Capítulo 3 - O Beijo
https://youtu.be/QUwxKWT6m7U
Os dias foram passando, e logo a seguir os meses e depois os anos...Tudo corria bem... Maré e Alex, continuavam a encontrar-se para pescar, conversar e brincar. Eles cresceram juntos, estavam juntos a cada Este que passava. Tinham-se tornado inseparáveis como um tubarão e a sua rémora, como o pescador e a sua rede, como a sereia e o seu canto. Infelizmente, num belo dia de inverno, tudo voltou a mudar...
Eram meados de janeiro, mas o tempo estava ameno e o céu limpo, a maré vazia...tudo parecia normal, tudo parecia correto – bem, dentro do possível. Continuavam a encontrar-se secretamente como sempre. Durante este tempo tinham estabelecido laços muito fortes.
Conhecidos nas praias, amigos nas margens, bons amigos nas águas rasteiras, melhores amigos nos mares. Ambos estavam crescidos, com mais mentalidade, os seus cérebros cada vez mais vulneráveis a perder o rumo...
Maré estava sentada numa rocha ao lado do barco do rapaz e ambos observavam o pôr-do-sol. Nada fora do normal, era um ato habitual, ver o pôr do sol enquanto trocavam ideias sobre tudo e sobre nada.
-Achas que é possível chegar lá? - Maré encarava o sol do entardecer, o seu mergulho no mar que nada ardia, no entanto era difícil para ela entender como tal não acontecia. Seria o sol frio? Não, algo que dava luz nunca podia ser frio.
Se seria possível chegar ao círculo brilhante que, à medida que percorria o céu, mudava a sua cor? Bem, para estes dois era tão impossível como a relação que tinham. Naquele tempo, esse simples facto era motivo para teorias de bruxedos surgirem. Mas para Maré, o pôr do sol era especial, no entanto não tinha qualquer razão de ser. Apenas o sentia, apenas o sabia.
No final de contas, fora nele onde ela nascera e era ele que a acordava todos os dias e a deitava todas as tardes.
-Não sei. Nunca tentei. - ele chapinhou-a com água e ela respondeu atirando-o para o mar consigo. Riram e voltaram a encarar o Sol.
-A minha vida está prestes a mudar Maré. - Alex olhou-a nos olhos assim que ela desviou o olhar do horizonte e se encontrou com o seu.
-Porque dizes isso?
-Eu já não tenho sete anos, mais cedo ou mais tarde a minha mãe vai obrigar-me a mudar de rumo. - não foi preciso Alex acabar a frase para ela perceber onde ele queria chegar.
-Ainda tens tempo. Ainda temos tempo.
-Temos?
-Tu não és só minha amiga Maré.
-Alex...nós não...
-Eu sei. Desculpa. - ela voltou a olhar para o horizonte para fugir ao rapaz que fazia com que o seu coração acelerasse. No entanto a tentação de olha-lo falou forte de mais e os seus olhos encontraram-se novamente. Uma paixão jovem, dois adolescentes jovens demais para medir as consequências dos sentimentos que os podiam estar a trair.
Naquele momento nao pensaram em traição.
Naquele momento pensaram em paixão.
Os lábios dela aproximaram-se dos dele a medo e sentiu a sua respiração no seu nariz, quente e acolhedora como o seu toque. Em menos de nada a distância havia cessado..assim como o tempo que eles tanto temiam perder.
Maré foi sugada para as profundezas, fez de tudo para subir, mas não conseguiu, era como se houvesse uma barreira invisível entre si e a superfície. Desolada percebeu a maldição que tinha desencadeado, aquela em que pensava todas as noites mas queria negar a veracidade. Tentadora demais, letal demais. Sem escolha, rumou para Atlântida encontrando-se com alguém no seu caminho.
