Capítulo 18
Terra das Fadas, período indeterminado.
― Sua majestade. ― Sombra foi o primeiro a retribuir o cumprimento, sua mão direita indo ao abdômen e suas costas se curvando até que fosse possível ver o topo de sua cabeça.
Vermelha seguiu seu exemplo e assim fez Mourana.
― Sou o rei Hyuris Seezar e esta é a princesa Vernnyetah. Embora no mundo humano tenhamos nomes diferentes, acredito que vocês possam compreender o que estamos falando. ― Hyuris introduziu num tom de questionamento ao qual os três confirmaram. ― É um prazer poder ajudá-los durante esta jornada que, acredito, esteja para além de qualquer dificuldade que encontraram anteriormente. Espero que possam encontrar tudo o que procuram. Agora, seria possível que eu soubesse um pouco mais sobre os detalhes?
O rei apontou com a mão elegantemente para o caminho por onde ele e a princesa tinham vindo. Mourana os seguiu de perto, observando o ambiente, enquanto Sombra e Vermelha iam atrás dela contando sobre suas descobertas.
Do lado de fora do salão o céu se estendia em tons de rosa, laranja e amarelo claros, acalentador, embora a temperatura não fosse nem quente nem fria. Haviam mais salões como aquele aqui e ali, construções em formatos retangulares erguidos em marfim e cujos portais não possuíam nenhuma porta, permitindo a entrada livre. Haviam árvores também, de troncos finos e folhas de ouro. Chafarizes de marfim e estátuas divinas de deusas preenchiam o espaço.
Não era um terreno infinito, mais como o teto de algo, Mourana percebeu. Ela havia lido rapidamente antes sobre os templos divinos do Reino das Fadas que ficavam localizados no topo do Vale. O Vale, mais conhecido como a Floresta Encantada, não era uma floresta comum, mas uma com árvores quilométricas e cujos troncos eram grossos como prédios. De fato, os troncos eram feitos de morada para as fadas enquanto galhos serviam às fadinhas.
Os templos ficavam no topo, na copa das árvores, estando no último nível. Toda a floresta possuía oito níveis. O nível um ficava na base das árvores, ocupando o chão e as raízes e habitava seres como gnomos, duendes e elfos. Os próximos níveis dois e três, acima deste, eram inabitados, sem circulação de comércio, e isso contabilizava cerca de cem metros de altura onde não havia vida.
A partir do nível quatro podia-se ver a presença de fadas, com comércio e vida comum circulando. Mourana levou um tempo para entender que os níveis se colocavam na horizontal, o que também significava que os níveis de dois a oito não possuíam nenhum piso, sendo completamente aéreos ― exceto apenas pelas construções: casas, serviços essenciais e pátios de convivência construídos sobre galhos gigantescos talhados de forma nivelada.
O que separava cada nível era o já discutido vazio. Era uma área completamente sem vida e por onde a luz não passava, e a única forma de se locomover de um nível ao outro era através de túneis localizados dentro dos miolos de algumas árvores mais finas.
Embora fosse apenas a parte central da Terra das Fadas, ainda era tão complicado de entender...
― Não creio que seja impossível. Por milênios, nosso reino foi o único desta galáxia, portanto, se alguma magia é forte o suficiente para quebrar tal maldição, deve estar aqui. ― a princesa expressou, sua voz rouca tornando sua figura mais interessante. Ela parou de caminhar quando chegaram na frente de um poço, que na verdade era um gigante tronco oco de árvore que continuava para baixo sem que se pudesse perceber o fundo. ― Vamos nos hospedar primeiro.
Atrás dela, uma forma curvilínea apareceu. Mourana assistiu sair do túnel uma carruagem sem rédeas, o cocheiro sentado na frente guiando com movimentos suaves de mãos. Por onde a carruagem passava, incontáveis partículas de purpurina eram despejadas no ar, para logo em seguida desvanecer-se. O objeto grandioso e delicado aterrissou diante dos três convidados e o cocheiro os cumprimentou com um aceno de cabeça leve.
― Por favor. ― o rei estendeu uma mão para Mourana.
