Capítulo 15
26 de setembro de 2012, quarta-feira
— Não é bem assim. — Sombra riu.
— Como assim? Eu pensei que poderia só levar minhas roupas. Somos convidados humanos, não somos?
Sombra balançou a cabeça para ela, achando divertida a ingenuidade da outra. Ele empurrou o prato de comida vazio que ele tinha acabado de comer.
— Mesmo que sejamos convidados mundanos, ainda devemos respeitar o local sagrado. Se a gente fosse só visitar os espaços-cidade, não haveria problema, mas é uma reunião com o Rei. Quem usa roupa comum pra encontrar o Rei? — ele inquiriu retoricamente.
Mourana suspirou para ele e evitou de revirar os olhos.
— Bem, eu sinto muito, mas eu não tenho um tostão para gastar com qualquer coisa, mesmo que seja para o Rei.
Sombra deu um gole em seu suco, enquanto lhe lançava um olhar como se aquilo fosse ridículo.
— Minha deusa, graças às forças superiores existentes neste mundo, conhecemos uma pessoa que possui mais dinheiro que o registro do PIB do Brasil. — Mourana olhou para ele de lado, esperando que ele fizesse uma piada. — Otton.
Ela esperou que ele dissesse que estava brincando. Sombra não fez isso.
— Ele tem tanto dinheiro assim?
Sombra bufou.
— Ah, por favor. O cara é mais velho do que alguns continentes. Se ele não tivesse algum patrimônio acumulado, seria ridículo.
Mourana balançou a cabeça concordando com aquilo, mas ainda não acreditou completamente no que lhe foi dito. Asafe, tão rico? Então, por que ele morava em um lugar podre como aquele?
— Aliás, — ela gesticulou — por que todos chamam Asafe de Otton? Acho que eu nunca vi ninguém chamá-lo de Asafe.
Sombra olhou de uma forma estranha para ela antes de responder:
— Asafe é o primeiro nome dele, Otton é o sobrenome. Tu deve ser um dos únicos seres que ele deixa chamá-lo pelo primeiro nome. — Mourana o olhou surpresa. — Não me pergunte o porquê.
Ela ia, mas depois da última frase, só pôde aceitar a sentença em silêncio.
Eles terminaram seus sucos e conversaram mais um pouco antes de decidirem procurar por alguma sobremesa. Felizmente, havia uma sorveteria próxima ao restaurante aonde eles tinham almoçado.
— Daqui a duas semanas vamos comprar suas roupas. É estimado que passemos no máximo três dias na Terra das Fadas, então não precisamos de tantas, claro.
Mourana engoliu uma colherada de sorvete, em choque.
— Três dias?! — ela apenas pensou, suas mãos ocupadas.
— Calma. Eu digo três dias, mas em contagem local. Três dias na Terra das Fadas corresponde a umas sete horas aqui. Podemos fazer o que precisamos fazer sem nos preocupar com isso.
Mourana não pensou muito sobre a diferença de tempo e tentou não entender como era possível existirem em um local diferenças tão grandes. Mas, bem, não era de fato o mesmo local, afinal.
O dia visto de fora da sorveteria era tão nublado quanto sempre, o céu em um tom de cinza claro e cegante, contrastando com o calor abafado. Mourana nunca se acostumaria com o fato de Nevoeiro ter um clima tão peculiar, mesmo que toda a cidade estivesse em cima de uma montanha plana, ainda era estranho para ela.
Antes de se encontrar com Sombra e Asafe, ela tinha pensado algumas vezes sobre as possibilidades de Nevoeiro estar em um plano diferente do plano real. Eram devaneios que tentavam tornar o clima mais verídico, ao mesmo tempo que ela tentava se alienar de sua realidade.
Uma vibração chamou sua atenção. Do bolso da jaqueta, ela retirou o celular que tocava, na tela, o nome que ela menos queria ver.
Ela colocou o celular sobre a mesa na melhor tentativa de ignorar a ligação. Sombra percebeu.
