Capítulo 14 - POV Lígia
Minha vida estava totalmente de cabeça para baixo, não imaginava que isso algum dia aconteceria comigo... Logo eu, que nunca havia me apaixonado antes... Agora estava aqui, estirada no sofá da minha casa aos prantos sofrendo por causa de uma menina. Alex entrou tão de repente na minha vida e nem pediu permissão, simplesmente se instalou e pegou o que julgava ser dela... Meu coração.
Desde o primeiro dia que a vi, meu coração havia se rendido a ela... Tão linda e tão absurdamente abusada.
Quando Alex me apalpou no elevador, seu toque havia me arrepiado inteira e não só isso, tal gesto havia me deixado completamente excitada. Eu percebi que ela havia se desequilibrado, mas não ia dar o braço a torcer de jeito nenhum. Talvez por medo de tais sensações e por ter sido uma mulher a me causar isso, quis mostrar quem estava no controle e a única forma que achei foi estapeá-la, mesmo sabendo que ela não tinha culpa.
Alex me deixava e ainda me deixa completamente sem ação, seus olhos me hipnotizam, seus lábios mexem com os meus sentidos, seu corpo... ah o seu corpo me rouba o juízo.
E assim eu achava que estava no controle, mas o que eu não sabia era que a Alex estava no controle desde o início, me puxando cada vez mais para ela.
Até antes de conhecê-la, eu não acreditava em destino, achava pura bobagem. Hoje vejo que estava errada. Talvez nossos destinos já estivessem escritos há muito tempo e em algum momento estariam prontos para se unirem. E por mais que seja turbulenta a nossa convivência, é assim que está destinado a acontecer.
Tentei muitas vezes fazer com que a Alex se afastasse de mim, não achava certo magoá-la e por muitas vezes tive medo de me magoar, já que nunca tinha me apaixonado antes. Mas ela sempre voltava... Cada vez mais linda e mais absurdamente abusada, mexendo com cada pedacinho do meu corpo e alma.
Muitas vezes Alex me perguntava quando iria me separar do Júlio e eu nunca lhe dei uma resposta concreta, mas a verdade é que meu casamento com ele foi um erro desde o começo. Eu tinha medo de me divorciar e colocar todas as esperanças nesse relacionamento com a Alex, e no final sair machucada dessa história.
A princípio eu achava que a Alex só queria mais uma mulher na sua lista, pois era essa a impressão que eu tinha dela, de que ela adorava ir à caça só para aumentar sua lista de predadora e no final as presas saíam todas destroçadas. Mas fui me enganando aos poucos, Alex realmente gostava de mim.
Júlio e eu éramos amigos há bastante tempo e tudo foi acontecendo rápido demais, quando dei por mim já estava com o casamento marcado. Se eu soubesse de tudo o que eu passaria, nem teria me casado, já que foi nesse dia que conheci a Alex... Seria tudo tão mais fácil se pudéssemos ver o futuro.
Nunca o amei, sempre tive um carinho imenso por ele e achei que um dia se transformaria em amor. Engano meu, e não pretendo cometê-lo novamente. Esse carinho que sentia por Júlio, já não existe mais. Acabou desde o dia em que o vi me traindo e só o perdoei por ainda achar que talvez me magoasse com a Alex. Outros fatores também contribuíram para que meu carinho por Júlio acabasse, minhas desconfianças só aumentaram de que ele tinha um interesse particular nos meus bens e no meu dinheiro, mesmo eu nunca tendo ostentado uma vida rica. Algumas pessoas acham que por eu ter esse jeito arrogante e nariz em pé, sou milionária... A verdade é que sempre levei uma vida simples e conquistei tudo com meu árduo trabalho, tirando esse
apartamento, que foi presente dos meus pais.
Jamais pensei que o Júlio fosse capaz de me levantar a mão, mas infelizmente eu sou mais uma nas estatísticas de mulheres que apanham do marido. Júlio achou que eu o estava traindo com outro homem, o que encadeou a fúria dele. Ao contrário do que a Alex pensa, não deixei isso barato, assim que Júlio me bateu, revidei com um tapa certeiro em sua face e um chute nas partes baixas dele, deixando-o caído na sala. Se eu apanhasse, ele também apanharia. É claro que não há como competir com um homem, nossa força é inferior à deles, mas tentaria rebater machucando-o da mesma forma. Naquela noite, o deixei trancado do lado de fora do quarto e na manhã seguinte quando estava saindo, ele veio todo manso me pedindo perdão. Mal sabia eu que a partir desse dia eu começaria a viver em um inferno.
