XXIV - Toda a história

Vânia

Quando consigo a atenção de todos, me preparo mentalmente para poder contar a verdade. Eu preciso fazer isso, por mim, por ele e por todos que dependem de mim.

- Todos aqui me conhecem e sabem O quanto eu realmente gosto do Marcelo, quero que se lembrem disso quando eu terminar de falar e não pensem em nenhum momento que o que vou relatar foi algo fácil de se fazer, porque não foi. Mas foi preciso, tem uma pessoa que depende do que eu fiz para continuar a viver, mas agora chegou o momento do meu medo ficar de lado e eu começar a lutar de outra maneira. - Falo e vejo as expressões de confusão em cada rosto aqui presentes.

- Marcelo eu espero que depois do que vou contar, você e o Gustavo possam me perdoar, por que eu realmente sempre fui muito sincera ao dizer que gosto de vocês dois. - Posso sentir a confusão se formar em seu semblante, mas ninguém diz nada então eu começo a relatar meu segredo.

- Bom, sete anos atrás eu conheci um homem incrível, lindo, educado e alegre, um verdadeiro príncipe. Nos aproximamos e depois de algum tempo me vi totalmente apaixonada por ele e ele por sua vez demonstrava o mesmo sentimento. Namoramos por dois anos e com sua ajuda consegui um emprego de enfermeira no hospital onde trabalho. Porém em uma noite chegou um rapaz muito machucado chocando a todos no hospital, foi feito tudo por esse rapaz, mas ele entrou em um coma profundo. - Eu paro e respiro e todos me olhavam perplexos, mas eu precisava terminar então ...

- Uma semana depois que tudo aconteceu fui chamada a sala do concelho, lá entro tinha quatro pessoa e entre elas o homem ao qual eu entreguei meu coração. Os outros três foram me apresentados depois, eram dois conselheiros e um policial. Eles me disseram que você corria risco de vida e que sua identidade ficaria em segredo, pois se as pessoas que lhe fizeram mal soubessem que estava vivo eles não poderiam garantir sua segurança. Eu acreditei com minha vida naquelas palavras, não havia motivos para não acreditar, afinal ali estavam homens de honra. Eles me incumbiram de ser a responsável por cuidar de você e relatar qualquer mudança no caso. Então três anos atrás... - Eu parei de falar por alguns segundos, precisava de ar.

- Então três anos atrás tudo mudou, eu acabei engravidando desse namorado e precisei sair do hospital, naquela época eu estava tão feliz que não me importei com nada, apenas segui os conselhos do homem que era meu tudo e fiquei seus meses da minha gestação praticamente escondida. Mas um dia eu estava me sentindo entediada e resolvi que iria ao hospital ver como você estava e ver meu lindo namorado, assim na inocência fui ao hospital.

- Cheguei e fui direto ao seu quarto, e para minha surpresa quando me aproximei ouvi um tumulto de vozes alteradas, uma delas eu reconhci de imediato já que pertencia ao meu namorado, a outra era totalmente estranha a mim, mas eu sabia que era um enfermeiro pelas coisas ditas. Fiquei quieta e prestei mais atenção a conversa e foi nesse momento que eu descobri que você não estava mais em coma, pelo que eu havia entendido o tal enfermeiro havia esquecido de lhe dar o medicamento para mantê-lo em coma induzido e você acabou acordando. Eles estavam desesperados. - Os olhares de choque em minha direção mostrava quantas pessoas ali queriam me matar, todas exceto uma que não demonstrava nenhuma reação. Mas eu precisava terminar o que comecei.

- O pavor de você chegar e encontrá-lo acordado era nítido no desespero deles, se isso acontecesse o plano iria por água abaixo, eu não sabia qualmera esse tal plano que ele tanto falava e isso me deixou muito confusa em relação a quem era o homem pelo qual eu estava apaixonada. Eu tentei ouvir mais alguma coisa, porém eu poderia ser descoberta então eu fugi. Eu precisava descobrir coisas, mas eu precisava pensar em mim e no meu bebê que era minha preciosidade, então esperei e fingi demência diante do pai do pai do meu bebê.