— Quem é? — ele não resistiu a perguntar, também um pouco indignado com o fato de alguém fazer uma ligação para uma pessoa que não podia responder. Nos dias atuais, as pessoas não sabiam usar SMS?
Mourana engoliu mais uma colher de sorvete enquanto encarava a rua, através da parede de vidro do estabelecimento. Quando o celular parou de vibrar, ela respondeu:
— É a minha madrasta.
Sombra franziu as sobrancelhas. Ele sabia que a única família que Mourana tinha eram a madrasta e os dois avós paternos, mas, desde os últimos meses em que a acompanhava dia e noite, ele nunca ouviu nada sobre nenhum deles.
Visivelmente, Mourana era negligenciada por eles e ela não gostava de falar sobre também. Então, de repente, por que aquela mulher estava ligando?
— Ela liga muito? — ele perguntou, apenas para saber um pouco mais sobre a relação das duas.
Mourana balançou a cabeça, deixando a colher ficar em sua boca por alguns instantes.
— Quando ela precisa de dinheiro, liga.
Sombra fez uma careta.
— Como assim, quando precisa de dinheiro?
Mourana suspirou, não querendo falar muito sobre.
— Ela não trabalha? Não é casada?
Mourana pousou o copinho de sorvete na mesa.
— Ela mora com um homem, mas não casou de novo. Eu costumo mandar dinheiro para os meus avós, mas às vezes, ela pede demais.
Sombra riu sem humor.
— E os teus avós moram aonde?
— Com ela.
Mourana observou Sombra desviar o olhar dela, completamente irritado. Ela não gostava da situação também, mas por que ele estava tão afetado?
— Besteira. É óbvio que o dinheiro vai todo pra ela. — ele atirou. Mourana se encolheu levemente, sabendo que ele não estava errado. — Quando foi a última vez que tu falou com teus avós? Eles realmente moram com ela?
Mourana o olhou um pouco indignada. Ela não seria estúpida a ponto de enviar dinheiro com frequência se não tivesse certeza do destino. Ela até enviava diretamente para a conta de sua avó.
Mas no fim, ela ainda não podia rebater Sombra, porque, de fato, faziam pelo menos dois anos desde que Elisa tomara a guarda legal e intermediava qualquer contato.
— Ela tem a guarda deles. Eles já estão muito velhos e...
— Então, basicamente, ela proíbe que tu fale com eles. — Sombra a interrompeu, não aguentando ouvir a desculpa esfarrapada. — Eu não gostaria de ser tão rude, mas o que garante que eles sequer estão vivos ainda?
Mourana sentiu um aperto no peito, como em um ataque direto. Como poderia ser?
— Impossível, eu sou a única herdeira legal. Eu seria notificada.
— Querida — Sombra a interrompeu novamente —, forçar idosos a assinar um documento de deserção ou mudar o testamento é muito simples. Ela pode só ter enganado eles alegando que o documento se tratava de outra coisa, isso supondo que eles eram analfabetos, ou pode ter forçado eles diretamente. São muitas possibilidades.
Mourana começou a ficar chateada.
— Não fale deles no passado. — ela gesticulou ferozmente. — Como você sabia que eles são analfabetos?
— A maioria dos idosos de cidade pequena não são? — ele deu de ombros. — As notícias são ruins, mas eu realmente acho que tu vem sendo enganada esse tempo todo.
Mourana se recusava a acreditar. Quer dizer, ela não desacreditava, na verdade era muito provável que Elisa fosse fazer algo como aquilo. Porém, seus avós eram uma lembrança tão preciosa para ela que a ideia de tê-los perdido em algum momento sem sequer saber era terrível demais.
De repente, ela sentiu uma extrema necessidade de vê-los.
— Onde tua madrasta mora? — Sombra perguntou, ciente do clima pesado que havia se formado. — Dependendo do lugar, eu posso mandar alguém pra verificar.
Mourana estava se sentindo muito estúpida naquele momento.
— Belém. — ela pensou, sem forças para levantar os braços.