Depois que Júlio descobriu que havia sido a Alex que me fez todas aquelas marcas, ele ficou doido... Sua masculinidade falou mais alto e ele teve certeza de que teria Alex e eu como troféus. Simplesmente achava que nos teria na cama dele. Óbvio que eu jamais dividiria a Alex com alguém, principalmente o Júlio. Só de pensar nessa possibilidade já me dá uma dorzinha no peito.
Alex veio aqui em casa e mostrou para o Júlio que ela não tinha medo dele. Mesmo sabendo que foi imprudente da parte dela, achei aquilo um gesto muito fofo. E no final me deu uma satisfação maior ainda, pois Júlio também desfilava um olho roxo igual ao meu, ao contrário do dele, eu ainda conseguia disfarçar com maquiagem.
Depois do soco que Alex deu em Júlio, ele passou a me ameaçar e para piorar... Passou a ameaçar a Alex de morte. Não iria deixar que ele fizesse nada com ela.
Ele me obrigou a ir para a cama com ele, e nem desconfiei das suas reais intenções. Nunca me senti tão machucada por alguém, nem quando ele me bateu doeu tanto como o que ele fez comigo naquela cama. Tratou-me pior do que um cachorro de rua, me dominando a força, me machucando. Mas tudo aquilo era por um bem maior, a segurança da mulher que eu amava. No banho tentei lavar a dor que sentia, não só física como emocional, e ao sair, tentei me fazer de forte como sempre, mas estava destroçada por dentro. Mais uma vez Júlio me mostrava um lado dele que eu desconhecia.
Quanto à filmagem, ele fez tudo de caso pensado, nos filmou e mandou para Alex, provocando-a.
Quando Alex saiu pela porta da minha casa hoje, levou com ela parte de mim. Uma dor profunda se instalara em meu coração no momento em que ela disse que tudo havia acabado entre nós, uma dor que até aquele momento eu só havia sentido uma vez... quando vi Alex de mãos dadas com a Brenda.
Vendo as duas juntas, senti uma dor e um ciúme que nunca havia sentido e minha vontade era agarrar no pescoço de Brenda e gritar a plenos pulmões que a Alex era só minha.
Fiquei muito mal, achando que Alex e Brenda estavam namorando, mas Alex me garantiu que não estavam. Depois do surto da Brenda, eu percebi que Alex não a queria como me queria... Era só amizade, mesmo as duas tendo ficado duas vezes. Aquilo me deixou aliviada de certa forma e triste ao mesmo tempo, pois percebi que Brenda também tinha um sentimento nascendo dentro dela em relação a Alex.
Não sei por quanto tempo fiquei ali no sofá chorando. Tudo aconteceu por conta do Júlio, ele era o total responsável por isso e ia me pagar por tal afrontamento. Como ele ousou mandar aquele vídeo para a Alex?
Eu tentei explicar a ela, mas no lugar dela, eu também não teria deixado ninguém se explicar. Tranquei-me no quarto e não saí para nada, só tinha forças para chorar. Júlio bateu na porta do quarto mandando que eu abrisse e gritei para que ele me deixasse em paz. Eu sabia que tinha perdido essa batalha e que talvez Alex não me pertencesse mais, mas não queria acreditar sem tentar falar com ela antes.
Passei a noite em claro, chorando e andando pelo quarto. O que Alex estaria fazendo àquela hora? Estaria pensando em mim? Estaria acordada também? Ou será se estava com alguém? As dúvidas martelavam em minha cabeça e a saudade já se fazia presente, trazendo uma nova enxurrada de lágrimas.
A segunda feira chegou e eu não tinha ânimo para nada, quase cogitei a ideia de ligar para a faculdade e dizer que não iria, mas lembrei de que daria aula na turma de Alex e assim fui me arrumar. Quando encontrei com Júlio na sala, minha raiva veio à tona e o esbofeteei duas vezes, um tapa de cada lado.
