X - Nosso momento

                                                            Gustavo

       Olho para meu pai parado na porta do quarto e seu semblante era de quem havia visto fantasmas, mas no instante seguinte vejo seu sorriso de abrir e ele caminhar para mais perto da cama.

       Olho para meu anjo e ele me olha de volta, não sei por que, mas aquele olhar me fez derreter todo por dentro acabei me esquecendo do meu pai parado ali na nossa frente.

       Volto meu olhar para ele que se aproxima ainda mais. Ele olha para o homem ao meu lado e fala diretamente com ele.

      — Olá! Sou Hector, pai desse mal educado aqui. — ele diz apontando para mim e o olho com incredulidade, e ele descaradamente pisca um olho para mim. E naquele momento percebo que meu pai está aqui por mim, por nós dois e meu coração se enche de orgulho.

       Marcelo olha pra ele e dá uma risada gostosa, daquelas que prendem sua alma no momento. Ele estica a mão para meu pai e a recebe de imediato.

       — Bom, eu não sei meu nome verdadeiro, mas o bonitão aqui me chama de Marcelo, então pode me chamar também e o prazer é todo meu por conhecê-lo. Meu pai dá um dos seus famosos sorrisos de canto de boca.

       — Sem o senhor, por favor, sou muito novo, só Hector. — Mas me diz, vocês ja se entenderam? — Meu pai pergunta e eu sinto Marcelo travar ao meu lado, e confesso que também sei uma travada, mas se meunpainesta aqui é porque ele não será contra o que sentimos.

       — Já sim pai. — respondo, compartilhamos o mesmo sentimento, mas ainda não sabemos como vamos fazer isso funcionar, já que o senhor interrompeu. Vejo seu olhar mudar e isso me faz pensar.

       — O que foi pai? — pergunto e ele olha para o Marcelo, era estranho o modo como o fez.

       — O que aconteceu aqui no quarto mais cedo? Eu preciso que você me conte tudo. — Ele fala e espera paciente a resposta.

       Viro meu corpo para ele e o incentivo a falar. Ele engole seco e posso sentir o nervosismo em cada palavra que são da sua boca enquanto ele conta todo o acontecimento. Ele termina de falar e as lágrimas de um choro forte insistem em cair, sinto seu desespero em cada uma delas.

       Sento ao seu lado na cama e ele me abraça forte, como se estivesse com medo de que eu fosse fugir. Olho para meu pai e seu que tem mais por trás da suas perguntas, ele é um homem acostumado com ameaças por causa da sua profissão, e posso notar seu sensor de alerta ligado, e isso pode ser um grande problema.

       — Como o senhor sabia? — pergunto e ele se encosta na parede do quarto.

       — Marcus viu nas câmera a de segurança, mas infelizmente não temos um rosto, somente sabemos que é alguém da minha idade, pela barba grisalha, que foi tudo que vimos dele. Estou aqui para resolvermos de que forma vamos cuidar desse assunto. — Ele pergunta e vejo a ansiedade em seus olhos por quer saber a nossa opinião.

       — Da forma que o senhor achar melhor, mas acredito que sem a polícia vai ser melhor. Eu não confio naquele detetive que esteve cuidando do caso dele. — falo e vejo meu anjo concordar comigo. Ele não me passa confiança de forma alguma vou colocar a vida do Marcelo em risco.  — vejo meu pai concordar comigo.

       — Mas precisamos mantê-lo seguro enquanto ele estiver aqui dentro, porque se entrou uma vez, vai entrar de novo. Infelizmente não podemos controlar a entrada das pessoas aqui.

       Sinto Marcelo estremecer nos meus braços, e tudo que posso fazer é confortá-lo. Este é nosso primeiro abraço e nem pude apreciar o gesto, pois sei que meu amor está apavorado com a simples possibilidade deste home m voltar. Ele está tão apavorado que nem se deu conta de que está em meus braços, o aperto mais com o intuito de passar proteção, quero protegê-lo de todo mal do mundo, mas sei que isso não é possível.

       Vejo meu pai dar um passo em nossa direção e tocar o ombro livre de Maecelo, que olha para ele.

       — Meu filho te escolheu, não sei quais foram as suas razões, mas eu vou apoiá-los e fazer de tudo ao meu alcance para mantê-los seguros. Então não se preocupe com isso, apenas se recupere. — Meu pai falou e tocou em meu ombro e saiu prometendo que conversariamos mais tarde.

       Volto minha atenção para aquele pequeno corpo colado ao meu e sinto a tensão do momento se dissipando, mas quando ele percebe onde está se afasta de mim em um sobressalto.