— É longe, mas não é impossível. — Sombra cruzou os braços por cima da mesa, inclinando-se na direção de Mourana. — Por favor, se tiver alguma coisa que te incomode, me diga logo. Quanto menos preocupações tu tiver, mais fácil vai ser passar por tudo isso.
Mourana segurou o olhar do homem por um tempo e sorriu.
― O que é isso, você está preocupado? ― ela brincou, tentando se livrar um pouco da tensão palpável.
Sombra não sorriu.
― Sim, eu tô. ― Mourana o encarou chocada. ― Não entendi a surpresa. Eu tenho sido tão mau assim?
Mourana desviou o olhar dele e soprou uma risada quando Sombra fez um som irritado.
― Okay! Eu sou um pouco ruim. Okay!! ― ele falou, alto e dramático.
Mourana riu do homem, suas ações não combinando com sua estatura. Enquanto ria, ela balançou as palmas para ele.
― Não, não. Não é tão ruim. Você está se esforçando.
― Mourana! ― Sombra praticamente gritou, um pouco mais indignado.
A barriga de Mou começou a doer e ela não conseguia parar de rir. Sombra a observou, seus olhos completamente fechados e as bochechas empurradas para cima, avermelhadas. Ele nunca tinha visto um sorriso tão grande no rosto da mulher, mas parecia fazê-lo querer sorrir um pouco mais.
Ele resistiu a vontade de tocar o queixo dela e apenas riu junto.
Eram duas da tarde quando eles caminharam de volta até o apartamento de Mourana, devagar e com ânimos leves.
― Então, não tem nenhuma foto? Nada?
Mourana balançou a cabeça.
― Meu pai disse que minha mãe tinha ido embora logo depois de eu nascer. ― ela gesticulou. ― Algumas vezes eu tentei perguntar o que meus avós lembravam, mas eles nunca me disseram nada. Em algum momento, minha avó disse que meu pai só me trouxe pra casa e me criou.
Sombra olhou, pela primeira vez pensando se devia ou não dizer o que pensava. No fim das contas, ele perguntou.
― Tu é adotada, então?
Mourana não respondeu de imediato. É claro que ela havia pensado sobre aquilo, durante sua infância e adolescência inteira. Como podia uma criança surgir de repente?
Depois que seu pai morreu, ela parou de questionar. Não havia mais razão para tal e ela gostaria apenas de lembrar de seu pai, o homem que era seu melhor amigo.
― Eu não sei. Talvez sim, talvez não. ― ela respondeu muito vagamente.
Sombra a entendeu e também não perguntou mais sobre o assunto. Embora eles precisassem ter certeza sobre a descendência dela, eles podiam fazer aquilo sem se intrometer em seus assuntos familiares, ainda mais assuntos que Mourana não queria mexer.
Sombra afundou as mãos nos bolsos do casaco grosso.
— Quando eu voltar pra CVO, vou lembrar de mandar alguns vigilantes checarem tua madrasta. Em dois dias, vamos saber se ela tá escondendo alguma coisa ou não.
Mourana olhou para ele, seu queixo completamente levantado para que ela pudesse ver os olhos do homem. Seus lábios formaram um sorriso agradecido, mas envergonhado.
— Eu tenho causado muitos problemas, e vocês já têm o suficiente.
Eles já estavam chegando até o prédio de Mourana, apenas mais um quarteirão à frente. Como sempre, não havia ninguém pelas ruas. Às vezes, aquele lugar parecia realmente inabitado, quase como se todo o lixo não estivesse escondido ali.
Sombra parou de caminhar, segurando Mourana para que ela parasse também. Ele a encarou antes de começar a falar.
— Desde que me conheço por gente, as coisas têm sido agitadas. Sempre há alguém causando confusão, alguém morrendo, alguém tornando as coisas difíceis. Eu fui criado pra lidar com tudo isso e, mesmo que, às vezes, fique cansativo, não há mais nada que me deixe tão satisfeito nessa vida. — ele pausou, observando a expressão de Mourana, que esperava pacientemente ele terminar. — Não há suavidade, nem gentileza ou gratidão no meu mundo. Nós fazemos as coisas, porque temos que fazer e não podemos hesitar na hora de cumprir com os deveres. Sinceramente, poder só caminhar contigo todos os dias e conversar assim já é o máximo de calma que eu já tive.
