( 30 ) Mudanças e "O QUE?!" 🤯

OIOI 😆

Pela terceira vez seguida: perdão pelo horário 😭

Xinguem o governo do Pará por não dar estabilidade para a rede energia, não eu!!

E essa minha internet de pobre também, pq até pra postar as vezes complica e pra responder um comentário é trezentos anos😞 #salvemoliedaprobeza

Perdoem qualquer erro de ortografia ai mds são quase 15K de palavras e meu dedo ta quase caindo socorr

Belezinha, vamos para uns avizinho pra vcs ficarem cientes do que iram ler nesse cap:

⚠️ muita boiolagem dos jikook, racismo, preconceito com neurodivergentes( autista, no caso o jungkook) , boiolagem, gays se beijando, casal gay boiola e feliz, as surpresas bem 🤯🤯 no final do cap e mais viadinhos pão com ovo sendo baitolinhas⚠️

voto + comentário= tiO lie bam baitolinha, gay, feliz e animado🥺💕

Agora, fiquem com o cap pq o tiO lie aqui está muito cansadinhO

Boa leitura!

J I M J N

Eu senti o chão fugir de meus pés. 

Senti como se eu estivesse flutuando em um abismo profundo, sem apoio algum e a voz aterrorizante do maligno me deixando sem fôlego. Sem amparo. 

Mas eu não estava. Jin Hyung estava ali, me segurando para que eu não caísse pelo susto que levei ao ouvir a voz dele. 

Depois de tanto tempo, Kim Woojin estava de volta, mesmo que por ligação.   

E era horrível ouvir sua voz.

Uma das piores sensações que já tive o desprazer de sentir. 

— Jimin-ah, o que está acontecendo? — Jin perguntou, me colocando sentado em uma das cadeirinha da livraria. 

Oh, está no trabalho, meu bem? — Woojin perguntou, a voz nojenta soando de uma forma que me deu ânsia de vômito. Me chamando da mesma forma que chamava quando ainda estávamos juntos. — Desculpe, eu não sabia. — Ele sabia. 

— O que você quer? — Perguntei, esperando uma resposta breve sua. 

— Jimin, o que está acontecendo? — Jin perguntou novamente. Coloquei a ligação no viva voz, dando a ele uma resposta.

Estava com saudades de você, apenas isso. — Disse, a falsidade banhando sua voz. — Podemos nos encontrar de novo? Sinto falta da sensação do seu pau me- 

Não, não quero ouvir coisas assim. Não vou me dar a falta de sorte de ouvir essas baboseiras.

— Vai se foder, Woojin!— O interrompi, sentindo minha cabeça girar e minha barriga se contrair ao entender o que ele estava dizendo. — Diz logo o que você quer e me deixa em paz! 

Jin hyung franziu o cenho, visivelmente incomodado com aquela situação chatíssima. 

Está estressadinho, Jiminie? — O tom debochado e desdenhoso nunca deixava sua voz. — Seu novo namoradinho não consegue tirar esse estresse de você como eu fazia, não é? 

Se ele estivesse aqui, eu com certeza teria lhe socado até perder a capacidade de falar. 

— Diz o que você quer e some mais uma vez. — Respondi, ignorando suas insinuações nojentas. 

Jin hyung tirou o celular do bolso, a expressão de nojo tão evidente em seu rosto, quanto no meu. 

Só estava com saudades mesmo. — Ainda insistindo em sua mentira, ele respondeu. 

— Para de mentir, desgraçado! — Exigi, cansado de ouvir ladainhas. — Eu sei de basicamente tudo, de seu rolo com Ji-hoon! 

Mas não tem como fugir mesmo, não é?— Ele suspirou.—  Acho que você já tem ideia de que seu papai e eu andamos trabalhando juntos. Então, não tem como negar mesmo. 

Queria saber que tipo de maldade eu fiz em uma vida passada para estar sofrendo essas perseguições sem sentido nessa aqui. Por que não é possível que eu tenha sido tão nojento ao ponto de merecer esses demônios me perseguindo! 

— Jimin, tenta fazer ele falar mais. — Seojin sussurrou em meu ouvido, aproximando seu celular do meu. — Mais provas. 

— O que você quer dizer com “andam juntos” Woojin? — Fingi que não tinha entendido, fazendo o que SeokJin pediu. — Você é horrível ao ponto de se juntar com alguém que sabe ter feito mal a mim?  

Você está sozinho? — Ele perguntou, franzi o cenho. — Acha que burro para conversar sobre esses assuntos por celular, Jiminie? — Meu nome saiu arrastado, me dando reviravoltas no estômago. 

Ele pode ser muitas coisas, mas burro não é uma delas. 

— Diga logo o que quer. — Pedi, cansado. Um abraço de Jungkook ou da minha mãe com certeza me deixaria muito melhor. 

— Venha conversar pessoalmente comigo. Sozinho. — Exigiu, ri sem humor. 

— Você só pode estar muito louco por achar que eu aceito isso. — Neguei com a cabeça. — Que foi? Vai tentar explodir outro lugar para que eu seja visto como culpado novamente? 

Diga que sim, diga que sim! Isso faria total diferença para mim e no processo de Junghyun. 

E no que irei abrir contra vocês. 

— Ainda com remorso disso? — Ele respondeu, abri um sorriso largo, tentando não demonstrar um pouco da minha felicidade diante da ligação. — Supere isso, Jiminie, já tem tempos! 

— Você quase destruiu o meu futuro! — Retruquei, ele riu. Perdi minha paciência. — Vai se foder, nojento! Não me liga mais ou eu te mando pra casa do caralho!— Dei fim a ligação. 

— Jimin! — Seokjin protestou, franzindo o cenho. — Ele poderia dar mais informações! 

— Jin, esse cara é um sem noção idiota, mas não é burro. — Neguei com a cabeça. — Ele não iria dizer coisas que comprometesse o seu esquema com Junghyun assim, de forma tão evidente. 

Jin ficou quieto, analisando a situação e abrindo rapidamente o celular e discando o numero de alguém. 

— Jimin, me manda o número desse filho da puta. — Pediu, de sobrancelhas franzidas e uma expressão nada amigável.

Era até bom que nós estivéssemos sozinhos, já que seria meio complicado explicar isso para Jungkook e Jung-hee sem fazer muito alarde. Não quero preocupa-los.

Ainda mais Jung-hee com a audiência de Junghyun tão próxima assim.

— O que está fazendo, hyung? — Perguntei para Jin, fazendo o que me foi pedido. 

— Vou mandar o número dele para meu tio rastrear e hackear— Respondeu simples. — E depois vamos à delegacia resolver algumas coisas. 

O que? 

— Hyung- 

— Tio! — Ele me interrompeu, começando a falar com o homem. — Sabe o caso de Park Jimin? Aquele que te passei? — Seokjin afastou o celular do ouvido, colocando a ligação em viva-voz. 

— Sim Jin! — A voz grave do homem se fez presente, me deixando meio ansioso. — Estou conseguindo informações sobre o pai do garoto e o tal Taemin, tem mais gente do que eu pensava envolvida nisso. — O senhor falou, o barulho de teclas de computador sendo apertadas se fez presente. — Um tal de Woojin entrou em contato com Ji-hoon a poucos dias. 

Meu sangue praticamente fugiu do corpo. 

— Era justamente disse que queríamos falar, tio. — Jin disse. — Esse Woojin explodiu o depósito da faculdade que Jimin estuda e tentou incriminá-lo, depois de tudo ele fugiu e quase ferrou com a vida do pitico, e foi tudo a mando do Ji-hoon. — Suspirou, negando com a cabeça. — Recebemos uma ligação dele, meio que provocando Jimin. O senhor pode rastrear esse número que vou mandar? Se hackeasse, seria melhor ainda. 

Às vezes investigadores me dão medo. Mas também me deixam impressionado com suas inteligências e habilidades.

— Farei isso sim. — O homem disse. — Diga a ele que esse caso está quase resolvido, preciso apenas de mais algumas provas para solicitar o mandado de prisão para esses criminosos. — Foi a última coisa que disse antes de findar a ligação.

Uau. 

— So… Uau. — Falei, surpreso. — Isso é… 

— É uma boa notícia. — Respondeu, sorrindo. — Fica tranquilo, se aqueles babacas tentarem fazer alguma coisa, vão apenas adiantar a prisão deles. 

— Eu nem sei o que dizer!— Falei, lhe abraçando. — Bendito seja o dia que contratamos você!

— É, eu também acho. — Sorriu, bagunçando meus cabelos. — Sou grato por ter amigos legais como vocês. 

Irei me emocionar. 

— O que você vai fazer com o áudio que fez da minha ligação com Woojin? — Voltei ao assunto inicial. 

— Usar contra ele.— Respondeu de maneira simples. — Ele não negou sua acusação sobre a explosão, logo, isso faz dele um suspeito. — Piscou o olho de maneira divertida, sustentando um sorriso sarcástico. 

As coisas estão indo por um lado que não havia planejado, mas isso não quer dizer que seja ruim. 

🧚🏻‍♂️🤯

Hoje era terça feira, quatro de setembro e, possivelmente, minha última consulta com Namjoon. 

Por conta da nossa amizade, que cresceu mais do que eu imaginava, não era certo ele continuar como meu psicólogo, já que isso está meio que quebrando uma das principais regras da psicoterapia, a imparcialidade. 

Mas isso não quer dizer que vamos cortar os laços, ele simplesmente não irá mais ser o profissional que irá me acompanhar no meu desenvolvimento psicológico, mas ainda será o meu amigo. 

Namjoon me falou sobre isso e eu confesso que não estava me lembrando desse pequeno detalhe que foi dito em sala de aula a alguns dias atrás. Ele está certo, já que nossa amizade pode atrapalhar no meu desenvolvimento e no de Jungkook, que concordou a trocar de psicólogo, mas um confiável, indicado justamente por Namjoon. 

— Olá, Jimin-ssi. — Namjoon disse assim que entrei em seu consultório, ajeitando os óculos de grau no nariz pequeno. — Como foi sua semana? 

Irei sentir falta dessa pergunta semanalmente. 

— Os ultimos quatro dias foram… Bastante agitados. — Sorri, me ajeitando no divã de sua sala. — Depois do aniversário de Jungkook, parece que os poucos momentos de paz que eu tinha semana passada sumiram e uma enxurrada de problemas andar caindo na minha cabeça. — Suspirei. 

— Quer dizer que tipo de problemas está te deixando assim?— Anotou algo em seu computador, sorrindo calmamente. 

Vou sentir falta disso. 

 — Meu ex namorado apareceu uns dias atrás. — Respondi e segurei uma risada quando Namjoon tentou disfarçar sua surpresa e o crescer de seus olhos. 

— Ele tentou fazer algo ruim? 

— Woojin ligou para Jung-hee e mentiu dizendo que eu pedi para que ele pegasse Jungkook na escola dele. — Mordi o lábio inferior, sentindo um aperto no peito.— Obviamente meu chefe não deu sequer uma informação pro desgraçado, mas isso não quer dizer que eu estou tranquilo. 

— Entendo…— Ele suspirou. — Você contatou a polícia sobre isso? 

— Jin hyung e seu tio estão empenhados em resolver logo esse caso e ter provas o suficientes para prender Ji-hoon e toda sua gangue nojenta.— Sorri, sentindo certo alívio ao dizer aquelas palavras.  

