XVII - Intenções

                                      Gustavo

       Não estava acreditando no que tinha acabado de presenciar. Eu sei que minha mãe não é uma mulher preconceituosa, esse não era meu medo, meu medo era ela tentar afastá-lo de mim. Pelos seus critérios ele não seria bom o suficiente para mim, mas aí chego aqui e eles estão conversando como se fossem grandes amigos, como cúmplices e apesar de muito surpreso, também estou muito feliz.

       Ouvir dela que ele é perfeito fez meu coração pular de alegria, não que sua aceitação fosse ou não mudar a minha decisão, mas prova que ela realmente sabe ler as pessoas, como ela tanto diz. E para tudo ficar ainda mais estranho, ouvi da sua boca que ele ficaria em sua casa após sua alta, isso me fez acreditar que realmente ela havia gostado dele, porque são poucas pessoas que entram dentro do seu lar. Minha mãe odeia estranhos dentro de casa, segundo ela é dar a faca para quem quer seu mal, e ver que ela ficou encantada com ele a ponto de não achá-lo um estranho, me fez sentir um alívio enorme.

       Saio dos meus pensamentos sobre como minha mãe agiu, quando sinto a mão do Marcelo encostar em meu braço chamando minha atenção, e quando volto meu olhar para ele é que percebo o que a Vânia quis dizer mais cedo. Ele está lindo !

       — Você está ainda mais lindo, sem aquelas roupas horrendas de hospital. — Digo e ele abre um sorrisão e eu me aproximo ainda mais e coloco um beijo em seus lábios, mas não aprofundo já que apesar de ser tecnicamente minha folga, trabalhei quase o dia todo, o que faz com que eu ainda esteje em horário de plantão, e não quero dar o que falar para o imbecil do Pedro.

       — Amor, sei que prometi ficar de acompanhante para você, mas surgiu uma emergência aqui no hospital e fui obrigado a operar um garoto, e como fiquei metade do dia dentro do bloco, significa que estou de plantão, então agora estou aqui apenas como médico, então quando for mais tarde eu volto como namorado. Ok? — Pergunto e ele sinaliza que sim.

      — Então, hoje a equipe médica que cuidou de você por todos esses anos, vai passar por aqui para que possamos reavaliar como está sua cabecinha e seu corpo, apesar de sabermos que fisicamente você está totalmente restabelecido, precisamos saber se seu cérebro também está acompanhando a evolução do corpo, para que possamos lhe dar alta. — Falo e vejo ele prestar atenção em tudo que estou dizendo.

       — Depois disso você precisará voltar aqui algumas vezes na semana, por pelo menos um ano, para as sessões de fisioterapia e exames semestrais para avaliarmos as lesões em seu cérebro. — Explico tudo no meu melhor tom de médico sério, enquanto ele só presta atenção, e ele fica tão lindo concentrado.

       — Doutor bonitão, eu sei o quanto esse assunto é sério e o quanto você se preocupa comigo, mas ouvir você falando assim me deixou com muito tesão. — Olho pra ele surpreso pela sua coragem e iniciativa e vejo o quanto ele está vermelho. E puta merda ! Ouvir essas palavras quase me fez perder a sanidade, e sei que o que farei agora é totalmente anti ético, mas que se dane, não mandei ele dizer essas coisas.

       Aproximo minhas mãos do seu rosto e toco sua pele macia, e a sensação é que não é o suficiente, então aproximo meu rosto do seu e posso sentir sua respiração pesada, sei que ele quer esse toque tanto quanto eu. Encosto meus lábios nos seus e posso sentir a necessidade crescer em mim,  aprofundo mais o beijo e ele entreabre os lábios dando passagem para que eu explore sua boca, nossas línguas se encontram e uma explosão de sabores e sentimentos fazem meu corpo reagir de forma intensa. Nosso beijo é o encaixe perfeito de tudo que quero para mim, e apesar desse ser apenas o segundo beijo de verdade, parece que estamos fazendo isso há uma vida. Tenho a necessidade de ir mais longe, mas também sei que aqui não é lugar para isso e principalmente eu sei que nenhum de nós dois está preparado para o próximo passo. Então vou parando nosso beijo aos poucos e vou deixando muitos beijinhos por todo seu rosto, abro meus olhos e vejo que seu rosto está ainda mais vermelho que antes, seus lábios estão levemente inchado pela intensidade do beijo, e ele tenta esconder sua ereção. Fico feliz ao ver que não sou no único que quero algo a mais.

       — Anjo não precisa ter vergonha de mim. Digo e ele respira fundo e me mostra algo que está atrás de mim, e quando me viro vejo que acabei de ferrar com tudo. Acabei de protagonizar uma cena para meu corpo médico e minha enfermeira favorita, que é a única com um enorme sorriso no rosto.

       Olho novamente para o Marcelo, vejo o quanto ele está desconfortável com tudo aquilo. Me aproximo do seu ouvido e falo de modo que só ele possa ouvir. — Não se preocuoe anjo, vamos fazer todos os exames e depois explicamos tudo para eles. Tudo bem? — Ele só faz que sim e então me levanto da cama.

       — Bom já que vocês chegaram, podemos começar os exames e depois de tudo concluído explicamos o que vocês acabaram de presenciar. — Digo com minha melhor voz de chefe e todos concordam, apesar de desconforto de todos.

