estrofe 02

       Não houve conversa durante o percurso, apenas aquele silêncio constrangedor e a ânsia para chegar logo ao destino.

Eles chegaram a JYP Entertainment horas depois, e Chan não conseguiu controlar o sentimento de nostalgia ao encarar o lugar depois de tanto tempo, seu estômago se revirou pelos anos que passou naquele lugar antes de ser mandado para a filial na Austrália. Foram tempos difíceis, muito difíceis. Mas, no final, reconheceram seu talento.

Eles desceram da van desta vez sem grandes alvoroços e seguiram caminho até a grande entrada da agência, o lugar era movimentado por seus próprios artistas, uns que paravam para bisbilhotar o que aqueles três rostos conhecidos estavam fazendo ali. Antes que pudessem pegar o elevador para ir até a sala do CEO, Seungkwan os parou.

— Preciso conversar com os agentes de vocês antes de seguirmos caminho juntos. — O rapaz disse. — Vocês podem pegar o elevador e seguir direto para a sala de reuniões. — Informou para finalizar.

Chan olhou para Ameya antes dela seguir com Seungkwan numa direção oposto à que eles estavam indo.

— Pra onde você pensa que vai? — Changbin indagou um pouco alto demais antes que Seungkwan se distanciasse.

— Você pode se virar por um tempo sozinho, menino emo. Eu já volto. — Ele respondeu, seguindo com Ameya.

Descrente, Changbin puxou o fôlego por um tempo e passou na frente dos dois rapazes, entrando no elevador assim que ele abriu as portas metálicas. Christopher tomou a frente e colocou o andar certo, quase automaticamente. Esperava que o andar da sala de reunião ainda fosse o mesmo.

O silêncio era sufocante para o Han que era hiperativo, ele mexia os pés, ligava e desligava o celular, olhava ao redor a procura de algum sinal de iniciação de conversa, mas a única coisa que via era a distância aparente entre os dois homens a sua frente. Era como se uma muralha estivesse erguida entre eles. Era quase palpável. Não soube que estava com tantas expectativas sobre o primeiro contato com seus ídolos até ver ela sendo pisoteada por esse clima fúnebre. Quis escorregar pela parede de maneira dramática e esperar que Deus fizesse um milagre e o levasse embora dessa situação constrangedora.

Para a felicidade de Christopher o andar estava certo. Eles saíram do elevador assim que as portas foram abertas e seguiram até a sala que Seungkwan tinha informado. A sala que os aguardava possuía uma mesa branca espaçosa de seis cadeiras bem estofadas, as paredes eram brancas e as únicas janelas grandes ficavam fechadas por uma cortina cinza espessa. Não tinha mais nada na sala além da presença deles três e um projetor acima da cabeça deles. Changbin pegou o assento mais longe possível de Christopher e esperou em silêncio.

Christopher e Jisung se sentaram frente a frente, alguns assentos ao lado do rapper. Silêncio novamente. Jisung quis dar um grito, mas ao invés disso limpou a garganta em um pigarro alto que chamou atenção dos dois homens.

— Como foi a viagem até aqui? — Perguntou num tom meio afobado. Há quanto tempo estava sem falar? Deus, ele estava a ponto de surtar.

— Foi tranquilo. — Christopher respondeu, o olhando com um sorriso ameno na boca.

Jisung não sabia o que mais perguntar. Tinha planejado todo um repertório de questionário para ambos rapazes e agora ele estava com o cérebro vazio. Abria e fechava a boca igual um peixe fora d'água mas não conseguia formular uma frase coerente, e não queria pagar de fanboy na frente dos caras que iria trabalhar — mesmo que fosse muito fã deles. Decidido a não pagar de bobo, ele ficou quieto.

Alguns sufocantes minutos de silêncio depois, aquela sala finalmente estava sendo invadida por vozes altas. O CEO da empresa surgiu pela porta com um sorriso simpático na boca e um típico olhar ganancioso. Ele sentou na ponta da mesa próximos a Jisung e Christopher, encarando os dois antes de seus olhos analíticos pararem em Changbin lá no final, sozinho com o celular. Poucos instantes depois, Seungkwan e Ameya surgiram, cada um sentado ao lado de seus agenciados. Infelizmente, Jisung não podia ser acompanhado, ele geralmente ia para os compromissos sozinho a manda do Junhui.

— Eu posso ir beber água? — Changbin perguntou baixo, próximo ao ouvido do seu agente. Ele negou de imediato. Sabia que se Changbin saísse, não voltaria nem tão cedo.