       — Me desculpa, eu não queria ter feito isso. — Ele fala e essa palavras fazem meu coração doer um pouquinho, mas no fundo eu sei que ele só está com muita vergonha, pois está mais vermelho que pimentão.

       — Não se preocupe, fui eu quem te abraçou primeiro. — Falo e me levanto indo em direção ao banheiro, preciso me refrescar ou então vou fazer o que não devo ainda.

       Quando saio do banheiro, encontro um enfermeiro aplicando algumas medicações em Marcelo e quando ele termina o que está faxendo, ele leva um susto ao me ver parado do seu lado. Vejo meu anjo dar um pequeno sorriso achando graça da situação. O enfermeiro diz algo que não compreendo muito bem e sai do quarto.

       Olho novamente para meu anjo e ele sorri abertamente, é tão bom ver esse sorriso que esperei cinco anos para conhecer.

       — Você assustou o pobre homem. E realmente não entendo o porquê de toda aquela reação exagerada do cara, mas deixo pra lá. Volto a olhar para Marcelo, que se vira de lado, para não ter que me encarar e sinto que já é hora de ir embora.

       Não quero causar desconforto a ele e sei que a essa altura, meu pai e Marcus já tem toda a segurança dele esquematizada. Olho para o relógio em meu pulso e vejo marcando quase uma da manhã, vou até a cadeira que estão meus pertences e pego meu jaleco e maleta e volto a me aproximar dele.

       — Eu vou deixá-lo descansar, mas volto amanhã cedo, antes do meu plantão começar. — Falo e espero que ele me confirme que entendeu, mas como não tenho essa confirmação, me aproximo e deixo um beijo em sua testa. Quando me viro para sair, sinto sua mão segurar meu braço.

       Quando vi ele se despedindo, senti uma coisa ruim em meu coração, uma sensação de vazio. Senti que não tinha muitas opções então segurei sua mão.

       — Por favor, não vá. — Pedi com a voz já embargada pelo choro, que eu sabia, que não controlaria. Segurei ainda mais forte quando sua resposta não veio de imediato, mas no instante em que ele se virou eu tive a minha resposta. Seus olhos estavam transbordando lágrimas.

       Ele se aproximou da cama e novamente pude sentir seus braços me envolverem, era uma sensação incrível de segurança e eu podia sentir seu coração batendo descompassado. Eu não tinha coragem para nada, eu não tinha certeza se alguma vez na vida eu já me senti assim, era como se apesar da falta de memória, tudo fizesse sentido, tudo estava no lugar que deveria estar. Eu sabia, sentia dentro do meu coração que eu estava apaixonado, mas como eu poderia gostar tanto de alguém que eu mal conhecia?

       Como fariamos para isso funcionar era algo que eu queria muito saber, porque eu faria, eu não posso perder essa sensação de estar em casa, de ser desejado e amado. Eu tenho medo de que em algum momento ele perceba que, eu não sou o que ele esperava. E como eu ficaria sem ele? Eram perguntas que teriam que ficar para depois.

       Posso sentir ele apertar seus braços um pouco mais ao redor do meu corpo, e me sinto em paz. Uma sensação de casa, me faz ter certeza de que se for para sofrer no futuro, é melhor que seja por algo que me dei ao luxo de sentir e viver.

       Porque eu viveria esse sentimento, então nada mais justo que eu começar a me abrir e deixar o Gustavo entrar. Era tão bom como o nome dele soava em minha mente.

       Deixei meus pensamentos de lado e me afastei dele o suficiente para poder olhar aquela imensidão azul, eu precisava deixar claro que, eu o queria da mesma forma que ele dizia me querer.

       Levantei meus olhos em sua direção e pude sentir seu olhar sobre mim, a sua respiração pesada, o sobe e desce do seu peito. Assim como eu, Ele ansiava por algo mais que um simples abraço. Fui me aproximando dele e num ímpeto de coragem, pura coragem, colei nossos lábios em um selinho rápido, apenas para deixar claro que eu estava ali pra ele.

                                Gustavo

       Não havia sido um beijo de verdade, mas não importava, aquele selar de lábios tinha sido melhor que qualquer coisa no mundo. Era a confirmação de que eu não estava sozinho no jogo do amor, eu estava nas nuvens, esperar por cinco anos estava valendo apena, eu sabia que a partir de agora, mesmo que as coisas fiquem complicadas e que imponham barreiras para que não possamos ficar juntos, eu sei que serei forte para derrubar cada uma delas.

