Capítulo 20
Recebi uma ligação da Lígia durante a tarde e ela informou que a situação do Flávio não era nada boa. Eles conseguiram um mandado de busca e apreensão para seu computador, pois desconfiavam que lá possuísse mais vídeos de pornografia infantil.
Ela também me disse que eles estavam averiguando se tinha sido pelo celular do Flávio que foram filmados os nossos vídeos e que em breve sairia o laudo da perícia. Enquanto isso o Flávio ficaria detido.
Kimi me ligou a noite para ter novidades sobre o caso do Flávio e me deu uma boa notícia: Brenda havia tido alta da clínica e já estava em casa.
— Sério mesmo? – Perguntei.
— Sim. Eu conversei com ela por telefone.
— Caramba. Que ótima notícia. – Fiquei feliz.
— Ela está querendo voltar para a faculdade na segunda mesmo. – Kimi falou.
— Mas ela já pode voltar assim tão rápido? – Perguntei.
— Bom, ela disse que o médico deu carta branca. Disse que seria até bom ela voltar e preencher a cabeça com alguma coisa.
— Nisso ele tem razão. – Suspirei. — Você vai visitá-la nesse final de semana?
— Talvez amanhã.
— Creio que a minha visita também esteja proibida na casa dela, não é? – Perguntei.
— Eu acho que sim, Alex. Mas não se preocupe, eu digo a ela que você mandou um beijo.
— Tudo bem.
Desliguei e logo recebi uma mensagem da Lígia pedindo para ir ao apartamento dela. Subi quase correndo para ver a minha deusa.
— Oi amor! – Lígia falou manhosa assim que abriu a porta. Me derreti com o jeito que ela me chamou.
A puxei para um beijo e logo a empurrei para o sofá, me perdendo em seu corpo mais que perfeito. Nos amamos no sofá e no chão durante horas.
— Vai ser incrível quando morarmos juntas. – Falei e Lígia sorriu.
— Já vai se preparando porque faremos amor mais de uma vez por dia.
— Isso não é nenhum problema pra mim, senhorita. – Sorri.
— Bom saber. – Lígia encerrou me dando um beijo.
— A Kimi me ligou hoje. – Falei depois de um tempo, Lígia me encarou enquanto fazia carinho em minha barriga. — Ela disse que a Brenda teve alta e que talvez na segunda já volte para a faculdade.
— Isso é bom. – Lígia desviou seus olhos dos meus. — Alex... você sente algo por ela?
— Só amizade. Eu amo você sua boba. – Sorri e Lígia me deu um beijo.
— Eu também te amo... Tanto.
Namoramos mais um pouco e depois fui para casa. Lígia não me deixou dormir lá porque queria trocar a cama dela. Queria uma cama só nossa.
O final de semana passou depressa. Lígia e eu namoramos muito nesses dois dias, parecia que estávamos em lua de mel.
— Amor, você está conseguindo acompanhar as aulas? – Lígia perguntou no domingo a tarde, enquanto assistíamos televisão juntas.
— Estou sim, por quê?
— Se você tiver dificuldades é só me dizer, eu tiro todas as suas dúvidas.
— Na verdade eu tenho sim, na aula de anatomia.
— Mas nós não temos essa aula, Alex. – Sorri e Lígia me deu um tapinha leve.
— Brincadeira, você também vai me ajudar nos deveres né? – Dei um sorriso sapeca.
— Depende. Posso te ajudar tirando dúvidas.
— Credo amor. – Lígia sorriu. — Você também pode aliviar nas provas né?
— Nem pensar. Não estude não para você ver. – Ri do jeito bravo dela.
— Eu estou brincando amor, estou estudando e entendendo tudo até agora.
— Que bom. – Ganhei um beijo dela.
— Amor?
— Oi. – Lígia respondeu.
— O que acontece se provarmos que o pai da Brenda abusou dela esses anos todos?
— Alex... Você ainda insiste nisso?
— Claro, porque eu tenho certeza de que ele faz algo com ela. – Lígia suspirou.
— Tudo bem, Alex. Mas respondendo a sua pergunta: não sabemos há quanto tempo ele abusa dela e se ainda continua. O código penal brasileiro permite sim que o caso seja denunciado alguns anos após o ocorrido. Porém, tudo vai depender de quanto tempo se passou. Isso porque há um prazo para que o crime prescreva e deixe de valer alguma punição.