—Isso é bom. — Ele sorriu, balançando a cabeça e voltando a anotar algo em seu computador. — Tem mais alguma coisa te incomodando? 

— Estou com medo da audiência de Junghyun…——  Confessei, sentindo meu peito apertar da mesma maneira de sempre ao tocar nesse assunto to. — Tenho medo de que as coisas saiam do controle. 

— O certo é confiar na justiça, mesmo que ela não seja a favor dos que realmente precisam, mas sim, dos que tem dinheiro.— Ele suspirou. Aquilo era algo pessoal para ele. — Tenho certeza que Junghyun tem os dois ao seu lado, já que ele é um homem, aparentemente, de bem. E tem dinheiro. 

— Sim, mas tenho medo do que pode acontecer se Jungkook  descobrir sobre isso também. Já cansei de insistir a Junghyun para que contasse para ele, mas o homem é cabeça dura! — Cruzei os braços, cansado. 

— Jungkook possivelmente irá entender os motivos do pai, Ji. — Ele riu, suspirando é votar a posição de antes.— Mas, fala do em. Jungkook, como ele está? Está tudo bem depois do aniversário dele? 

— Sim! — Respondi mais animado, relembrando dos nossos momentos na última semana. — Ele tem tido mais confiança em mim nos últimos dias para contar coisas que não contava antes, além de estar perdendo, aos poucos, sua timidez. 

— De pouco em pouco, Jungkook vai aprender a confiar em si mesmo e nas pessoas ao seu redor para contar as coisas que andam passando em sua cabecinha. — Ele sorriu, suspirando. — Como ele reagiu depois daquilo que você me como tou por celular? 

Aquele assunto me deixava levemente constrangido, já que era realmente algo íntimo meu é de Jungkook. 

— Ele ainda ficou meio tímido depois da nossa pequena conversa, dizendo que as únicas ereções que tinha era aquela costumeira de todo homem, a do xixi. — Sorri, relembrando da maneira adorável que ele tinha deixado aquela frase mesmo falando, literalmente, de ter ficado de pau duro por uma toques em locais sensíveis seu. 

Sua cintura é sensível, disso eu já sei. Jamais esquecerei. 

— Errado é quem acha que Jungkook é uma criança. — Namjoon sorriu, anotando algo em seu computador e me olhando. — Devagar ele vai entender as relações do próprio corpo e tentar desvendar cada coisinha que tiver curiosidade, Jiminie, é bom saber disso. — Concluiu, sorri é concordei. 

— Eu estou, e estou me preparando mentalmente para quando… Esses momentos chegarem. — Confessei, mordendo o lábio inferior. — Esse assunto ainda é muito constrangedor para mim, já que ainda não… Me imagino com Jungkook nesses momentos… Momentos quentes. 

— O melhor é explicar para ele e sempre conversar, Jimin. — Respondeu, sorrindo  fraquinho. — Jungkook é um jovem adulto que já completou a maioridade e sequer teve um contato sexual em sua vida, você possivelmente será o primeiro a ajudá-lo nesse momento de descobertas e curiosidades, ainda mais agora que ele teve sua… Primeira  ereção não matinal, digamos assim.— Sorriu ao completar sua frase, me deixando meio envergonhado. — Jungkook ainda é ingênuo e meio inocente, mas curioso e gosta de aprender. 

É, eu sei bem. 

— Espero ser um bom… Primeiro em tudo. — Se tinha meu estômago se revirar, constrangido e levemente ansioso. 

— Pois será, você sempre foi o bom "primeiro em tudo" para ele. — Sorriu, me confortando. — Aliás, como ele ficou com a notícia da troca de profissional? 

— Ele ficou chateado por um tempinho, dizendo seria difícil achar outras pessoas como você para entendê-lo bem… —Suspirei, sendo seguido por Namjoon. — Mas no fim aceitou, sabendo que não podíamos mais continuar o tratamento com você por mais tempo. 

— Eu sinto muito, mas é o certo a fazer. — Sorriu meio entristecido.

— Está tudo bem, eu venho repetindo para mim mesmo que vai ficar tudo bem. — Sorri, sentindo meus olhos lacrimejarem. — O melhor de tudo isso, é que agora tenho um amigo que posso contar a qualquer minuto como um ombro para desabafar, e vice e versa. — Respondi, ele sorriu e balançou a cabeça. 

— As vezes eu esqueço que você faz psicologia. — Disse com um sorriso pequeno nos labios. — Sabe, como essa é nossa ultima conculta como medico e paciente, tenho o direito de dizer que estou orgulhoso, Jimin. Estou muito orgulhoso de você. 

Namjoon irá me fazer chorar, e nem estou desabafando com ele agora. 

— É bastante significativo ouvir isso…— Respondi, abaixando a cabeça. — E é melhor ainda saber que você está certo em dizer isso, admito que superei bastante coisa de uns meses para cá. É bom perceber isso. 

— É bom abrir a mente e se permitir viver sem as amarras do passado, Jimin. — Pontuou, me fazendo suspirar,  bastante tocado com suas palavras e concordar com ele. — Estou ansioso para saber o que o Jimin do futuro irá dizer para você. 

— Eu ainda não tenho respostas. — Ri baixinho, ele concordou com a cabeça. — Mas você será uns dos primeiros a saber quando eu as ter. 

Nós nos despedimos com abraços apertados e eu segui caminho para fora de sua clínica, feliz por ter passado por uma etapa significativa e bastante longa ali durante os últimos meses. Agora, irei iniciar novas jornadas com o profissional que Namjoon indicou, mas nunca deixando de conversar às vezes com meu amigo. 

Foi profundo de minha parte dizer isso, estou emocionado. 

—Alô? — Atendi assim que meu celular tocou, quando encontrei um bom assento no ônibus, sorrindo ao ouvir a voz rosbotica de Jungkook. 

Oi, Jiminie hyung! — Foi a primeira coisa que disse, parecia animado. 

— Oi, docinho! Está tudo bem? 

Sim! — Ele parecia estar sorrindo. — Hobi hyung acabou de dizer que sou um dos m-melhores alunos que ele já teve! — Sua animação cresceu ao dizer aquilo, me arrancando um sorriso largo.

— Pra mim, você é o melhor. — Respondi, ele soltou um barulhinho engraçado, aquele som que faz com a boca sempre que está envergonhado. 

Você me deixa t-tímido quando  diz coisas assim. — Confessou, sorri novamente. — Mas eu gosto. 

— Gosto de elogiar meu namorado também. — Falei, ele riu baixinho. — Já estou dentro do ônibus e quase chegando no ponto, daqui a pouco estou ai. — Mudei de assunto. 

Vou pedir pro vovô fazer s-sanduíches para nós dois! — Respondeu, fazendo um pouco de barulho ao se levantar da cama, imagino eu. — Podemos ver alguma coisa na t-televisão? 

— Vai escolhendo o filme, quando eu chegar, vamos ver. — Sorri, mais ansioso para chegar em casa. 

Quero dizer, chegar em sua casa. 

Jiminie, e-eu estava vendo na internet coisinhas para comprar pro Bamie e… E a-apareceu um anuncio de série…— Ele parecia meio hesitante em dizer. 

— E sobre o que é? — Perguntei meio apreensivo, a internet não é muito confiável na maioria das vezes. 

Um m-medico autista. — Respondeu rápido, me deixando mais tranquilo. — E-eu queria ver… 

— Vai colocando ela. — Sorri, sabendo exatamente de qual série ele estava falando. — Chego em uns dez minutos, eu acho.

Está bem, hyung! — Animado novamente, ele disse. — B-bitoquinhas em sua boca de tulipa e até já! — E desligou. 

Eu fico tão bobo quando ele compara minha boca a tulipas. E, para melhorar ainda mais, são tulipas vermelhas. Não é por nada não, mas eu pesquisei o significado dessas flores e o resultado quase me fez chorar igual o bobinho apaixonado que sou. 

Tulipa vermelha: significa amor verdadeiro e eterno. 

Nosso amor é verdadeiro e, dependendo de mim, eterno. Não me vejo mais sem ter Jungkook ao meu lado, cuidado de mim do seu jeitinho e eu cuidando dele do meu jeitinho. 

Com esse pensamento,  cheguei na livraria com o maior sorriso que eu era capaz de dar, feliz por concluir uma etapa com Namjoon e por perceber que eu estou bem melhor do que o Jimin do passado pudesse imaginar. 

 — Cheguei!  — Disse assim que atravessei a porta de entrada, SeokJin e Hoseok estavam conversando animadamente no balcão. 

 — O sininho avisou a sua chegada.  — Hoseok falou, e eu sabia que ele não estava falando do sino que fica no alto da porta e toca sempre que alguém entra.

 — Jungkook está fazendo sanduíches com Jung-hee todo animadinho por que Hoseok elogiou a caligrafia dele. — SeokJin sorriu, um sorriso orgulhoso. 

Sorriso esse que predominava na boca de todos aqui.

 — Vamos assistir “ The good doctor” hoje.  — Me aproximei dele, deixando minha mochila no balcão.  — Acho que vai ser bom para ele ver que autistas podem ser qualquer coisa.

 — Ele quer ser médico também?  — Jin hyung perguntou. 

 — Acredito que não.  — Respondi, meio incerto.  — Mas se ele quiser, não tem nada pra impedir. 

 — Eu vejo potencial nele como artista.  — Hoseok comentou, sorri e concordei.  — Você viu o desenho de Apolo que ele fez? Impressionante, sério!  — Ele riu, parecia impressionado. 

 — Ainda não vi esse, mas acho que ele vai me mostrar.  — Suspirei, imaginando ele todo envergonhado e ansioso por uma reação minha enquanto me mostra o desenho, como sempre é. 

 — Hyung!  — Jungkook disse assim que apareceu na livraria, carregando uma bandeja com vários meios sanduíches nela.  — Fez pra nós! 

 — “Fizemos”, Jungkookie.  — Hoseok o corrigiu, Jungkook fez um biquinho contrariado. 

 —  V-você não fez nada.  — Brincou, arrancando uma risada de todos ali.  

 — Não, Jungkookie, eu quis dizer qu- 

 — E-eu entendi, hyung!  — Jungkook o interrompeu, sorrindo largo.  — Estava brincando! 

Eu amo tanto ele. 

 — Vem, Jiminie!  — Ele chamou a mim, segurando em minha mão e me puxando com suavidade em direção as escadas.  — Hyung's, vovô fez s-sanduíches para vocês também!  — Disse, tirando sorrisos sinceros e felizes de nossos amigos. 

Nós subimos em silêncio e, no meio do caminho para a sala, Bam apareceu abanando seu rabinho e praticamente pulando nas pernas de Jungkook. Para evitar que nosso lanche caisse, peguei a bandejinha de sua mão e seguimos caminho novamente, Jungkook com o filhote nos braços e eu levando nossa comida. 

 — Já colocou a série?  — Perguntei quando sentamos no sofa, ele sorriu e negou com a cabeça. 

 — Fui c-correndo fazer nossos lanches com o vovô… — Sorriu meio tímido, me deixando bobinho.  —  Fez de frango, você d-disse que gosta.  — Levantou uma das fatias dos pães, me mostrando o frango grelhado ali. 

 — Deu tempo de grelhar o frango em dez minutos?  — A pergunta saiu genuinamente surpresa de minha boca. 

