Capítulo 13 - Segunda Tentativa

https://youtu.be/Jwgf3wmiA04


-Bom dia.- disse apoiando os braços na cerca com um sorriso aberto no rosto.

-Oh, olá Sheera.- o tom de Alex parecia triste por vê-la e ao mesmo tempo surpreendido. Os seus músculos estavam tensos e a maneira como separava os alimentos nos sacos era ríspida.

-Está tudo bem? - perguntou tentando ler por detrás dos olhos dele como sempre fazia.

-Sim. - Não. Ele não estava.

-Queres que eu vá pescar contigo hoje?- Maré apressou um sorriso que depressa se esmoreceu. Ele não respondeu logo. O seu ar era pensativo e embora ele ainda não tivesse dito nada, ela sabia que aquilo não era um sim.

-Sheera... - Alex deixou o que estava a fazer e aproximou-se dela baixando a cabeça. Maré conhecia muito bem aquele gesto. Alex fazia-lo sempre quando estava prestes a dizer algo que lhe custava ou que sabia que a iria magoar. - Tu és uma rapariga incrível, divertida. - a maneira como o sorriso se despertava nos seus lábios fazia com que os dela ganhassem a mesma forma -E sei que queres estar comigo, mas eu não posso.

Alex ficou em silêncio por um bocado olhando-a nos olhos com pena. Maré não sabia como estava o seu rosto naquele momento, como seria o seu rosto sequer, mas sabia que a esperança que podia haver em si estava a começar a perder-se. Alex tinha acabado de lhe dizer que não queria nada com ela.

-Claro. Que parva, eu compreendo. Não te preocupes, não me vais voltar a ver.

Ele não respondeu. Ela não insistiu. Ele afastou-se. Ela foi-se embora.

Maré caminhou na praia, olhou para o mar e pensou no horizonte. Ela não podia fazer nada se o Alex não quisesse estar com ela. Maré queria continuar a lutar por ele, pelo menos para poder ter a única oportunidade na sua vida em que estariam juntos como iguais.

Mas olhando para o oceano ela só se lembrava do seu pai, do seu reino, de quem ela era e das suas responsabilidades. Ela sabia que devia entregar-se de uma vez por todas ás águas e nadar até Atlântida de vez. Cumprir o destino a que fora prometida. E talvez devesse.

Mas o amor que tinha por Alex era superior a qualquer outra coisa.

O barco do Alex não estava lá.
Não era normal.
Ele podia não a querer ver, mas ela não era razão suficiente para deixar de fazer o que fazia todos os dias.

Será que ele a tinha afastado porque não queria estar com ela?

Ou será que ele a afastara porque não podia estar com ela?

- m -

-Mãe, eu já te disse que não me vou casar com ela. - Respondeu num tom irritado pela insistência da mãe naquele assunto.

-Alexander, ela dar-te-á o futuro que tu sempre mereceste. Não vês isso, meu filho?

-Este foi o futuro que eu sempre mereci, mãe.

-Podes dar-nos uma vida melhor. Finalmente, Alexander, depois de tantos anos desta vida, nós podemos ter finalmente a chance. - As suas palavras eram proferidas desesperadamente pelos seus lábios ressecados e ver a sua mãe naquele estado deixava Alex cada vez mais vulnerável ao que sentia.

-Eu não consigo viver uma vida feliz ao lado de quem não amo mãe. - Os olhos dela continuavam impenetráveis ás suas súplicas.

-O amor não vale nada, Alexander. Ele simplesmente não importa no mundo em que vivemos. - de repente a sua expressão alterou-se - Chega. Tens uma semana. A Carmen e a sua família vão embora não tarda. Faças o que fizeres, a escolha é tua.

- m -

O pôr do Sol não era o mesmo sem Maré ao lado. Alex sabia disso, mas mesmo assim continuava a ir ali todos os dias para vê-lo desaparecer no horizonte. De alguma forma ele sentia a sua presença nele e isso reconfortava-o.

Maré nunca mais aparecera na sua forma verdadeira para que Alex se esquecesse, de alguma maneira, dos sentimentos que nutria por ela, embora Maré no fundo soubesse que se ele não a esqueceu em três anos, não seria em menos de três meses que o faria.

As pernas de Alex estavam cruzadas e os seus braços envolviam-nas enquanto apanhava pequenas pedras e as atirava ao mar. As pedras que ele atirava, naquele momento, para a água não tinham piada sem Maré lhe ganhar sempre com os seus dons de sereia. O som era monótono e mal o faziam, apenas caíam, sozinhas e desajeitadas, nada mais.

Naquele momento, qualquer companhia seria melhor que a solidão. E nem foi preciso pensar em mais nada. Alex olhou para trás quando ouviu alguém a caminhar na erva alta atrás de si. Os seus olhos cruzaram-se com os de Sheera e ele percebeu que ela estava a tentar sair dali sem que ele percebesse, mas naquele momento ele não queria estar sozinho.

-Não precisas de ir.

-Pensei que nunca mais me quisesses ver. - disse ela com um tom visivelmente magoado na voz.

-Eu não disse isso.- mas quis dizê-lo, e ela sabia-lo. - Podes ver o pôr do sol comigo se quiseres.

Sheera não respondeu imediatamente. Caminhou até junto dele e sentou-se ao seu lado na areia húmida olhando o horizonte. Alex ainda olhava para ela, ele não sabia, mas estava a sorrir, apenas percebeu isso quando ela o fez também.

-Pensei que não quisesses ver o pôr do sol com ninguém.

-Eu quero.

-Mas não comigo. Eu não sou ela. - Alex entristeceu a expressão quando ela mencionou Maré mas ele não desviou o seu olhar para o horizonte nem baixou a cabeça como costumava fazer.

-Podes não ser a Maré, mas és a única pessoa em quem parece que posso confiar neste momento.

Sheera sorriu, mais do que ela própria queria mostrar talvez, mas aquilo fez Alex ficar feliz também, pelo menos não tinha acabado o dia zangado com toda a gente.

***

E então, em qual tentativa é que ele a vai beijar? Ou será que não vai?

Não se esqueçam de comentar, por favorrrr, e de deixar a vossa estrelinha da sorte!

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