       Passamos a última hora realizando exames físicos e todos fomos unânimes ao dizer que sua evolução era significativa, logo depois fomos a sala de TC, fizemos um exame em tempo real e mais uma vez fomos unânimes ao dizer que suas lesões cerebrais são irreversíveis, mas pudemos também tirar todas as dúvidas e dizer com total segurança que ele não corre mais nenhum tipo de risco a sua saúde. Voltamos para o quarto para enfim fechar as avaliações, era evidente o cansaço em seu rosto, mas aquela seria a última grande rotina de exames.
    
       — Bom, agora que há encerramos todos os exames e sabemos que o paciente está em seu estado perfeito, gostariamos de esclarecer o que presenciamos mais cedo. — Disse um dos médicos da equipe, e por mais que eu soubesse que isso era algo irremediável, meu coração bateu forte. Mas é melhor esclarecer tudo de uma vez, que ficar protelando sobre algo que eu não vou mudar de ideia.

       O Marcelo não falava nada, só ficava olhando em volta e respondia só quando era questionado, mas agora nós dois teriamos que explicar a situaçao.

      — Claro doutor, não quero mal entendido em torno da minha relação com o Marcelo. — Falo e começo meio inseguro de como será a reação deles. Mas um aperto leve em minha mão, me dá força para prosseguir.

       — Eu me apaixonei pelo Marcelo enquanto ele ainda dormia, sabia que era algo complicado e também anti ético, já que permaneci como seu médico, mas eu não pedi para a má-lo só aconteceu e quando ele finalmente acordou eu sabia que era para ser, que estavamos destinados a ficar juntos. — Falo e dou uma pequena pausa tentando avaliar as expressões nos rostos à minha frente. Dou um longo suspiro tomando coragem de continuar a explicar algo que eu realmente não precisava estar fazendo, mas quando vou para falar sou impedido por um novo aperto em minha mão.

       — Quando eu acordei, soube de tudo que cada um de vocês fizeram por mim, mas o fato de um médico nunca ter desistido de lutar por mim, mesmo que muitos de vocês tivessem desistido, me deixou curioso para conhecê-lo melhor, e quando finalmente eu tive o prazer de conhecer a pessoa incrível que ele é, percebi que estava ferrado com esses olhos e sua voz. — Ele fala e posso dizer que essa foi a declaração mais linda que já recebi, tenho que fazer uma força descomunal para não beijá-lo novamente.

       — Eu não posso dizer que lutei para não me apaixonar, porque seria uma mentira, eu simplesmente deixei o amor entrar e por isso vocês viram o que era para ser um segredo. Porque eu gosto dele, mas posso garantir que esta foi a única vez que nos beijamos, mas eu não posso prometer que será a última, mesmo que eu não queira desrespeitar seu local de trabalho. — Ele termina de falar e sou muito grato por meu anjo ser como é, e sua atitude só me faz querê-lo ainda mais.

       Posso ver algumas reações vindas dos médicos neste momento, e posso dizer que não são muito boas, já que muitos ali não gostam de mim, segundo a Vânia, me acham estrelinha demais, mas não me importo porque sei que também tem aqueles que gostam de mim e ficarão do meu lado.

       — Bom doutores agora que sabem da história toda, o que farão com essa informação. — Pergunto e vejo o mesmo médico que fez a pergunta inicial vir até mim e olhar para o Marcelo.

       — Por mim esta história morre aqui, já que o paciente receberá alta em dois dias, mas infelizmente não posso falar por meus colegas e é com tristeza que digo que sei que alguns deles o denunciarão. — Ele fala e fico bastante feliz por ele não me julgar, mas também sei que o que ele disse é verdade, é serei denunciado com toda certeza, mas estarei preparado.

       — Agora se me dão licença, ainda tenho outros pacientes para atender. — Ele fala olhando para um dos médicos que me olha com ódio nos olhos e sei que talvez meus problemas se tornem maiores que eu pensei.

      — Tudo bem doutor, já é suficiente para mim saber que o senhor não está me julgando, com os outros eu lido depois, e de mais a mais meus pais já estão cuidando da mídia e os advogados farão o resto. — Digo e o médico que seinque vai me denunciar me olha como se não acreditasse no que acabou de ouvir.

       São poucas pessoas dentro do hospital que sabem que sou acionista, foi uma escolha minha já que não quero ninguém me bajulando por causa de status.

       — Então doutores, peço que nos dêem licença agora, já passou do meu horário e agora não sou mais o doutor Gustavo médico, agora passo a ser o Gustavo que está acompanhando seu namorado. E ele já se desgastou demais por hoje e precisa descansar. — Dou alguns passos até a porta e lhes indico a saída.

       Quando fecho a porta e volto meu olhar para meu lindo anjo, ele está com um sorrisão no rosto e me chama com o dedo. E por um instante eu tenho vontade de pular em cima dele, mas me contenho e vou a passos largos até ele. Chego perto da cama e ele segura minha mão me puxando para sentar ao seu lado, mas me lembro do presente que comprei pela manhã.

       — Lindo, espera só um pouquinho que vou no meu consultório pegar minhas coisas e já volto. — Falo e ele coloca um bico lindo em seus lábios, que me faz ter vontade de mordê-lo.

       — Não faz essa carinha, eu volto em cinco minutinhos, e só vou sair quando me expulsarem, prometo. — Falo e ele apenas concorda, saio do quarto e vou a passos largos até o consultório.

                                  1877 palavras

         Olá moranguinhos! Gostaram do capítulo? Espero que sim 😀.

    Beijos StramberyBlack💕💕

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