 — Vovô estava fazendo para o jantar, hyung!  — Confessou, me fazendo rir.  — So… A-aproveitei. 

Jantar tão cedinho assim? Jungkookie, Jungkookie… 

 — Obrigado.  — Lhe dei um beijo na bochecha, seu sorriso cresceu.  — Vem, vamos ver um pouco da série que você escolheu. 

Um Bom Doutor é uma série espetacular, mostra evidentemente as dificuldades que o protagonista autista tem ao tentar ser aceito como cirurgião em um grande hospital e as várias batalhas que ele traça quando consegue.

 Jungkook ficou fascinado logo no primeiro episódio por notar algumas semelhanças suas no personagem interpretado por. Como por exemplo: Os movimentos que ele faz com as mãos, a falta de contato visual durante uma conversa ou até mesmo a forma de falar dele, às vezes. 

Ele disse que queria ter a inteligência que o doutor Shawn tinha, e eu falei que ele era possivelmente mais inteligente que o doutor. 

 — Não sou, hyung.  — Negou a cabeça, me arrancando uma risadinha baixa.  — Não ri! E-estou falando sério. 

 — Tudo bem, tudo bem… — Mordi o lábio inferior, contendo minha risada.  — Mas não compare sua inteligência com a dele, tenho certeza que ele não é tão bom no desenho como você.  — Pontuei, tentando ajudar. 

 — Não diz coisas assim, Jiminie.  — Ele sorriu, negando com a cabeça e comendo mais uma fatia de sanduíche. Bam dormia tranquilamente em seu colo.  — Ele vai ficar triste. 

 — Não tenho culpa se meu namorado é o melhor artista que o mundo já teve.  — Dei de ombros, beijando sua bochecha novamente.

 — Não foi P-picasso?¹  — Ele perguntou, ri novamente. 

 — Acho que foi Davinci².  — Franzi o cenho, pensativo. 

Eu realmente não sei quem foi. Mas, para mim, é Jungkook. 

 — Eu acho que foi Michelangelo.³ — A voz de Junghyun soou de repente, nos assustando. 

O feitiche que essa familia tem em me assustar, não é pouco. 

 — Papai!  — Jungkook pronunciou, cruzando os braços.  — Estava e-espiando? 

 — Só querendo saber o que meus garotos favoritos estavam falando.  — Se justificou, saindo da porta da sala e aproximando-se de nós.  — O que estão vendo? 

 Adeus privacidade. 

 — Aquela série famosa do médico autista.  — Respondi, terminando a última fatia do meu delicioso sanduíche.

 — Uau, eu amo essa!  — Ele respondeu animado, sentando entre mim e Jungkook. 

Poxa, Junghyun… 

 — Vamos ver, daqui a pouco sai o jantar.  — Ele sorriu. Sorriu de maneira provocativa. Esses pais de hoje em dia… 

Soltei uma risada nasal e dei play novamente no episódio que paramos.

Ficamos por, no mínimo, uns trinta minutos ali, assistindo e rindo quando tinham momentos engraçados, ou tensos em momentos de tensões. No fim, Jungkook e eu acabamos abraçados no homem entre nós dois, com cada um apoiando a cabeça em cada lado de seu ombro e com sorrisos pequenos na boca. 

Naqueles momentos, eu sentia certa vontade de chorar ao perceber que não ganhei apenas um namorado incrível, ganhei um combo de pessoas incríveis e que me tratam com respeito e carinho. Uma família. 

 — O jantar está pronto!  — Jung-hee disse quando terminamos de assistir o quinto episódio da primeira temporada, entrando na sala.  — O que é isso? Momento em familia e sequer me chamaram?!  — Se aproximou mais de nós, contrariado.  — Pois vão ficar sem sobremesa. 

Aquilo fez Jungkook arregalar os olhos. 

 — Não, vovô!  — Falou, se levantando e assustando Bam no meio do processo, ri baixinho.— Abraço também! — Abraçou o avô. 

— Papai, não tire nossas sobremesa!  — Junghyun se levantou, juntando-se a Jungkook naquele abraço.

 Ele me olhou e vez um sinal de “Vem, Jimin, você também.” Sorri e neguei com a cabeça. 

 — Desculpem, mas com sobremesa eu não me atrevo a me opor.  — Cruzei os braços. 

 — Hyung! — Jungkook protestou. 

Não era para acontecer isso rapazes.⁴ 

 — Por favor, Jung-hee, aceita nossos abraços em pedido de desculpas!  — Falei então, me agrupando com eles. 

Eu amo a sensação de ter um abraço dessa família. É reconfortante e maravilhoso. 

 — Estava brincando, bobinhos.  — Jung-hee disse, se afastando. 

 — Eu também.  — Jungkook respondeu. 

Nós descemos para jantar. Seokjin e Hoseok já haviam ido embora, como imaginei e nossa conversa durante o jantar se resumiu na viagem de Junghyun e Jung-hee daqui dois dias e em Jungkook dizendo que Bam já estava aprendendo a fazer suas necessidades fora de casa, mesmo que em menos de uma semana junto do cachorrinho. 

Como de costume, após o jantar eu e Jungkook subimos para seu quarto e lemos o livro que havíamos escolhido naquela semana. O livro "Historia é tudo o que me restou" era o ausador dos nossos pequenos choros daquela vez.

Não sei por que, mas tenho a sensação que Adam Silveira tem prazer em fazer seus leitores chorar com seus romances gays. É praticamente impossível achar um final feliz para o casal em seus livros! 

 — Cansei, hyung… — Jun disse sonolento, coçando os olhos quando removeu os óculos de seu rosto. 

 — Já está com sono?  — Perguntei baixinho, admirando seu rostinho apoiado em meu peito enquanto ele parecia querer dormir. 

 — Amanhã temos aula cedinho, Jiminie.  — Ele respondeu.  — E estou a-ansioso para arrumar minha mala. 

 — Você vai para busan? — Minha pergunta sai mais surpresa do que eu imaginava. 

Não tinham comentado nada disse comigo algumas horas atrás. 

 — Não, hyung!  — Ele riu, negando com a cabeça.  — A-arrumar minha mala para ficar na sua casa, bobo. 

 — Verdade!  — Falei então, mais animado.  — Mamãe disse que vai te fazer vários docinhos quando chegar do trabalho dela. 

 — E-eu vou ficar mal a-acostumado, Jiminie. — Respondeu, voltando a deitar sua cabeça em meu peito.  — E g-gordinho. 

 — Não vai ficar mal acostumado coisa nenhuma.  — Sorri e neguei com a cabeça, tocando em seu nariz com suavidade.  — E sobre seu peso, Yoongi disse que você precisa de mais peso, perdeu mais do que esperado nos últimos dois meses.  — Disse mais sério, ele suspirou. 

 — D-desculpa, hyung.— Pediu, franzi o cenho com uma expressão nada feliz, ele mordeu o lábio inferior.  — É que…E-eu venho lembrando de coisas…

Naquele momento, meu botão de alerta foi ativado. Jungkook parecia querer me dizer algo e eu estava pronto para finalmente ouvir tudo vindo diretamente de sua boca. 

Ok, “pronto” não era bem a palavra certa para se usar, eu estava… Ciente das coisas que poderia ouvir. 

 — Jun, você quer me contar sobre essas coisas?  — Perguntei, acariciando seus cabelos. 

A demora de sua resposta para minha pergunta me deixou meio apreensivo e quase me dei por vencido ao pensar que aquele não era o momento certo. 

Mas ele concordou. 

E meu coração acelerou. 

— Eu q-quero contar, hyung… — Ele começou dizendo, mordi o labio inferior ao notar sua hesitação.  — Mas tenho medo. 

— Eu tenho um pouco de ideia do que você quer me contar, docinho.  — Confessei, ele arregalou os olhos por segundos e sua expressão ficou mais tensa.  — Sei de algumas coisas a um tempo, mas nunca te pressionei a contar porque sei que vai me dizer quando achar que devo saber. 

 — Não é q-que eu não ache que você deva saber, é so… — Ele parou de dizer, pensativo.— É só que é m-meio com…Complicado para eu contar. 

Onde eu acho o lugar de deletar qualquer memória ruim de sua cabeça? 

 — Quer me contar agora?— Perguntei mais uma vez, ele ficou em silêncio.— Saiba que não vou ficar chateado se não me quiser, de qualquer forma, vai terminar comigo te abraçando.— Então ele sorriu, menos tenso. 

 — E-eu queria dizer… — Fez questão de enfatizar, sorri e neguei com a cabeça— Mas não lembro de muita coisa.

— Me conte quando estiver pronto.— Conclui, deixando um beijo em sua testa.— Agora durma um pouquinho, amanhã temos aula. 

Ele se levantou e virou de costas, dizendo silenciosamente que queria dormir de conchinha hoje.

O abracei pela cintura e praticamente enterrei meu nariz em seus cabelos cheirosos e logo o cheiro delicioso dos cosméticos com essência de morango que Jack deu, adentraram meu nariz, como se fosse uma droga que me entorpeceu e me deixou calmo em questão de segundos. 

Que shampoo cheiroso, preciso agradecer a Jackson por isso.

 — Boa noite, Hyung.— Jungkook disse, entrelaçando os dedinhos compridos junto dos meus, que estavam em sua cintura. 

 — Boa noite, meu doce.— Sorri ao dizer, deixando um beijinho em seu ombro e voltando a enfiar meu nariz em seus cabelos com cheiro de morango.— Eu te amo. Muito.

Ainda era muito… Emocionante, digamos assim, falar essas três palavrinhas para ele. 

 — Eu t-também te…Amo, Jiminie.  

E era melhor ainda ouvi-lo dizer. 

🧚🏻‍♂️🤯

Junghyun estava se preparando para a viagem.

Na verdade, ele estava se despedindo para poder viajar.

Eu confesso que estava meio assustado com o que poderia acontecer com ele naquele tribunal. Não consigo imaginar como ficaremos após uma notícia ruim chegar.

Seria ainda pior ter que dizer a Jungkook que seu pai foi preso por, supostamente, assassinar sua mãe.

 —  Colocou tudo que precisava na mala, filho?—  Ele perguntou a Jungkook assim que tirou a mala dele do carro, sorrindo de maneira indescritível.

Nós havíamos seguido todo o caminho da livraria até meu apartamento em silêncio. Era meio estranho estar assim com eles, já que sempre foram muito falantes. Principalmente Jung-hee, que estava menos “ele” desde ontem a noite. 

Eu queria tanto dizer a Jungkook sobre isso, deixá-lo ciente das coisas que estão acontecendo com o seu pai. Mas, respeitando a decisão de Junghyun, aquela angústia ficou quieta em meus sentimentos e nenhuma palavras sobre o assunto.

 —  Sim, papai!—  Jungkook meio entristecido, quase desanimado.—  Vai ser só uma semana, não é?—  Perguntou, querendo ter certeza daquilo que o pai dizia. 

Mas nem Junghyun tinha certeza de que aquela sua pergunta  tinha uma resposta sincera.

 —  Sim, Kookie.—  Seu sorriso aumentou, mesmo que falsamente.—  Eu e seu avô não vamos demorar lá. 

 —  Me l-ligua sempre? Vou sentir s-saudades.—  Jungkook questionou, senti meu peito apertar quando seu lábio inferior tremeu, denunciando seu possível choro. 

 —  Sempre que pudermos, filho.—  Junghyun respondeu, abrindo os braços e recebendo Jungkook entre eles, em um abraço de despedida.