A mulher hesitou apenas um pouco, temerosa de tocar em uma figura tão importante, mas por fim aceitou. A pele do rei fada era quente, embora não muito, calorosa de modo que fazia a outra pessoa querer se aconchegar contra ele. Hyuris a ajudou a subir para a carruagem e deixou que o Bom Mestiço e a Guardiã subissem por si. Quando todos estavam bem instalados, rei e princesa alçaram voo.
O coração de Mourana deu um leve salto quando a carruagem subiu no ar e pulou para dentro do túnel. Felizmente, o objeto continuou a descer suavemente e sem inclinação, dando a agradável sensação similar a um elevador. Eles não desceram por muito tempo e uma área aberta apareceu na casca da árvore.
A carruagem pousou. Novamente, Hyuris foi auxiliar Mourana, Sombra ao lado observando com olhos estreitos.
― Não costumamos receber com muita frequência convidados de tanta importância. Felizmente, ainda há alguns quartos de hóspedes no palácio. ― a princesa disse, caminhando na frente e guiando o caminho.
O lugar onde estavam era definitivamente o miolo de uma árvore ― e isso porque construções na Floresta Encantada só existiam dentro de miolos ― embora não se parecesse em nada com uma. A aparência rústica de madeira não fazia parte do conceito ao redor, em contrapartida, o chão liso de tons verdes quase esbranquiçados refletia como espelhos. Tanto o chão como o teto, quanto as paredes e as colunas eram revestidas desse mesmo material, dando a impressão de infinitude.
Mourana os seguiu com a mala na frente do corpo, sua mente incapaz de perceber as quinas e esquinas. Tudo parecia absolutamente o mesmo, contínuo e imutável. Ela sentia que sequer estava saindo do lugar. A princesa e o rei pararam e uma maçaneta quase invisível foi puxada. Os três convidados os seguiram para dentro.
O que havia era uma sala de estar espaçosa e completamente diferente do exterior. O piso era de lâminas de madeira, assim como o teto. As paredes em semicírculo pareciam de um tipo de madeira ainda mais resistente e caloroso.
Havia um tapete felpudo no centro, um sofá espaçoso no fundo com abajures ao lado. Poltronas, um espelho em uma parede, e três portas espalhadas.
― Os quartos possuem banheiro privado e lavanderia. Se houver algo que precisem, balancem o sino que se encontram nas mesas de cabeceira. ― Vernnyetah instruiu calmamente.
― Por agora, vocês podem deixar suas malas. Deve ser a hora do jantar no mundo humano, vamos comer alguma coisa.
As malas foram deixadas nos quartos rapidamente e logo os três voltaram para o terrível corredor verde. A princesa entregou para cada um braceletes-guia que os traria de volta sem problemas. No braço esquerdo de cada um, o bracelete se prendeu abaixo do ombro. Mourana elogiou interiormente o criador do acessório, ela até queria levar de volta como uma lembrança.
Eles voltaram para o salão onde o túnel ficava e foram para a esquerda. Haviam portas de madeira de pelo menos cinco metros de altura à frente. Hyuris fez apenas um gesto de mão, sem parar sua caminhada, e as portas se abriram. Do lado de fora ficava um pátio talhado na madeira que continuava por metros. Para além da borda, era possível ver as outras construções, seus estilos similares e muito diferentes do interior do palácio, varandas com flores e terraços pequenos esculpidos na madeira. Para onde quer que Mourana olhasse, haviam árvores e fadas indo e vindo, uma sensação estranha de liberdade vindo de cada uma.
Próxima à porta, no pátio, havia uma mesa larga e farta posta. Algumas fadas com uniformes oficiais estavam de pé e esperando para conhecer a tão falada escolhida dos Bons Mestiços. Rei e princesa pararam com os convidados diante da mesa.
― Caros ministros, ― Hyuris entoou, os oficiais curvando-se para a presença real. ― apresento-lhes nossos convidados de honra vindos diretamente da Terra. Este é o protetor, o representante Bom Mestiço, Sombra. Esta é a vigia, a representante Guardiã, Vermelha. E esta é a energia escolhida para livrar os Bons Mestiços de suas maldições, Mourana Castelo.