-Maré, no que estavas a pensar? Eu sabia, eu sabia... eu sempre soube que nunca devias ter ido à superfície naquela manhã de verão. Eu sabia e avisei-te Maré! Agora apaixonaste-te por aquele humano...o que vais fazer? Estás prometida em casamento desde que nasceste! Além disso ele é um humano! H-U-M-A-N-O ! Humano! Tens noção de que...a maldição cumpriu-se, nunca mais poderás ir à superfície! Eu sempre soube, sempre soube... nunca me ouves, nunca me ouves...
-Cala-te!- protestou interrompendo e encarando a amiga com olhos mais tristes do que furiosos -Não achas que eu já estou demasiado em baixo para me estares a rebaixar ainda mais? Sei perfeitamente o que a maldição das sereias diz, mas Estrela, eu já não tenho cinco anos e tenho consciência de que aquele beijo não devia ter acontecido! Eu sei, eu sei, mas o Alex é diferente e estava tão perto...-
-E é um humano! Agora nunca mais poderás voltar à superfície, Maré! Vê se entendes que para os humanos, as sereias são seres malignos, monstruosos que afundam navios e matam seres inocentes! Eles têm tão pouco conhecimento sobre tudo que inventam à mínima anomalia da sua natureza rudimentar! Nós para eles somos uma ameaça! Tal como eles são para nós!
-Eu sei, mas ele é não é assim... eu conheço-o, ele nunca me faria mal, ele é o meu melhor amigo, a melhor pessoa que já conheci.
-Em primeiro lugar, obrigada pela parte que me toca- disse a tartaruga visivelmente incomodada com aquele comentário -mas ele pode mudar, os humanos são matreiros, falsos, cruéis.
-Não, não são ... tu não o conheces.
-Maré, tudo bem, suponhamos que começas a ter uma relação com o tal Alexandre, mas depois diz-me, ele é um humano e tu uma sereia, será que tu não percebes? Terra e mar, pernas e barbatanas! Como é que vocês iam ter a vossa casa e filhos, se tu não tens pernas para andar na terra e ele barbatanas para nadar no mar! Nem falando no facto de que ele não é da realeza, nem rico aparenta ser...querida essa relação é simplesmente impossível!
-Só é impossível até provarmos o contrário!- gritou a chorar e desapareceu no azul do oceano.
Estrela ainda gritou para ela voltar, mas Maré já estava longe...era mais rápida do que a pobre tartaruga – também não é muito difícil, não é?
E esta é a maldição das sereias, há muito lançada por Zeus, tio de Maré, dita que assim que uma sereia dê um beijo a um humano, é arrastada as profundezas e nunca mais poderá voltar á superfície. No entanto, existe uma maneira de reverter esta sentença. Ninguém se atrevera a tentá-la até à data e os pobres que se atreveram, não sobreviveram para contar a história. A maldição só necessitava de ser quebrada uma vez, mas apenas uma sereia ou tritão muito corajoso e especial conseguiria quebrá-la ...
Esta era uma parte do livro sagrado dos seres do mar, escrito pelos mais antigos dos antigos. Reza a lenda que foi deixado ao primeiro membro da realeza aquática pela mão de deuses, como uma maneira de guiar o seu povo, manter a ordem e sobrevivência secreta. Guardado no palácio real, numa sala maior que o quarto do próprio rei, vigiada vinte e quatro sobre vinte e quatro horas. Este livro era considerado o objeto mais importante de Atlântida.
Mas ela não queria saber de livros e de lendas. Ela queria estar com Alex mais do que tudo o que pudesse existir. Como era possível querer-se sempre o que nunca se podia ter?
Mas para Maré...o nunca não existia.
****
Muito parecido com a Ariel ainda não é? Hmmm mas é nas entrelinhas que a vida se faz meus amigos!
Continuem comigo está bem??? Agora o clichê ainda pode estar a ser escrito mas tudo pode mudar, quem sabe?
Gostam até agora??? Deixem-me saber por favor! O vosso feedback é importante demais para mim! Cliquem na estrelinha para votar se gostaram!!!
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top