A ideia de ficar na livraria ainda estava de pé, mas Jungkook disse que seria bom para ele se familiarizar com ambientes novos e, mesmo que já conhecesse meu apartamento, pouco conhecidos. 

Nossa rotina a partir de hoje irá mudar um pouquinho, já que ainda trabalho na livraria e Jungkook disse que irá comigo lá sempre que for possível, mas que também costuma evitar lugares que o deixaram com as lembranças de seu pai e avô, o que poderia deixá-lo com muito mais saudades. 

Eu achei super aceito seu argumento, já que eu, sabendo do que poderia acontecer, já sentia certa saudades dos dois Jeons mais velhos. 

 —  Trouxe a caminha do Bam, Goo?  —  Jung-hee finalmente disse algo, se aproximando mais de nós ao sair do carro. 

 —  Sim, vovô.  —  Ele sorriu, apertando com suavidade o filhotinho fofo de Doberman em seus braços.  —  M-mas deixei outra lá, pra quando eu e J-Jiminie dormir em casa… 

Ontem à noite nós conversamos mais uma vez sobre como tudo ia acontecer enquanto eu pai e seu avô estivessem fora, conversamos após o pequeno jantar que os Jeons fizeram em “despedida”. 

Jungkook estava sob minha responsabilidade agora, e isso me deixa meio ansioso e preocupado, já que Woojin pode tentar fazer alguma coisa e eu vou ter que tomar providências contra isso. 

Jin, seu tio e eu iremos na delegacia amanhã relatar esse últimos acontecimentos e tentar abrir um mandado de prisão contra o desgraçado que explodiu o depósito. Na nossa última ligação, ele deixou meio explícito de que tinha sim culpa ali, isso abriu uma vantagem significativa nesse processo que está iniciando. 

—  Temos que ir. —  Junghyun disse, a voz falhando e um suspiro saindo de sua boca. 

Ao ouvir aquilo, Jungkook deixou Bam comigo e abraçou o pai com força, ficando nas pontinhas dos pés para que seus braços se enrolasse no pescoço de Junghyun e logo o Jeon médico retribuiu o abraço, emocionado e com os olhos vermelhos. 

Eu quis chorar. 

Não era justo que aquilo estivesse acontecendo, Junghyun não tem culpa de nada sobre o que aconteceu com sua ex esposa-morta-desgraçada. Não era justo que aquilo estivesse acontecendo e nem era o certo que eles estivessem se separando.

Pode ser só por uma semana, mas se as coisas irem pelo rumo que eu desejo que não vá, poderá se tornar anos. 

—  Yoongi disse que não conseguiu sair do hospital! —  Taehyung apareceu na frente do prédio, correndo e ainda de pijamas. 

Eram dez da manhã desta segunda feira e todos nós faltamos na escola e faculdade hoje, e meu melhor amigo aproveitou isso, junto de  sua semana de folga na floricultura, para dormir até tarde. 

—  Ele disse que deseja sorte. —  Respirou fundo quando parou do meu lado, com as mãos no joelho. Visivelmente cansado por sua mini corrida. 

—  Obrigado. —  Junghyun agradeceu, sorrindo para Taehyung e se afastou de Jungkook. 

—  Boa s-sorte em que? —  Jungkook perguntou, parecia ansioso pela resposta. 

Junghyun deveria ter dito a ele… 

Eu insisti novamente, ontem, para que ele contasse. Queria que não deixasse Jungkook sem saber o porquê de sua viagem. Mas ele negou, insistiu em dizer que era o melhor para o filho e que se ele soubesse, seria apenas mais uma notícia ruim em sua vida e que o deixaria chateado. 

Mas eu sei que é mentira, Junghyun tem medo de Jungkook se afastar dele caso descubra a verdade sobre tudo isso, medo de perder novamente toda essa demonstração de afeto e carinho que Jungkook tem com ele agora. Eu percebi que não é apenas proteção, mas também medo. 

Observei suas ações e muitas delas demonstram total medo de não ter mais um abraço de Jungkook.

—  Boa sorte na viagem, filho. —  Ele sorriu, deixando um beijo na testa de Jungkook, que sorriu meio entristecido com a resposta que teve. 

Não demorou mais que cinco minutos para que Junghyun e seu pai estivessem dentro do carro, indo em direção a Busan. Mas não foi preciso nem três minutos para que os Jeons estivessem chorando nessa pequena despedida e se juntando em um abraço coletivo, incluindo eu e Taehyung junto deles. 

E confesso, eu também chorei. 

— Vamos, neném! —  Taehyung disse, segurando na mão de Jungkook e o puxando em direção a portaria do prédio onde morávamos. —  Eu e a tia fizemos uns docinhos para você antes dela ir trabalhar, estão todos na geladeira. 

— Jura, jura?! —  Jungkook perguntou mais animado, sorri.

— Juro, juro! —  Taehyung disse sorridente. 

E eu? Fui praticamente abandonado aqui na calçada, largado às traças com um cachorro dorminhoco e uma mala pequena em mãos.  

Mas não me importo, sabia que Taehyung estava tentando distrair Jungkook com coisinhas que ele gosta e isso me deixa tranquilo, confio em meu amigo, mesmo que às vezes ele e Seokjin se juntem para fofocar sobre minha vida pessoal e romântica. 

E ele estava falando a verdade, ontem ele e mamãe combinaram de fazer alguns mimos para Jungkook comer nos dias que ficar aqui, ela ficou super animada com a ideia de mimar o genro apaixonado em docinhos, já que pode usar e abusar de suas artimanhas na culinária e ter a ajuda de Jungkook para provar suas receitas sempre que ele quiser e puder. 

Ontem eu e ela tivemos uma conversa um pouco séria, eu fiquei completamente desesperado quando entrei em casa ontem e vi mamãe chorando enquanto cozinhava nosso jantar. 

— É um choro emocionado, filho, não se preocupe. —  Ela respondeu quando perguntei, quase chorando, o que estava acontecendo. 

— Emocionado? 

— É que… É que agora eu sinto prazer em cozinhar novamente, porque sei que tem pessoas que realmente gostam do que eu cozinho e não… N-não desdenham da minha comida. —  Foi sua resposta naquele momento, e eu sorri meio entristecido. 

— Mamãe… Você quer me dizer as coisas que ele fazia? —  Perguntei curioso, com certo medo de sua resposta. Mamãe nunca tinha me contato sobre sua vida. 

Eu não quero imaginar as possíveis atrocidades que Ji-hoon fazia quando estava com mamãe, me dá ainda mais nojo só de pensar nisso. 

— Não eram coisas brutais, eram só… Humilhações que algumas pessoas são obrigadas a ouvir por se casar com quem não presta, filho. —  Ela sorriu entristecida, terminando de cortar a carne.—  Ji-hoon deixou de ser agressivo quando você saiu de casa, mas também ficou mais distante. 

— Distante? —  Perguntei confuso, tentando entender. 

— Naquela época eu quis acreditar que ele estava tentando te encontrar para se reconciliarem e ele se desculpar por todas as coisas ruins que disse e fez a você…—  Ela começou a explicar, suspirando. — Depois tentei acreditar que era estresse do trabalho, já que havia sido promovido na delegacia e ficava cada vez mais difícil de  conversar com ele, já que sempre estava em patrulhas ou resolvendo coisas da policia por aí. Mas Busan sempre foi uma cidade bem calma e raramente aconteciam crimes… Pesados. E, se tiveram, foram arquivados e esquecidos. —  Respirou fundo.

Aquela era uma das primeiras vezes que mamãe me contava sobre essas coisas com tanta facilidade, ela sempre fugia do assunto quando eu perguntava ou tentava não se aprofundar tanto. 

— Então, eu descobri que ele estava me traindo. —  Disse e suas palavras me fizeram arregalar os olhos. 

— Como ele teve coragem de trair você?! 

— E era a mesma mulher com quem ele já havia trago para casa, com a desculpa de que era uma colega do seu antigo trabalho como professor. 

Não acredito… 

—  Era a mãe do Jungkookie, filho… — Continuou a dizer, os olhos enchendo de lágrimas.

— Não acredito que ele levou ela para sua casa!—  Falei, me enfurecendo. 

Isso é… Porra! Que desgraçado! 

— Eu acreditei que era apenas um reencontro de amigos, mas foi difícil depois de vê-lo chegar com arranhões e marcas no corpo alguns dias depois… Várias e várias vezes. — Eu enxuguei uma lágrima que desceu de seus olhos, sentindo meu peito apertar por ela estar chorando por quem não a merece.—  Então, eu fui tirar satisfações… 

—  O que ele fez? —  Perguntei, assustado. 

—  Filho…—  Ela hesitou, virando de costas e voltando a preparar nosso jantar. 

— Mamãe, o que ele fez? — Insisti. 

— Me bateu. — Respondeu, os olhos se fechando. Minha visão escureceu. — Bateu, humilhou e disse que aquilo era c-culpa minha, que você ter fugido era culpa minha e-

— Não! —Rebati, sentindo um sentimento ruim crescer em meu peito. — Não, ele não fez isso. — Meus olhos encheram de lágrimas, mas eu não estava triste, estava raivoso. 

Com ódio. 

Se eu encontrasse aquele cara mais uma vez, exatamente nesse exato momento, eu seria capaz de quebrá-lo ao meio. 

Além de agredir minha mãe fisicamente, ainda fez tortura psicologia com ela! Isso é… Doentio! 

Um doentio pra um cacete. Nojento e inaceitável. 

— Filho, calma…— Ela pediu, tocando em meu rosto. — Ele fez aquilo apenas uma vez, ou duas… Não lembro. — Mordeu o lábio inferior, meus punhos se fecharam com força.

— Como a senhora continuou com ele depois disso, mamãe? — A pergunta saiu genuinamente confusa de meus lábios, aquilo não entrava na minha cabeça.

— Ele prometeu que mudaria…— Suspirou, encostando o quadril na pia. — E-ele… disse que tinha deixado Seohyun e que eu era a mulher que Deus escolheu para ser dele.— Concluiu, minha cabeça doeu só de imaginar aquilo. 

Então, uma luz de questionamentos nasceu em minha cabeça. Quando? 

Quando tudo isso aconteceu? 

— Tem quanto tempo que isso aconteceu, mamãe? — Perguntei, curioso e ansioso por sua resposta. 

— Tem cerca de um ano e alguns meses que ele chegou a noite em casa e me implorando seu perdão após eu descobrir que ele me traia a mais de quatro anos. — Respondeu, a expressão imparcial nascendo no rosto. — Ele disse que tinha dado “um fora” na Seohyun e que eu era a única que amava…Prometeu que te encontraria e voltaríamos a ser uma família unida.

Nós nunca fomos. Minha família era apenas eu e mamãe naquela época.

Agora, ela é gigante.

Então, desde ontem, certos questionamentos rondavam minha cabeça. 

Há cerca de um ano e três meses que Seohyun morreu. Um ano e alguns meses que Ji-hoon pediu o perdão da mamãe e prometeu coisas que não foram cumpridas. 

Tem algo estranho nessa história e que não sei se consigo descobrir, há fios soltos e que ninguém poderá saber como juntá- los. 

Ninguém sabe exatamente o que aconteceu naquela noite. 

🧚🏻‍♂️🤯

— Jungkookie? — Chamei baixinho rindo quando ele se levantou e bateu a cabeça nas grades da geladeira. 

