Gostaria De Voltar a Dormir Para Esquecer Esse Dia...

"Em uma noite chuvosa, eu estou a escrever está pequena parte resumindo o que estou sentindo hoje. Só posso dizer o quanto me sinto quebrado por dentro. Não sei bem dizer se há palavras o suficiente que possam descrever essa angustiante sensação.
Hoje literalmente, eu estou a enterrar uma parte do meu eu. A parte boa que vivia no meu interior e aquecia e colorida das mais belas formas o meu mundo.
Espero que encontre a paz aonde quer que esteja neste momento. Não deixe-me caminhar sozinho, mesmo estando impossibilitado de ve-lá.
Do seu querido e amado Jimin...Eterna Vovó."

Desde menino, anotei cada sensação na qual eu descobria ou passava. Essa era uma das maneiras que eu encontrei de me expressar com as demais pessoas ao meu redor. Mas hoje, eu acordei sem vontade alguma de levantar e sair da minha cama. Eu não pensava em nada mais com excessão de chorar e me aprofundar no luto eterno que se instalou dentro do meu coração a dois dias atrás.

Os livros já não eram emocionantes. As músicas já não me traquilizavam mais e muito menos dançar me fazia viajar. Eu perdi toda a noção da minha realidade, minja triste realidade.

Eu só queria poder acordar e descobrir que estive dentro de um pesadelo. Que agora eu acordaria com o barulho de minha avó, cantando enquanto retirava do forno pela manhã os pães fresquinhos e quentinhos, para os clientes que chegavam a comprar para seu café da manhã. Ah...como era bom aquele cheiro que se instalava pelos demais cômodos.

Mas, agora eu infelizmente precisaria me desfazer de tudo isso que um dia me fez ser verdadeiramente feliz. A cada martelada que eu dava nas tábuas contra os pregos, uma lágrima dolorida escorria sobre o meu rosto. Não estava sendo fácil aceitar que aquilo acabará.

Coloco o martelo sobre a mesa da cozinha, na qual se encontrava vazia sem belos arranjos de lírios que em três vezes por semana floricultura trazia. Agora, era só mais um cômodo em branco, sem graça, sem vida.

Pego minha mala na qual estava junto dos meus outros pertences e caminho em direção à porta de saída da casa. Caminho em passos curtos, me despedindo de cada detalhe. Cada detalhe único que eu até então nunca havia reparado enquanto minha avó ainda estivera entre nós.

Paro em um dos degraus e assim olho para atrás. Assim, eu estava deixando o meu lar para atrás, a casa na qual eu passei a viver depois dos meus oito anos de idade. O lugar em que eu fui amado incondicionalmente pela a mulher que me acolheu e tomou o lugar de mãe em minha vida.

Ao outro lado da rua, se encontrava o futre, réprobo, abusador e desprezível do homem que para o estado é considerado o meu pai. Mas eu, nunca o considerei mesmo que eu carrega o seu sangue ruim.

Insultar é muito importante as vezes, quase uma sauna para alma. Nos traz um alívio imediato e momentâneo, todos deveriam fazer isso de vez enquanto.

Como a minha mãe sumiu no mundo quando eu ainda tinha apenas seis anos. Não tinha com quem a minha guardar ficar neste momento. Familiares que moram em outro pais, a justiça acreditou que seria mais fácil dar a minha guarda novamente ao indigente sem escrúpulos de meu pai.

Coloco todas as minhas coisas no carro e me sento no banco do passageiro logo atrás do mesmo. Gostaria de evitar contato visual.

— Como está filho?— Sua voz calma me deixava extremamente nervoso, eu sabia que era questão de tempo até ele voltar a ser o que era.
— Estou bem.— Fecho a porta do carro.
— Eu sei o quanto deve está sendo doloroso para você neste momento, mas prometo que irá passar. Ficaremos bem.— Diz como se ao menos tivesse se importado com a minha avó. Ele a deixou morrer e agora finge ser inocente. O filho mais dedicado.
— Hmm...— apenas concordo e volto a olhar as ruas a fora.

Eu não queria conversar, então fui calado a trajetória toda até a casa na qual passaria os próximos meses Até completar finalmente os meus dezoito anos e estar pronto para fugir desse hospício.

Abro o pequeno livro no qual eu escrevia diariamente as coisas que eu pensava e sentia, não era como um diário pois eu não tinha obrigação de relatar tudo o que me ocorria. Eu apenas escrevia frases, dizia o que sentia sobre determinadas situações e é isso. Sem compromisso.

