Capítulo 30
Lídia e Cristal voltaram para o quarto:
- Quer alguma coisa, minha filha?
Perguntou a mãe da moça.
- Não. Eu estou bem, só queria que você me tirasse uma dúvida, mas, com muita sinceridade.
Alertou a filha da mulher.
- Pergunta, meu amor. Se eu puder respondo.
Permitiu a ex-esposa de Geraldo.
- Você acha que meu pai se arrependeu de verdade?
Perguntou Cristal.
- Ah, filha... Ainda é muito cedo para dizer que sim ou que não... Faz pouco tempo que ele voltou.
Lídia respondeu.
- Eu não sei o que pensar... As vezes penso que ele pode ter mudado e eu posso estar sendo injusta com ele, mas, sei lá... Você sabe que eu não conheço meu pai direito.
- Olha, minha filha, como eu já disse para você durante toda a sua vida, o que ele fez foi direcionado a mim e não a você.
Ex marido existe, mas, ex pai não. Mesmo depois de tudo, se seu coração pedir para você se aproximar ou se afastar dele eu vou te respeitar. Afinal de contas, é isso que os pais fazem.
Disse Lídia.
- Obrigada, mãe.
- Não tem nada que agradecer.
Respondeu a mulher.
- Mas e você? Não tem nada para me contar?
Perguntou Cristal.
- Não. Por que?
A mãe da moça inquiriu.
- Por nada. Achei você e o doutor Daniel tinham começado a se entender.
- Filha, tira isso da cabeça, vai? O Daniel nunca vai reparar em mim.
Lídia disse.
- E porquê não?
Cristal perguntou.
- Um homem lindo daquele jeito? Com certeza deve ser comprometido.
Lídia deduziu.
- Ah tá bom. Se você acha isso, eu respeito.
Cristal concordou e ficou conversando com a mãe e percebeu como um brilho diferente tomou conta dos olhos de Lídia ao tocar no nome de Daniel e ela constatou:
"- Minha mãe se apaixonou de novo... Pelo menos se eu morrer ela vai ter alguém para apoiá-la e cuidar dela."
A moça disse a si mesma e lágrimas caíram de seus olhos ao imaginar como Lídia sofreria se o câncer não tivesse cura:
- Por que você está chorando, filha?
A mãe perguntou vendo as lágrimas no rosto da filha.
- Não é nada, mãe. É só um cisco que caiu no meu olho.
- Se não quiser falar, tudo bem. Eu respeito.
Disse a mãe de Cristal e ela assentiu.
- Acho que vou tentar dormir um pouco.
Disse Cristal.
- Pode dormir. Eu vou sair um pouco, mas, já volto.
Disse a mãe de Cristal e ela assentiu.
Já fora do quarto, um dos médicos que cuidavam da moça chamou Lídia:
- Sim, doutor Bernardo.
Ela perguntou.
- Eu vim apenas avisá-la que o resultado do hemograma que havia perdido já saiu e eu já analisei.
O homem disse.
- E o que o senhor descobriu?
Lídia perguntou aflita.
- Além do câncer, a sua filha desenvolveu uma anemia profunda e precisará de uma transfusão de sangue para tentarmos reverter o quadro.
O homem disse.
- Eu não me lembro ao certo o tipo sanguíneo dela...
Lídia confessou.
- Não se preucupe... Eu farei o teste agora mesmo... Quem sabe, a senhora mesmo não possa fazer a doação?
O homem deduziu.
- Tomara que sim, doutor.
Lídia desejou.
- Eu posso entrar no quarto para recolher a amostra do sangue dela?
O médico perguntou.
- Ela está dormindo no momento.
Explicou a mãe de Cristal.
- Só vai levar um minuto.
É uma pequena amostra de sangue que vou recolher no dedo indicador.
O homem explicou.
- Tudo bem, doutor. É pelo bem dela, então é bom que seja feito o quanto antes.
Lídia disse e o médico entrou no quarto para recolher a amostra de sangue. Tão profundo era o sono de Cristal que ela nem se mexeu.
- Ela está visivelmente anemica. Vamos pedir para colocarem algumas vitaminas no soro.
A quimioterapia abate muito o sistema imunológico e não podemos arriscar dela desenvolver alguma doença.
O homem disse e levou a amostra de sangue para o laboratório.
- Daqui alguns minutos eu volto para lhe confirmar o tipo sanguíneo dela.
- Tudo bem.
Lídia respondeu e saiu de perto do homem. Ema recebeu uma ligação de Josefa:
- Bom dia, dona Josefa!
Lídia cumprientou.
- Bom dia, Lídia!
A mãe de Geraldo respondeu.
- Eu só liguei para pedir uma favor rapidinho.
