Capítulo 33 - O Príncipe Da Noite

https://youtu.be/e-ORhEE9VVg

-Devo dizer-lhe que não escolheu uma boa altura para aparecer por estas terras, menina Helena.- o nobre percorre com o olhar os livros massudos e valiosos que o criado ia retirando das prateleiras com as mãos enquanto lhe acenava afirmativamente ou não perante o titulo escrito na sua fronte. Oceana estava a seu lado e ambos não cruzavam olhares enquanto falavam, mas o tom de cada um insinuava interesse e orgulho nas suas posições.

-Não me diga.- A ironia na sua voz passou despercebida ao nobre, ela nada sabia do que ele falava. No entanto, através da paisagem que assomava da carruagem pudera perceber que a desconfiança reinava naquele reino, mas que ao contrário da existente na terra pobre em que estivera, aquela não era habitual. Algo se tinha passado.

-Nada farei contra si, bela donzela, o mesmo não direi de meu irmão e seus seguidores.- Fez uma pausa acenando com um sorriso ao livro que o homem tinha nas mãos e fez um leve gesto com a mão para que o pousasse em cima da mesa sumptuosamente ornamentada daquela sala real. -A batalha deixou o povo abalado, os ânimos estão exaltados e se eu fosse a si não me atreveria a andar pelas ruas.

-Tentarei ser o mais discreta possível.- Oceana alcançou o olhar do nobre que em menos de nada lhe sorria com as mãos apoiadas na secretária e com um relance à página que estava aberta.

-Com certeza. Venha cá, sei quem procura menina Helena.

-Meu pai, não o vejo desde que nos separámos há uns anos e gostaria de reavê-lo, mas como deve saber, não são todas as pessoas que me conseguem responder onde se encontra meu pai, marquês de Oviedo, ainda por cima em terras suas.

-Dados registam a sua presença numa tal casa Toroño.- A sua mão percorre o queixo e os olhos dourados encontram os de Oceana em confusão.

-Gostava mesmo de o rever. Compreendo que com a situação nem eu deva ser vista. Como irei encontrá-lo?

-Sei de uma pessoa que a pode ajudar.- O nobre fez uma pausa e mirando-a com olhos pedintes e desviando-o de seguida para a claridade que a janela do palácio deixava entrar.

-No entanto, irá meter-se em águas frias se me ajudar.

-Deveras.- nada mais disse, nem mais um olhar trocado, mas o sorriso permanecia nos seus lábios.

Oceana ajeitou o seu vestido folhado e dirigiu-se à entrada da sala, preparando-se para sair do palácio e encontrar a sua própria maneira de rever o seu pai, e pelo caminho pensar num plano para seduzir este tal nobre.

-Deveras que não me contento a ajudá-la.- disse ele finalmente quando ela passava o arco alto que dava para o corredor do jardim real. Um sorriso cresceu-lhe nos lábios e voltou a olhar novamente o nobre.

-Ficar-lhe-ei muito grata, meu senhor.

-A rainha e o seu amante podem ajudá-la, de certo que a esta hora já devem estar longe daqui, junto dos seus, mas apesar de tudo, eu tenho uma relação muito boa com o seu amante e ele deixou-me um mensageiro que me fará continuar a manter contacto com ele. Podemos usar a primeira carta com o seu desejo, Maria Helena.- ouvir aquele nome ainda lhe fazia espécie aos seus ouvidos, mas o saber que ele lhe dava poder era o bastante para que ela se rendesse aos seus encantos.

-Como poderei retribuir tamanho favor?- o conteúdo da sua pergunta não correspondia à expressão no seu rosto. Ela queria incentivá-lo a ceder aos seus desejos e estava a conseguir, como sempre.

-Os pagamentos podem ser feitos noutra altura.- Oceana sorriu-lhe e desviou o olhar novamente para o jardim preparando-se finalmente para sair da sala, mas depois lembrou-se de um pormenor.

-Sei que sua gentileza é do tamanho do seu poder, enorme, mas será que me consegue concretizar mais um desejo?

-O que deseja, Maria Helena?- Oceana sorriu ao som das suas palavras, tão pedintes quanto submissas, ela tinha conseguido, em menos de nada, o poder seria seu. Rainha da terra e do mar. Ela só se estava a esquecer de um pequeno pormenor, ou melhor, de vários. Um deles, porém, mais importante do que todos, a sua imortalidade...

-Não tenho lugar onde ficar. Pensei encontrar meu pai mal chegasse, mas com a batalha tudo se abalou.

-Que não seja por isso, minha donzela, pode ficar nos meus aposentos enquanto a resposta do seu tio não chega.

-De certo que não será um aborrecimento.- Oceana sorriu-lhe provocadoramente e aproximou-se do príncipe fazendo com que um sorriso malicioso se lhe esboçasse nos lábios.

-Maria Helena, para sua segurança a menina é apenas um gesto de humildade que o príncipe concedeu.

-Qual era meu título mesmo?- o homem riu da ironia e sentido de humor de Oceana e ela apreendeu-se com um facto, ainda nem sabia o nome do homem que tinha à sua frente. Ela só desejava que o seu destino lhe facilitasse esse nome.

