»»Depois Das Colheres de Sopa««
ㅤㅤㅤㅤJá passavam das oito da noite, a temperatura de minha secretária havia baixado consideravelmente e a Sra. Smith fazia questão de estar sempre pendente dela.
Olhei para a janela com a visão da lua lá fora, o clima no ar estava fresco e minha mente nebulosa.
Os pensamentos um atrás do outro me atormentavam.
O que o estado dela tem a ver comigo? Ela é livre em seu tempo fora do trabalho.
Mas quanto tempo ainda temos?
Any parecia ter apenas alguns meses antes de dar a luz.
Como acharei outra secretária? Não quero dores de cabeça de novo, odeio treiná-las.
Tínhamos uma viagem importante no fim de semana, a empresa estava na fase final de um projeto que viajamos para assinar a mais ou menos cinco meses.
- Céus, aquele cliente me fez perder a cabeça... - digo me lembrando do quanto ele nos havia feito beber.
Olhei para ela, voltando minha atenção ao seu corpo pequeno repousando na cama.
- Vamos seguir com isso, não é? Nada vai mudar. - eu desejei encarando o rosto de Any banhado pela luz da lua.
Observei-a por mais alguns minutos, antes de a Sra. Smith aparecer
- Ela já está dormindo a muito tempo, creio que o melhor é acorda-la para tomar algo e se hidratar.
- Não é melhor deixá-la dormir mais? - na verdade não tinha a mínima ideia de como se cuida de alguém.
- Ela suou muito, acorde-a e leve-a para tomar a sopa que preparei. Vou trocar os lençóis.
A senhora parecia saber sobre o assunto, questioná-la não estava em questão.
Não tinha ideia também de como se acordava alguém, para eu que vivi sempre só, companhias não eram algo com que eu saiba lidar.
Órfã, apenas sustentado pela fortuna que meus pais deixaram. Os tutores eram prestativos, mas não passavam de empregados e no fim, mesmo uma casa cheia de tudo e todos, ainda me parecia uma casa vazia.
Como o primeiro que fiz, levantei-a e ela novamente tombou com a cabeça em meu ombro. Tomei seu corpo em meus braços e a carreguei a cozinha.
Arrastei com o pé uma das cadeiras, para dar espaço suficiente para sentar me com ela.
- Como faço isso..? - murmurei para mim mesmo.
Ela não acordava e também não conseguia fazê-la acordar. Sentei-me com ela em meu colo, peguei uma colher de sopa e assoprei.
- Vamos... abra a boca. - tentei colocar a sopa perto de seus lábios para ver se abriam, mas de nada adiantou.
Quando já ia desistindo Any abriu os olhos, pouco, mas abriu.
- O que está acontecendo chefe? - ela parecia entorpecida, a voz calma demais e baixa demais.
- Não me chame de chefe aqui Any, estamos na casa da Sra. Smith, se lembra?
- Eu, eu... Como chegamos aqui? - ela se remexeu em meus braços.
- Sossegue, você não está bem. - a abracei contra mim para conter seus movimentos.
- Chefe eu...
- Any está querendo sua sepultura? Me chame de qualquer coisa, mas "chefe" e "senhor", esqueça. - digo irritado.
O estado torpe dela poderia colocar por água abaixo meus planos, e se perdêssemos a chance de comprar aquela casa, todo o projeto do resort seria perdido.
- Mas eu... - antes que ela pudesse terminar a frase coloquei a colher em sua boca.
Tinha que a impedir de falar enquanto não estivesse em seu juízo, a Sra. Smith já vinha em nossa direção.
- Oh, ela acordou. Que bom vê-la melhor. - a senhora se sentou a mesa.
- Sra. Smith... - ela já tagarelava, mas a impedi dando outra colherada de sopa em sua boca.
- Sim, ela está melhor, mas não diz nada com nada. - sorrio mostrando um ar divertido que não existia na situação.
- Como está a temperatura dela? - a senhora questionou antes de servir um pouco de sopa.
- O termômetro está no quarto, eu...
- Não precisa do termômetro, encoste os lábios na testa dela e vai saber. - ela passou a dica e esperou até que eu executasse.
Ela me olhava esperando a resposta e eu olhei para minha secretária.
- Vamos ver essa temperatura.. - digo tomando coragem e enfim colando minha boca na testa de Any.
Por uns segundos não sabia dizer, mas depois de retirar-me olhei para a senhora com a resposta.
- Um pouco quente ainda, mas tenho certeza que vai melhorar logo. - virei-me para encarar Any. - Não é amor?
Queria ver sua cara de espanto e lá estava ela, de olhos arregalados, seus batimentos acelerados e como estava tão perto podia a ouvir ofegante. Mas então Any gemeu, fazendo-nos preocupar.
- Humm... - ela levou a mão na barriga.
Afim de saber o que ela estava sentindo, também coloquei minha mão sobre seu ventre e então ela pareceu surtar por dentro.
Eu podia sentir o bebê se mexer, a mão dela se pôs sobre a minha apertando-a, como se ela sentisse medo de que eu soubesse.
- Está tudo bem. - quis acalmá-la
Acariciei seu ventre, sua mão sobre a minha relaxou e então a confusão se fez presente em seu olhar.
Não sabia o que estava havendo comigo, mas sentia a necessidade de encara-la, entendê-la e naquele momento... senti-la.
E como se fosse necessário, agarrei seus lábios em um impulso.
Any Gabrielly, se tornou minha perdição.
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