— Tá maluca? – Ele perguntou me empurrando com força na parede.
— Você é um cretino, Júlio. Como ousa me filmar e mandar para a Alex? Você não presta, seu imundo. – Me aproximei dele novamente e encerrei com outro tapa em sua face já vermelha.
Saí de lá sem dar chance para o Júlio falar. Meu humor estava péssimo e ainda não tinha ânimo nenhum para discutir com ele.
Ao chegar à sala, logo avistei Alex... Tão linda, seu olhar me desnudava a alma, me paralisava. Ela desviou seus olhos dos meus rapidamente, me dando uma dorzinha no peito e um medo de que havia perdido ela de vez.
Nem sei como consegui terminar a aula, ou pelo menos eu achava que tinha conseguido dar aula. Percebi muitos alunos me olhando confusos enquanto eu falava. Pela primeira vez eu dei aula no piloto automático, minha vida pessoal estava atrapalhando minha vida profissional e eu não podia fazer nada.
Ao final da aula, abordei Alex e tentei conversar com ela, mas não obtive sucesso. Saí da sala derrotada e com uma vontade enorme de chorar. Fui embora no intervalo, alegando estar com uma gripe fortíssima. Ao sair da faculdade, com os pensamentos em Alex, não vi o carro à minha frente e acabei causando um pequeno acidente. Nem eu e nem o outro motorista nos machucamos, mas fiquei com um belo prejuízo, pois meu carro amassou mais do que o da frente e ainda tive que pagar o conserto do carro dele. Claro, a culpa tinha sido minha, então eu teria que arcar.
Naquela noite, eu ainda estava possessa com Júlio, não aguentava nem olhar para a cara dele e sem menos esperar, ele entra com a cara toda arrebentada, sangrando. Ele xingava até a última geração da Alex.
Preocupada, levantei e corri para o elevador, sendo xingada também pelo Júlio. Precisava saber se Alex estava bem.
Fiquei aliviada quando vi que a minha menina estava bem. Corri para abraçá-la e matar as saudades do cheirinho tão gostoso dela. Infelizmente acabei estragando tudo quando respondi à Dona Ângela que eu não podia me separar do Júlio, Alex começou a gritar e depois correu para o quarto enquanto eu caía em um choro sofrido no sofá, sendo amparada pela mãe dela.
Escutei coisas quebrando no quarto da Alex e a mãe dela aconselhou que eu a deixasse quieta, que no dia seguinte conversássemos.
Chorei bastante no colo daquela mulher, que até uns dias atrás não era muito a minha fã. Ao contrário da Dona Ângela, Eric, o pai da Alex, acreditava no sentimento que eu tinha pela filha dele. E algo que me deixou perplexa foi o que ele me disse:
— Corra e lute pelo amor da Alex. Faça a coisa certa dessa vez.
Sim, eu faria a coisa certa dessa vez. A começar pelo Júlio. Saí da casa da Alex com a certeza de que tudo iria mudar a partir daquela noite.
Cheguei em casa e vi Júlio na sala com um saco de gelo no nariz inchado e vermelho. Aproximei-me e dei o ultimato a ele:
— Eu quero o divórcio.
— O quê? Ficou maluca?
— Não, quero que você comece a ver outro lugar para ficar, imediatamente.
— Lígia, eu não vou sair daqui. Essa casa é minha. – Ele aproximou-se de mim. — Isso tudo é por causa daquela puta?
Desferi um tapa tão forte na face do Júlio que o lábio dele cortou.
— Nunca mais fale da Alex!
— Já que eu não vou ficar com você... ela também não vai. Guarde minhas
palavras. – Ele me deu um sorriso maníaco.
— Eu não tenho medo de você, Júlio. – Por dentro eu estava morrendo de medo dele fazer algo contra a Alex. — Meu advogado entrará em contato com você.
Tranquei-me no quarto. Sabia que estava fazendo a coisa certa agora. Pena que demorei tanto tempo para fazer isso.
Fiz uma ligação e deixei tudo arquitetado para o dia seguinte, tentaria me redimir com a Alex e não só isso, queria deixar claro que a amava e era com ela que queria ficar... Faria a coisa certa já que eu pretendia ser feliz com aquela menina.
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