Capítulo 8
Acharam que tinha acabado foi?
Pois tomem dois capítulos hoje para deixar claro que agora o livro começa de verdade.
AGORA VAI, AMÉM!
***
A sexta feira havia chegado e com ela a minha primeira folga. Eu estava animada por poder ficar ao menos um dia em casa na minha paz. Mesmo que agora eu finalmemte estivesse conseguindo o que eu queria, eu merecia um descanso.
Acordei hoje por volta das duas horas da tarde, e assim mesmo só acordei porque Angelique me acordou para sairmos e irmos as compras.
A terapia dela é ir as compras, algumas pessoas descontam as frustrações e decepções delas na bebida, em esportes, comida. Mas Angelique desconta no pobre cartão de crédito dela e gasta uma fortuna em coisas que em algum momento ela nem saberá qual será a utilidade.
Eu estava no meu momento de não saber exatamente o que fazer, eu ainda tenho problemas com compras. Na verdade me sinto um tanto envergonhada de gastar já que o dinheiro ainda é dos meus pais.
Angel já tinha visitado cinco lojas diferentes e estava cheia de sacolas. Eu tinha comprado duas peças de roupas apenas e um sorvete de casquinha.
— O que você acha daquele sofá? – me apontou do lado de fora da loja de móveis.
— Você tem um sofá novinho Angelique, nem vem. – respondi.
— Mas aquele o Guilhermo sentou várias vezes, tenho que joga-lo fora e tacar fogo. – ela diz e quase rio.
— Certo, então compre o sofá. – ela me sorri e entra na loja.
Angelique está com um chapéu branco tampando os olhos junto de um óculos escuro. Ela está sozinha em Atlanta, sem seguranças e nem nada. Ela é bastante conhecida, se reconhecem ela, já era!
Ficamos alguns minutos na loja e ela comprou um sofá branco e bonito. Saímos da loja e ela estava sorrindo parecendo aliviada.
— Eu acho que finalmente superei Guilhermo, nada que roupas e um sofá não fazem. – disse me sorrindo. Assim que nos colocamos para fora do shopping já era fim de tarde. — Uh, que tal irmos tomar algo? Abriu um barzinho novo que eu estou muito afim de ir.
— Tudo bem, vamos. – digo guardando as compras no porta-malas do carro novo dela e entrando logo em seguida.
— Eu estou me sentindo tão bem. – ela disse já colocando o carro em movimento. — Estar com você fazendo coisas que eu gosto, me faz feliz e me faz esquecer tudo o que me frustra.
— Fico feliz em saber disso. – lhe sorrio.
— Você é a melhor amiga que eu tenho. – diz me olhando.
— Olha para frente, criatura! – exclamo e ela o faz. — Eu estou cansada e afim de beber um pouco, mas como sou sua melhor amiga eu vou simplesmente ignorar isso e deixar você beber hoje.
Ela me sorri.
Chegamos em poucos minutos no local, ao entramos me surpreendido com o quão refinado e elegante era o lugar. Havia mesas por todo o local e um balcão.
Sentamo-nos no balcão e pedimos uma taça de vinho e uma copo de coca-cola para mim.
— Você sabia que coca-cola faz mal? – Angel me questiona após os pedidos terem sido feitos.
— Sei, mas eu não tomo sempre. – ela da de ombros.
Observei o local maravilhada pela decoração rústica e confortável. Meus olhos param em um casal que acabou de entrar e se arregalam ao reconhecer. Encaro o balcão no mesmo instante.
— O que foi? Parece que viu um fanstasma. – Angelique diz me olhando.
— David está aqui. – murmuro para ela que arregala os olhos.
— Onde? – vira-se caçando com os olhos.
— Desfarça! – a belisquei. — Na mesa atrás de nós, junto da ruiva tatuada. – ela procura e parece finalmente encontrar.
Lembra do disfarça? Então, Angelique não sabe o significado disso. Pois agora ela os encara com a boca aberta como se fosse uma louca!
— Para de encarar! – digo e ela me encara.
— Por que não me disse que ele era tão gostoso? – murmurou fazendo expressões consideradas por mim como assustadoras.
— Porque não achei necessário. – dei de ombros.
— Jason deve ter tido um ataque ao ver esse cara como seu namorado. – ela riu me lembrando do ocorrido. — Ele dá de dez a zero naquele idiota. Parabéns amiga, dessa vez você fez a escolha certa. – diz fazendo positivo com o dedo enquanto ri.
