Capitulo 3 - Jake Donfort
Abri os olhos assim que senti Luise se mexendo na cama, tremendo que a mesma estivesse tendo outro pesadelo.
Durante a noite, me recusei a sair do seu lado e fui cuidando de sua febre e curativo com cuidado. Ela resmungava e se remexia, mas não parecia estar sonhando.
Acabei cochilando no chão por volta das 6 horas, quando a febre dela abaixou de forma mais significativa. Ainda assim, preferi estar no quarto com ela.
- Você passou a noite ai? - A pergunta é acompanhada de um bocejo e uma espreguiçada leve.
- Você teve febre. Eu não quis te deixar sozinha. Mas, acabei dormindo.
- Tudo bem - ela pisca e mexe um pouco a cabeça - vou fazer o café da manhã. - Como gosta do seu café?
- Forte, sem açúcar.
Ela desceu devagar e fiquei olhando seus cachos bagunçados e como ela ficava linda recém acordada.
Ela parecia conhecer bem o local, já que andava pela cozinha pegando tudo o que precisava sem mostrar o menor sinal de dúvida e preparando ovos mexidos, pão com requeijão e café.
Fiquei pensando na noite passada e no que ela havia me contado sobre sua irmã. Eu não sei o que faria ou que sentiria se tivesse perdido a Hanna naquela mina. Ela e Lily eram toda a família que eu tinha. Não só eu, mas como Lily, os amigos e os pais da Hanna teriam ficado arrasados.
Será que Luise se culparia por isso também?
Eu ainda tinha muitas perguntas sobre ela ser do FBI, não ter me entregado, sobre a família dela e sobre ela. Quais seriam os seus planos? Ela realmente sente o que disse sentir? A gente poderia ficar juntos? Ela mentiu sobre mais alguma coisa?
Volto a realidade quando Luise me chama para comer. Ainda era umas 7:30h.
Ela comia devagar, os olhos dispersos e os ombros relaxados. Não parecia a mesma mulher de ontem e isso me deixava mais fascinado.
Quantas camadas existiam em sua personalidade?
Ao mesmo tempo em que posso ter todas as informações de sua vida com uma pesquisa na internet e uma invasão de privacidade, eu sei que isso não seria o suficiente para conhecer a verdadeira Luise, seus segredos, seus medos, seus sonhos, os motivos que a fazem rir e o que a faz perder o sono.
- Jake? Você está bem?
- Ah, desculpe! Eu me distraí com meus pensamentos. - Respondo dando um sorriso sem graça.
- Tudo bem. - Ela sorri pequeno - sei que tem perguntas. Podemos conversar sobre elas se quiser.
- Não se agora é uma boa idéia...
- Jake, eu ainda estou chapada de remédio. Garanto que dificilmente vou estar tão aberta e sincera quanto agora - ela faz graça e toma um gole de café, fechando os olhos para apreciar.
- Certo... Tem algo me perturbando. Quando eu tive que fugir por conta do vídeo da Lily, tentaram hackear. Por que fizera isso se você era uma deles?
Ela pousa a xícara na mesa e parece pensar na melhor resposta.
- Eu estava usando outro nome e não o 'Luise Carvalho', que é o que eles conhecem. E como eu nunca coloquei uma foto, eu era uma "desconhecida" ajudando o cara mais procurado do governo, você. Eu era considerada seu ponto fraco. Eles só não sabiam que era uma de suas agentes. Jake, continue me chamando de Luise, está bem? Pelo menos até estarmos seguros.
- Claro. Pode me explicar o seu parentesco com a Jessy?
- A Jessy e eu... - sua fala é interrompida pelo celular tocando. Ao olhar o visor, ela estreita os olhos e atende se levantando e indo para sala, respondendo no mesmo idioma da música de ontem.
Virei para observar.
Ela mordia a ponta da unha e franzia a testa. Estava preocupada com o que quer que esteja acontecendo. Ela bagunça os cabelos e fico hipnotizado com a forma que seus cachos dançam sobre seus olhos.
Ao desligar, ela suspira e aperta a ponte do nariz sobre os óculos, sussurrando algo que eu não compreendi e retorna para a cozinha.
- 'Tá' tudo bem?
- Ah, sim! Problemas na família. Eles podem esperar uns dias antes de eu ir ao resgate. Eu não seria muito útil agora, de qualquer maneira. - ela de ombros - sobre a Jessy, ela é minha parente por parte de mãe. Minha mãe e minha tia são brasileiras, então eu e Jessy falamos português. Além do inglês, é claro.
- Não é espanhol que falam no Brasil?
Ela inclina a cabeça e pisca duas vezes antes de me perguntar:
- O que vocês aprendem na escola, em nome de Jesus? O Brasil foi colônia de Portugal. Eu sei que a maior parte da América Latina fala espanhol, mas o maior país de lá fala português - sua indignação me faz rir.
- Você fica muito fofa toda bravinha assim.
- Vocês precisam urgentemente de história e geografia básica na grade curricular - ela murmura mal humorada, o que só me faz rir mais.
Dessa vez, é meu telefone que toca. Nymus detectou alguma ameaça e eu corri até o quarto e ouvi Luise vindo mais devagar logo atrás.
- O que houve? - sua expressão preocupada atrai minha atenção e chego mais perto para tranquilizá-la.
- O governo emitiu um novo alerta. Eles tem um novo inimigo e procurado - pauso um momento para ela absorver minhas palavras.
- Se trata de mim, não é? - aceno com a cabeça e pego sua mão, tentando passar algum conforto - tudo bem... não seria a primeira vez que vou ser perseguida.
- O que?
- Eu te explico outra hora. Agora, minha cabeça dói e eu quero me deitar um pouco.
Ela me dá um beijo na bochecha e sai do quarto. Espio pela porta e ela está deitada, se encolhendo em posição fetal e se cobrindo até a cabeça.
Isso tudo é muito confuso para mim.
Quem realmente é Luise de Carvalho?
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