Cap 4- Lírios
Me tranquei em meu quarto as pressas. Eu estava completamente desnorteado com essa situação. Então não era apenas um jantar, se tratava de um casamento, esse era o acordo da noite.
Eu não poderia estar vivendo realmente aquilo, deveria ser um pesadelo. Afinal de contas, ele nunca irá mudar, como meu coração quis me enganar dessa forma e eu ainda quase o dei razão? Ele jamais deixará de ser o homem terrível que ele desde que me entendo por gente foi. Pessoas ruins não mudam e eu não posso me curar em um ambiente no qual adoeci. Foi aqui tudo começou e não pode ser aqui que tudo irá terminar.
Nesse momento eu estaria disposto a ir para qualquer lugar, paz é tudo o que eu preciso e quando falamos de paz estamos falando sobre nós mesmo. Eu quero me encontrar fora daqui, longe disso e de todos.
Vejo a tela de meu celular ligar, novas mensagens haviam chegado era Genevive, talvez ela estivesse mais perturbada do que eu nessa situação. Um casamento arranjado, isso é algo tão antigo e extremamente ridículo.
"Você estará livre amanhã?"
Eu provavelmente estaria no teatro ensaiando, mas talvez fosse um ótimo lugar.
"No teatro, tenho ensaio. Mas, se quiser me encontrar tudo bem, eu prefiro que ninguem nos veja juntos e muito menos Kwan."
"Claro, estarei esperando."
Entro no banheiro e começo a me despir, deixo a água ligada para que possa encher a banheira e volto para o meu quarto conferindo se a porta estava realmente trancada. Quando se trata deles, deconfiar sempre é bom.
Eu estava sentindo que pela frente, haveria uma longa história a ser contada, talvez eu acredita-se que a minha vida pudesse mudar e muito. Como eu sempre peço, eu só queria alguém para contar tudo, me sinto sozinho agora mais do que nunca.
Antes de entrar na banheira, paro em frente ao espelho. A imagem do corpo magro com os ossos da clavícula marcado. Vendo dessa forma eu parecia ser tão frágil, com uma pele que a qualquer momento pode ser facilmente lesionado ou marcada. Só de pensar que eu odiava tudo isso e até hoje ainda encontro-me diversos defeitos apenas em olhar as cicatrizes que estão espalhadas em meu corpo. Em minhas costas se encontravam marcas mais parecidas com queimaduras o que realmente aconteceu, já que foram causadas por bitucas de cigarro.
Mas, já estava feito eu irei carregar essas marcas o resto de minhas vida. Eu só espero que eu possa viver melhor...
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— Agora coloque seus pés no chão bem...devagar...— me ajoelhou sobre os pisos de madeira do chão de olhos fechados e respirando lentamente— muito bem Jimin!— Ouço os aplausos.
— Você está belíssimo...— Vicent me ajuda a levantar.
— Eu fui bem mesmo?— Pergunto aceitando sua ajuda.
— Mas é claro. O cisne mais perfeito que há.— Sinto alguém me abraçar por trás.
— Incrível!— Era Kylie.
— Fico feliz que eu tenha conseguido, pelo menos me sinto pronto para apresentação.— Respondo contente.
— Ainda bem que temos ainda um bom tempo até isso acontecer.— Meus colegas da companhia eram até simpáticos, pelo menos aqui não havia rivalidade e quando um conseguia os outros encaravam isso de forma leve, sem egoísmo o que é muito difícil hoje em dia.— Aquela garota está te esperando Jimin, ela me pediu para avisa-lo.— Olho para as arquibancadas e bem no fundo encontro Genevive sentada de pernas cruzadas.
— Pensei que gosta-se de outro tipo de fruta Jimin...— bato no ombro de Vicent.
— Ela é só uma amiga.— Respondo.
— Bom, preciso ir agora.— Diz Kylie se despendindo.— Até amanhã.
— Até!— Aceno.