— Ridícula! – exclamo estapeando seu dedo. — Ele é sim um gostoso e tudo mais, mas ele é irritante. Te falei que discutimos ontem? Ele me fez derrubar calda de chocolate na minha roupa! – Angelique ri.
— Você já me contou isso três vezes Maria. – ela diz.
Angel era a única que me chamava de Maria, dizia que gostava do nome e que eu não precisava esconde-lo do mundo.
— Não te contei três vezes. – digo bebericando a minha coca-cola, a que eu nem sequer havia percebido que já estava ali.
— Contou sim, ficou indignada por discutirem do nada quando você quem causou a discussão. – riu. — Você é excelente.
— Não me testa Angelique. – suspiro assistindo ela tomar seu vinho. Viro-me com cuidado para encarar meu chefe e o vejo bastante animado com a ruiva. — Será que é namorada dele?
— Está com ciúmes? – fecho os olhos e solto um suspiro controlando a vontade de arrancar o aplique de Angelique com as unhas.
Já disse que Angel pode ser bem irritante?
— Eu estou perguntando por pura curiosidade! – exclamo antes de tomar um pouco da minha coca.
— Eu não sei, eles parecem estar em um encontro. – ela diz os encarando novamente. — Ela está muito afim, ele eu já não sei.
— Como sabe que ela ela está muito afim? – pergunto sorrindo.
Angel tinha um certo poder de saber o quanto as pessoas estão afim da outra. O que chega a ser irônico ela não saber o quanto o noivo dela estava gostando dela.
— Ela é uns noventa e nove porcento. – ela diz cerrando os olhos para os dois como se os analisasse. — Ele está afim em uns sessenta porcento.
— Só isso?
— Ele está interessado nas coisas que ela diz e até sorri, mas ele não olha muito para ela. Está a todo tempo encarando o copo como se tivesse coisas mais importantes para pensar.
— Talvez ele seja tímido. – digo dando de ombros.
— Ou talvez ele esteja cansado. – ela diz dando também de ombros. O celular de Angel começa a tocar e por um momento a vejo ficar tensa.
— O que foi?
— Nada, vou atender e já volto. Pede outro vinho para mim. – disse e se afastou. Estranhei a ação mas apenas fiz o que ela disse.
Não beber me deixava entediada, mas mesmo que Gerluza e mamãe digam que eu preciso crescer mais um pouco, eu já sou adulta e sou responsável. Papai me aplaudiria se soubesse o que estou fazendo essa noite.
Minutos mais tarde, Angelique volta. Mas não existe mais o brilho de animação nos olhos dela, apenas lágrimas. Coisa que me deixou bastante preocupada.
— O que houve? – questionei.
— Era... – soluçou. — Era o Guilhermo.
— O que ele queria?
— Eu não sei, só sei que eu não superei. – voltou a chorar como um bebê.
Soltei um suspiro e a abracei.
— Vai passar, não se preocupe. Senta e tome um pouco de... – ela vira o vinho de uma vez só.
— Moço, me trás outro. – ela pede ao barmen.
— Angel...
— Eu estou triste, me deixe beber. – diz e apenas afirmo.
Ela tomou um litro inteiro de vinho sozinha e já estava pronta para outro, mas como ela já estava alterada eu a impedi.
Angel é fraca para bebidas, isso não é de hoje. Não deveria ter deixado mas quando ela está triste e o shopping fechado, é isso que ela faz.
— Eu amei, me dediquei a ele para no final ele me trair com a primeira belga peituda que apareceu na frente dele! – ela disse com a voz arrastada ainda chorando. — Eu o amei, Maria! Amei muito e ele fez isso comigo. Por que? Por que?! – perguntou mais alto chamando a atenção das pessoas.
Ah merda, merda, merda!
— Angel, vamos embora. Lá em casa de uns pratos e você pode quebrar todos mesmo que a Gerluza venha querer nos bater amanhã de manhã. – digo. — Vamos embora?
— Não, eu queto tomar mais um pouco. Eu quero esquecer que um dia eu amei aquele imbecil e lindo que eu um dia amei... – pausou. — Que eu ainda amo. Eu amo entendeu?
— Sim, eu entendi. Mas vamos embora agora, lá em casa você pode demonstrar todo seu amor por ele. – a puxo pelo braço mas ela volta para o mesmo lugar.
— Eu não amo! – se decidiu séria, ou quase. — Eu o odeio, eu quero arrancar cada fio daquele cabelo loiro dele com as unhas e fazer ele engolir!
— Tudo bem, eu tenho uma pelúcia lá em casa e você pode depenar ela fingindo ser ele. – digo a puxando pelo braço novamente. — Vamos embora Angel.
