Capítulo 06

- O Guilherme passou de todos os limites....

Dizia Cristal com um choro descontrolado enquanto voltava para casa.

- O que foi que eu fiz de errado? Eu sempre fiz de tudo por ele e é assim que eu sou retribuida?

Ela se perguntou e começou a se lembrar do que o garoto havia dito no colégio:

" - Olha, eu nunca te traí, mas bem que eu devia... Talvez assim você me valorizasse mais.

- Ele poderia ter dito qualquer coisa, mas justo isso?

Justo esse assunto que tanto me machuca?

E tudo a troco de quê? De um " não"... Coisa que ele nunca aprendeu a ouvir...

Mas agora já chega... Já chorei tudo o que tinha que chorar... Tenho que me valorizar mais...

Ela disse e enxugou uma lágrima que caiu em seu rosto.

- É melhor enxugar todas essas lágrimas para não assustar a minha mãe.

Cristal disse, respirou fundo e seguiu seu caminho.

Ao chegar na frente de sua casa, tentou se controlar o máximo possível, pois, não queria preucupar sua mãe com seus assuntos:

- Oi minha filha! Como foi a aula?

Perguntou Lidía com um sorisso no rosto, ela não tinha muito motivo para sorrir desde a morte de seu marido, mas, por sua filha, ela fazia esse esforço, pois, queria ver Cristal feliz.

- Normal mãe, nada demais...

Disse a moça indo para o quarto, mas, Lídia a impediu:

- Cristal, vem aqui. Eu te conheço filha, eu sei que você não está bem... O que houve?
Você sabe que pode contar comigo, afinal de contas, eu sou a sua mãe, e além de sua mãe, eu sou sua amiga.

- Ai mãe, é o Guilherme, a gente teve uma briga feia hoje, e eu sinceramente vi que o melhor para mim é me afastar dele.

- Vocês precisam entrar em concensso para não haver nem areependimento e nem...

A palavra seguinte ficou entalada na garganta de Lídia.

- Nem traição?

Perguntou Cristal e sua mãe assentiu.

- Pois é!

Respondeu a mãe de Cristal.

- É muito difícil para mim falar essa palavra e mais difícil ainda pensar no significado dela.

- Você anida sente muita falta do meu pai, né?

Perguntou Cristal retóricamente.

- Todos os dias, e acho que nunca vou deixar de sentir, até mesmo de sentir culpa pela morte dele.

As lágrimas molharam os rostos das duas mulheres.

- Que culpa mãe? Você foi a vítima nessa história. Foi ele que não valorisou o seu amor como devia, o acidente foi uma consequência dos fatos, ninguém teve culpa.

- Sabe filha? Se eu não tivesse tido aquela conversa com ele sobre traição no dia anterior ao acidente, nada disso teria acontecido. Ele não teria fugido com você e com a Marisa e por consequencia não teriam se envolvido naquele acidente que tirou a vida dele.

- Eu acho que você está se martilizando demais, e sem nehum motivo, sério mãe, acho que você devia tentar esquecer essa história, não completamente por que não dá, mas, parar de pensar que foi sua culpa, porque não foi.

- Tudo bem minha filha, talvez você tenha razão.

Disse Lídia beijando a cabeça da filha.

Agora vou trocar essa roupa e almoçar essa delicia de comida que você faz.

Disse Cristal, saindo de perto da sua mãe e indo até o seu quarto:

- Minha mãe parece tão estranha... Tão para baixo.

Cristal disse a si mesma.

- O que será que está acontecendo com ela?

A moça se perguntou e foi tomar um banho antes do almoço Cristal vestiu uma roupa caseira e reparou no potinho cheio de cinzas:

- O que é isso? Minha mãe nunca queima nada aqui...

Que cinzas são essas?

Ela se perguntou e foi até a cozinha:

- Já tô quase acabando de preparar a comida, filha.

Lídia disse ainda voltada para as panelas.

- Mãe, que cinzas são aquelas dentro do pote lá no meu quarto?

Cristal perguntou. Lídia se virou na direção da filha:

- Ai que cabeça.... Eu esqueci de jogar fora.

Lídia respondeu.

- Tá, mas o que era isso?

Cristal perguntou novamente.

- Isso era... Era a carta que seu pai deixou para mim no dia em que ele fugiu com você e a Marisa.

A mulher confessou.

- Quê?!

Cristal perguntou sem acreditar.

- Me desculpa, minha filha... Me desculpa mesmo, mas não dava mais para essa carta ficar aqui.

Na verdade, eu devia ter queimado essa carta assim que a li a doze anos atrás... Não era para ter permanecido com ela aqui... Não fazia sentido...

Devia ter acabado com essa carta assim como o meu amor pelo seu pai...

Me desculpa, minha filha, mas não era para você ter visto essa carta.

Lídia disse.

-Mãe, eu entendo que você queira me poupar do que aconteceu entre você e meu pai, mas agora eu já tenho idade e maturidade suficiente para entender quem meu pai foi e o que ele fez...

Cristal disse.

- Ah, filha é que me sinto muito mal de ficar "jogando" você contra ele mesmo ele já não estando mais entre nós.

Lídia justificou.

- Que isso, mãe? Você sempre me ensinou que eu devia respeitar a memória dele e eu faço isso, mas isso não quer dizer que eu tenho que ser alheia a tudo o que aconteceu.

Ele errou, isso é um fato e goste a senhora ou não o que ele fez não tem justificativa... Ele errou e errou feio com você, mãe...

Reconhecer o que ele fez não quer dizer que eu vou deixar de o respeitar.

Cristal confrontou a mãe.

- Talvez você tenha razão.

Lídia respondeu.

- Você me perdoa, filha?

A mãe de Cristal perguntou.

- Não precisa pedir perdão, mãe. Tá tudo bem. Esquece tudo isso, tá legal?

Cristal perguntou.

- Tá, filha. Tá certo.

A mãe de Cristal concordou, mas por dentro estava se sentido culpada por ter acabado com uma das últimas lembranças que Cristal tinha do pai naquela casa, apesar de não ser uma lembrança boa.

Como sempre acontecia ao se lembrar do ex- marido, se sentiu triste, culpada, insuficiente e infeliz:

- Tenho que dar um jeito de esquecer tudo o que aconteceu, parar de me culpar e tentar seguir com a minha vida. Se não for por mim que seja por Cristal... O meu único motivo para sorrir.

Cristal percebeu como a mãe estava aérea:

- Mãe, tá tudo bem com você?

- Tá sim, meu amor. Só estava pensando em umas coisas aqui.

Lídia justificou.

- Eu vou dormir um pouco, tá?

Cristal comunicou.

- Claro, filha. Vai descansar, vai.

Lídia permitiu, mas logo chamou a filha:

- Sim mãe...

- Eu te amo muito, tá, meu amor? Te amo mais do que tudo no mundo.

Lídia confessou e Cristal foi até a mãe dando um abraço nela:

- Eu também te amo muito, mãe. Você é tudo para mim.

A moça respondeu dando um beijo na cabeça da mãe e saindo de perto dela logo em seguida.

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