— E quanto tempo o crime prescreve? – Perguntei.
— Vai depender de qual foi o crime cometido e qual seria a pena aplicada a ele. Se o crime tiver pena prevista superior a 12 anos, ele prescreve em 20 anos. Isso vale para o caso de estupro de vulnerável (menor de 14 anos), cuja pena é de 15 anos. Ou seja, se esse for o crime, a vítima tem até 20 anos para denunciar seu agressor. Porém, isso varia de acordo com cada caso, existe a possibilidade de prescrever em 16, 12, 8, 4 ou 3 anos. – Lígia respondeu. — O ideal é ela procurar por um advogado, que irá avaliar aquela conduta e poderá dizer se ainda é possível entrar com um processo contra o agressor.
— Eu entendi, mas como a Brenda pode provar que é vítima, mesmo que tenha acontecido só na infância?
— É difícil já que não há testemunhas que tenham presenciado o ocorrido,além de não ser possível realizar nenhum tipo de exame físico, mas também não éimpossível. Existe outro tipo de prova, que é a prova por indícios.
Acontece se uma gama de pessoas presta queixa contra uma mesma pessoa, se tornando uma evidência de que o acusado pode mesmo ser culpado.
— Bom, então nesse caso vai ser simplesmente impossível. – Falei. — Acho que o pai dela não tem nenhuma queixa feita por outras pessoas.
— É, nesse caso complica as coisas.
— Talvez a Brenda se abra inteira pra mim. – Lígia me encarou arregalando os olhos. — Quer dizer... Fazê-la desabafar comigo, melhor assim? – Corrigi a frase e Lígia concordou. — Sei que tem algo errado nisso.
— Vai com calma. Não a pressione. Ela acabou de ter um surto e fazê-la lembrar de coisas traumáticas pode trazer uma recaída.
— Entendi.
Ficamos conversando mais um pouco e depois desci para minha casa. Precisava pensar em alguma coisa para ajudar Brenda nessa situação e colocar o pai dela atrás das grades se possível.
À noite Kimi me ligou e me deixou informada. Disse que Brenda estava ótima e tomando os remédios. Amanhã ela já voltaria para as aulas, mesmo o pai tendo criado confusão. Pelo que Kimi me contou, o pai de Brenda queria transferi-la para outra faculdade, pois eu tinha sido a causadora do seu surto e continuarmos na mesma sala não seria nada bom.
— A verdade é que ele quer colocar a culpa em mim de qualquer forma e se livrar das acusações que fiz contra ele. – Falei para Kimi ao telefone.
— Pode ser.
— Você o viu lá na casa da Brenda? – Perguntei.
— Não, só estava a mãe dela lá. Mas e aí, você vai conversar com ela quando?
— Não sei, a Lígia pediu para ir com calma. Mas também não sei como fazer isso, entende? – Kimi concordou do outro lado da linha. — Como chegar em uma pessoa e perguntar se o pai abusa dela?
— É eu também não faço ideia. Naquele dia foi ela quem começou a falar, mas quando perguntei quem era a tal pessoa, ela simplesmente mudou de assunto como se estivesse com medo... Não sei.
— É complicado mesmo. Kimi, eu já vou desligar porque está tarde. Amanhã conversamos mais.
Kimi se despediu e desligou.
Eu teria que pensar muito a respeito do que fazer em relação à Brenda e ao pai dela. Mas antes eu teria que saber se a Brenda gostaria que ele fosse preso. Mesmo achando que o pai dela deveria pagar pelo que fez, eu não poderia ir contra a vontade dela. Brenda estava desgastada há muito tempo e eu não queria desgastá-la ainda mais com essa história.
No dia seguinte, cheguei à faculdade e esperei pelos meninos. Brenda apareceu na porta meio tímida e sorriu quando me viu. Ela se aproximou e eu a puxei, lhe dando um abraço.
— Uau, como é bom te ver. Como você está? – Perguntei em meio ao abraço.
— Bem melhor. – Ela sorriu.
— Bem vinda de volta. – Falei e sorri.
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