Era a segunda vez naquela manhã que eu o via ali, com o rosto enfiado na geladeira e “roubando” seus próprios docinhos.

— Hyung…— Ele murmurou, como um cachorrinho que foi pego comendo ração quando não podia. 

Foi uma indireta para Bam sim, já que esse filhote já acabou com um saquinho de ração que eu comprei pra ele por comê-la escondido. Ou, eu acho que ele pensou que estava escondido.

— Será que mamãe faz um de milho para mim? — Me abaixei onde ele estava, e metade da bandeja de morangos com chocolate tinha desaparecido. — Acho que milho com chocolate não pega bem… 

— Milho é ruim, hyung. — Ele se abaixou ao meu lado, pegando mais um moranguinho com chocolate na ponta e comeu. — Quer um? 

— Gosto deles só na sua boca. — Lhe roubei um selinho, ele riu baixinho e concordou com a cabeça. 

— Se eu c-comer mais um, ganho mais b-bitoquinhas? — Ele perguntou ao engolir o morango que estava em sua boca, ri baixinho. 

— Não precisa nem comer seus moranguinhos para ter elas. — Lhe dei outro beijinho, ele sorriu e abaixou a cabeça envergonhado. 

— Ei, boiolinhas, quem vai me ajudar a fazer o almoço? — Taehyung perguntou assim que entrou na cozinha. 

Porque  sempre alguém aparece para atrapalhar meus momentos com Jungkook? Que coisa.

— Falei para mamãe que almoçamos no restaurante hoje. — Respondi e me levantei, ele sorriu. — Depois disso, vou no salão. 

— Maravilha! 

— Não vou pagar seu almoço. — Avisei, ele murchou.

— Melhor amigo mão de vaca. — Taehyung resmungou e Jungkook riu baixinho. 

Gostava quando ele me defendia. 

— E-eu pago, Tae hyung!— Meu namorado disse, enfiando a mão no bolso de seu moletom e tirando o cartão de seu pai. Arregalei os olhos. — Papai disse que posso gastar o dinheiro daqui com meus amigos e c-coisinhas que eu quero. — Explicou. 

Às vezes eu esqueço que Junghyun é rico e os Jeons tem uma renda bem gorda com os lucros da livraria.

— Mas, Jungkookie…— Taehyung começou a se opor, Jungkook negou com a cabeça. — Então está bem. Obrigado, neném! — O abraçou, ri baixinho. 

— P-para de me chamar assim, hyung…— Jungkook pediu envergonhado, ajeitando os óculos em seu rosto. 

— Pedido negado. — Taehyung sorriu, apertando o nariz de meu namorado com suavidade. — Agora vou trocar de roupa para irmos! Vou avisar Yoongi. 

Um sorriso grande nasceu em meus lábios. É bom saber que meu melhor amigo gosta do meu namorado, nos meus antigos relacionamentos, Taehyung sempre se opunha e dizia que aquela pessoa não era a certa para mim ou que ela não era alguém confiável. E ele sempre estava certo. 

Jungkook foi para meu quarto se trocar e eu fiquei na cozinha, preparando a comida de Myung e Bam para que eles não ficassem com fome enquanto nós estivéssemos fora. 

Falo isso como se fosse o melhor mestre Cuca já existente na face terrestre, mas preparar a comida deles era basicamente colocar os sachês de ração na tigelinha deles e água no outro potinho. 

Eles vão virar irmãozinhos desde que Bam é bebê sim, por que eu não confio cem por cento em Myung e tenho que tomar cuidado para o filhote de cachorro não aparecer com um arranhão a qualquer momento. 

— Tô pronto! — Taehyung avisou, saindo de seu quarto. — O que esta fazendo? 

— Alimentando os bichinhos. — falei, ele sorriu e se abaixou onde Myung estava, fazendo um carinho na cabeça do gatinho. 

— Onde está o Bam? 

— Na sala, dormindo. — Sorri ao dizer. 

— Onde ele vai… Fazer as necessidades dele? — Perguntou curioso. — Não quero ter coco de cachorro não, hyung, já basta o Myung quando não sabia usar a caixinha de areia. 

Eu tive que rir. Mas ele tem razão. 

— Na varanda, Tae. — Sorri, apontando para um dos únicos locais arejados do nosso apartamento. — Aparentemente Jungkook sabe o momento que ele quer… Fazer as coisas dele, já é sabadinho desde pequeno. 

— E-Eu ensino! — Jungkook disse ao aparecer na cozinha novamente, com uma jardineira e blusa manga comprida e listrada. 

E eu jurando que ele podia não ficar mais lindo. 

— Eu sei, neném. — Taehyung sorriu. 

— Hyung! — E Jungkook protestou, como de costume. — Não sou neném, já disse. 

— Ficou ainda mais neném com esse biquinho. — Taehyung respondeu, tocando em sua bochecha. 

— N-não te pago comida mais, hyung. — Jungkook ameaçou, meu melhor amigo arregalou os olhos. 

Eu amo essa dinâmica deles. 

— Quem é o macho mais macho dessa casa? Jeon-não-sou-neném Jungkook! — Taehyung disse então, arrancando uma risada de todos nós. 

— Vamos logo, p-por favor… — Jungkook pediu, tapando o rosto. 

— Vou só passar um pente no cabelo e já volto! — Falei. Eles riram. 

Falando em cabelo, marquei de fazer uma mudança nele hoje mesmo. 

Jungkook ficou curioso para saber como funcionava um salão de beleza. E mesmo com certo medo dele passar mal por conta do cheiro forte, cedi a sua insistência de querer ir. 

— Quando vocês vão ao salão? — Taehyung perguntou quando passamos pela porta de saída. 

— Está marcado para as três da tarde, antes vamos passar na livraria e dar uma ajudinha a Seokjin. — Sorri, esperando que Jungkook saísse do apartamento. 

Ele estava se despedindo de Bam e Myung, dizendo "papai jungkook volta de tarde, cuida do seu irmãozinho mais novo, Ung" e eu faltei me derreter de pura fofura. 

Sinceramente, Jungkook realmente é um dos únicos motivos para que tenham motivos para sorrir hoje em dia, ele e meus amigos.

— Vai fazer alguma coisa no seu cabelo, Kookie? — Meu melhor amigo perguntou, apertando o botão do elevador e nos mandado para a portaria. 

Jungkook sempre apertava minha mão com mais força quando o elevador começava a se mover, mesmo que fosse quase imperceptível. 

— Não, h-hyung. — Ele sorriu, tocando em seus cabelos. — Meu cabelos, quero dizer, cabelo está lindo assim e… Tenho medo de e-estragar. 

— Realmente, quase fiquei careca na primeira vez que pintei de loiro. — Sorri com a lembrança meio desesperadora de meu cabelo tendo seu primeiro corte químico. 

— Jiminie carequinha vai ficar pra história. — Taehyung riu alto, revirei os olhos. 

—Não fiquei careca! — Protestei, negando com a cabeça. 

— T-tem foto? — E Jungkook perguntou tou com uma curiosidade avassaladora. 

Sinceramente...

— Tem! Te mostro quando chegarmos lá no restaurante.

Eu desisto.

— Vamos logo.

Nós descemos e acenamos para o senhor Choi na portaria do prédio, ele sorriu para nós três e acenou com a mãozinha enrugada. 

— O que vão querer comer quando chegar? — Falante como sempre era, Taehyung perguntou novamente. 

— Mamãe disse que estão preparando um especial do dia, acho que vou querer esse. — Respondi. 

— E-Eu também! 

— Acho que vou de bulgogi. — Taehyung respondeu, virando a esquina junto a nós.

Eu tinha a sensação de que estava sendo vigiado, e era horrível olhar para os lados e perceber as pessoas seguindo normalmente suas vidas, mas aquela sensação não saia de mim. 

Como o restaurante era incrivelmente perdi do prédio onde morávamos, não necessitou sequer dez minutos de caminhada para chegarmos lá. 

— Olá, meninos! — A recepcionista gentil de sempre, que descobri se chamar Sana, uma moça Japonesa, nos recebeu com seu sorriso amigável costumeiro. — Senhora Taeyeon avisou sobre vocês viriam e reservamos a mesa de sempre. 

— O-obrigado, Noona! — Jungkook sorriu, se curvando em agradecimento. 

— Por nada, lindinho. — Sorriu novamente. — Não trouxe flores novamente? Fiz até um penteado fofo esperando tecer uma florzinha aqui!— Apontou para o coque em seu cabelo, Jungkook arregalou os olhinhos sob as lentes dos óculos e me olhou. 

Vai sobrar para mim. 

— O hyung não deu mais. — Pontuou, soltei um riso soprado. 

— Mas-

— Verdade, Jimin esqueceu as flores. — Taehyung se intrometeu. 

Olhe, sinceramente eu não irei nem tentar argumentar. 

— Talvez na próxima! — Falei, puxando os dois para dentro do restaurante e deixando Sana sorridente para trás. 

Nosso almoço foi regado de risadas e acompanhado por uma boa comida feita por minha mãe e os outros cozinheiros do estabelecimento. Taehyung comprou certeza fez amizade com o pessoal do restaurante e com certeza deixou as pessoas mais animadas ou irritadas durante o almoço, já que ele não consegue ser muito discreto. 

Infelizmente, nós nos — eu e Jungkook, no caso. — despedimos de Taehyung e seguimos caminho até a livraria, já que Taehyung tinha algumas coisas para fazer, segundo ele. 

Certeza que aquela marmita preparada em casa foi para Yoongi, já que aquele lá meio que esquece de comer quando está altamente concentrado em algo ou trabalhando.

Meio engraçado dizer isso, já que ele é um dos primeiros a mandar nós não esquecermos ou pularmos refeições. 

— Achei que iriam me abandonar aqui! — Seokjin hyung disse assim que passamos pela porta de entrada da livraria, o sininho de sempre anunciando nossa chegada. — Não imaginava que esse pessoal coreano fosse tão fissurados assim em livro hoje em dia, acho que metade da Coreia veio aqui, só nesta manhã! — Deitou a cabeça sobre o balcão da recepção, aparentemente cansado. 

— Você a-almoçou, hyung? — Jungkook perguntou, se aproximando de Jin. 

— Nem tive tempo, pedacinho de açúcar, acredita? — Dramatizou, respirando fundo e a expressão mais sofrida  possível se apossando de seu rosto. — Trouxeram algo para o hyung aqui? 

— Só uma notícia meio ruim. — Eu disse, ele suspirou. 

— Ta, conta aí a novidade. — Jin hyung riu sem humor.

— Foi sair hoje a tarde com Jungkook. — Falei, e ele arregalou os olhos. 

— Ta de brincadeira! 

— Hyung, eu marquei no cabeleireiro, já tinha te avisado! — Falei e ele se aquietou, parecendo lembrar-se da nossa conversa. 

— Verdade. — Suspirou, voltando a se deitar sobre o balcão. — Ah, essa vida agitada é demais para alguém como eu. 

— A-alguém… Alguém o que? — Jungkook franziu as sobrancelhas, segurei o riso imaginando que tipo de pérola ele soltaria a seguir. — Alguém velho? 

Não foi possível segurar a risada, ela saiu de maneira explosiva. 

— Ora, seu pirralho! — Jin resmungou enfurecido, negando com a cabeça. — Pois saiba que o velhinho aqui é mais jovem que vocês dois juntos! 