Disse a mãe de Cristal.
- Peça. Se eu puder eu faço.
Respondeu a avó da filha de Lídia.
- Eu queria saber o nome do grupo de auto-ajuda que a Amanda apoia e também como entto em contato com eles.
Disse a ex-esposa de Geraldo.
- Eu não sei. Seria muito mais fácil de perguntar para a própria Amanda.
Disse Josefa.
- Bom, eu não tenho o contato dela e não quero ir na casa do Vitor.
- Por que? Tem medo de ter uma recaída com ele?
A mulher implicou.
- Eu tenho respeito por ele e por Amanda e suas implicâncias não vão surtir efeito nenhum. A senhora vai me dar o número?
- Claro. Anote.
Pediu Josefa e Lídia anotou.
- Eu posso ir no hospital para visitar a Cristal?
Perguntou a avó da filha de Lídia.
- Claro que pode. Não tem que pedir permissão. Afinal de contas, você é a avó dela.
- Que bom. Diga a ela que não demoro a chegar.
Disse Josefa.
- Tá bom.
Lídia respondeu e a ligação foi interrompida. Josefa ficou pensativa:
- Coitada da Cristal... Doente como está e ainda tem que aturar Geraldo e Lídia como pais.
Ema disse a si mesma e uma dúvida surgiu em sua cabeça:
- E os resultados do exame de DNA será que já saíram? Será que já saíram? Será que devo deixar isso para lá? Não quero chatear Cristal e nem Geraldo.
Mas o Vitor e a Lídia... Esses dois não me descem de jeito nenhum...
Descido... Eu vou pegar esse resultado e comprovar se
Cristal é filha de Vitor ou não.
Ela disse a si mesma. Enquanto isso, Lídia andava pelo hospital e esbarrou em Daniel:
- Ah, doutor Daniel, me desculpe, eu não sei onde está a minha cabeça nesses últimos dias.
A mulher se justificou.
- Não tem problema, Lídia, digo, digo Dona Lídia.
- Não tem problema. Pode me chamar de apenas de Lídia.
Disse a mãe de Cristal.
- Eu lhe chamo de Lídia se você me parar de me chamar de doutor Daniel. Feito?
O psicólogo perguntou.
- Tá certo.
A mãe de Cristal respondeu.
- E sua filha? Como está?
Perguntou Daniel.
- Bem na medida do possível. Confesso que é um pouco difícil para ela e para mim também. Afinal de contas, eu assisto a dor dela de perto e não posso fazer nada.
São duas novidades completamente diferentes:
Primeiro a volta do pai, depois a descoberta do câncer.
É muito para digerir, você entende?
Lídia perguntou.
- Sim. Entendo perfeitamente.
Respondeu Daniel.
- Eu não sei o que fazer, Daniel. Eu me sinto uma cega no meio de um tiroteio.
Confessou a mãe de Cristal.
- Por mais difícil que seja, a sua primeira ação tem que ser manter a sua fé e tentar transmití-la para sua filha.
Aconselhou o homem.
- Ah Daniel, eu tento, eu juro que tento, mas, é tão difícil... Só eu sei o que eu passei e ainda passo... Não sei se sou capaz de suportar tanta coisa.
- E você ainda tem dúvida que é capaz?
- Eu em pouco tempo que a conheço já percebi o tamanho da sua força e adimiro muito.
- Eu? Motivo admiração? Sempre pensei que era um motivo de vergonha para Cristal.
Confessou a ex-esposa de Geraldo.- Não entendo o porquê.
Daniel confessou.
- Sério que não?
Nos primeiros meses era uma tortura para sair de casa e levar Cristal para o colégio. Por onde eu passava, escutava bochechos como:
" - Essa é a coitada que foi traída e nem chance para se vingar teve."
Como uma mulher dessas tem coragem de andar na rua? Não foi suficiente nem para segurar o próprio marido."
- Isso me machucou muito, sabe? Eu não tive paz para viver a minha vida. Tive a perda da minha mãe alguns meses depois e tive de buscar forças de onde eu nem sabia que tinha.
As lágrimas caíram dos olhos da mulher.
- Calma, eu estou aqui para ajudá-la.
- Desculpe... Eu não devia estar aqui despejando meus problemas em cima de você.
Lídia disse.
- Nisso eu descordo... Eu sou um psicólogo... Essa é a minha função e faço ela com muito prazer.
Respondeu Daniel.
- Muito Obrigada mesmo.
Lídia agradeceu e saiu de perto de Daniel que disse a si mesmo:
- Esaa mulher está me despertando algo muito maior do que uma simples admiração... Mas, como contar para ela o que estou sentindo?
Ele se perguntou.
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