.
Após acender o cigarro dá uma tragada e guarda o caderno e o carvão em sua bolsa, passando a caminhar com a fumaça flutuando e se dissipando sobre sua cabeça, deixando-me com o desenho em mãos.
No papel vejo meu rosto retratado pela metade, minha expressão séria demarcada pelo sombreado esfumaçado do pedaço de carvão.
"Você não vem, Harry Styles?" Ele grita ao longe, girando sobre seus pés e sorrindo animado para mim, o cigarro delicadamente encaixado entre seus dedos.
Suspiro pesadamente mais uma vez e apressadamente o alcanço, tendo consciência de que talvez aquela não fosse a última vez que eu correria para Louis Tomlinson. Tendo, também, a noção de que nessa história eu sou a Alice, prestes a cair na toca do coelho.
[Oi gente. aqui é a ligis com mais um surto literário.
Pra quem me acompanha há um tempinho (ou pelo menos quatro anos hehe) vai reconhecer esse plot de algum lugar... Então esse aqui é o ramake de uma fic que eu tinha chamada Secret Love Story que além de ter flopado não tava me fazendo feliz com a qualidade e eu espero que com Ethereal eu consiga alcançar a sensação de realização com meu trabalho assim como tive com How To Make A Queen's Guard Laugh.
Eu quero contar com todos vocês que me companharam até aqui e com vocês que acabaram de chegar nesse barco. Todos são muito mais que bem vindos, pode até colocar o pé na mesa, só não joga lixo no chão.
As atts vão demorar um pouco entre uma e outra pq além de ser totalmente procrastinadora eu sofro de ansiedade e de uma insegurança severa, por isso peço um minimo de consideração de vocês, mas também que me cobrem att se eu tiver passando dos limites na demora (+de 3 meses).
Bem, é isso. Bem vindos ao mundo de Ethereal.]
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