XV - Surpresa pt 1

                                  Marcelo

       Acordo com uma mão acariciando meu rosto e ao abrir meus olhos vejo uma linda mulher, que apesar dos poucos dias que à conheço, aprendi a gostar muito. Vânia é o tipo de pessoa que faz com que você sinta paz, mesmo estando no olho do furaçao.

       — Bom dia Marcelo. — Ela diz e eu abro meu melhor sorriso, porque todas as vezes que ela está por perto é impossível não sorrir.

       — Bom dia, minha enfermeira favorita. Como foi sua merecida folga? — Pergunto e vejo seu olhar cair para o chão, e logo percebo que aconteceu alguma coisa. Mas como não quero ser evasivo apenas aperto sua mão que está sobre meu braço.

       — Bom querido, vamos trocar esses acessos e tomar um bom banho sem essa parafernália toda. Hoje você não tem medicação pela manhã, já que doutor Gustavo mandou suspender. — Ela fala e ao ouvir o nome do meu querido médico, abro um enorme sorriso e isso não passa despercebido por ela.

       — Pode começar a me contar tudinho que aconteceu na minha folga. — Ela fala e eu apenas balanço a cabeça em negação ainda sorrindo.

       — Então eu retiro tudo sobre o banho, você escolhe. — Ela diz tentando fazer cara de mau, e tenho vontade de apertá-la.

       — Tudo bem ! Não quero ficar sem esse banho, já que tenho um acompanhante que vai ficar o dia todo comigo. — Falo e ela fica mais curiosa.

       — E posso saber que acompanhante seria esse? — Ela fala já me ajudando a sentar na cama.

      — Meu namorado. — Falo e coloco a mão na boca como se estivesse acabado de quebrar uma promessa. Ela arregala os olhos, mas logo abre um sorriso que não chega aos olhos, mas sei que é sincero.

       — Quer dizer que o doutor tomou coragem ? — Ela pergunta mais pra ela, do que para mim. Mas respondo assim mesmo.

       — Se ele tomou coragem eu não sei, o que sei é que agente de gosta.

       — Estou muito feliz por vocês dois. E espero que vocês consigam passar por tudo que está por vir e continuarem firmes. — Ela diz e isso me causa um mal estar passageiro, mas como eu sei que realmente vamos ter uma batalha pela frente não me apego muito a esse sentimento.

       Ela retira os soro que ainda está em meu braço e me ajuda a ficar de pé e caminhar lentamente até o banheiro. Entro e logo percebo uma cadeira e fico meu confuso, olho para Vânia em questionamento e ela entende minha confusão.

      — Eu coloquei ela aí para você ter um pouco mais de privacidade no banho. Vou deixar tudo aqui ao seu alcance e vou sair para buscar seu café. Ok? — Ela fala e logo em seguida faz a pergunta que respondo apenas com um balançar de cabeça.

       Vejo ela sair e percebo que talvez isso seje um pouco complicado, já que esta é a primeira vez que tomo banho sozinho desde que acordei. Mas também me sinto feliz porque os médicos devem achar que estou mais forte e apto a fazer isso sozinho.

       Tomo meu banho e lavo meus cabelos, o que me trás uma sensação de limpeza, quando estou terminando de me enxaguar ouço uma batida na porta, que me causa um pequeno sobressalto, mas logo me lembro que deve ser a Vânia.

       — Entre ! — Digo e ela apenas coloca os braços para dentro da porta me entregando uma toalha. Agradeço e ela espera mais alguns minutos e volta a entrar no banheiro.

       — Vamos vestir la no quarto, para não molhar a roupa. — Ela fala e eu fico novamente confuso, já que a roupa é um camisolão muito feio. Ela me ajuda a chegar até o quarto e quando me aproximo da cama percebo roupas diferentes e a olhos em questionamento e ela apenas dá de ombros.

       — Olha, não é nova, mas estava lá em casa sem uso e resolvi trazer para que você use, se incomoda? — Ela e antes de respondê-la, dou um abraço apertado no seu corpo esbelto. E quando percebo já estou chorando, porque mesmo ela não sendo nada minha, ela se preocupa com meu bem estar. E trazer estas roupas me fez sentir que sou mais gente, não que esta roupa vá mudar meu status de "indigente", mas pelo menos não me sentirei tão abandonado. A solto e pego as roupas entre meus dedos, agradeço e começo a me vestir como dá.

       — Olha. — Ela diz apontando para uma enorme mala no canto do quarto.

