Capítulo 15 - Pipocas

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-A cada palavra que ela vai lendo fico mais confuso.- Liam abandou a cabeça procurando tirar o cabelo dos seus olhos.

-Ainda tens aquela tua teoria maluca sobre a professora?

-Não é maluca, Ariana.- Disse interrompendo as minhas palavras enquanto se pôs á frente do cacifo que eu ia abrir fazendo com que ficássemos frente a frente. Os seus braços estavam cruzados e pelo que li nos seus olhos ele estava bastante determinado em fazer com que eu acreditasse na sua teoria.

-Ouve Liam- revirei os olhos -Até pode haver algum mistério nisto tudo, mas não tem nada a ver com a nossa professora.

Eu ia tentar abrir o meu cacifo desviando-me para um dos lados tentando colocar o meu corpo magro entre o cacifo e as costas fortes do Liam, mas ele agarrou na minha mão fazendo com que o olhasse novamente nos olhos.

-Que provas tens tu para provar isso?- as suas palavras eram firmes e sentidas, o seu olhar penetrante.

-Que provas tens tu para provar o contrário?

Ergui as sobrancelhas e ele largou-me a mão, sorriu em rendição e saiu do meu lado.

-Olá Liam.- a voz irritante pertencia á Kelly que apareceu por detrás do Liam. As suas mãos estavam no seu peito e ela sorria-lhe como um anjo. Típico. Na sua mão tinha um cartão pequeno que colocou no bolso da camisa do Liam sorrindo ainda mais. Se ela sorrisse ainda mais era capaz de imitar um palhaço de um filme de terror. Eu detestava aquela rapariga. E o pior é que não tinha razões para isso. E eu sabia.

-Não te esqueças de vir.- deu-lhe um beijo no rosto e olhou para mim com desaprovação revirando os olhos enquanto saía dali.

Liam não falou sobre o papel que ela lhe tinha colocado no seu bolso. Inteligente.

Continuando.

A aula tinha acabado naquela parte da história e deixou-nos a todos em suspense para saber o que se tinha sucedido. Em parte, nós sabíamos, mas apenas o que se seguia, não o final de tudo aquilo.

Abri o meu cacifo e coloquei os meus livros lá dentro para não ter de levar nada para o intervalo do almoço. O Liam tinha insistido para que eu almoçasse com ele e como eu também não tinha planos melhores resolvi aceitar. Não era todos os dias que uma pessoa se lembrava de querer almoçar comigo, de querer a minha companhia para o que quer que fosse. Não depois do que eu fiz.

Sentámo-nos na mesa habitual onde eu costumava ficar á hora de almoço. Àquela hora aquele lugar estava cheio, mas como eu me sentava todos os dias ali, parecia que as pessoas nunca se chegavam perto. Não sabia se havia de tomar aquilo como um privilégio ou como um insulto. Bem, também não me apetecia pensar sobre isso. Liam pareceu perceber porque também nunca tinha tocado no assunto.

-Então estás a pensar em ir á festa da Kelly?- perguntou pondo-me o convite á frente dos olhos, que eu lhe tirei da mão e foquei os meus olhos nas letras pequeninas. Bolas, lá tinha ele de vir com aquele assunto.

-Ela não me convidou propriamente.- disse desviando o meu olhar para olhar para o nome do Liam escrito no convite.

-Se eu vou tu também podes ir. Não és menos do que ninguém.- sorri-lhe mas acenei que não com a cabeça.

-Nem sei para que é que ela se deu ao trabalho de fazer convites.- o Liam ergueu as sobrancelhas para mim em tom de dúvida -Quero dizer, bastava que ela atualizasse o estado no face ou no insta que todo o mundo, literalmente, iria vir.-

-Não exageres.- disse ele rindo-se e tirando-me o convite das mãos.

-É verdade, Liam.- dei uma dentada na minha maçã mastigando um bocado enquanto pensava. -Aquela rapariga é tipo o centro de atenções de toda a gente. Toda a gente se preocupa com ela, toda a gente quer ser como ela.

Embora tivesse revirado os olhos o Liam riu-se bastante alto e sorriu-me erguendo as sobrancelhas como já tinha percebido que ele adorava fazer.

-Isso chama-se inveja menina Ariana.

-O quê?- disse com um tom ofendido.

-Ah tem calma, mas é verdade.

-Tu é que sabes. Mas não me respondeste, vais ou não?

-A festa é num dia de semana. Tenho de ficar em casa a ajudar os meus pais.

O seu rosto expressava várias dúvidas, mas mesmo assim tinha o seu tom descontraído de sempre. Eu não queria entrar em muitos pormenores acerca da minha família, mas também não tinha nada a esconder.