— Olá querido, você demorou.– Saio do carro me deparando com a exuberante e egocêntrica madrasta, que esperava meu pai na entrada da casa.
— Eu sinto muito, passei antes na igreja para orar e pedir para que receba minha mãezinha no céus.— Reviro os olhos ao ouvir o quão a sua atuação era ridícula. Ele nem se importava com ela.— Jimin, seja bem vindo.— Seus lábios cheios enxarcados de gloss alargaram Se transformando em um sorriso forçado.— Espero que se sinta confortável em nossa casa, não é mesmo amor?— Perguntou e seu olhar se direcionou rapidamente a mim, me fazendo abaixar a cabeça.
— Ele se acostumará rápido, já fazem tantos anos que nós não vivemos juntos, tenho certeza que ele irá gostar.— Eu não sabia como reagir aquela frase que me fazia lembrar de diversos momentos no qual eu fui obrigado e exposto a passar, por culpa dele. Vê-lo com esse sorriso convencido, agarrado a Lois me deixava enojado.
— Eu acho melhor entrar...— retiro a minha mala do carro.
— Claro, seu quarto fica no segundo andar, segunda porta a direita.— Apenas agradeço fazendo uma referência me curvando para frente e os deixei sozinhos.

Era uma casa enorme e digna de uma família tradicional, mas tanto luxo, tantas mobílias caras, para pessoas que não valem nem a metade da água suja do esgoto.

Subo as escadas com cuidado tentando não deixar que nada caia de minhas mãos e logo após chegar ao segundo andar, coloco minha mala no chão e a puxo deslizando suas rodinhas pelo piso amadeirado do chão.

Os corredores eram bem extensos a noite, com toda certeza o breu aqui se instala durante as noite, causando uma sensação tremenda de medo. Observo que a primeira porta a direita estava aberta e com isso ouve-se uma gritaria vindo do mesmo.

– Vá embora! Se você não presta nem ao menos para satisfazer, então não temos o porquê continuar! Saia da minha casa!— Era o Kwan filho da minha madrasta. Um garoto mimado, mal educado e com síndrome de autoritário.
— Bem, eu não vou ficar com alguém que só quer me usar. Usar meu corpo, eu espero do fundo do meu coração que você encontre alguém que faça da sua vida um inferno, mil vezes pior do que você fez com a minha. Seu babaca, idiota!— Vejo uma garota de cabelos negros saírem do quarto, ela estava terrivelmente desajeitada e com os olha vermelhos de tanto chorar. A mesma me olha rapidamente e corre em direção às escadas. Provavelmente mais uma jovem que se envolveu com o cara errado.

Sigo diretamente para o segundo quarto e jogo as minhas coisas sobre a cama. O quarto era todo branco e preto, com uma mobília bem neutra. Coloco sobre a pequena mesinha de centro ou retrato meu de quando menino com a minha avó.

Pelo menos eu tive uma figura materna, para preencher os lugares tanto quanto da minha mãe biológica, quanto do meu pai que nunca se fez ausente e só desgraçou o meu psicológico.

— Espero que não tenha presenciado a horrenda cena com Genevive...— olho para atrás. Kwan estava parado próximo a porta, com os cabelos bagunçados, sem blusa e com a calça desabotoada. Em seu rosto havua uma marca, recentemente feita pela a tonalidade que se encontrava— ela é uma garota difícil.
— Difícil ou só não deu a você o que queria?— Pergunto colocando algumas das minhas sapatilhas de ballet em uma das gavetas.
— Você bem que sabe que eu quando quero algo, eu quero e acabou.— Suspiro tentando me acalmar ao perceber que precisaria lidar com a idiotice do mesmo.
— Isso é coisa de gente covarde, medrosa. Além do mais é só uma transa...
— Uma transa que pode significar muito para ela, talvez seja virgem e não gostaria que fosse assim de forma violenta.— O interrompo vendo o sorriso que se formava em seu rosto. Algo perverso e malicioso. Era maldoso.
— Se bem que você iria gostar de algumas pleliminares, não é mesmo irmãozinho?— Fecho a gaveta com força, causando um estrondo alto e volto a encara-lo com ódio.
— Eu nunca me entregaria a uma pessoa como você, nem que fosse a última no mundo.— Continuo a olha-lo com ódio, mais um motivo do qual eu não queria estar aqui.
— Nunca é uma palavra muito forte, não acha?— Caminho firme até a porta e a bato com força, trancando por dentro.
— Fique longe de mim!— Grito sem acreditar no que eu estava prestes a passar aqui. Já está impossível gostar daqui.

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