       Sentir seus lábios mesmo que por poucos segundos, me causaram reações que eu jamais senti estando com outra pessoa, nem mesmo com a Natália que eu achava gostar. A famosa sensação de borboletas no estômago ainda estavam presentes. Você estar apaixonado é algo incrível, mas saber que você é correspondido, não tem explicação.

       Eu sabia que ele esperava por uma reação minha, eu estava em êxtase e as palavras não saíam da minha boca, era como se o mundo tivesse parado ali, naquele quarto. Eu precisava reagir, mostrar o quanto aquela atitude dele havia me deixado emocionado, então fiz a única coisa que poderia fazer naquele momento, encostei novamente nossos lábios, mas dessa vez eu os mantive colados, iniciando um beijo calmo, tentando mostrar todo meu carinho nele. No mesmo instante que entreabri meus lábios ele o fez também, dando passagem para que nossas línguas se encontrassem numa dança muito sensual. Seu gosto era perfeito, nosso beijo estava sendo perfeito! Nosso beijo durou até que nos falou ar, aos poucos fui me separando dele e fui distribuindo vários beijinhos por todo seu rosto.

       Seus olhos brilhavam, eu podia ver a vida voltando a eles, e mesmo sem poder ver os meus, sei que eles estão igualmente emocionados, não haveriam palavras para descrever o momento, então apenas o aconcheguei em meus braços e me recostei na cama.

       Eu sabia que o que estava fazendo era totalmente errado, eu deveria esperar ele sair daqui, mas era mais forte que eu, eu tinha a necessidade de estar perto dele, esperei muito tempo para poder estar assim, então que se dane as regras.

       Mas para ser o mais correto possível vou informar minha decisão à minha mãe e ao diretor do Concelho do hospital. Aproveito que ele dormiu e saio cuidadosamente da cama, eu realmente não posso ser pego dessa forma por ninguém. Deixo um beijo em sua testa, ajeito um lençol em seu corpo e saio do quarto.

       Como já está quase amanhecendo não vou voltar para casa, meu plantão começa em menos de duas horas, então sigo até meu consultório. Tomo um banho rápido em um dos quartos de descanso e volto minha atenção às muitas coisas que preciso fazer hoje. Pego alguns relatórios que precisavam ser lidos, marco as partes importantes que eu deveria rever com outros médicos, mas o que mais me deixava aflito era o relatório da cirurgia de retirada de tumor que realizei na manha de ontem, precisavamos esperar o paciente acordar para sabermos se houveram sequelas, e para isso eu precisava ter paciência, já que ele ficaria em um coma induzido por uma semana.

       Eu sei que todos os médicos daqui são competentes e empenhados, mas meus pacientes, são somente meus, não gosto de outros avaliando para não haver contradições, a menos que eu peça uma segunda opinião. E as vezes isso gera muita discução, meus colegas acham que eles também tem o direiro de passar para avaliação, mas além de eu ser o chefe da neuro ainda tenho uma grande porcentagem do hospital, que adquiri quando ele entrou em falência. Me custou muito tempo e trabalho duro para junto com o João reerguer esse lugar, trazer de volta a credibilidade há muito perdida, então mesmo que eles briguem e se indignem nunca iram contra minha vontade.

       Às vezes fico muito sobrecarregado, mas vale apena; foi para isso que estudei e continuo estudando. Para curar pessoas, para lhes dar uma chance de seguir com saúde. Nunca existe caso que não possa ser revisto, basta olhar de forma diferente e achar a melhor forma de tratamento. Eu como neuro sei como é complicado certas áreas do cérebro e que nem tudo pode ser consertado, mas também sei que no meu dicionário não existe a palavra desistir, eu nunca abandono um paciente e por isso sou o mais procurado por aqueles que já perderam toda a esperança, e me sinto muito orgulhoso do meu trabalho bem feito.

       Olho para meu relógio e vejo que ja são sete da manhã, me levanto e vou ver se consigo algo para o café da manhã, já que desde ontem não como nada e isso já está me afetando. Quando chego ao refeitório, vejo que ainda está vazio, já que os funcionários estão fazendo a troca de plantão, daqui a pouco isso estará uma verdadeira bagunça.

       Vou até a cafeteira e pego um café preto sem açúcar, algumas torradas e uma fruta. Vou até a primeira mesa livre com a intenção de comer. Estava totalmente absorto em meus pensamentos quando sinto uma mão pesada sobre meus ombros.

                                   1247 palavras

  Oi moranguinhos !

Finalmente saiu o primeiro beijo deles uruulll🎉🎉🎉. Está satisfeito 7Gabriel? Seu beijoqueiro😂😂😂

     Beijos StramberyBlack💕💕

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