-A minha mãe é médica e nunca a vejo quando chego a casa. Ela chega tão tarde e sai tão cedo que mal a vejo. E o meu pai, bem o meu pai trabalha em casa, mas ele não é daquele tipo de maridos que fazem as tarefas domésticas sabes?- olhei para o Liam para ver se ele ainda não tinha adormecido com a história da minha família, mas para minha surpresa ele estava a olhar-me muito concentrado em tudo o que eu dizia -Assim sendo, como eu não quero causar problemas entre ele e a minha mãe, eu faço tudo e quando a minha mãe chega pode pensar o que ela quiser, mas pelo menos está tudo limpo e arrumado. Eu sei que para ti pode não fazer muito sentido, mas para mim é assim.

-Tenho pena de ouvir acerca da tua mãe e do teu pai. Não deve ser fácil estudar e ter de se preocupar com isso tudo ao mesmo tempo.

Apesar do seu tom de preocupação não quis estar a alimentar muito mais o assunto, se o fizesse ia estar a fazer-me de coitadinha e isso era tudo o que eu queria evitar que ele pensasse. Limitei a sorri-lhe.

-Nunca pensei que fosses filha única.- Disse ele dando mais uma dentada no seu wrap de frango enquanto me sorria.

-Porquê? Não tenho cara de mimada?

-Não, não é por isso.

-Então?

-Nada, esquece.- Ele baixou os olhos e vi nervosismo no seu sorriso, embora quisesse saber a sua resposta, não o disse.

-E tu? Conta-me mais sobre ti.

-Tenho uma irmã mais nova e um irmão mais velho.

-Estranho.

-O que foi?- perguntou com um sorriso malicioso.

-Ah, nada, é porque com a tua cara de mimado nunca pensei que tivesses irmãos.- O meu tom era de brincadeira e ele percebeu porque no instante seguinte já estava a ser bombardeada com as pipocas que ele estava a comer. Quem é que passava de um wrap para pipocas? Quem é que comia pipocas á hora de almoço? O Liam não era mesmo nada como os outros rapazes que eu conhecia.

Sorri-lhe pondo uma das pipocas que me tinham acertado na minha boca fazendo com que se ouvisse o crunch dela a partir-se nos meus dentes.

-São boas, mas prefiro as doces.- Disse olhando para a bagunça que ele estava a fazer na mesa. -Olha o que estás a fazer! Deixa-me...

-Combinam contigo.

Eu estava a tentar ajudá-lo a arrumar a sujeira que ele tinha feito na mesa quando a sua frase me apanhou de surpresa. Parei como que em um clic o que estava a fazer e os meus olhos cruzaram-se com os dele. Eu não sabia que expressão tinha na cara, mas pela do Liam parecia que eu tinha passado da surpresa ao sorriso porque ele me sorriu também.

-Porque estás aqui, Liam?- daquela vez eu queria mesmo que as minhas palavras significassem o que eu tinha acabado de perguntar. O que é que ele estava ali a fazer comigo? Para quê? Para que é que ele queria estar comigo?

Ele não me respondeu e desviou os olhos para a multidão nas mesas á nossa volta. Porque é que ele não me dizia. Será que?

-Liam, se isto é alguma aposta...

-O quê?- perguntou interrompendo-me -Tu achas que eu sou esse tipo de pessoa?- as suas palavras tinham um tom magoado que fez o meu coração doer não sei porquê.

-Não.- Ainda tentei dizer, mas quando dei por ele, o Liam já não estava na mesa. Já se tinha levantado e se tinha ido embora.

Eu realmente afastava as pessoas, e o pior é que a culpa era sempre minha.

- m -

O Liam não olhou para mim quando eu entrei na sala. O Liam não tinha olhado para mim durante aqueles três dias que se passaram. Eu também não lhe falei novamente, não fui capaz. Sou medrosa, sim, especialmente com relacionamentos, sejam eles quais forem, tenho sempre medo de falar com as pessoas. Tinha sido isso que me tramou. Foi isso que me tramou mais uma vez. Mas desta vez doía mais do que as outras vezes.

Ele sentava-se nas secretárias atrás de mim por isso não tinha de o ver nem de lhe dirigir olhar. Não sabia porquê, mas eu sabia que assim que eu me virasse para a frente, os seus olhos iam cair em cima de mim.

Quem olhava para mim era Marina. Ao contrário do que eu pensava ver, uma cara de pena ou algo do género, não, ela tinha um sorriso gigante expresso no rosto. Se não a conhecesse até diria que tinha ganho a lotaria. Ah.

Os olhos dela percorriam o meu rosto e o de outra pessoa, mas como era lá atrás não sei quem ela observava.

Escrevemos o sumário como habitualmente e assim que a vi tirar o livro da sua mala uma onda de borboletas e tremeliques invadiu-me a minha barriga. Eu não sabia porque estava tão nervosa, acho que estava a encarnar muito os sentimentos da Maré em mim. É essa a magia que os livros fazem, não é?

- m -

O que é que a Ariana tem contra a Kelly? O que é que a Kelly lhe fez? OU o que é que a Ariana lhe fez?

Deixem o vosso comentário e a vossa estrelinha e continuem a ler para saberem mais sobre a história destes dois ;) :D e da nossa sereia...

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