Como combinado ela estava aqui, usando um sobretudo bege, ela demonstrava uma aparecia um pouco mais formal. Sem joias, apenas um batom vermelho altamente vibrante.
Me sento ao seu lado e respiro fundo. A mesma se vira e me olha, logo abrindo um sorriso em seu rosto fino. Talvez houvesse um pouco de blush, já que a sua pele era um pouco mais bronzeada e rubor de seu rosto não ficará tão nítido.
— Esqueceu de me dizer o quão bom bailarino você é...— seguro sua mão.
— Muito obrigado, agora você me deve um dia de sua performance com o piano, posso imaginar o quão talentosa você é.— Respondo.
— Com toda certeza, irei amar tocar para você Clair De Lune. Mas, agora precisamos conversar...— suspiro lembrando o o porquê de sua presença aqui— Jimin, eu estou assustada com tudo isso. Meu pai, ele me ameaçou, disse que se eu não casar com você, ele me mandaria para longe e eu nunca mais teria contato com ninguém. Um convento vamos dizer.
— Precisamos fazer algo realmente, você não tem cara de santa, duvido que se acostuma-se em um convento de freiras.— Sinto o impacto de seu punho em meu braço.
— Mas, falando sério o que faremos?— Pergunta.
— Eu não sei, não encontrei alternativas eu até pensei em fugirmos, pois eu conheço mais pai Genevive e sei até onde aquele homem é capaz de ir...
— Até o inferno corrigindo...— me interrompeu com sua correção a minha fala na qual concordei ser a resposta mais adequada.
— Mas o problema é para onde?— Questiono.
— Fugir...a que ponto nós chegamos, nunca imaginei que estaria pensando em algo tão problemático. Eu não queria que fosse assim.— Ao contrário de mim, ela parecia ainda ter apego emocional a muitas coisas aqui, enquanto eu não pensava em absolutamente mais nada há mandar eu mesmo.
— Sinto muito por isso, posso garantir que eu não que fosse dessa forma.
— Está tudo bem. As vezes precisamos nos arriscar, mesmo que seja com alguém que mal conheço.
— Estamos no mesmo barco gatinha ou afundamos juntos ou tentamos nos salvar dessa enrascada que nos colocaram.
— Juntos?— Seguro seu mindinho o cruzando com o meu.
— Juntos é óbvio...— respondo e volto a pensar— mas, para onde iríamos?
— Nossos pais surtariam e colocariam praticamente o país inteiro atrás de nós se for preciso.— Ela estava certa.
— Devemos ir para um lugar bem longe, mais muito longe mesmo.— Mas, eu nem ao menos poderia imaginar.
— Se houvesse um lugar fora desse mundo no qual poderemos ir, aonde jamais alguém daqui nos encontraria.— Acabo rindo, pois ela acabará de destrancar uma memória minha.
— O que foi?— Pergunta.
— Nada, eu só lembrei de uma lenda em que minha avó me contava quando mais novo.— Respondo.
— Para você ter ficado assim me parece interessante, conte-me?— Pediu parecendo estar interessada.
— Ah, não é nada demais quer dizer eu não sei se faz muito sentindo, porém...— volto a olhar em seus olhos— existe uma lenda que dizia que aonde o mar termina e o céu se inicia, encontram-se as chaves do paraíso.
— Eu conheço essa lenda!— Disse entusiasmada.— Eu tinha um livro velho no qual herdei de meus avós maternos, nele tinha essa lenda. Dizia que para encontrá-lo era necessário primeiro encontrar o mundo perdido. Um mundo parecido com o nosso, mas com uma sociedade diferente. Com muita magia e criaturas peculiares. Eu gostava tanto dessa história.— Seu olhar transmitia nostalgia e coisas boas.
— Dizia que esse paraíso, pode ser qualquer coisa, qualquer coisa de forma individual que se materialize naquilo em que mais deseja.
— Poderíamos ir atrás do nosso tesouro...— a encaro sem entender— por exemplo, estaremos fugindo por enquanto de todo esse caos por um tempo e sairemos em busca de nos encontrarmos. Ou seja, em busca do nosso próprio tesouro.
