Cap I - Visitante desconhecido
Marcelo*
Ao anoitecer, uma leve batida na porta me fez sair outra vez dos meus pensamentos em torno de quem sou e como vim parar aqui. — Entre. -Digo tentando levantar meu corpo pesado para a posição sentado na cama. Não que eu esteja gordo, o que seria uma mentira, já que pareço bem fraco. Mas sinto como se eu pesasse uma tonelada, já que não posso mover muito minhas pernas.
A porta é aberta e por ela passa um homem de cabelos negros e espetados, olhos que eu não soube definir se eram bons ou ruins, mas me deram medo, muito medo para falar a verdade. E o homem era extremamente alto, vestia roupas totalmente pretas, que o deixaram ainda mais estranho.
Fiquei parado observando aquele homem por algum tempo sem dizer nada, mas não pude deixar de notar que ele também me avaliava igualmente calado. Acho que pela sua expressão ele esperasse que eu o reconhecesse, mas nada, nunca o vi ou, pelo menos, acho que não, já que não me lembro de nada.
— Olá, sou Carlos. Sou o policial encarregado do seu caso. Estou aqui porque o hospital comunicou ao DP que você havia acordado. - Ele falou, mas suas palavras não pareciam verdadeiras.
— Nós já havíamos perdido a esperança de vê-lo acordado, mas agora que esse milagre aconteceu, posso colher seu depoimento sobre o que realmente aconteceu naquela noite. - Ele falou e senti meu estômago embrulhar. Seus olhos continuavam me avaliando, senti como se estivesse sendo encurralado e não sei o motivo, mas como não havia o que contar continuei em silêncio e vejo ele caminhar em minha direção até ficar próximo a minha cama. Senti uma coisa ruim em meu coração, como se o alarme de perigo disparasse incessantemente dentro de mim. E para que ele fosse logo embora, eu levantei meus olhos em sua direção e com um fio de voz falei...
— Me desculpe sr. Carlos, ainda estou me readaptando a essa nova realidade, sinto por não ter as respostas que vocês tanto anseiam, mas me disseram que houve sequelas e existem lacunas na minha memória. Eu fui diagnosticado com amnésia do tipo irreversível, então agradeço por todo o seu esforço, mas peço que arquive o caso.
Enquanto eu dizia de forma rápida, para ele ir logo embora, notei seus olhos se arregalarem e um pequeno sorriso se formar em seus lábios, como se aquela fosse a notícia do ano.
— Bom, se você quer assim, então não me resta mais nada a fazer Aqui. - Ele disse já virando as costas e saindo do quarto, sem olhar para trás.
Achei aquela situação toda muito estranha, fora que fui tomado por uma inquietude perto daquele homem da lei. No mesmo momento em que esse tal Carlos saía, uma enfermeira baixinha que eu não conhecia veio trazer minha refeição e dizer que pela manhã eu teria que fazer novos exames.
Jantei pensando em tudo que poderia ter acontecido no tempo que estive em coma e em tudo que me aconteceu depois que acordei. E após terminar minha refeição, me vi adormecer sem esforço.
Carlos
Saí daquele quarto sem acreditar muito no que aquele garoto disse, então vou em direção ao consultório do médico responsável pelo caso dele. Dei duas batidas, um pouco bruscas na porta, mas não houve resposta de imediato. Tornei a bater e pude ouvir um “entre”. Quando passei pela porta pude notar os olhos vermelhos do doutor e sua tristeza evidente ocupava todo seu semblante, mas como isso não me importa vou logo ao assunto que me interessa.
— Dr. Gustavo, como vai? - Pergunto, mas não lhe dou tempo de resposta. — O pessoal do hospital nos ligou avisando que o garoto havia acordado, então vim me atualizar sobre a situação. - Ele me olhou com uma sobrancelha arqueada. — Mas quando fui ao seu quarto, ele me informou que não seria capaz de depor porque havia sido diagnosticado com amnésia. Gostaria que o Dr. me explicasse a real situação, pois tenho que incluir no inquérito, já que ele pediu o encerramento.
Eu expliquei e ele ficou me olhando sem reação alguma, depois olhou para suas mãos em cima da mesa e falou em voz baixa.
— Quando ele acordou, todos os médicos que cuidaram dele já sabiam que poderiam haver sequelas profundas, como por exemplo, a perda da memória, pois foram muitos anos em coma, mas tínhamos uma pequena esperança de que fosse temporária essa amnésia, porém os exames mostram pequenas lacunas em seu cérebro que estão localizadas no lóbulo frontal, onde são armazenadas as lembranças. Ou seja, ele jamais se lembrará do seu passado, muito menos o que aconteceu naquele maldito dia, nem amigos ou família.
Quando o médico acabou de falar um enorme alívio se instalou em mim, ele nunca se lembrará daquele maldito dia, e essa era a única informação que me importava. Agradeci a informação e fui direto ao DP. Quando cheguei, fui direto para a sala do capitão lhe informar sobre a situação do moleque intrometido e dizer que ele pediu o arquivamento do caso.
Esse dia não poderia terminar melhor!
833 palavras
Quem será esse policial afinal ?
Espero que tenham gostado e vou ver se posto mais um hoje ainda 😉.
Beijos StramberyBlack💕💕
Revisado*
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top