Todos os olhos se voltaram para a figura mais baixa de cabelos tingidos e vestido de seda laranja. Em seus olhos, não parecia haver nada de comum sobre a mulher por razões que nem mesmo eles conheciam. Por vir do mundo humano, eles certamente esperavam por alguém de olhos arteiros e cheia de uma postura arrogante, ao invés disso, era uma mulher de olhos doces e postura modesta. Ela não parecia tão temerosa mas também não parecia ciente do próprio poder. De alguma forma, para seres delicados como as fadas, a atitude desta mulher os fez ainda mais interessados sobre ela.
Os ministros, embora não houvessem planejado, curvaram-se um por um, as mãos direitas sobre o peito e olhos fechados. Mourana arregalou os olhos levemente, curvando-se também.
Hyuris ao seu lado não pôde deixar de apertar os lábios, lembrando-se de como Asafe havia falado sobre ela. Aparentemente, não apenas o feiticeiro sentia uma energia calorosa em relação a ela, mas seus ministros também. Ele trocou um olhar com Vernnyetah.
Os três convidados foram instalados em seus lugares próximos ao rei, que sentou-se na ponta da mesa, a princesa estabelecendo-se na outra ponta. Mourana estava se ajeitando na cadeira quando um tilintar chamou sua atenção. Ela virou o rosto na direção do som e viu um dos ministros olhando em sua direção. Ela olhou de volta, confusa. O ministro mexeu a boca e o som se repetiu.
Mourana virou para olhar Sombra, que a olhou questionador.
― Eu não entendi... só um som de guizo. ― ela explicou, gesticulando para ele.
Todos na mesa se entreolharam. Que a escolhida não podia falar era de conhecimento da maioria, mas eles ainda não conseguiam entender seu modo de se comunicar.
― É estranho. ― Sombra expressou para ela. ― Você consegue entender o que o rei, a princesa e Asafe dizem, mas não entende os ministros?
Mourana o olhou nos olhos. Ela tomou dois segundos para concordar com a cabeça.
― De fato é estranho. ― Hyuris disse, chamando a atenção dos dois. ― Mas pode significar apenas que a senhorita não está completamente adaptada à língua mágica. Acredito que com o tempo isso possa ser resolvido.
― Embora haja a possibilidade de haver sangue real do povo das fadas no sangue da senhorita Castelo. ― aquele mesmo ministro falou. Mourana virou para ele, agora entendendo tudo o que ele podia falar. O ministro de cabelos grisalhos sorriu para ela. ― Felizmente sou fluente na língua humana brasileira.
Mourana suspirou uma risada sem graça.
― É uma possibilidade rasa, Edgaár. ― Hyuris acautelou.
O ministro Edgaár riu.
― Certamente, Majestade. Eu apenas estava supondo.
Os ministros entraram em uma conversa em seus próprios assuntos, os sons de suas conversas embaralhando a mente de Mourana. O almoço correu sem grandes emoções, a comida servida para os convidados atenciosamente parecida com a culinária humana. Logo, a refeição estava concluída e os ministros se despediram calmamente antes de separarem seus caminhos.
― Temo que não nos veremos nos próximos dias. ― Hyuris falou para Mourana enquanto voltavam para o palácio. ― Estive fora por algum tempo e preciso tratar de alguns assuntos. Quando a senhorita tiver concluído sua busca, faremos questão em presenteá-la com uma comemoração suntuosa.
Mourana lhe respondeu com um sorriso agradecido.
― Vocês podem descansar um pouco. Um servo irá para acompanhá-los até a Biblioteca Real. ― Vernnyetah disse. ― Sintam-se livres para procurar onde quiserem, não há restrições. Nos vemos em breve.
Rei e princesa cruzaram as mãos na frente de seus corpos, suas figuras paradas em frente às grandes portas do palácio tal qual gigantes. Belezas lado a lado, um sentimento real e único. Mourana si perguntou se em algum momento eles pareciam menos intocáveis. Com essa imagem, ela deu as costas e voltou com os outros dois para o quarto de hóspedes.
Levou menos de uma hora até baterem na porta. Mourana, Sombra e Vermelha estavam na sala de estar comentando sobre coisas triviais até então. Eles voltaram ao corredor.
O servo, a quem o rei havia se referido, era um jovem fada de roupas requintadas, longos cabelos brandos e sorriso alegre.