-Uma visita guiada ao palácio soa-lhe bem, Helena?

-Nada me faria mais feliz neste momento.- sim, fontes de informação sobre o lugar desconhecido e onde iria viver nos próximos dias ir-lhe-iam ser bastante úteis, não haja duvida.

Saíram finalmente da sala e prosseguiram pelo corredor descoberto até a um dos outros lados do palácio. Aquela nova sala onde entraram era grande e espaçosa, aliás, todas elas o eram, altas até demais, grandes, até demais, o poder nunca é bastante. Oceana começava a gostar dos pensamentos das gentes humanas.

Havia uma enorme escadaria no centro que dava para o segundo piso do palácio. O mármore que a polia era brilhante e a sua forma curvada. Dois guardas estavam em cada um dos seus lados e o seu olhar era fixo e vazio na porta da frente do palácio. O vermelho e castanho enchiam o olhar de Oceana e o sorriso do príncipe enquanto a acompanhava pelas salas, dizendo os nomes, e contava histórias que ela não conseguia encaixar no seu conhecimento. No entanto a voz do nobre até que a embalava e por isso ela contentava-se a olhar para toda a riqueza à sua volta perante o olhar de desaprovação de alguns criados que por lá passavam.

Aos poucos Oceana foi percebendo o que realmente se tinha passado e ao encaixar as peças que via e ouvia percebeu então que o varão se chamava Ricardo e começou a entender melhor as intrigas daquele lugar.

-Está a ficar de noite marquesa. De certo que não se quererá deitar tarde.

-Deveras é um facto. É uma gentileza tudo o que está a fazer por mim, mas neste momento realmente acho que um sono é o que realmente preciso.-

-Ainda tenho uns assuntos para tratar, mas acompanho-a até aos meus aposentos.- Ricardo sorriu calorosamente e Oceana respondeu-lhe com o mesmo sorriso , escondendo a ironia mal ele desviou o olhar. A sorte com que tinha sido abençoada era digna de muitas orações não havia dúvida, mas já não era ela freira? O facto colocou-a rindo solenemente e a sensação que teve ao passar as mãos pelas roupas de seda que Ricardo tinha no seu quarto, trazidas pelas servas e prontas para ela usar, sem nada ter feito para as merecer, era incomparável a demais sentimentos. Aquele era sem dúvida o seu sentimento preferido, poder.

-Maria Helena dar-vos-á ordens que quero que cumpram como se fossem minhas, está claro?

As criadas acenaram submissas e continuaram o que estavam a fazer de tal habituadas que já estavam ás ordens do nobre. Ele impunha respeito e autoridade e elas temiam-no, via-se isso aceso nos seus olhos como tochas ardentes.

-Até amanhã, Lorde Ricardo.- Oceana acenou-lhe com um olhar provocador e tornou a olhar para as riquezas à sua frente. Tudo para si.

***

Não demorou muito até que Oceana caísse no sono profundo. Adormecida numa cama com lençóis de peles caríssimas, almofadas feitas de penas de cisne e ornamentos caríssimos só para embelezar ainda mais o conforto onde o Ricardo dormia.

No entanto, desde pequena que Oceana não conseguia dormir uma noite que fosse sem acordar para se sentir num mundo real novamente. Era algo estranho, algo que não acontecia com mais ninguém por aquela razão, por isso Oceana supunha que estivesse ligado à sua imortalidade, não ligando muito. Ao acordar a escuridão estava repleta no céu que ela nunca vira, e a lua estava cheia fazendo com que a ânsia da água a atraísse, mas ela apenas queria estar desperta por mais uns momentos. Ricardo já dormia do outro lado da cama e por isso ela tentou não fazer muito barulho ao sair dos seus aposentos.

Rodou a maçaneta da porta com o maior cuidado que tinha saiu fechando-a novamente com a mesma precaução. Ajeitou os cabelos procurando que se endireitassem minimamente depois de ter estado deitada e virou-se finalmente para ir explorar o palácio. Nesse momento reparou no barulho que ouvira, mas não ligara anteriormente, estava mais forte e mais perto, até que sentiu algo a chocar contra si. Alguém.

-Desculpe.- Oceana desequilibrou-se mas o homem à sua frente tinha-a agarrado nos seus braços e agora eram eles que faziam com que ela não caísse. Quando Oceana se endireitou e o mirou à sua frente, a sua expressão mostrava confusão e a lua acentuava os seus olhos azuis como gelo numa manhã de inverno.

- m -

Meu Deus! Primeiro no mar, agora em terra! O que se vai passar nesta história? Porquê tanto enredo e confusão?

Bem, leiam e acompanhem a história da Oceana, da Maré, do Alex, do Liam, da Ariana...e de quem mais está para vir para perceberem os porquês de tudo isto. Garanto-vos que o mistério está ao vosso alcance de ser descoberto.

Qual é o segredo de Marina?

É essa a vossa missão! Espero que estejam a gostar e não se esqueçam de deixar a vossa estrelinha de apoio e de nos continuarem a acompanhar nesta história dos sete mares.

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