Com um ar irritado, Changbin voltou a posição anterior, celular na mão e má postura, mostrando seu desinteresse. Ele odiava participar dessas reuniões, odiava olhar para o homem sentado ali na ponta e perceber que ele o encarava como um produto a ser vendido, e não como uma pessoa com sentimentos e vontades. Só queria que isso acabasse logo.

—— 🎶 ——

Por mais longa que parecesse, a reunião acabou depois de um longo tempo ouvindo sobre o quão empolgado Park Jinyoung — CEO da JYP — estava para essa união das empresas a partir das colaboração dos três rapazes presentes. E depois de muita enrolação e conversa para boi dormir, eles foram encaminhados pelo CEO até a famigerada coletiva de imprensa, que aconteceria numa sala reservada do prédio. Sentados um ao lado do outro, o novo trio da BIG3 estavam sendo fotografados por, no mínimo, uns quinze jornalistas. Flashes surgiram de todas as direções e atingiam o rosto de Jisung, que tentava a todo custo se manter profissional, mas essa era uma das piores partes de ser uma celebridade. Coletivas de imprensa sempre o deixavam ansioso.

— Obrigado pela presença de todos aqui nesta noite. — Park Jinyoung disse de pé no meio dos três cantores. — É uma grande honra fazer essa parceria com a SM Entertainment e a YG Entertainment, daqui nascerá uma grande e espetacular colaboração entre esses três artistas de grande porte. — As câmeras foram apontadas de volta para os três garotos sentados.

Christopher sorriu e Jisung tentou não fechar os olhos enquanto os flashes voltaram na sua direção. Contudo, Changbin não sorriu ou mostrou um semblante feliz. Um repórter rapidamente ergueu a mão, pedindo permissão para iniciar as perguntas. Jinyoung assentiu na direção do homem barbudo com uma grande câmera na mão, enquanto pegava o assento no meio dos cantores, satisfeito consigo mesmo.

— Para Cb97. — Christopher olhou para o homem. — Faz nove anos desde a última vez que pisou em Seul, correto? — O produtor balança a cabeça. — Como está sendo voltar para suas origens? já que foi aqui que se tornou a estrelinha da produção.

— É… nostálgico. Acho que não existe uma palavra melhor pra definir esse sentimento que não seja nostalgia. — Respondeu, enquanto os repórteres anotavam ou gravavam o que ele dizia. — Foram muitos anos longe daqui e eu vou fazer meu melhor nesse projeto como em todos os outros. — Sorriu educado, e o repórter agradeceu pela resposta, aparentando satisfação.

Outros ergueram as mãos e trouxeram mais e mais questionamentos para eles, principalmente para Christopher. Parecia que eles evitavam o rapper baixinho de olhos tediosos no canto da mesa.

— Como se sente em relação ao seu primeiro projeto? — Um dos jornalistas presentes indagou para um Jisung sorridente.

— Estou muito animado! — Jisung respondeu. Os repórteres não perderam a chance de fotografar o sorriso do rapaz, ele parecia cintilante. Uma estrela, como a mídia sempre diz ao se referir ao menino. — Também me sinto honrado pelo meu CEO por ter me escolhido para participar disso, eu vou trabalhar duro para mostrar um lado diferente do J.One que vocês estão acostumados. — O Han deu uma piscadinha na direção de uma das várias câmeras.

Christopher encarou o garoto com um sorriso contido. Ele era realmente simpático, como diziam. Apesar do nervosismo ao bater o pé freneticamente embaixo da mesa, ele sempre demonstrava um interesse genuíno nas perguntas dos homens à frente, mesmo quando parecia muito invasiva. Christopher o admirou por um instante, mesmo sem um manager para guiá-lo, Jisung parecia bem lidando com o público.

Depois de quase uma hora de perguntas e respostas, algum homem de muita coragem dirigiu a última a Changbin, Ele ficou quieto durante toda a coletiva, observando vez ou outra Jisung ou Christopher, a procura de alguma brecha que pudessem safa-lo dessa situação, contudo, lá estava Seungkwan pronto para colocá-lo de volta nos eixos quando ele ao menos indicava que queria se levantar para sair.

Quando finalmente foi indagado, Changbin mirou no rapaz, ele parecia jovem, apesar dos olhos cansados de quem já tinha virado noites escrevendo matérias para conseguir comer no dia seguinte. Eles se encararam num curto silêncio, e o garoto limpou a garganta para começar a falar.