― Bom dia! ― ele disparou quando os viu, seus olhos cinza brilhando, gotas de chuva caindo dentro de suas íris. ― Sua Majestade me disse para acompanhá-los na estadia desde que estudo linguagens. Meu nome humano é Agar, eu ouvi dizer que um de vocês é um Bom Mestiço.
Sombra cruzou os braços, já irritado com o ritmo acelerado com que o garoto jogava as palavras. Mourana sorriu divertida para o garoto, apontando com o queixo para o homem emburrado. Agar começou a caminhar na direção contrária à entrada, falando sem parar.
― Faz muito tempo desde que alguém novo vem aqui. É sempre o rei de Aquantis, sempre ele, mas quando é ele, eu não preciso fazer nada. O rei Hyuris só me manda estudar e estudar. ― eles viraram em outra esquina. Agar que caminhava ao lado de Mourana virou para ela com um sorriso largo e levantou as mãos. ― Eu ouvi que a pessoa especial não podia falar. Eu aprendi libras para poder falar com você. Você consegue me entender?
Os olhos de Mourana brilharam genuinamente. Em muito tempo ela não via alguém se comunicar da mesma forma que ela além de Evelyn. De certa forma, ela se sentiu muito acolhida.
― Eu consigo entender você. ― Mourana o respondeu com um sorriso largo.
Vermelha atrás dela sorriu largamente para a interação. Como uma tia que gostava de observar de longe, ela achou muito fofa a combinação dos dois seres baixinhos e cujas roupas combinavam com seus cabelos. Se ela divagasse mais um pouco, ela até poderia pensar que eram dois irmãos.
― Eles ficam muito bonitos juntos, não é? ― a Guardiã provocou na direção do Bom Mestiço.
Sombra a olhou de lado.
― Não seja ridícula, ele é uma criança.
Vermelha riu baixo.
― Eu aposto que o tempo de vida dele é maior do que o meu e o seu juntos. ― ela zombou. ― Se considerarmos isso, qual exatamente é o empecilho?!
― Cala a boca.
― Mestiço, a mulher não é sua-
― É. ― Sombra a interrompeu, seus olhos avermelhados a encarando com reprimenda. ― É minha, então pare de falar besteira.
Vermelha o fitou sem palavras. Ele talvez estivesse declarando aquilo a fim de silenciá-la, dificilmente poderia ser verdade. Bons Mestiços eram, de fato, seres proprietários e ciumentos, mas raramente com uma ordem diferente da sua. Até mesmo Guardiões, que possuíam semelhanças sanguíneas próximas a eles, tinham maior abertura para com outras ordens, embora dificilmente o fizessem de fato.
Vermelha fingiu não ouvir, descartando qualquer verdade em sua sentença e continuou a olhar em frente, assistindo às duas criaturinhas.
Logo eles alcançaram portas-duplas largas e Agar tomou a frente para abri-las. Não precisava ser dito que a Biblioteca Real era magnífica, embora não fosse tão grande visivelmente quanto a Biblioteca Ordênica. O piso era envernizado sobre o avermelhado da madeira, brilhando ricamente. As prateleiras eram de vidro, e lustres de ouro e revestidos de joias decoravam o teto alto.
Agar parou na frente dos três com um sorriso gentil.
― Digam-me para qual sessão desejam ir e eu os guiarei.
― Cânticos Politeístas. ― Mourana o respondeu, confortável em se comunicar.
O rapaz assentiu e prontamente liderou o caminho.
― A sessão de Cânticos Politeístas não é tão visitada. A maioria das fadas preferem aprender nos templos e cultuando aos deuses. Também, acredita-se que alguns descritos são falsos deuses, então não há realmente necessidade de saber sobre eles. ― Agar conversou.
― Cultuar os deuses? Como em cultos humanos? ― Mourana perguntou depois de chamar a atenção de Agar.
― Sim e não. ― foi Sombra quem respondeu. Ela olhou para trás para vê-lo. ― É parecido se compararmos com os festejos ou rituais de adoração, mas é sabido a existência de mais de um deus. Apesar de Camminus ter criado o universo das fadas, também é valorizada a existência de suas proles que protegiam coisas específicas. Camminus na verdade é o menos louvado em questão de cultos, mas as fadas possuem grande respeito por ele.
― Eu ouvi que as filhas dele haviam desaparecido. Como elas podem ouvir as orações?
Vermelha riu, chamando a atenção de Mourana.