Depois que minha filha nasceu, eu cumpri minha licença maternidade, mas já era hora de voltar ao trabalho e todas as vezes que eu podia ou tinha chance investigava, notei muitas coisas erradas com a sua medicação e exames e passei a observar de perto os medicamentos que eram aplicados em você. Um dia eu cheguei ao seu quarto e vi o Gustavo la conversando e lhe contando coisas e vi ali minha oportunidade de talves protegê-lo e me aproximei ainda mais do médico, eu precisava de alguém que se preocupasse com você tanto quanto eu, no princípio eu não confiava vem por cento nele, afinal ele era seu médico e não via você ser mantido em um coma induzido, mas com o tempo e a convivência eu pude ver o amor florescer nele e eu cuidava de você durante o dia e ele durante a noite. E assim se passou um ano e com ele vieram todas as minhas desgraças.

Um dia estava saindo do plantão um pouco mais tarde e acabei vendo meu namorado dentro de um carro, com um sujeito que não me era estranho, mas não me recordava de onde eu o conhecia, eles estavam se beijando, um beijo que ele nunca havia me dado, havia paixão e desejo. - Abaixo minha cabeça e deixo as lágrimas cairem, a dor é excruciante, não pelo fato de Pedro ser bi, mas pelo fato de tudo que ele já me fez até aqui. Me acalmo e me arrisco a olhar cada rosto ali e sei que apesar da raiva tem também a pena estampada em cada um deles, outra vez puxo o ar e continuo com minha história.

- No momento eu fiquei chocada, ali era o pai da minha filha, o homem que se dizia meu namorado, aquilo não poderia estar acontecendo, mas eu não faria um escandalo, não era do meu feitio. Caminhei calmamente o carro e bati na janela, no primeiro instante ele ficou supreso mas não demorou muito sua expressão mudou e era algo indecifrável para mim. Ele saiu do carro e quando meus olhos cruzaram com o seus só havia raiva e desprezo neles, não system rei por muito tempo porque o outro homem saiu do carro e me encarou e só então eu o vi direito... Era ele o mesmo conselheiro que me falou que você corria risco caso sua identidade vazasse. Então como eu disse eu não fiz escândalo, apenas disse que estava tudo terminado e dei as costas. Depois disso eu evitava ver ele a todo custo dentro do hospital, mas um dia alguns meses depois do ocorrido eu vi o tal conselheiro de novo e ele parecia muito suspeito quando entrou no seu quarto tentando não ser visto pelas câmeras. - Falei e nessa hora os olhos de Gustavo se arregalaram e foram direto para seu pai e no mesmo instante e cheguei a mesma conclusão que ele, assim que me recordei o último atentado ao garoto. Ele não falou nada apenas me induziu a continuar.

- Eu não confiava naquele homem então fui em direção ao seu quarto e me surpreendi ainda mais ao chegar lá e ver que ele fazia carinho em seus cabelos e beijava-lhe a testa, mas no mesmo instante ele começou a falar de forma grisseira com você, dizendo que se você tivesse aceitado nada daquilo teria acontecido, que você ainda estaria ao lado dos seus pais e amigos e que você foi o único culpado por tudo que aconteceu. - Paro de falar e avalio as reações do Marcelo que está com lagrimas nos olhos enquanto Gustavo o aperta em seu peito. Me viro e vejo o olhar dos pais dele e sei que eles não são pessoas ruins, mas tudo poderia ter sido diferente se escolhem melhor quem colocam dentro de casa.

- Ele disse a você como era triste olhar para seu pai e vê-lo sofrer por um filho que nunca mais voltaria, ali eu percebi que esse homem conhecia vocês antes do que te aconteceu. Eu já não suportava mais ouvir aquelas barbaridade e estava pronta para sair dali e ir direto contar ao Gustavo quando fui empurrada por duas mãos para dentro do quarto. Me apavorei quando vi quem havia me empurrado, mas não disse uma única palavras. Eles me obrigaram a sair com eles da área hospitalar e me levaram para uma espécie de galpão, me deixaram lá por algumas horas até que voltaram com meu bebê e foi aí que vi quem era de verdade o homem pelo qual havia me apaixonado. Eles me deram instruções do que eu deveria fazer com você, do que eu deveria relatar a eles, eu faço tudo o que me mandam há exatos dois anos. Dois anos sem ver minha filha, dois anos de dor e sofrimento. Eu não tinha saída, era minha filha que eles mantinham cativa, era ela ou cumprir suas ordens.

Há cerca de dois meses eu venho diminuindo a sua medicação, não aguentava mais vê-lo ali deitado naquela cama e olhar para Gustavo todos os dias estava acabando comigo. No dia em que você acordou eles sabiam que era eu a culpada então eles me enviaram uma foto onde minha filha estava amordaçada e dentro de um carro. Eu fui até a casa dele, fui até o galpão onde eles me levaram a primeira vez e nada, nem um sinal da minha filhinha.