— Eu só queria que ele me amasse! Ele disse que me amava só que, quem ama não faz o que ele fez. Ele me traiu, me fez sentir um lixo, insuficiente... – desabafou.
Os quatro estágios de uma bêbada traída, por Dra. Kiera Evans.
Os estágios de ações e sensações são divididos em quatro estágios:
O primeiro estágio é a confusão.
O segundo é a negação.
O terceiro é o ódio.
E o quarto é o desabafo.
Solto um suspiro, e se eu não estivesse dirigindo eu pediria uma garrafa de vodca e tomaria.
— Com licença, você precisa de ajuda? – a voz do demônio me desperta.
David está parado ali ao meu lado, e era óbvio que ele havia presenciado tudo. Não só ele como todo o bar.
— O chefe gostoso da minha amiga! – Angelique solta sorrindo igual uma idiota.
Sem me segurar, eu lhe belisco.
— Oh, David! Que surpresa você por aqui, nunca imaginei! – fiz a sonsa enquanto soltava uma risada nervosa. — O que faz por aqui?
— O que geralmente pessoas fazem em um bar, Kiera? – ele perguntou com a maldita da sobrancelha arqueada.
— Tiram as roupas! – Angelique exclama. — Kiera sabe fazer striptease, não é Kiera? Faz ai! – me deu um sorriso perverso.
Tampei sua face com a minha mão e voltei a encarar meu chefe com um sorriso.
— Está tudo bem por aqui, não se preocupe. Eu dou conta dela. – digo dando meu melhor sorriso.
— Não tem nada bem aqui, eu quero muito ajuda. – ela diz empurrando minha mão e quase se jogando em cima dele.
Se eu pudesse cavar um buraco e me enfiar com certeza eu faria isso agora.
— Por mim tudo bem ajuda-las. – ele diz sorrindo. Angel se apoia nos ombros dele e lhe sorri e os dois caminham para fora do bar. A ruiva acompanhante dele não está mais no bar.
Eu vou envenenar Angelique ainda hoje! Veneno de rato? Ou talvez ela devesse morder a própria língua!
Pago a nossa conta e me retiro do bar também.
Ao chegar no estacionamento me deparo com uma cena horrívelmente horrível. Angel estava vomitando e David segurando seus cabelos.
Seria meu sonho pedir para o Thanos me transformar em pó uma hora dessas?
Depois que ela quase colocou o útero dela para fora, David a ajudou a se levantar e eu abri a porta traseira.
— Muito obrigada. – digo.
— Está tudo bem.
— Sério mesmo, não sei nem como agradecer. Não precisava interromper seu encontro para vir me socorrer. – digo visivelmente envergonhada.
— Quem disse que era um encontro? – o encarei.
— Não era um encontro?
— Na verdade era. – reviro os olhos. — Mas eu não deixaria de ajudar uma conhecida.
— Muito obrigada pelo seu cavalherismo, chefinho. – digo em provocação. — Agora eu preciso ir agora e afogar aquela maluca no chuveiro ou joga-la na primeira caçamba de lixo que eu encontrar. Na verdade ainda não me decidi sobre qual a melhor maneira de mata-la.
— Devo me preocupar? – questionou ele arqueando aquela maldita sobrancelha.
— Não se preocupe, prometo não ir presa.
— Ótimo, pois saiba que se você for presa eu não vou depor a seu favor. – ele diz.
— Certo, vou indo. Muito obrigada. Acho que fico te devendo uma. – aceno e entro no carro. Ligo e dou partida deixando David para trás.
Durante o trajeto Angel foi resmungando, o carro estava em total silêncio. Minha mente estava longe de mais para me preparar para o que veio a seguir.
— E EU PRECISO DE VOCÊ HOJE À NOITE. – a voz esganiçada de Angel soou me dando um susto. — EU PRECISO DE VOCÊ MAIS DO QUE NUNCA E SE APENAS ME SEGURAR APERTADO NÓS ESTAREMOS SEGURANDO PARA SEMPRE E NÓS ESTAREMOS SEGURAND– soluço. — PARA SEMPRE E NÓS ESTAREMOS APENAS FAZENDO O CERTO... – pausou e começou a chorar.
Ela continuou cantando com a voz chorosa e lenta de bêbada. Não importava qual era a situação, ela sempre encontrava uma música que se encaixasse com o momento em que ela estava passando. Dessa vez o clássico "Total Eclipse of the Heart" da Bonnie Tyler quem teve a vez.
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