― Dizer que elas desapareceram não é incorreto. Mas que tipo de deus seria venerado se ele estivesse entre seus seguidores? Todos os seres não gostam de se sentir superiores?
― Não somos superiores. ― Agar retrucou, as sobrancelhas franzidas.
― Você sabe que o reino das fadas obtém a palavra final em todo e cada acordo. Se não há superioridade aí, então o que mais seria? ― Vermelha insinuou diretamente, sua voz levantando um pouco sem perceber.
Sombra bufou uma risada.
― Impreciso. ― foi tudo o que ele disse.
― Não vejo qual seria o problema em ter a palavra final quando somos nós que auxiliamos, sozinhos, todas as outras dimensões desde suas criações. ― Agar expressou para Vermelha, seu sorriso havia sido substituído por uma expressão séria. ― Barreiras de proteção mágica na Terra? Fazemos mais do que isso. Purificação aquática em Aquantis? Fazemos isso. E embora vocês plebeus não vejam, somos nós que mantemos o Reino Doce e o Cinzaral longe de causar problemas, principalmente no mundo humano onde todos são jumentos de carga e ingênuos.
O rosto de Vermelha se tornou rubro, a pele cor-de-castanha torrada ganhando um brilho raivoso.
― Quem são os plebeus, servo?
Agar parou de caminhar e encarou fixamente Vermelha, seu queixo levantado para conseguir alcançar os olhos da mulher.
― Sou um servo, dignamente guiado pela minha majestade que acima de tudo mantém minha proteção e integridade. E você, Guardiã? Quem se importa com você?
Vermelha bufou de raiva, seus punhos fechados. Entretanto, não havia resposta para tal pergunta. Ordens como a dos Guardiões e Bons Mestiços eram conhecidas por serem negligênciadas por sua criadora, e todos sabiam sobre isto. E apesar de possuírem funções inegavelmente importantes, ainda eram espécies desgarradas.
Mourana observou a situação com interesse, não mais chocada com a capacidade de Vermelha de estar sempre em uma briga. Seus olhos pararam em Sombra, que estava de braços cruzados e um sorriso óbvio no rosto. Ele lançou uma piscadinha para ela, que teve que se impedir de rir.
Mourana chamou a atenção de Agar e perguntou, de certa forma mais empática com ele.
― Eu ainda não entendi como as orações funcionam...
Agar aceitou sua mudança de assunto com prazer. Ele voltou a caminhar ao seu lado enquanto falava:
― Depois que cada coisa estava feita e as fadas sabiam o que fazer e sabiam seu lugar no mundo, as filhas de Camminus decidirem com unanimidade se colocar em reclusão. Algumas retornaram ao espaço, outras se fecharam em montanhas ao redor da dimensão, e algumas como Ísis migraram para outros mundos. ― Agar passou por um portal, levando para outro cômodo na Biblioteca. ― As deusas que detinham grande parte na manutenção do reino das fadas deixaram para trás escrituras, cânticos e processos de rituais. Cada um destes era uma forma de manter sua forma espiritual e possibilitar que houvesse o suficiente para despejar sobre suas especialidades. Os rituais são para fortalecer suas energias; os cânticos são para acalentar seus espíritos e contar suas histórias; nos pergaminhos, você aprenderia a respeitá-las. ― Agar parou e virou-se completamente para Mourana. ― Cada cerimônia tem sido realizada desde então, e nunca houve uma situação onde não fôssemos ouvidos. A colheita ainda é tão farta quanto há mil anos atrás, o clima ainda é o mesmo, as fortunas ainda dependem da sua dedicação, e os rios ainda nos dão de beber tanto quanto no seu surgimento. Cada coisa imutável nos dá mais chances de conhecê-las e assim domina-las, sem arrogância ou pretensões, e fazer delas nossas aliadas. É assim, escolhida, que sabemos que somos ouvidos.
Mourana manteve os olhos no rosto do outro, sentindo sua devoção absoluta e admiração para com sua ordem. Tal tom de voz nunca poderia ser ouvido de um ser humano.
Agar sorriu calorosamente para ela, então passou os olhos nos outros dois.
― Aqui estamos. Esta é a sessão de Cânticos Politeístas. Fiquem à vontade, por favor.
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