— É uma comparação coerente...
No saguão, senhora Chang segurava um lindo arranjo se flores, eram lírios. Os mais belos lirios azuis o qual estranhei, pois são extremamente raros e difícil de ser encontrado.
— Que flores bonitas...— disse Genevive.
— São belíssimas não é mesmo senhorita?— Perguntou e a mesma concordou.— Elas são para o Jimin.
— Eu?— Pergunto surpreso.
— Sim, quando cheguei aqui, elas já estavam não vi quem as trouxe, então querido sinto muito não terei como dizer, mas a pessoa deixou um cartão com seu nome.— Respondeu e pego o cartão que estava preso ao arranjo.
"Segurança e beleza. Não há outra forma de te dizer para que fique bem pois você é extremamente protegido. Queira saber também, que não existem palavras o suficiente que possam descrever o quão belo você é."
— Galantiador. Quem será o admirador secreto de Jimin?— Genevive perguntou.
— Eu não faço ideia, mas só sei que essa pessoa sabe um pouco sobre essa espécie de lírio. Ele deixou escrito as duas simbologias dessa aqui segurança e beleza e por incrível que pareça, eu estive pensando em algumas coisas voltadas a isso.— Falo sem compreensão do porque e quem me deu isso, mas tentando entender como a pessoa escolheu isso em um momento em que venho me sentindo vulnerável e com medo e tendo novamente problemas com as mudanças em meu corpo. Pode ser apenas coincidência sim, mas não deixa de ser estranho.
"O lírio contém diversas simbologias e significados. Eram as flores preferidas da vovó e receber essas flores em anónimo, me fizeram sentir ainda mais a sua perda hoje.
Na mitologia acredita-se que Hera, esposa de Zeus, teve tanto leite para amamentar Hércules que jorrou gotas para o alto. Aquelas que tocaram o chão fizeram brotar lírios. Os lírios também estão associados a proteção, inteligência e respeito. Por causa da sua fama de repelir os malefícios, sendo assim muito cultivadas nos jardins residenciais.
Os lírios-branco, que é o mais conhecido pelas pessoas, traz o sinônimo de pureza da alma e a ingenuidade juvenil. Por esse motivo, é frequentemente presente e usados em arranjos que decoram casamentos ou até mesmo no buquê.
Por fim, só queria dizer que uma memória nossa foi desbloqueada e me fazendo até mesmo ter idéias para a minha fuga e também só queria falar novamente. O quanto eu sinto sua falta..."
— Então é isso que você escreve? Interessante é um bom passatempo, escreve quando quer e na hora que quer, sem compromisso.— Mexo lentamente o açúcar dentro de meu café com a colher.
— Exatamente, eu não gosto de diários, me parecem sufocantes.— Respondo.
— Com toda certeza, quando mais nova tentava manter um para o poder aparecer ser uma adolescente padrãozinho de ensino médio, garota apaixonada de filme anos dois mil sabe? Mas nunca consegui.
— Eu entendo, pensava dessa forma, nunca tive paciência oara escrever todo os dias como está a minha vida. Mas, falando sério Genevive...— se concentra no que eu estava dizendo enquanto tomava seu milkshake de morango— você quer mesmo fazer isso? Você poderia ficar, apenas eu saindo de cena...
— Não!— Me interrompeu.— Se você fizer isso é capaz de piorar a situação, já pensou se me fazem casar com o incoerente e assediador do Kwan? Não mesmo, eu vou junto. Passamos um tempo e quando eu sentir que essa ideia maluca acabou, eu volto okay?— Pergunta.
— Okay, se está dizendo eu só não quero parecer está te obrigando a isso.
— E não está, estou fazendo por vontade própria, quero apenas liberdade sobre a minha vida e as minhas decisões. Podendo ser qualquer, eu irei.— Pego um dos lírios ao meu lado do buquê e o analiso.
— Até mesmo se for para encontrar o paraíso?...
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