— Não vou perguntar em qual sentido você está dizendo isso. — Neguei com a cabeça, segurando outra risada. 

— Por que você só pensa o pior de mim? — Ele perguntou, fingindo estar ofendido. 

—Vamos, Jungkook. Vamos preparar alguma coisa para esse idoso almoçar. — Segurei na mão de Jungkook, que ria a cada segundo que se passava, e o puxei em direção a cozinha. 

— Se eu fosse idoso, pelo menos não iria precisar trabalhar! — Jin ainda tentou se defender. 

Já na cozinha, eu e Jin estávamos procurando uma das marmitas que Junghyun deixou para nós comermos enquanto ele estiver fora. Decidi então pegar qualquer uma e por no microondas para esquentar, seria mais fácil do que levar para a panela. 

— Docinho, pode por no microondas enquanto eu lavo alguns tomates para fazer uma salada para ele? — Perguntei, Jungkook arregalou os olhos pela décima vez naquele dia e hesitou em pegar a marmita de alumínio de minha mão, mas assim fez. 

Me agachei na frente da geladeira e peguei dois tomates para picar. Quando me virei, Jungkook estava em frente ao microondas e parecia traçar a maior batalha de sua vida. 

— Jungkook-ah? — Meio intrigado, chamei por si, ele me olhou brevemente e desviou o olhar de maneira tímida, as mãos tremelicando quando tocou na porta do eletrodoméstico. — Ei, docinho, o que aconteceu? 

— Hyung, é q-que… — Ele se afastou do microondas, deixando a marmita sobre o armário onde o eletrodoméstico  estava. — E-esse… Mic… Não gosto dele, Jiminie. 

— Mas, Jun… É só um eletrodoméstico, meu bem. — Sorri, pegando a marmita sobre o armário e abrindo o microondas, Jungkook deu um pequeno pulo nu lugar quando o baque que a porta do eletrodoméstico festa ao se fechar. — Tem medo dele? 

— Eu vi u-uma vez, quando era menorzinho, que… Que eles podem e-explodir, hyung. — Se justificou, ficando atrás de mim quando apertei o botão para que o microondas começasse a fazer seu trabalho. 

Jungkook mais uma vez se mostrou ser um garoto de um metro de setenta e oito de altura que, na verdade, é praticamente um pitiquinho, como Taehyung costuma chamar.

— Se o microondas tentar fazer alguma coisa com você, eu te protejo! — Ele riu baixinho.

Jungkook segurou em meus ombros, colocando o queixo ali, deixando sua bochecha encostada na minha. Por conta da posição que estávamos, eu apenas me deixei ser abraçado e cruzei os braços sobre meu peito, esperando o tempo certo para que o microondas desligasse. 

Quando ele fez aquele "Piii" de quando o tempo chegou ao limite, Jungkook apertou meus ombros e se afastou quando me aproximei do microondas para tirar a marmita de Seokjin dali, sorri quando me virei para ele. 

— Viu só? O microondas não é tão mal assim. — Ele sorriu meio envergonhado e concordou. — E deixa eu te contar um segredo: eu também tinha medo de microondas antes. 

E  não era mentira, mas percebi que a utilização do microondas às vezes é mais necessário do que a gente imagina. 

🧚🏻‍♂️🤯


No salão de beleza, eu imaginava tudo, menos que Jungkook fosse fazer amizade com a cabeleireira que iria tingir e cortar meus cabelos. 

— E quando Eros viu Psiquê pela primeira vez?! Aqueles dois literalmente nasceram um para o outro! — Ayana disse animada, conversando com Jungkook. 

Ela era uma mulher Africana que veio de Moçambique junto com a irmã mais nova e o namorado para tentar uma vida melhor no Japão e depois aqui, na Coreia. Eu a chamei de guerreira por isso, já que mesmo que eu odeie ter que dizer isso, meu país ainda é um lugar extremamente racista e preconceituoso.

Mas o que me deixa feliz, é saber que ela conseguiu abrir o próprio salão de beleza e estava se aperfeiçoando em outros idiomas para tentar ter parcerias em outros países. Como Brasil e Estados Unidos. 

— Qual seu Deus favorito, Jungkook? — Ela perguntou em um sotaque carregado. 

— Apolo e… E D-deméter também! — Sorriu ao dizer, ela sorriu. 

— Gosta de plantas? — Mais uma pergunta vinda dela. 

— S-sim! — Ele sorriu largo, balançando a cabeça. 

— Imaginei, normalmente pessoas que gostam de Deméter e Apolo são naturalistas que amam a natureza, eu sou uma delas. — Ela sorriu e fez uma massagem gostosa em meu cabelo.

Era bom ver esse tipo de interação, mesmo que às vezes eu ficasse meio perdido por não entender cem por cento sobre esse assunto de mitologia grega, romana ou as outras existentes. 

 — Foi Jungkook quem te deu essa flor no pescoço? — A pergunta foi para mim. 

— E o anel também. — Levantei a mão, mostrando minha aliança de namoro com as florzinhas azuis que dei a ele e folhas douradas. 

— Que fofo! — Ela abriu um sorriso maior, colocando uma toalha em meu cabelo. 

Eu achei ridículo. — Então, uma voz feminina fez-se presente. 

E eu a conhecia. Era Sohui.

Quando eu penso que terei paz, o satanás apronta mais essa. 

Quero dizer, dizem que tudo de ruim é culpa dele, mas as vezes eu paro para pensar e percebo que não podemos culpar alguém e…Ok, melhor parar de falar de mais. 

— O que disse? — Ayana perguntou, diminuindo o sorriso e meu coração acelerou quando Sohui baixou a revista que estava em frente de seu rosto, com um sorriso sarcástico nos lábios. 

Não era para isso estar acontecendo. 

— Disse que achei ridículo. — Ela fez questão de dizer novamente, olhei para Jungkook e ele murchou completamente ao ouvir aquilo. 

— Porque r-ridículo? — Jungkook perguntou, menos animado. — É lindo… — Tocou na própria aliança em seu dedo. 

— Não, não é. — Sohui respondeu. — Não tem valor algum. Não vale um prato de comida. 

Cadê meu celular para ligar urgentemente para o manicômio e tirar essa louca daqui. 

— Tem mais valor do que qualquer pedra preciosa, Sohui. — Respondi, sem paciência. — Amor não se compra, o que eu sinto por Jungkook você não é capaz de comprar, é algo que sentimos.

— Então é com ele mesmo que você está namorando, Jiminie? — Ela perguntou para mim, fechei os olhos e tentei controlar meus nervos. Ela ignorou completamente minhas palavras. 

— Por favor, retire suas palavras ou eu terei que te tirar do meu estabelecimento. — Ayana disse, enrolando uma toalha em meus cabelos para que secassem.

— Não vou tirar nada! — Sohui disse, atordoada. — Esse moleque doente literalmente seduziu Jimin com esse jeitinho virgem tímido e, burro e carente como é, Jimin caiu! 

Não. Ela não vai continuar a dizer coisas assim. 

— S-silêncio. — Jungkook pediu, tapando os ouvidos. — Sua voz é i-irritante. 

— Mas e-eu n-não ligo! — Ela imitou o jeito de Jungkook falar de maneira ofensiva, meu olhos se fecharam em puro ódio. — Fala direito, doente! 

— Sohui, para. — Pedi, querendo que ela saísse logo dali. Me levantei do lavatório e me sentei em frente a Jungkook. 

Como essa garota sabia que eu estaria aqui? É coincidência demais. 

— Moça, vá embora. — Ayana pediu também. 

— Silêncio, menina! — Sohui proferiu irritada, parecia que iria explodir. — Estou tentando resolver um assunto aqui! 

— Você está… E-está atrapalhando todo mundo. — Jungkook não se limitou em dizer, ainda com as mãos nos ouvidos. — P-pode ser presa por danos morais. E… E é f-feio ofender as pessoas assim. 

— E com que capacidade você iria me denunciar, garoto sem noção?! — Ela elevou a voz mais uma vez, senti meu sangue ferver quando Jungkook comprimiu os olhos é fechou mais uma vez as mãos em volta dos ouvidos— Se você não tivesse aparecido, Jimin seria meu! Some de novo, seu retardad-

— Sohui, para! — Falei então, me levantando e segurando em seus ombros para que ela não se aproximasse mais. — Eu nunca seria seu namorado, não sentia nada além de amizade por você! — Enfatizei e ela negou com a cabeça, rindo de maneira estranho. — Eu nunca iria ficar com você! 

— Mas ficou uma vez e foi maravilhoso... Mesmo que você estivesse bêbado, meteu muito bem. — Falou, senti vontade de vomitar.  

— Sohui! — De repente, Taemin pareceu na porta do salão. — Meu Deus, garota! O que você está fazendo?! 

— Hyeon, tira essa louca daqui! — Eu pedi. Sohui me abraçou. Forte. 

E jungkook se levantou. 

Foi tudo muito rápido, quando eu senti os braços de Sohui contornando meu pescoço  com força, não demorou mais que três segundos para que eles não estivessem mais ao redor de mim e sim os de Jungkook. 

— Saia de perto dele, seu merdinha sedutor do caralho! — Ela se debateu quando Taemin a abraçou pela cintura, querendo se soltar. 

Caralho. Que loucura é essa? 

— Jimin é meu namorado! — Jungkook falou, suspirei mais calmo e rodeei sua cintura com meus braços, retribuindo o abraço. — V-você é d-doidinha da cabeça, deixa o hyung em paz! 

— Doido é você, seu imprestável! Vai todo mundo se fod-

— Saia daqui ou eu chamarei a polícia! — Ayana falou irritada, jogando as tranças perfeitas de seus cabelos para trás. 

— Pra quê, sua pret- 

— Sohui, cala a sua boca! — Taemin pediu em desespero, abrindo a porta do salão e carregando Sohui para fora às pressas, a trancando no carro. 

Nós ficamos em silêncio, alguns clientes de Ayana estavam com o celular apontado para nós, claramente registrando uma das situações mais vergonhosas e desastrosas da minha vida. 

— Jungkookie? — Chamei baixinho, acariciando suas costas. — Meu bem? 

— Jiminie… — Ele chamou, respirando fundo. — Ela… Ela me magoou. — Disse, a voz mais calma e quebradiça. 

Vou acabar com a reputação dessa garota. Se depender de mim, ela não chega mais perto de ninguém que eu amo. 

— Ela não vai fazer mais nada. — Taemin apareceu novamente, me afastei levemente de Jungkook, sem lhe soltar por completo. — Eu realmente peço perdão por isso… Ela anda esquecendo de tomar os remédios e-

— Está tudo bem. — Ayana disse, mais seria do que estava enquanto conversava animadamente com Jungkook. — A mantenha longe daqui, ou eu a denunciarei por racismo e danos morais, como Jungkook falou. 

— Eu sinto muito. — Ele pediu, se curvando para nós, Jungkook apertou minha mão. — Jungkook, eu… — Ele tentou dizer algo, mas as palavras se entalaram  em sua garganta e Jungkook virou os rosto para o lado, com certo medo do que aquela conversa daria. — Sinto muito. — Foi o que disse, saindo do estabelecimento com um olhar de puro pesar. 

Eu realmente não esperava por isso. Mas aprendi duas coisas: Não confiar mais em loucas que dizem ter mudado e que Jungkook é muito mais forte do que eu imagino. Tanto emocionalmente quanto fisicamente. 