— Você não parece estar feliz com tudo isso. — Ele disse pausadamente, como se testasse o local onde pisa. Changbin não esboçou uma reação.

— Porque não estou. — Foi honesto. Todos ao redor não tiveram uma grande reação pela declaração do rapper. Quem acompanhava a trajetória de Changbin sabia que ele era muito honesto sobre seus trabalhos e sobre quem era, era ativamente aberto em suas redes sociais sobre questões que envolviam seu nome, seja polêmicas ou rumores. Ele nunca se calava quando era injustiçado, talvez fosse por isso que Seungkwan, seu manager há anos, estivesse com tantos cabelos brancos.

Apesar da rebeldia, era inegável a boa matéria que isso daria. Mais fotos foram tiradas, principalmente do semblante surpreso de Jisung, que o encarou com dúvida. Christopher nem mesmo o olhou, sabia do histórico do outro produtor, se envolver nisso apenas traria mais problemas para ele e o que menos queria era ter seu nome junto ao do Seo em algum blog de notícia que ocasionalmente traria mais dores de cabeça. Já tinha muitas, e precisava dormir à noite ou não seria produtivo.

Mas não negava que era até interessante como Changbin era sempre tão desafiador.

— Então você não quer fazer parte da collab? — Um repórter perguntou no meio do alvoroço.

— Eu não disse isso. — SpearB cruzou os braços. — Não tenho opção, mas vou fazer um bom trabalho. Não quero decepcionar os meus fãs que podem estar ansiosos por isso. Mas se fosse por mim, eu não faria parte disso. — Disse a verdade, e Seungkwan nos bastidores teve que contar até três para se controlar da vontade enlouquecedora de querer tirar o rapaz dali.

— Bom — Jinyoung ficou de pé, trazendo a atenção de todos para ele. — Daremos por aqui o encerramento da coletiva de imprensa. Obrigado a todos os presentes. — Ele sorriu pela última vez naquela longa noite antes de se retirar junto com os artistas.

— O que eu faço contigo, Changbin? — Seungkwan o pegou pelo braço assim que ele pisou nos bastidores. O agente parecia ofegante, como se estivesse prestes a ter uma taquicardia. Changbin somente sorriu, daquele jeito inocente, como se não tivesse quase colocado sua carreira em risco novamente, e ocasionalmente o trabalho de Seungkwan também.

— Relaxa, hyung. Você não confia em mim? — Seungkwan quis gritar um palavrão, Changbin sabia disso, mas também sabia que ele era muito certinho e profissional para fazer isso no momento.

— Vocês foram ótimos, meninos. — Park Jinyoung apertou na mão de Jisung e Christopher. — SpearB, por favor, tente controlar sua língua da próxima vez. — Disse num tom sério meio assustador. Changbin o encarou, pronto para retrucar, mas Seungkwan tomou a frente.

— Mil perdões, senhor.

Ele deu uma última encarada em Changbin antes de sumir pelo corredor, deixando os artistas com seus respectivos managers. Christopher foi para um canto com Ameya, que sussurrou algo em seu ouvido. Jisung novamente pegou o celular, desta vez decidido a pedir um uber e ir direto pra casa. Estava exausto.

— Será um prazer trabalhar com você. — Changbin disse, de repente. Jisung ergueu o rosto do celular assustado com a presença repentina dele.

— Também será um prazer trabalhar com você. — Ele sorriu apesar da repentina simpatia de Changbin.

— Então. — Christopher se aproximou também para perto do Han, e como opostos, Changbin fez questão de dar um longo passo para trás. Jisung não sabia se Christopher simplesmente não se importava com o desprezo nítido do outro rapper ou ele apenas era muito bom em fingir. — A minha assessora — Balançou a cabeça na direção da mulher encostada na parede, com um caderno pequeno de capa preta na mão. — Pediu para avisar que vocês têm que estar aqui amanhã cedo. Muito provavelmente já vou estar aqui quando vocês chegarem, então é só aparecer no meu estúdio assim que chegar. — Jisung assentiu num manusear de cabeça, fazendo uma nota mental.

Sem se despedir e dizer que entendeu, Changbin se retirou, antes mesmo que Seungkwan acompanhasse seu passo ligeiro. Jisung seguiu logo em seguida, já que o carro que pediu já o aguardava. Não demorou muito para que cada um dos três já estivesse em caminhos separados novamente.

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