"Eu não me importo com o quanto as coisas estão bagunçadas, até porque eu vivo nisso. Mas eu me importo muito quando tenho uma oportunidade assim."
Mourana estava estupefata. Ela não tinha medo de ser desprezada, até porque acontecia muito, entretanto, ser estorvo era o que ela menos queria. Passar despercebida talvez fosse seu único objetivo de vida. Estranhamente, ela ainda tinha se metido no meio daquilo.
Ela piscou duas vezes antes de sorrir sem graça.
— Ultimamente você fala muito, não é? — ela gesticulou, querendo suavizar o drama.
Sombra suspirou, tornando-se autoconsciente. Um sorriso leve se formou em seu rosto. Ele retirou as mãos dos bolsos e deu um passo na direção de Mourana, fechando o vazio entre eles. Ele pôde sentir o peito da mulher em suas costelas. Suavemente, ele levantou os braços e cobriu as bochechas da mulher com suas mãos, os polegares acariciando a pele.
Mourana sentiu seu coração acelerar, mas não se moveu. Ela encarou de volta os olhos escuros do homem, calmos e afetuosos. Além de Evelyn, quem mais a olhava daquela forma?
Ninguém, talvez.
Sombra se curvou, seu rosto descendo na direção do rosto de Mourana, os olhos grudados nos dela esperando que ela recuasse ou mostrasse resistência.
Ela não fez nenhum dos dois.
Com olhos encarando olhos, os lábios de Sombra tocaram nos dela, gentilmente, apenas sentindo a suavidade. Ele recuou apenas por alguns milímetros, deixando a respiração dos dois se misturarem e esquentar seus rostos. Ele se inclinou novamente.
Desta vez, ao invés de apenas tocar, ele capturou o lábio de Mourana, sugando, sem pressa ou força. Mourana o imitou, seus lábios provando um ao outro como se fossem o prato mais delicado.
Os dedos de Sombra escorregaram para acariciar a nuca da mulher, quando, mais uma vez, ele se afastou. Levou apenas o tempo de um suspiro antes que ele voltasse a beijá-la, profundamente. Suas línguas se encontraram, úmidas e macias. Ambos se perderam um no outro, contemplativos, acariciando-se com línguas e boca.
Mourana podia sentir seu coração pulsar pelos ouvidos, silenciando qualquer barulho externo. Ela estava embriagada e sentia-se ser engolida, ela queria ser engolida.
Sombra levou uma mão à cintura da mulher, puxando-a para que seus corpos se tocassem o máximo possível. Mourana apertou os braços ao redor do pescoço dele como se precisasse daquilo para se salvar. Os cabelos de sua nuca foram apertados do punho de Sombra, e Mourana deixou sua boca abrir em busca de ar, quando o homem puxou seu lábio inferior entre os dentes.
Eles se beijaram por um longo tempo, entretanto, quando se separaram, foi inevitável sentir falta.
Eles descansaram suas testas uma na outra enquanto Mourana recuperava o fôlego — já que Sombra não precisava — e o homem acariciava sua cintura, quadril e costas com apenas uma mão, que parecia grande o suficiente para dar a volta em sua cintura.
Seus olhos se encontraram mais uma vez. Sombra sorriu para a mulher, acalentando silenciosamente o coração confuso dela. Ele se distanciou apenas o suficiente para conseguir ajeitar o cabelo de Mourana, embora este não estivesse tão bagunçado. Ele só queria tocá-la um pouco mais.
Sem dizer mais nada, eles voltaram a seguir seus caminhos. Mourana voltou ao seu apartamento depois de Sombra levá-la até a porta, e Sombra voltou para resolver seus compromissos.