— Ei, ei, ei! Nada de desânimo por uma desnaturada! — Ayana disse, abrindo um sorriso largo novamente. — Venham, Jimin, vamos terminar esse vermelho perfeito de seu cabelo e, Jungkook, vamos voltar a falar sobre essas alianças  maravilhosas. — Ela me puxou para me sentar novamente, o humor completamente diferente do de segundos atrás. 

— J-jura? Acha elas lindas também? — Jungkook perguntou, olhando para o próprio dedo. 

— As mais lindas e românticas que eu já vi. — Ela sorriu e eu concordei com a cabeça, Jungkook abriu um sorriso emocionado. 

— Eu a-amei elas também… 

Depois disso, entrei no processo de tingir o cabelo de vermelho e estava realmente ansioso para saber o resultado. 

Pedi para uma das pessoas que gravaram o momento indesejado que Sohui nos fez passar ali para que pudesse servir de provas no Tribunal, já que aquela descontrolada estava mais do que envolvida nas porcarias que Ji-hoon faz. 

O resto de nossos momentos no salão de beleza da Ayana foram regados de risadas e momentos legais compartilhados por ambas as partes. Tirando aquele incidente nojento de Sohui e suas insinuações para cima de Jungkook, eu saí de lá completamente de cabelos vermelhos e Jungkook com uma maquiagem minimalista no rosto. 

Ele ficou curioso quando viu as mulheres ali fazendo maquiagens bonitas para os compromissos do dia a dia e eu perguntei se ele queria fazer aquilo. 

— Meninos podem?— A pergunta me pegou levemente de surpresa. 

— Você usa gloss, Jun. — Sorriu, bagunçando levemente seus cabelos. 

— Mas é só um brilho… — Ele respondeu, mexendo com os dedinhos. 

Sinceramente, eu odeio aquela mulher desgraçada por enfiar esses tipos de discursos machistas e preconceituosos. 

— Venha cá, garoto. — Uma das maquiadoras chamou por Jungkook, que mesmo hesitante, se sentou em frente ao grande espelho ali. — Olhe só, nós temos as mesmas coisas no rosto. Nariz, boca, olhos e por aí vai. 

— A única coisa que muda, é que v-você não tem franja, noona! — Ele sorriu, apontando para o espelho. — Acho… A-acho que ficaria bonita com uma. 

— Meu cabelo cacheado não pega bem com franja. Já vi cacheadas lindas com franjas, mas em mim… Hum-hum, não gostei. — Ela sorriu, negando e tocando suavemente os cabelos de Jungkook. — Quer passar alguma coisa no rosto? Nada muito pesado para não cobrir sua beleza natural. 

— E, por favor, não cubra a pintinha que ele tem abaixo do lábio inferior. — Praticamente supliquei, ela concordou e Jungkook sorriu ao aprovar. 

Tudo que ela fez foi passar uma base fraquinha, um corretivo para corrigir certas marquinhas que Jungkook tinha no rosto. Contorno, blush para deixar as bochechinhas meio rosadas — coisas que eu conseguia facilmente às vezes. — E um lip tint na boquinha dele. 

Ayana fez ondulações fofas no cabelo de Jungkook, e então, estávamos prontos para ir embora.

— E-Eu ficou tão lindo! — Jungkook disse, passando as mãos com suavidade nos cabelos e sorrindo. 

— Ficou mais lindo do que já era. — Comentei, entregando o dinheiro para Ayana. — Eu amei seu atendimento e cuidado com nós dois, com certeza irei voltar! 

— Serão mais do que bem vindos. — Ela sorriu, se curvando em nossa frente. — E Jungkook, fico feliz que tenha achado o Eros da sua Psiquê. 

Aquela referência tinha mais peso do que eu imagino, por que os olhos emocionados de Jungkook denunciava sua felicidade diante daquela frase. 

— Você vai a-achar a sua Psiquê também! — Ele se curvou. — Ou seu Eros… D-depende de que com quem você se identifica. 

Nós saímos dali de mãos dadas e com um sorriso estampado na boca de cada um. Eu estava feliz por essa tarde e, mesmo com o incidente de Sohui, percebi que hoje foi quase que um dia perfeito. 

E ainda era o primeiro dia que Jungkook estava "morando" comigo. 

[...]

— Ai. Meu. Deus! — Jin disse assim que me viu, correndo até mim. — Ficou parecendo um pimentão vermelho! 

— Hyung! — Jungkook protestou, segurando a risada. — Mentira! P-pimentão é ruim, Jiminie hyung é bom. — Me defendeu, ri baixinho. 

— Desde quando pimentão é ruim, Jungkook?!— Jin perguntou meio ofendido, sorri e neguei com a cabeça mais uma vez. 

— O assunto não era meu cabelo lindo? — Os interrompi. 

— Me passa agora o endereço desse lugar que você foi! — Disse, sorri e concordei. 

— Passo sim, só passamos aqui para pegar um pijama que Jungkook havia esquecido e já vamos para casa. — Falei ele concordou com a cabeça. 

— Vou ter que fechar a livraria mais cedo também, vou… Resolver algumas coisas com meu tio, sabe? — Piscou um olho, sorri e concordei. 

Como eu havia dito, Jungkook havia esquecido uns de seus pijamas favoritos ali na  sua casa e tínhamos ido pega-lo. Eu só deveria ter tido uma ideia de que era o bendito pijama de moranguinhos. 

Quando chegamos em casa, foi como se tivéssemos chegado numa zona de almofadas espalhadas pelo chão. Bam estava praticamente mastigando a última almofada que tinha sobrado no sofá. 

— Bam! — Jungkook arregalou os olhos, correndo até seu filho. — Menino mau! Muito mau! 

Eu ri baixinho, pegando as almofadas espalhadas pelo chão da sala e observando Jungkook dar sermões no cachorrinho com expressão arrependida e os sonzinhos saindo dele. 

— Vai… vai ficar sem… — Ele parou de falar, ficando pensativo. — Hyung, que c-castigo eu dou nele? 

— Meia hora sem seus beijinhos, um castigo horrível eu diria. — Falei, levando em consideração que ficaria bem agoniado se ficasse proibido de beijá-lo por meia hora. 

—Isso! — Ele sorriu, apontando o dedinho repreendedor para o filhote novamente. — Meia horas sem beijinhos o papai Jungkook!

Eu ainda me derreto completamente com o "papai Jungkook" que ele diz sempre que vai falar com o Bam. 

— Cheguei! — Taehyung apareceu segurando algumas sacolas em mãos. — Porra! — Ele proferiu alto assim que me viu. — Ficou mais lindo do que eu imaginava! 

— Jiminie fica b-bem em tudo! — Jungkook disse, pegando o cachorrinho no colo e dando um beijinho em sua cabeça. 

Percebemos que Jungkook não segue os próprios castigos. 

— Realmente, Kookie! — Taehyung sorriu. 

— Olha, Taehy! — Jungkook se levantou, deixando bam no chão e apontando para o próximo rosto quando ficou próximo de nosso amigos. — Maquiagem! 

— Uau, Jungkook-ssi! — Taehyung sorriu, parecia impressionado. — Eu nem tinha Há percebido, ficou tão natural! 

— A m-moça disse que era para re… Realçar minha beleza natural! — Disse, voltando para onde estava. 

— E ela estava certa, ficou incrível! — Taehyung respondeu, se senta do junto a Jungkook. — Como foi sua primeira experiência em um salão? 

— Foi boa, mas… — Ele hesitou em dizer, mordi o lábio inferior ao perceber do que ele estava querendo dizer. — Apareceu uma moça ruim, e a-aquele mesmo garoto do mercadinho… 

— Não me diga que… — Ele olhou para mim, e eu confirmei com a cabeça. — Aquela mocreia estava lá?! 

— Taehyung! — O repreendi, ele negou com a cabeça. 

— Taehyung um vírgula! — Negou com a cabeça, olhando para Jungkook. — O que aquela vagabunda fez, Kookie?

— Ela d-disse que Jiminie era dela… — Abaixou a cabeça, suspirando. Então, ele ele sorriu. — Mas eu não deixei ela abraçar ele! Fiz pah e pum no braço dela para tirar de perto do hyung e fiquei com ele! 

Sério, eu ri muito alto com as suas expressões e maneira de falar. Nem parecia que estava narrando, literalmente, uma briga! 

— Sério?! — Taehyung sorriu surpreso. — Ai que orgulho, neném! — Ele abraçou Jungkook, que riu junto a si. — Se aquela para manca tentar chegar perto de Jimin mais uma vez, você segura no mega-hair dela e-

— Taehyung! — O repreendi novamente, ele murchou. 

— Certo, isso não… — Murmurou, Jungkook riu baixinho. — Vamos fazer assim, você liga para mim e eu seguro naquele cabelo falsificado e-

— Tae! 

— Mas também não pode ser feliz nessa casa! — Contrariado, ele se levantou e foi para a cozinha. 

Depois disso, nós ficamos apenas jogando conversa fora e tentando distrair Jungkook para que ele não pensasse tanto na viajem do pai e avô.

 Durante o jantar, mamãe fez questão de tentar uma receita chinesa ao Jungkook comentar que amava as comidas do país. Ela se saiu bem, como sempre. 

— Hyung, papai mandou mensagem e disse que teve complicações na viagem. — Ele suspirou, deitando em minha cama. — M-mas disse que vai ficar tudo bem também. 

— É… — Murmurei, sem saber o que fazer. 

— Onde Bamie vai dormir? — Mudou de assunto, se levantando. 

Nós ajeitamos um lugarzinho perto da varanda para Bam dormir, mamãe disse que seria bom para ela ter a companhia de um cachorro e que se sentia mais segura assim. 

—Você era acostumada a dormir ao lado de um cachorro antes, não era, tia? — Taehyung disse, arregalei os olhos. 

— Taehyung! 

— Não c-compara os bichinhos a aquele homem, hyung! — Jungkook completou, mamãe riu baixinho e concordou, se deitando. 

— Pobrezinhos dos animaizinhos! — Foi o que ela disse. 

Finalmente deitados, Jungkook e eu ficamos extremamente próximos um no outro naquela minha cama minúscula e que ficou meio apertada para nós dois. 

— Boa noite, docinho. — Falei, deixando um beijinho em sua cabeça. Ele estava deitado sob meu peito, do jeitinho que gostávamos de ficar. 

— Boa noite, moranguinho. — Ele respondeu, um sorriso largo cresceu em meus lábios. 

— Moranguinho? — Minha voz saiu arrastada, mais manhosa do que eu imaginaria. 

— Sim, moranguinho. — Sua voz também saiu de forma manhosinha, acabando por esfregar a bochecha em meu peitoral e rir baixinho. — Jimin é meu moranguinho. 

— Ora essa… — Ri baixinho, negando com a cabeça. — Jungkook é meu docinho. 

— D-Duas coisas que eu amo juntinhas, hyung. — Ele começou a dizer, me deixando um pouco confuso. — Morangos e doces. 

— E eu? —Provoquei, ele riu baixinho mais uma vez. 

— Você é a junção das duas agora. Então… E-então é algo que eu amo duas vezes mais. — Concluiu, me dando um beijinho na bochecha. 

Eu poderia ouvir isso em modo loop pelo resto da minha vida, sem interrupções. 