       — São todas para você, tem sapatos também, mas como ainda não pode usá-los, coloquei no fundo da mala. Tem também alguns acessorios. — Ela diz e eu me questiono de onde veio tudo isso, mas estou agradecido demais para poder me importar. Agradeço novamente terminando de colocar a calça que apesar de um pouco mais larga, ficou perfeita em tamanho. Ela coloca o café na minha frente e sinto meu estômago reclamar.

       — Agora vou passar pelos outros quartos e mais tarde volto para colocar outro acesso em você, tudo bem? — Ela fala e eu respondo que sim e logo em seguida vejo ela me deixar sozinho novamente. Estou entretido, vendo as nuvens do céu pela janela do quarto, quando ouço novamente uma batida na porta e logo em seguida ela ser aberta.

                                   Gustavo

       Minha noite tinha sido extremamente estranha. Minha mãe me deixou num vácuo que estou sem entender até agora, nunca que dona Bárbara iria sair daqui sem fazer um drama, mas ela simplesmente se levantou e saiu, sem dizer uma única palavra e isso está me enlouquecendo.

       Olho para o relógio e nele indica seis da manhã, ou seja; hora de levantar. Pego uma pequena bolsa e arrumo minhas coisas de trabalho e uma muda extra de roupa, coloco tudo de modo organizado e vou em direção ao banheiro tomar um banho e fazer minha higiene. Acabo e separo alguns desses itens e coloco dentro da bolsa que vou levar ao hospital.

       Como hoje é minha folga, vou ficar o dia todo com Marcelo, e também a noite, e no dia seguinte já estarei lá para meu novo plantão. Coloco uma calça jeans e uma blusa pólo preta,calço um tênis e me lembro de colocar meus sapatos de trabalho na bolsa. Arrumo meus cabelos, passando apenas um pouco de gel e alinhando da forma certa, coloco um relógio e pego minha carteira, celular e minha bolsa e desço para a cozinha.

       Faço uma xícara de café preto sem açúcar e pego algumas torradas e tomo meu café. Geralmente eu não tenho muita fome durante a manhã, mas como médico sei que não é saudável pular essa refeição, então me forço a fazê-lo todos os dias.

       Saio de casa um pouco depois das sete e vou em direção ao shopping, onde sei que vou resolver meu problema. Estaciono na vaga mais próxima e caminho muito lentamente até a loja de eletrônicos mais próxima. Encontro uma e logo entro e como sei o que quero, não preciso ficar procurando muito.

       — Olá, em que posso ajudá-lo? — Uma atendente me pergunta e eu a explico de forma mais simples possível e logo estou diante de uma enorme variedade de aparelhos telefônicos. Escolho um e alguns acessórios e ela muito sorridente pela venda me indica o caminho do caixa, pago e recebo minha caixa já devidamente embrulhada para presente.

       Saio da loja, onde fui muito bem atendido e dessa vez caminho um pouco mais rápido em direção ao estacionamento, mas vejo uma dessas lojas que vendem uma variedade incrível de bombons e me pergunto se ele gosta de doces. Penso um pouco diante da loja e resolvo comprar alguns, por que afinal quem não gosta ? Entro na loja e fico perdido em meio a tanto doce diferente, eu nunca na vida me preocupei em achar algo que realmente agradasse a alguém, e hoje quero o bombom perfeito. Olho ao redor e vejo uma caixinha em formato de coração e dentro vários mini bombons, separo uma e olho outra para meu pai dar minha mãe. Pago tudo e saio da loja, agora sim direto para o hospital.

       Enquanto sigo para o hospital vou recapitulando meus pacientes de amanhã, e será um dia relativamente calmo. Amanhã chega um paciente do interior que já foi desenganado pelos médicos de lá, eu não tenho paciência para esse tipo de atitude, médicos com preguiça de tentar até o último recurso. Essas atitudes acabam com meu lado racional, fazendo eu muitas vezes discutir com colegas de profissão.

       Entro no hospital e vou direto a minha sala deixar minha bolsa lá antes de ir ver o meu anjo. Ao entrar vejo minha mesa abarrotada de relatórios médicos e resultados de exames, que só eu posso avaliar. Farei tudo isso amanhã, enquanto meu paciente não chega, e para quem acha que médico fica atoa enquanto não está atendendo, está muito enganado. É muito relatório, muita coisa que precisa se fazer para que cada cirurgia corra bem, para que cada pós operatório seja feito da melhor forma possível, dando assim muito mais condição de recuperação ao paciente. Não estou reclamando, amo o que faço e faço com muito amor, e jamais me cansarei de salvar vidas. Mas hoje é minha folga e tem um namorado muito lindo me esperando.

                                   1543 palavras

        Deixo mais um pouquinho dos meus bebês para vocês, espero q gostem.

      Beijos StramberyBlack💕💕
      

      

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