Seus corpos se separaram, mas no fundo, eles ainda podiam sentir a presença um do outro.
Eram quase quatro da tarde quando Mourana saiu de um banho frio e auto-satisfatório. De cabelos molhados, ela sentou no sofá da sala, o livro sagrado em seu colo.
Ela encarou a capa azul do livro, sentindo que este a encarava de volta, cheio de provocações.
No início, ela sentia certa calma quando tomava um tempo para apenas desvendar algumas figuras nas páginas. Porém, depois que sua mente se enchera de dúvidas no dia anterior, o livro transmitia uma energia muito mais densa e pouco acolhedora.
"Eu não espero que você me responda tudo, mas considere meus questionamentos." Ela pensou, dirigindo-se ao livro.
Não houve resposta audível, mas Mourana imaginou ter sentido o livro tremer levemente em sua mão. Com um pouco de hesitação, ela virou as páginas.
Ela lembrava vagamente da primeira vez em que abrira o livro. Mourana tinha aberto em uma página aleatória e fora a imagem da mulher no campo que tinha aparecido. Mas depois de um tempo, as imagens foram se organizando em ordem por si mesmas.
Mourana passou pelas imagens e pela bússola, assim como as duas páginas completamente vermelhas. Ela se demorou um pouco mais nelas.
Apesar de não haver mais nada além da cor nas páginas, seu peito ainda se sentia apertado. As coisas que ela tinha visto naquele dia... ela gostaria de não lembrar nada sobre aquilo. Algumas coisas ela realmente não entendia, outras, ela agiria como se não soubesse. Poderia ser irresponsável, mas quem garantiria que realmente fosse acontecer?
Ela encontrou uma página em branco. Suas mãos se apertaram levemente nas laterais da folha.
Ela mordeu o lábio e pensou: "A maldição vai ser quebrada?"
Era uma pergunta sutil, mas de grande valor. Não traria muita informação sobre o livro em si, porém, se ele respondesse, seria um passo em frente.
Na página em branco, três letras tingidas em preto surgiram.
Mourana suspirou em alívio.
"Vai levar muito tempo?"
Ela esperou por alguns segundos, mas nada aconteceu. O livro a estava ignorando? O que aquilo significava?
"Você realmente vê o futuro?"
As mesmas três letras voltaram a aparecer. Mourana franziu o cenho.
"O futuro que você vê, ele é irreversível?"
Novamente, as três letras desapareceram e apareceram.
"Quem conta o futuro para você?"
Desta vez, nada aconteceu. Mourana estava quase pulando para outra pergunta quando as três letras sumiram e uma frase completa surgiu em seu lugar: 'Sou feito de matéria galáctica e meu espírito acumulou poder por anos a fio, o destino é algo simples de prever, mas difícil de mudar.'
Mourana leu as palavras sentindo-se ser levemente atingida. Ele estava falando sobre destino naquele momento? Destino seria considerado algo palpável neste caso?
O livro pareceu ouvir seus pensamentos e mais palavras emergiram: 'O destino é palpável, você o vê a todo momento, vivendo-o. A morte também é palpável, você a sente a todo momento. Forças etéreas não são palpáveis.'
Forças etéreas? Mourana havia ouvido sobre algo assim recentemente.
Então, ela lembrou. Na boate, Asafe havia contado a ela sobre o deus fada e como ele era uma divindade muito poderosa. Ela perguntou, levemente capciosa: "Forças etéreas como o Deus fada morto?"
O livro a respondeu: 'Vivo, não palpável. Morto, ainda não palpável. O deus fada não é mais considerado uma força, sua morte há muito foi velada'
"E você viu ser velada?"
'Eu certamente vi.'
As pupilas de Mourana se encolheram e um arfar mudo saiu por entre seus lábios. Porque, os únicos seres presentes durante a morte e cerimônia de enterro do deus fada, eram suas filhas.
Então, o livro sagrado em suas mãos, que possuía consciência e matéria galáctica espiritual, era na verdade, uma das filhas desaparecidas da divindade morta?
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