— Te amo tanto, Jungkook. — Confessei então, fazendo um cafuné em seus cabelos compridos. — Amo igual o Sol amou a Lua e deu os anéis de noivado deles para Saturno segurar, por saber que se ele se aproximasse dela, ela iria derreter. 

— Hyung… — Ele choramingou, negando com a cabeça. — Não quero que você dê nossos anéis para S-saturno. Eu não… Não vou derreter se você me tocar. 

Eu que derreterei de amor se isso continuar. 

— Acho que somos o casal mais meloso desse mundo. — Ri baixinho, dando mais um beijinho em sua testa. 

— Melado é bom, é docinho. — Ele argumentou, ri novamente. — Te amo também, Jiminie hyung, dorme bem. 

E eu dormi, da maneira mais tranquila que se pode imaginar, mesmo estando em uma cama pequena e com outra pessoa. Mas tudo ficou tranquilo por que era justamente por isso, por era com ele. 

Eu pensei que essa tranquilidade iria durar por mais tempo, mas não durou sequer uma noite. 

— Jungkookie? — Chamei baixinho, lhe balançando com suavidade enquanto ele murmurava palavras desconexas e tremia em meus braços. 

Ele estava sonhando com algo. Algo que não estava sendo nem um pouco legal. 

— Jungkook? — Chamei novamente, acariciando seu rosto e tirando a franjinha suada de frente de seus olhos, que se apertaram com força. — Meu doce, acorda… 

Eu estava tentando manter a calma, mas aquilo não estava sendo nem um pouco tranquilo. Jungkook estava literalmente tremendo enquanto tinha um pesadelo, e eu não podia fazer muita coisa para ajudar. 

Por isso, o abracei com mais força e entrei passar a ele um sentimento de segurança, e como eu imaginava, ele foi se acalmando aos poucos e seus olhos se abriram lentamente, marejados e vermelhos. 

— Jun… — Toquei em seu rosto ao me afastar, tirando os fios suados de sua franja de sua testa. 

— Hyung, eu… Eu estou bem? — Sua pergunta me pegou de surpresa, suspirei e balancei com a cabeça, concordando. — Estou bem… 

— Está sim, docinho. — Beijei sua bochecha, trazendo sua cabeça de volta para meu peito. — Está bem, comigo e em segurança. Esse pesadelo não irá te fazer mal. 

— Eu t-tive outra lembrança. — Murmurou, suspirando. — Não são p-pesadelos, hyung, Namu hyung disse que dão lembranças. 

— Que… que lembranças, Jungkookie? — Perguntei, realmente ansioso e com certo medo de sua resposta. 

— Mamãe… Hyung, mamãe não era boa, ela… E-ela não era legal. — Respondeu rápido, apertando a camisa de meu pijama com força. — Mas Ji-hoon era pior.

Meu coração acelerou.

— Eu sei, docinho.— Respondi, tentando parecer calmo. — Sua mãe era uma mulher ruim. 

— Sim… — Respondeu entristecido. 

— Quer me contar sobre suas lembranças? — Perguntei, aguardando sua resposta. 

Ele concordou, meu coração acelerou. 

Ele iria me contar. 

— Mamãe era mau, hyung. — Começou a dizer, baixinho e com a voz quase inaudível, parecia ter medo de dizer cada com daquela palavras. — Mas eu não sabia disso. Ela dava r-remedios que não me ajudavam, ruins como ela e o homem malvado que era J-Ji-hoon. — Sua voz já estava embargada, denunciando seu choro. — Eu sei que papai foi a-acusado de… De matar ela, hyung, mas não foi… 

Então, minha vista escureceu e eu jurei que meu coração iria parar ali. 

Jungkook sabia. Esse tempo todo ele sabia. 

— Você sabia?— Tentei controlar minha voz, mas minha surpresa era nítida. 

— Hyung, as p-paredes de casa sai finas, e as portas também… — Murmurou. —  Queria que ele não m-mentisse para mim… — Murmurou, meio chateado. Meu coração acelerou. 

— Jungkook-

— Papai não confia tanto em mim, não é, hyung? — Ele suspirou, a voz saindo mais embargada que antes, denunciando seu choro. O abracei com mais força. 

— Seu pai estava com medo da sua reação, Jun. — Respondi, com certo medo dele não entender. 

Mas Jungkook entendeu, ele sempre entende. 

— Eu sei, hyung.— Respondeu, sorrindo curto quando limpei as poucas lágrimas que desceram de seus olhos. — Mas não foi ele quem fez isso, hyung, não foi. 

Aquilo estava me deixando levemente assustado. 

Quando eu iria perguntar como eu sabia daquilo tudo, meu celular tocou. Era Seokjin.

— Jin, são duas da manhã…— Murmurei, ainda abraçado a Jungkook, com medo de soltá-lo. 

Jimin! Tenho um babado fortíssimo! — Ele falou, parecia estar entrando dentro de um carro por conta do baque que a posta fez. — Oxe, são duas da manhã e você ainda está acordado? Estava aprontando o que aí com o garoto de voz açucarada? 

Se eu contar, ele choraria. 

— Jin hyung… 

Ta bem! O babado! — Ele disse, animado. — Eu e meu tio conseguimos hackear o celular de Woonjin! — Respondeu, batendo palmas. 

— O que?! 

Sim! E tivemos informações importantes para finalmente colocar aqueles desgraçados na cadeia! — Continuou, meu sorriso aumentou. 

— O que esta acontecendo, hyung? — Jungkook perguntou, confuso e meio assustado. 

— Isso é… Uau! — Eu respondi, mais animado. — Amanhã nos conversamos direitinho sobre isso, está bem? Estou tendo uma conversa um tantinho… Seria, com Jungkook. 

Ih, não vai fazer libertinage

Eu nem sequer deu tempo para que ele terminasse de contar, desliguei em sua cara. 

— Era Jin me contando algumas coisas, te conto quando… Acabar suas confissões. — Disse, ele concordou e mordeu o lábio inferior. — Pode continuar, meu bem, estou te ouvindo. 

Jungkook respirou fundo, parecia se recordar de tudo e aquilo não era, nem de longe, algo bom. 

— Os r-remedios que mamãe me dava, eram fortes. — Mordeu o lábio inferior. — Eles m-mentisse deixavam tonto e com m-medo de cair no chão, por isso dormia rapidinho. Mas, t-teve um dia que eu não tomei eles. 

— Ela esqueceu de te dar? — Perguntei, com certa angústia crescendo. 

A euforia de Jin e seu tio ter coisas. seguido rastrear e Hackear o celular de Woonjin tinha sumido completamente. Eu estava tenso mais uma vez, com certo medo do que Jungkook iria me dizer. 

— Eu f-fingi que tinha bebido, e joguei fora. — Confessou, as mãos se fechando em meu peito novamente. — E-então, eu ouvi gritos, choro e vozes muito altas e meu ouvidos doeram… Jungkookie descieu as e-escadas da nossa antiga casa meio tonto, porque ela tinha esquecido de… De me dar o almoço e estava com muita fome. 

— Jungkookie… 

— Hyung, d-deixa eu contar, se não foi ficar com medo de novo. — Pediu, com os olhos fechados e parecia se concentrar em suas lembranças. 

— Certo, pode contar tudinho, Jun. — Sorri ao dizer, dando mais um beijo em sua testa.

Eu estava tentando menter calmo.as estava mió complicado. 

— Ji-hoon e mamãe estavam discutindo, hyung. — Ele disse, suspirando meus olhos se arregalaram novamente.— Eu fiquei muito assustado, porque fazia alguns meses que papai tinha demitido ele… — Deu uma pausa, respirpu fundo e mordeu o lábio inferior antes de voltar a dizer.

Eu estava realmente com medo do que viria a seguir.

— Eles estavam b-brigando, porque Ji-hoon colocou várias doses de vários remédios em um copo. 

Não… 

— Os remédios eram para mim, hyung. — Ele disse, voltando a chorar. Meus olhos se arregaram. — Os r-remédios eram para eu beber, era para Jungkookie t-ter…Ter morrido no lugar de mamãe, Jiminie. 

Eu não podia acreditar. Aquilo era surreal de tão ruim. Não podia ser real. 

Mas mamãe tomou, mesmo sabendo do que tinha no copo. 

— O que?!

De agora em diante, as coisas irão finalmente se encaixar.

🧚🏻‍♂️🤯

1: Pablo Ruiz Picasso foi um pintor espanhol, escultor, ceramista, cenógrafo, poeta e dramaturgo que passou a maior parte da sua vida na França.

2: Leonardo di Ser Piero da Vinci, ou simplesmente Leonardo da Vinci, foi um polímata nascido na atual Itália, uma das figuras mais importantes do Alto Renascimento, que se destacou como cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico.

3: Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni, mais conhecido simplesmente como Michelangelo ou Miguel Ângelo, foi um pintor, escultor, poeta, anatomista e arquiteto italiano, considerado um dos maiores criadores da história da arte do ocidente.

4: meme do jean de Shingeki no kyojin brasileiro

(é um meme famosinho no tikoteko mas eu chamo o "criador" de jean de sinheki no kyojin brasileiro por meme tbm ok, é tudo mama

Pergunta pra casar comigo: quem vcs acham que foi o melhor artista? 🤓

🧚🏻‍♂️🤯

OI OI MEUS AMORES LINDINHOA FADINHAS DA MINHA VIDA🥺

Gostaram do cap? Tem informações de mais né? Só piora daqui pra frente 😞

BRINCADEIRA! Só melhora* até pq já estamos no capítulo trinta, entãokkkk eita vixe eita mds

Perdoem qualque erro tá? São quase dez da noite e eu to todo fodido da cabeça pq achei que essa energia que sUMIU DESDE DOMENICO NÃO VOLTARIA MAIS

Agora olhem esse homem de cabelo vermelho senhor da glorua

O moranguinho do jungkook 😞💔

Falando no kingo it boy best vocal, lembrei de divulgar uma coisinha importante para o fandom se lugar direitinho: FACE by JIMIN COMING 24/03 ‼️YOONGI BIRTHDAY GOALS 09/03 ( a yoonwaak começa dia 04/03)  E ‼️ON THE STREET by JHOPE 03/03 ‼️

não to preparado para ver o hobi carequinha irei me chorar 😭💔

NÃO SUPEREI NEM O JIN E JÁ VAI FAZER TRÊS MESES, IMAGINA O HOSEOK MANO XJSIXISODJD e ainda faltam cinco me da uma depresaonkkk

Belezinha vamo mudar de assunto e e dar uns avisinhos importantes: a fanfic esta acabado. Fim do aviso tchau.

Brincadeiras a partes: a fanfic esta acabando, ainda não decidi se irei narrar explicitamente o nheco nheco hot sumut dedo no c e flores belas dos jikook, mas assim, veremos até lá 🧚🏻‍♂️

E mais uma coisa: eu amo vocês do Fundo do meu coração. Aquela cantada de nerd que o jimin deu no jun serve pra vcs tbm tá,

bITOQUINHAS EM SUAS BOQUINHAS DE TULIPAS E ATÉ SÁBADO QUE VEM! 💋

oi venho humildemente
implorar por vossas atenções
na tag #fadasnocoracão do twitter pra falar da fanfic pq esse gay aqui fica imensamente fELIZ QUANDO VÊ ALGUMA COISINHA LÁ MDS OBRIGADO PRA QUEM USA😭😞💕

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