Eu não sei mais o que fazer ou onde procurar por ela, eles fizeram ela desaparecer e eu só sei que ela está viva porque eles me ligam todos os dias com novas ameaças e deixam eu ouvir seu choro sentido, tudo isso para me lembrar que eu preciso ficar calada agora mais do que nunca.

Eu já perdi coisas demais e não poderia ficar guardando isso por mais tempo, eles estão como gato enjaulados e vão fazer o que for preciso para que ninguém descubra que foram eles que fizeram tudo aquilo com você. Então se vocês quiserem chamar a polícia agora eu relatarei tudo novamente para eles, porém eu não sei quantos daquela delegacia onde o caso estava correndo estão envolvidos. - Termino de falar e um sentimento de leveza invade minha alma, sinto as lágrimas cairem sem pedir licença. Todos ali se mantém calados apenas me observando, cada um com uma expressão diferente. E o silêncio começa a me fazer ficar muito ansiosa.

Marcelo/Matheus

Ouvir a história que a Vânia contou me fez entender um pouco da tristeza que sempre via em seu olhar, não vou de maneira alguma culpá-la, por que se eu tivesse um filho também faria qualquer coisa para mantê-lo seguro, mas ainda preciso de respostas e eu as terei.

- Vânia eu jamais vou culpá-la por nada disso, seus motivos são mais que suficientes para que eu entenda, mas eu preciso de respostas. Tenho perguntas as quais você ainda não me deu uma resposta. - Digo e ela concorda em meio as lágrimas.

- Você várias vezes falou sobre esse namorados, mas nunca disse o nome dele. Falou do tal conselheiro, mas também não disse o nome e também citou o policial que eu sei quem é mas preciso ouvir de você. Então qual o nome dessas pessoas que me fizeram mal e também a você? - Eu pergunto e todos na sala a questionam também.

- Meu ex é o Pedro, o policial é o Carlos e o conselheiro eu sei quem é mas não vou falar o nome dele em voz alta. Aquele homem tem ouvidos em todos os lugares, ele tem todo o departamento de Polícia em suas mãos e as pessoas dentro do hospital tem medo dele, mas eu tenho uma foto aqui comigo. Vocês querem ver? - Ela pergunta e eu vejo minha sogra se remexer no sofá, o Gustavo está totalmente transtornado, os amigos dos meus sogros estam chorando compulsivamente e eu? Eu não sinto nada, apenas compaixão pela situação em que minha amiga se encontra e o medo evidente pelas ameaças que Pedro fez hoje pela manhã.

Eu não sei se estou certo, mas pelo que estou entendendo o Pedro ama esse cara que me causou tantos danos, ele só o está usando para ficar mais próximo a mim. Olho para o lado e vejo a raiva emanar do meu namorado, o modo como ele encara Vânia está de dar medo, eu sinto que se ele cruzar agora com qualquer um desses homens ele os mata. Preciso fazer com que ele volte a si.

- Amor! - O chamo colocando minha mão encima da sua lhe chamando atenção e quando seus olhos encontram os meus sinto além da raiva o medo.

- Oi anjo, pode falar. - Ele fala mas não relaxa e isso não é uma coisa boa.

- Podemos falar sobre o Pedro mais tarde? - Falo e sinto todos os olharem vindo em.minha direção então continuo. - Sei que depois com tempo e menos nervosos vamos juntos achar uma solução para tudo isso, vamos de alguma forma colocá-los na cadeia. Mas por agora não quero pensar nisso, pode ser? - Pergunto e vejo se virar para Cláudia e Patrício e percebo que ainda tem mais coisas por vir, mas preciso encerrar um assunto para depois começar outro.

- Vânia você pode vir aqui? - Pergunto e quando percebo ela já está ao meu lado.

- Olha eu te considero uma amiga muito querida, e por mais que você tenha feito muitas coisas eu não duvido de nenhuma vírgula do que você acabou de contar, é graças a sua coragem que eu estou aqui hoje podendo viver meu amor por Gustavo. Sei que você está nas mãos dessas pessoas e eu não sei como mas vamos ajudá-la a encontrar sua filhinha. - Digo e não sei como cumprir esta promessa, mas eu tentarei. Dou um abraço apertado nela que retribui de imediato e posso sentir toda a sinceridade nele.

Me viro para meus convidados e se é para ferrar com minha cabeça que seje e tudo de uma única vez.

2361 palavras

Olá moranguinhos do meu coração ...

Alguém querendo matar alguns personagens hoje?

Beijos StramberyBlack💕💕



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